On a whim
 Srie Katie 2
Robin Jones Gunn
                                        Captulo 1
- Qual boto eu aperto? Katie fitava o painel de opes do aparelho de micro-
ondas da sua melhor amiga.
- O que diz 'pipoca'. A voz de Cris do quarto de seu apartamento carregava nfase
suficiente para comunicar que Katie deveria saber a resposta bvia.
- Oh. Achei!
Katie pressionou o boto de pipoca e sacudiu o seu cabelo ruivo para trs das
orelhas. Ela estava pronta para comer bastante naquela Noite das Garotas delas.
Abrindo a porta do freezer, ela gritou:
- Tudo bem se eu usar todo o gelo? Voc no tem muito aqui.
- Use tudo, Cris gritou de volta. Voc sempre pode descer ao apartamento do
Rick se voc precisar de mais.
- Rick est no Arizona. Eu te contei isso, no contei? Katie parou de encher o
liquidificador com gelo enquanto Cris caminhava para dentro da cozinha. Ela
tinha vestido shorts de pijama de flanela folgados e uma das camisas de moletom
com capuz de Ted. Seu longo cabelo cor de noz-moscada estava preso em um
rabo-de-cavalo e o seu rosto estava verde.
- Uau! Isso  mais verde do que eu me lembrava. Katie disse. Voc j est
sentindo formigar?
- Um pouco. Sinto minha pele esticada.
-  assim mesmo que deveria estar.
- Ento eu acho que est funcionando. Cris pegou um dos morangos congelados
que estavam descongelando em uma tigela no balco da cozinha. De que voc
disse que isso foi feito?
- Os smoothies? 1
- No, a mscara facial.
- P de ch verde, plen de abelha, mel, ovos brancos e algumas outras coisas
orgnicas.
- E me diga de novo quem deu isso a voc e disse que era timo?
- Nicole. Ela usa isso o tempo todo e voc viu a pele dela.
- A pele dela  perfeita, Cris disse. Mas Nicole provavelmente se exercita
regularmente e come direito, ento eu acho que ela tem vantagens adicionais
sobre ns.


1
    Bebida feita com iogurte e frutas. Parece um pouco com sorvete, mas  mais saudvel.
- Ns estamos trabalhando na sade alimentar at mesmo enquanto falamos.
Katie colocou alguns morangos e blueberries2 congelados dentro do liquidificador
por cima do iogurte light e dos cubos de gelo.
- Ns tnhamos gelo suficiente? Cris abriu a porta do freezer. Eu acho que o nosso
congelador est estragado.
- Ns temos o suficiente. Ajuda que as frutas ainda estejam congeladas.
- Se voc quiser mais gelo, eu estava falando srio quando disse que voc poderia
descer ao apartamento do Rick e do Eli. Eli provavelmente est l. De fato, ele
vai at ficar feliz por ser a pessoa a lhe dar o gelo, pra variar.
- Muito engraado.
- Mas  isto. Cris tentou abrir a sua boca na forma de um O e passou levemente a
mo em um lado do seu rosto. Eu estou rachando?
- Sim. E eu no vou fazer nenhum comentrio adicional. Eu tambm no vou
adicionar comentrio algum ao tpico de quo supostamente rude eu sou com
Eli. Eu j ouvi demais o Rick falando sobre isso. O cara me deixa nervosa, ok? Isso
 tudo o que eu estou dizendo. Isso  tudo o que eu j disse a respeito dele. Eli
...
- Ele  um de ns, Katie. Voc nem deu uma chance a ele. Ele  o colega de
quarto do seu namorado e ele foi o colega de quarto do Ted quando eles estavam
na Espanha. Ele vai estar durante algum tempo em nosso crculo. Voc realmente
precisa fazer as pazes com isso.
O micro-ondas deu um "bip" lento e Katie tirou vantagem da interrupo para
sair do assunto atual da conversa.
- Eu acho que o seu micro-ondas est mais ou menos do mesmo jeito que o seu
congelador. Esse saco de pipoca mal comeou a inchar.
- Mas est com cheiro de pipoca. Cris deu um passo passando pela mesa da
cozinha rumo  janela que tinha aberto para o ptio gramneo e o passeio de
cimento. Talvez seja essa mscara verde que eu estou cheirando. Alguma coisa
est cheirando forte.
Katie apertou o boto de pipoca no micro-ondas novamente e retornou ao
liquidificador e o ligou.
- Voc gosta bem batido? Ela gritou por cima do som do gelo sendo quebrado.
- No faz diferena pra mim, bata o suficiente at que fique doce. Eu no gosto
de smoothies que parecem mais com um iogurte forte do que com fruta.
- Por que voc no trabalha na mistura perfeita enquanto eu pinto o meu rosto
de verde?
Cris balanou a cabea, mas no disse coisa alguma numa tentativa aparente de

2
    Planta silvestre que d frutinhos comestveis.
no estragar sua mscara verde que estava secando.
Katie entrou para dentro do pequeno banheiro do apartamento de um quarto de
Ted e Cris. O banheiro era do mesmo jeito que o do apartamento de dois quartos
de Rick e Eli, alguns andares abaixo. A pia oval tinha as mesmas torneiras de
bronze com o mesmo tipo de corte e tom e cal na base.
O que fazia o banheiro de Ted e Cris quase atraente era o tapete combinando
com a cortina de chuveiro e as toalhas. Katie tinha ajudado Cris a escolher o jogo
colorido com crdito que Cris tinha na Banho e Alegria depois de ela devolver
uma variedade de presentes de casamento repetidos. Agora tudo no banheiro
dela combinava. Os tons praianos de listras amarelo plido, azul e verde na
cortina do chuveiro eram acentuados pelo tapete e toalhas e faziam o quadro
com a foto de uma cachoeira na parede parecer ainda mais convidativo.
Katie podia quase acreditar que isso estava prestes a se tornar uma relaxante
experincia de spa caseiro que ela esperava quando Cris sugeriu que Katie viesse.
As longas horas que Katie havia aplicado em seus estudos estavam comeando a
desgast-la, assim como a disponibilidade de 24 horas por dia que era requerida
dela como uma assistente dos residentes na Universidade Rancho Corona.
Esse tempo de reconexo para Katie e Cris estava passando da hora h muito
tempo.
Colocando seu cabelo sedoso pra trs num rabo-de-cavalo, Katie fez uso de
alguns grampos que Cris deixara no balco. O primeiro passo era lavar o rosto.
Depois, ela aplicou a meleca orgnica com dois dedos. A sensao fresca e
refrescante a levou a abrir bem os olhos e a boca e fazer uma cara engraada no
espelho. Ela notou que a cor verde da mscara era do mesmo tom de seus olhos.
Com uma cheirada, Katie concordou com o comentrio de Cris mais cedo de que
algo tinha um odor forte. Ele parecia estar ficando mais forte e no era
especialmente agradvel.
- Cris,  essa pipoca que eu estou cheirando? As palavras de Katie estavam
perdidas no zumbido do liquidificador.
Andando vagarosamente para a cozinha, Katie chegou bem enquanto Cris
desligava o liquidificador. Com um olhar para o micro-ondas, Katie gritou:
- Fogo!
Movendo-se rapidamente pela cozinha, Katie bateu seu punho no boto de
desligar o micro-ondas. Ela agarrou o liquidificador e, abrindo a porta do micro-
ondas, ela molhou o saco de pipoca com o smoothie de iogurte de morango.
- Katie!
- Est tudo bem. Olha, apagou o fogo. No se preocupe. Eu vou limpar. Cara, o
que aconteceu com essa coisa pattica? Katie puxou um par de pegadores da
primeira gaveta ao lado do fogo e tirou o saco de pipoca. Ela segurou o disco
retangular chamuscado gotejando com sujeira de morango sobre a pia. Ao invs
de inchar e subir como um saco de pipoca de micro-ondas normal, o achatado e
indiferente saco de papel tinha entrado em auto-combusto e explodiu em
chamas.
- Que baguna! Ta com um cheiro horrvel. Katie, de onde essa pipoca veio?
Sem responder  pergunta de Cris, Katie derrubou o desastre h pouco evitado na
lixeira e foi atrs de um pano de prato para amenizar a sujeira rosa.
- Voc ainda tem a caixa? Cris continuou. Porque eu estou pensando que ns
devemos contar  loja, ento eles podem substituir o restante do estoque.
- Isso no ser necessrio. Katie evitou o olhar de Cris. Eu no comprei em uma
loja.
Cris entregou a Katie o rolo inteiro de papel toalha e esperou que ela finalizasse
a sua confisso.
- Eu comprei a pipoca num bazar de garagem. Eu sei, eu sei. Voc no tem que
dizer nada. Eu estou fazendo uma nota para mim mesma neste exato momento:
'Ei, Katie, de agora em diante no compre comida em um bazar de garagem. '
No vou me esquecer disso.
Cris acomodou o chumao usado de papel toalha dentro da lata de lixo e deu a
Katie um olhar perturbador.
Com um sorriso sem-graa, Katie disse:
- Acho que isso significa que eu no deveria usar a caixa do Hamburger Helper
que eu tambm comprei no bazar de garagem.
Embora ela quisesse parecer furiosa, Cris comeou a gargalhar. Ou, pelo menos,
tentar gargalhar. Sua boca estava puxada pra trs em uma posio apertada, no
natural.
Katie deu risada da expresso esquisitamente inclinada de Cris, agradecida que a
sua amiga estivesse mais uma vez estendendo graa a Katie.
S ento uma batida alta soou na porta.
Katie e Cris pararam de rir e olharam uma para a outra. Katie podia sentir a
mscara secando e apertando as dobras que sua risada tinha acabado criar.
- Voc vai atender  porta? Katie sussurrou.
- No com essa cara!
A batida soou novamente.
- Voc atende. Cris deu uma cotovelada em Katie.
- Eu? Este  o seu apartamento, no o meu.
Uma abafada voz masculina do outro lado da porta fechada chamou pelo nome
de Cris.
- Eu acho que  o Eli, Cris sussurrou.
- Ele provavelmente sentiu o cheiro da fumaa saindo pela janela aberta. Venha.
Ns duas devemos ir.
Antes que Cris pudesse protestar, Katie a puxou at a entrada e abriu a porta
totalmente. Tentando menosprezar o desastre que, por pouco, no acontecera,
Katie ensaiou uma pose casual como se ela "batesse ponto" toda sexta-feira 
noite no apartamento de sua amiga casada, pintando seu rosto de cores vibrantes
e colocando fogo em modestos eletrodomsticos.
Eli, ou Cara do Cavanhaque, como Katie o tinha intitulado no casamento de Cris
e Ted, estava de p no tapete de boas vindas segurando um grande saco de lixo
preto. Ele estava usando a camiseta cqui exigida para o seu cargo de segurana
do campus. Seu cabelo castanho-claro estava mais curto do que estivera da
ltima vez que Katie o vira dirigindo pelo campus em um dos carros de golfe.
Assim que as irms marcianas com seus penteados de Pedrita Flintstone abriram
a porta, Eli e o seu saco de lixo deram um passo involuntrio para trs. A
exclamao dele parecia estar presa  sua garganta.
- Um pouco cedo para o Natal, Katie brincou apontando com a cabea para a
sacola.
Eli levantou o queixo como um urso pardo farejando fogueiras campestres.
- Est tudo bem? Eu acho que ouvi algum gritar quando eu deixei meu
apartamento. Ento eu senti o cheiro... Cara, isso est horrvel. O que queimou?
- Pipoca de micro-ondas. Para crdito de Cris, ela estava mantendo a sua
compostura mesmo que Katie soubesse que esse tipo de momento era mais
humilhante para Cris do que para Katie. Apesar de que Katie estava sentindo o
seu rosto esquentar sob a mscara e percebia que estava envergonhada. Isso no
acontecia com muita freqncia.
- Para ser precisa, Katie disse, o pacote estava etiquetado como pipoca de micro-
ondas, mas eu acredito que o contedo atual precisaria de um teste de DNA para
determinar o seu original contedo e identidade. Ou talvez a pipoca seja uma
candidata ao teste do carbono. Ns temos o artigo petrificado na lixeira se voc
quiser provar.
- Eu acredito em voc, ele disse, retornando  sua compostura. Eu s queria ter
certeza de que tudo estava bem. Eu sei que o Ted est com o grupo de juniores
esta noite, mas eu no sabia se voc estava com ele, Cris, ou se o seu
apartamento estava vazio.
- Obrigada, Eli. Cris disse docemente. Eu agradeo sua preocupao comigo.
- Certa de que voc entendeu at agora  Katie adicionou com um gesto
impetuoso com o seu vesturio, cabelo e rosto - ns estamos tendo uma noite de
embelezamento, j que o Rick e o Ted esto, ambos, fora esta noite.
Eli balanou a cabea.
- Rick est aqui.
- No, ele no est. Ele est no Arizona.
- Ele ainda no partiu.
- Ele est no apartamento de vocs agora?
Eli acenou que sim com a cabea.
Katie no precisava de nenhum convite prvio para passar como uma rajada por
Eli e ir rumo ao apartamento de Rick e Eli.
Refletir em suas aes antes de responder a elas nunca fora o forte de Katie. Ela
era muito melhor seguindo seus instintos. Nesse momento, com o rosto verde e
tudo, ela queria ver Rick. Ela sabia que ele no ficaria surpreso. Muito poucas
coisas sobre ela ainda o surpreendiam, incluindo sua espontaneidade impulsiva.
No vero passado, Rick foi quem disse a Katie que suas melhores decises eram
aquelas em que ela ia com seus instintos. Ele fez essa declarao durante uma
semana difcil quando ela estava tentando decidir se trocaria de curso bem em
seu ltimo ano de faculdade. Ao mesmo tempo ela estava pensando sobre pegar
o cargo de assistente dos residentes no dormitrio. Suas escolhas no nvel
intuitivo acabaram se tornando boas escolhas.
Ela bateu um pequeno nmero rtmico na porta fechada do apartamento e
considerou brevemente o que ela poderia dizer quando ele respondesse. Agora
que ela e Rick tinham dado o prximo passo no seu relacionamento e
oficialmente chamavam um ao outro de namorado e namorada, eles estavam
descobrindo que a comunicao entre eles necessitava de mais trabalho do que
eles pensavam. Katie sabia que Rick teria uma boa explicao para ele no estar
 caminho do Arizona como ele disse que estaria. Ela s queria ouvir dos lbios
dele.
Alto e de cabelos escuros, Rick permanecia em frente a ela com um olhar pouco
divertido em seu rosto bonito. Ele poderia interpretar uma figura autoritria caso
ele quisesse mostrar seus dois metros de altura e assumir seus ombros de
atacante principal de um time de futebol americano. Katie o tinha visto ficar
desse jeito no Caf Ninho da Pomba onde ele era o gerente e onde ela tinha
trabalhado com ele por oito meses, antes de comear o seu ltimo ano da
faculdade.
- Doces ou travessuras?
- Voc est um pouco atrasada para o Halloween. Rick esfregou a parte de trs
do seu pescoo e gesticulou para ela entrar.
- E voc est um pouco atrasado para o seu vo. Eu pensei que voc estaria a
caminho do Arizona nesse exato momento.
- Eu estaria mesmo, mas Josh achou que ns deveramos ir de carro dessa vez e
usar as milhas de bnus da prxima vez. Eu estou esperando ele vir me buscar.
Eu disse a voc tudo isso na mensagem que eu deixei no seu telefone. Voc
checou suas mensagens durante a ltima hora, ou duas?
- No. Cris e eu estamos um pouco, uh... Ocupadas.
- Estou vendo. Voc precisa de uma toalha ou algo assim?
- No. Bem, na verdade, sim. Est na hora mesmo de tirar isso. Eu volto logo. Ao
invs de usar o banheiro de Rick, Katie foi at a pia da cozinha e lavou o seu
rosto. Ela usou papel toalha para secar e esfregou bem para remover a meleca
verde endurecida.
Retornando  sala de estar onde Rick estava assistindo TV com o som no mute,
Katie se jogou ao lado dele e segurou a mo dele. Esfregando os dedos dele na
bochecha dela, ela perguntou:
- O que voc acha? Est mais macia?
- Est meio grudenta.
- , est mesmo. Essa coisa funciona como uma poo milagrosa na pele de
Nicole.
- Quem  Nicole?
- Voc a conheceu.  a outra AR do meu andar. Nicole, aquela com o cabelo
escuro bonito e a pele corada.
- Ah, sim. Eu j a vi. Eu no sei se eu a conheci oficialmente.
- No importa. A mscara verde  algo que ela me deu pra testar. Agora eu vou
ter uma pele macia e corada.
Rick colocou o seu brao em volta de Katie e beijou-a na ponta do nariz.
- Para mim, voc est tima bem do jeito que voc .
- Desapareceu alguma das minhas sardas?
- Espero que no. Rick chegou mais perto dela enquanto a porta da frente se
abria. Ele se afastou.
Eli entrou e foi para a cozinha sem olhar para Rick e Katie abraados em cima do
sof. Eles podiam ouvi-lo colocando um novo saco na lixeira embaixo da pia.
Katie percebeu que ela deixara seu papel-toalha usado no balco e gritou:
- Desculpe, Eli, eu deixei uma pequena baguna a. Apesar de que, se serve de
consolo, no  nada comparado  baguna que eu deixei na cozinha da Cris.
Voltando-se para Rick, ela disse:
- Eu realmente deveria voltar e ajudar Cris a limpar. Ns tivemos um pequeno
desastre.
- Eu quero saber o que aconteceu?
- Provavelmente no. Katie sorriu para Rick. De qualquer forma, voc quer vir
comigo?
-  melhor eu ficar aqui mesmo. Ele olhou para o seu relgio. Josh vai querer
pegar a estrada imediatamente, j que a viagem  de cinco horas.
- Quando voc vai estar de volta?
- Quinta-feira.
- Ok. Katie tinha se acostumado com as viagens de Rick para o Arizona nos
ltimos meses. Ele e o irmo dele estavam abrindo um caf em Tempe. Muitas
das etapas que foram planejadas para serem rpidas estavam tomando mais
ateno e tempo do que eles tinham previsto. Rick estava empolgado com o
projeto, mas o nmero de viagens dele era praticamente compatvel ao nmero
de vezes que ela tinha rejeitado oportunidades de estar com ele, por causa das
responsabilidades de AR dela na Rancho Corona. Voc vai estar de volta a tempo
para a Noite de Pizzas de Casais na sexta, Katie disse.
- Que horas  isso mesmo? Rick pegou o seu novo telefone celular e colocou o
calendrio  tela.
- Olhe pra voc, todo organizado.  s sete da noite de sexta-feira, no Crown
Hall e ns precisamos ir com outro casal porque a parte de criao de pizzas do
evento  para grupos de quatro.
Rick entrou com a informao no seu telefone.
- Ns vamos com quem?
- Ainda no sei.
- Ei, Eli! Rick gritou. O que voc vai fazer na prxima sexta  noite?
Katie lanou um olhar em Rick, ela esperava que ele entendesse que era melhor
no convidar Eli. Rick entendeu o olhar dela e deu um olhar do tipo "okay" para
acalm-la.
- Eu tenho que estar no trabalho s onze. Ele se sentou na cadeira reclinvel
perto da estante de livros. Por qu? O que vai rolar?
Katie no respondeu.
- Voc ouviu o que Katie estava falando? A noite da pizza?
- Sim.
Katie virou a sua cabea para longe de Eli e deu a Rick um olhar irritado.
Rick coou a sobrancelha.
- Ns ainda estamos na fase das tentativas, caso d certo, tenho certeza de que
Katie ir te comunicar durante a semana.
Katie lanou a Rick um olhar posso-falar-com-voc-um-minuto-em-particular. Ela
se levantou do sof e disse:
-  melhor eu voltar para o apartamento da Cris. Voc quer me levar at l, Rick?
A resposta bvia estava estampada no rosto dele, mas ele lanou o controle
remoto para Eli e acompanhou Katie.
Para Eli, Katie disse:
- Eu o mantenho informado sobre sexta... Sobre o que vai acontecer. Ou talvez,
Rick o mantenha informado.
- Ok.
A pior coisa no momento era a expresso que Katie captou no rosto de Eli. Ele
parecia contente. No preocupado ou ansioso, embora no desinteressado. Ele
sempre parecia estar em um fuso-horrio diferente ou ter expectativas
diferentes de todas as outras pessoas.
Eli parecia com o tipo de pessoa que no se machucaria por no ser includo no
evento da pizza. Ela sabia que no queria que ele fosse com ela e Rick. Ela
tambm no queria dizer a ele que ele estava desconvidado.
Ento, ela decidiu, seria responsabilidade de Rick. Foi ele quem abriu a
possibilidade para Eli, e ele poderia ser quem fecharia a possibilidade, assim que
ela tivesse uma pequena conversa com ele no caminho para o apartamento de
Ted e Cris.
                              Captulo 2
- Sobre o qu foi tudo aquilo? Rick manteve sua voz baixa enquanto ele e Katie
caminhavam em direo ao apartamento de Cris.
- Eu no sei. Quer dizer, eu sei sobre a noite da pizza. Eu no queria que voc
convidasse o Eli pra ir com a gente.
- Por que no?
- Eu no sei! A voz de Katie aumentou.
- Ei, no tem nada a ver. Eu pensei que seria uma boa idia a gente fazer alguma
coisa juntos, assim voc pode superar essa sua fobia ou o que quer que seja que
voc tem por ele. Eli  um cara bacana. Eu quero que voc supere o que quer
que seja que faz o ambiente ficar estranho quando ns trs estamos juntos.
Katie respirou fundo.
- E Nicole? Rick perguntou.
- E Nicole?
- Que tal Nicole ir com o Eli na sexta  noite? No  ela com a face que voc
estava falando?
- A face?
- Voc sabe do que estou falando. J que ela  sua companheira de andar vocs
duas no deveriam fazer esses eventos sociais juntas?
- Sim, claro. Nicole e eu gostamos de fazer coisas juntas. Mas eu tenho quase
certeza que ela j tem um acompanhante. Alm disso, Rick, esse no  seu
evento pra voc planejar ou convidar as pessoas aleatoriamente.
- Nossa! O que voc tem hoje  noite? Pensei que voc e Cris estavam relaxando.
Voc est mais estressada do que quando te vi na quarta depois de voc levar
bomba naquele teste.
- Ah, essa foi boa, Rick. Obrigada por me lembrar sobre o teste. Agora
definitivamente me sinto mais relaxada.
- Ei, vem c. Rick colocou seus braos ao redor dela e a trouxe pra mais perto
dele. Esquece tudo que eu disse. Voc vai se sair bem no prximo teste. Voc
sempre melhora nos seus estudos. E se voc tem suas razes para no incluir o
Eli, eu no vou me envolver mais nisso. Eu sei que voc precisava relaxar hoje 
noite. Desculpa por eu ter tornado mais estressante. Voc acha que pode voltar
l pra dentro com a Cris e achar uma forma de se acalmar e ficar de boa?
- Sim, posso fazer isso. Katie respirou fundo. Agora, voc faria uma coisa por
mim?
- Qualquer coisa.
- Voc pode dizer pro Eli que no temos nenhum plano partilhado que o inclua
assim no tenho que falar pra ele depois? No quero que voc v pro Arizona e
me deixe com esse mal-entendido pra desfazer.
- Ok, vou dizer a ele que falei apressadamente sem saber os detalhes.
- O que quer que seja, tente no machucar os sentimentos dele, t bom?
Rick lanou um olhar estranho pra Katie, como se ele no esperasse que ela
expressasse tal preocupao por Eli. Eles estavam em p em frente ao
apartamento de Cris e Ted. A janela da frente estava aberta e o cheiro de pipoca
queimada ainda enchia o ar.
Em vez de comentar sobre o que Katie havia dito, Rick perguntou:
- Voc est sentindo o cheiro de alguma coisa queimada?
- Era nossa pipoca de micro-ondas. Foi o desastre que voc no quis que eu te
contasse. Provavelmente eu deveria levar a lata de lixo l pra baixo pro depsito
de lixo, se no o apartamento vai ficar cheirando assim a noite inteira.
- Deixe que eu faa isso pra voc, Rick se ofereceu.
Katie bateu na porta da frente antes de virar o trinco e entrar. Cris tinha lavado
a mscara verde de seu rosto e estava em p na cozinha com uma esponja numa
mo e um spray de limpeza na outra.
- Rick vai levar o lixo pra fora pra gente, Katie disse.
- Obrigada, Rick. Essa  a ltima evidncia da quase catstrofe.
- Com exceo do cheiro malvado que no parece querer ir embora, Katie disse.
Rick pegou a lata de lixo da porta da frente sem dizer nada.
Cris olhou pra Katie como tentando medir a temperatura do que estava
acontecendo entre os dois.
- T tudo certo?
- Acho que vai ficar. Ns s estamos tendo uma de nossas discusses por falha na
comunicao. Ele tem um jeito de resolver problemas; eu tenho outro. Ns
estamos tentando resolver isso.
Cris deu um sorriso esperanoso pra ela.
- Como voc est sentindo seu rosto?
- Grudento.
- Srio? O meu t macio. Aqui. Cris veio pra mais perto dela e ofereceu a
bochecha pra Katie sentir.
- Cara, est completamente diferente do meu.
- Eu tive que deixar a toalha no meu rosto por uns instantes. Voc usou gua
morna?
- No. Isso  um problema? Eu s usei gua fria e um papel toalha na cozinha do
Rick.
- Um papel toalha? Katie, voc provavelmente ainda t com o negcio pastoso na
sua pele. Por que voc no tenta lavar isso com gua morna e uma toalha de
rosto dessa vez?
Katie voltou pro banheiro de Cris e deixou a gua correr alguns segundos at
esquentar. Ela molhou a toalha de rosto e a colocou no rosto, respirando no
vapor. Isso com certeza era melhor que uns respingos frios e o esfrego spero do
papel toalha.
A toalha de rosto ainda estava cobrindo seu rosto quando ela ouviu a voz de Rick
atrs de si.
- Vou indo. Eu disse a Cris que ela deveria manter a lata de lixo do lado de fora
pro cheiro sair. Te ligo amanh.
Katie baixou a toalha e se virou pra olhar Rick, que estava parado na porta,
pronto pra sair.
- Ok. E voc vai falar com Eli antes de viajar, certo?
- Eu disse que iria.
- Eu sei.
- Voc pode confiar que vou fazer isso.
- Eu sei.
Eles olharam um para o outro por mais um momento. Ela estava com o rosto
vermelho da gua quente e estava pingando no tapete do banheiro. Ele parecia
um pouco desconcertado e pronto pra sair voando dali.
- Te vejo na sexta, Rick disse.
- Ok. Tchau.
Assim que ela ouviu a porta da frente fechar atrs dele, Katie virou pra se olhar
no espelho. Voc pode culpar o rapaz por no iniciar um beijo de despedida?
Voc t parecendo uma lagosta fresca sada do mar. Como Rick te agenta,
Katie? O que ele v em voc?
- Ento, foi melhor? Cris perguntou, sua imagem aparecendo no reflexo do
espelho.
Katie se virou para Cris e perguntou:
- O que voc acha que Rick v em mim?
- Nesse momento, eu diria que ele apenas viu uma feio bastante rosada.
- Seriamente, o que voc acha que ele v em mim? Alm da coisa de opostos se
atraem?
- Eu tenho certeza que ele v seu corao, Katie. O seu belo, generoso, leal e
amvel corao. Ele tambm v voc. A verdadeira voc. A divertida e
superanimada pessoa que voc . Por que voc t perguntando? Voc est tendo
inseguranas de novo sobre seu relacionamento?
- Sempre, Katie percebeu a si mesma. No, desconsidera isso. No devo usar
sempre quando tem a ver com nosso relacionamento.
- Por que no?
-  alguma coisa que veio de um antigo argumento. Alguma coisa sobre como eu
no deveria ir para extremos e usar sempre ou nunca quando estou zangada. Sim,
claro. Como se eu nunca fosse para extremos ou ficasse zangada.
Cris ofereceu a expresso de compreenso que Katie estava esperando com seu
sarcasmo.
Cris disse:
- Sempre no  tipo Para sempre? Ted e eu temos usado essa expresso para
sempre em nosso relacionamento desde quase o incio.
- Ah, sim, a famosa pulseira para sempre.
Cris levantou seu brao direito quando Katie mencionou a pulseira que Ted tinha
lhe dado pouco depois que eles tinham se conhecido. Tinha a expresso "para
sempre" gravada nela. A pulseira tinha passado por vrios quase desastres ao
longo de sua histria. Um deles foi durante um breve tempo no Ensino Mdio
quando Cris namorou Rick. Ele pegou a pulseira delicada de Cris sem que ela
soubesse e a substituiu por uma de prata pesada com a palavra RICK gravada
nela.
- Katie, todos ns temos um monte de lombadas ao longo do caminho em nossos
relacionamentos. Voc sabe disso.
Pela expresso no rosto de Cris, a lembrana de Rick e da pulseira pareceu abrir
uma parte de seu corao que estava cheio de graa. No foi uma expresso feliz
que cobriu o recm revitalizado rosto de Cris, mas tambm no foi uma
expresso amarga. Por todo o potencial embarao das partes dos mesmos
relacionamentos entre Cris, Katie e Rick, claramente Cris no guardava nenhum
arrependimento ou amargura a respeito de seu curto namoro com ele. Ela j
tinha lidado com isso h muito tempo atrs.
- Sabe o que  estranho pra mim agora? Cris disse enquanto Katie secava seu
rosto ainda vermelho com uma toalha de mo amarela e macia. Tantas coisas
que aconteceram no colegial e no comeo da faculdade pareciam traumticas e
irreversveis como se fossem as coisas mais intensas na vida. Mas agora elas
parecem um monte de experincias artesanais inigualveis que Deus usou para
me fazer mais dependente dEle.
- Que coisa que soa bem e madura espiritualmente pra se dizer. Katie dobrou a
toalha cuidadosamente e a colocou de volta na prateleira onde estava, mesmo
embora tivesse uma pequena mancha verde no centro.
- Voc t fazendo graa de mim?
Katie sorriu pra Cris.
- Sempre.
- Voc s est tentando achar maneiras de ter problemas hoje  noite.
- Sim, estou. Como estou indo at agora? No responde. Eu j sei. Se eu estivesse
sendo sria sobre a grande destruio em massa do universo, eu teria dado um
beijo bom e macio no Rick bem nos lbios antes dele ir.
Cris inclinou a cabea e lanou um olhar simptico para Katie.
- Vocs dois ainda esto na zona de total abstinncia. Entendo.
- No apenas estamos na zona de abstinncia; estamos plantados l.
Permanentemente, eu acho. Eternamente. Minha previso  que estarei com
noventa e oito anos de idade e ainda esperando pro Rick decidir se est pronto
pra me beijar. Tudo que posso dizer  que at l,  melhor que esse grande beijo
dele seja realmente bom, ou vou definitivamente terminar com o cara.
Katie notou que Cris escondeu um sorriso olhando para baixo.
- Nem pense em comear com a abenoada alegria da espera. Katie colocou as
mos na cintura.
- A espera tem seus benefcios definidos. O amor  paciente.
- Ento me diz uma coisa. Katie se encostou  beirada da pia do banheiro. Como
voc sabe?
- Como eu sei o qu?
- Como voc sabe quando realmente est amando? Ou talvez eu devesse
perguntar como ou quando voc sabe que est com o cara com quem voc vai
ficar 'para sempre'?
Cris colocou suas mos nos bolsos da frente do moletom de Ted. Sua expresso
suavizada.
- Leva tempo, Katie.
- Eu sei. E ento o qu?
Cris riu.
- Tempo ajuda se voc pelo menos tentar ter um pouquinho de pacincia.
- Sim, bem, 'pacincia'  uma... Katie contou os dedos. Pacincia  uma palavra
de nove letras e eu fao uma prtica de no usar palavras com nove letras
sempre que possvel.
Cris contou nos dedos.
- Possvel  uma palavra de oito letras. Possvel  uma boa palavra. Com Deus,
qualquer coisa  possvel.
- Possvel, sim. No poderia concordar mais com voc. Minha pergunta  quando.
Quando voc sabe? Quanto tempo leva?
- No  como se tivesse uma lista e voc marcasse o nmero de dias requeridos
em que vocs esto juntos, e ento num dia determinado voc sabe.  diferente
pra cada casal. Voc precisa de tempo e experincias suficientes juntos para ter
certeza em seu prprio esprito.
Katie puxou o amarrador de cabelo de seu rabo de cavalo e balanou a cabea.
- Bem, pelo menos voc no veio com aquela frase 'quando voc sabe, voc sabe'
que eu tenho ouvido de outras mulheres.
- Essa frase  verdadeira. Mesmo que nem toda mulher 'saiba' da mesma forma,
eu penso que todo relacionamento tem uma linha invisvel e misteriosa que voc
atravessa.  como se voc concordasse em seguir por um tempo, apenas
colocando um p na frente do outro, seguindo em frente. Ento de repente voc
d um passo e o caminho t diferente. Tem mais luz ou alguma coisa. E  quando
voc apenas sabe que est no caminho certo com esse rapaz. No importa
quantos obstculos esto  frente, vocs sabem que devem continuar seguindo
em frente.  como seu primeiro passo para dentro da parte eterna do seu futuro,
mas voc no teria dado esse passo decisivo sem dar todos os outros passos.
- Estou esperando por aquele momento quando o p da fada vem e cintila em
mim ento em qualquer momento que eu sorrir eu fico com um daqueles raios
brilhantes no canto dos olhos. Katie fez uma pose mostrando um falso sorriso
com seus ombros levantados e seus olhos bem abertos.
- Ento basicamente voc quer se tornar um personagem de desenho animado.
- Com certeza. Por que no? Katie mudou sua posio contra a pia e cruzou os
braos sobre a barriga.
- Porque aquilo  um conto de fada. Cris disse de forma prtica.
- Voc se importa se a gente sentar em outro cmodo? Katie perguntou,
percebendo que aquela conversa poderia durar um tempo e o apartamento tinha
melhores lugares do que o banheiro para uma conversa de-corao-para-corao.
Elas foram para o quarto em vez de ir para a sala e se esparramaram na
confortvel cama da mesma maneira que faziam durante o tempo em que eram
colegas de quarto na faculdade. Cris deu um travesseiro para Katie.
- Ento v direto ao ponto, Katie disse. Como  estar casada?  como voc
pensava que seria?
-  diferente do que eu pensava. Em algumas coisas  mais maravilhoso, mas em
outras  muito mais difcil.
- Como assim mais difcil?
Cris desviou o olhar por um momento e traou a estampa acolchoada na coberta
da cama.
- Ns brigamos muito mais do que eu pensei que iramos.
- No consigo imaginar vocs dois brigando.
- Tivemos uma discusso ridcula hoje  noite bem antes do Ted sair. Ele achou
que eu estava indo com ele pra essa noite do boliche, mas eu disse a ele que
voc e eu j tnhamos feito planos. Eu contei pra ele trs noites atrs sobre
nossos planos e naquele dia ele disse, 'timo. Divirta-se. ' Mas ele esqueceu e
quando ele descobriu que eles teriam mais crianas vindo do que ele esperava,
ele sups que eu ajudaria.
- Voc poderia ter ido, Cris. Eu teria entendido se voc dissesse que tinha que
cancelar.
- Eu sei. E eu disse a ele isso tambm, depois que finalmente eu falei que iria.
Mas a essa altura ele disse que tinha achado outra pessoa para ajudar. Chegamos
a um cansativo tipo de acordo antes de ele sair. Vamos manter um calendrio
juntos assim ambos podem ser lembrados do que o outro tem planejado. Acho
que foi uma discusso til quando penso a respeito. Deveramos ter colocado
juntos esse calendrio conjunto h tempos atrs. Eu s odeio a forma como
discutimos. No somos bons nisso.
Katie riu.
- No  engraado. Voc  boa em discusso, Katie. Voc no tem medo quando
precisa falar o que pensa e botar tudo pra fora. Eu fao muitos dos meus
processos dentro de mim; ento mesmo que eu apenas coloque pra fora por volta
de uma dzia de sentenas antes do conflito ser resolvido, por dentro eu lutei
uma batalha exaustiva comigo mesma apenas tentando dizer o que penso ou o
que quero.
- Sabe o que eu acho? Acho que voc  muito educada. Katie ajeitou sua posio.
Cris franziu a sobrancelha.
- Honestamente, Cris, voc vai terminar ficando maluca se no comear a falar o
que pensa.
Cris se deitou de costas e ficou olhando para o teto. Cruzou os braos sobre a
barriga e disse:
- Como voc faz, Katie? Como voc diz o que est pensando e sentindo sem
machucar as outras pessoas?
- No muito bem. Voc sabe que sou horrvel pra segurar minha lngua. Talvez a
gente possa ajudar uma  outra a encontrar o meio termo. Voc tem que falar e
eu tenho que me segurar. Podemos aprender uma com a outra.
Cris voltou a cabea na direo de Katie.
- Voc est certa. No  uma m idia pra ns tentarmos ajustar nossos
extremos.
- Vou te dizer outra coisa que no  uma m idia.
- O que ?
- Comida. Comer  uma tima idia agora. Voc tem comida aqui que eu possa
comer sem destruir seus eletrodomsticos? Ou melhor ainda, poderamos sair pra
comer e ento fazer alguma coisa.
- Como o qu?
- Como patinar ou pra-quedismo noturno ou...
- Poderamos jogar boliche com 50 adolescentes. Ted vai ficar com eles no
boliche at meia-noite.
- Sim, no exatamente o que eu tinha em mente. Estou pensando em alguma
coisa como voar para Arugula e andar de camelo.
Cris cerrou seus distintos olhos azul-esverdeados.
- Eu acho que arugula  um tipo de alface. No  um pas, se isso era o que voc
tava tentando.
- Bem, ento, nos deixe  entende  nos deixe3 encontrar um pas que tem
camelos e vamos pra l pra um galope  meia-noite. Os camelos galopam?
- No tenho a mnima idia. Voc se sentaria pra ver um DVD que tem camelos
nele?
- O DVD tambm tem alface?
Cris riu e balanou a cabea.
- No vamos saber at irmos pra locadora e checarmos as opes.
- No quero assistir uma aventura, Katie disse, Quero experimentar uma. Talvez
eu devesse ter ido pro Arizona com Rick e Josh.
- Por qu?
- A viagem noite-toda-na-estrada teria sido divertida.
- Katie, voc tem mais do que muita energia pra algum que tem mantido o tipo
de rotina que voc tem.
- No me fale sobre minha rotina. Eu tenho que estar no trabalho na mesa da
frente amanh s 8 da manh.
- Ento voc no poderia ter ido pro Arizona com Rick mesmo que voc quisesse.
- Eu sei. Estou apenas sonhando. Sonhar  bom pra gente.
Cris se deitou de volta.
- Estou sonhando com torta de queijo agora.
- Torta de queijo? Katie encarou Cris. Voc t grvida?
Cris levantou-se rapidamente.
- No. Por que voc t perguntando isso?
- Porque voc geralmente no sonha com torta de queijo. Biscoito de chocolate,
sim. Uma ocasional chimichanga na Casa de Pedro, sim. Eu apenas nunca tinha
3
    Outro jogo de palavras da Katie: lettuce (alface)  pronunciada em ingls da mesma maneira que let us
(nos deixe).
ouvido voc dizer que torta de queijo estava no topo de sua lista de sonhos.
Cris encolheu os ombros.
- Pareceu bom. Algum no trabalho tinha um pedao na geladeira por 2 dias e
parecia delicioso. Se eles no tivessem comido hoje eu iria ajud-los, mas j
tinha sumido quando eu chequei essa tarde.
Um estranho som tipo um arranho veio da porta da frente.
Katie perguntou:
- Ouviu isso?
Cris foi pra porta da frente e Katie a seguiu at a sala de estar, se jogando no
sof. Ela esperava que fosse Ted na porta sem suas chaves.
Abrindo um pouco a porta, Cris falou com voz firme:
- Voc no tem outro lugar pra ir? Ted no vai gostar se ele souber que voc
voltou.
- Cris, com quem voc t falando?
- Senhor Tropeo.
Por um momento Katie estava certa que sua melhor amiga tinha ficado doida.
Primeiro desejo por torta de queijo e agora uma conversa na porta da frente com
algum chamado Senhor Tropeo?
                               Captulo 3
No momento em que Cris permanecia em frente  porta aberta de seu
apartamento, um grande gato malhado passou rapidamente entre as pernas dela
e correu para dentro. Ele correu diretamente para a cozinha e se anunciou com
um miado meio rouco.
- Sr. Tropeo! Cris gritou, indo atrs do intruso.
- Quando foi que voc arrumou um gato?
- Ele no  nosso. Ele apareceu semana passada.
- No me diga que voc est dando comida a ele.
- Venha aqui, Sr. Tropeo, Cris chamou fazendo aquela vozinha que s se usa
para falar com animais e bebs. Ela carregou o criminoso balofo e coou a
cabea dele. O gato fechou os olhinhos alegremente e ronronou to alto que
Katie caiu na gargalhada.
- Isso  um animal ou um abridor de latas peludo? Cris, essa coisa est possessa!
- No ligue pra ela, Sr. Tropeo. Cris levou a mo  parte de trs de um de seus
armrios e puxou um saco plstico de comida para gatos. Ela sacudiu o saco na
frente do gato contente. Sr. Tropeo soltou seu melhor miau.
- Esse barulho que ele fez... Parece com aquela voz rouca de fumantes, Katie
disse.
- Ei, por acaso eu fiz alguma piadinha com o seu peixinho dourado ano passado?
- Como voc poderia ter feito alguma piada? Rudy e Chester nem viveram o
suficiente pra voc vir com algum tipo de frase depreciativa sobre eles.
- Talvez voc no os tenha alimentado o suficiente. Cris abriu a porta da frente e
colocou a comida para gato numa pequena tigela que ela tinha guardado atrs
das plantas.
- Talvez voc esteja alimentando esse rapazinho demais.  por isso que ele se
sente livre para entrar em seu apartamento sem ser convidado.
- Voc est falando igual ao Ted. Foi ele quem nomeou o gato, porque na
primeira vez que ele veio at nossa porta ele estava meio cambaleante.
- Ento por que vocs no o adotam?
- Ns mal temos dinheiro para comprar comida pra ns. Se ns ficssemos com o
Sr. Tropeo no apartamento, ns teramos que lev-lo ao veterinrio. Voc faz
idia de quanto isso custaria? Eu fao. Eu trabalhei num pet shop, lembra?
Cris e Katie assistiam Sr. Tropeo devorar seu lanchinho noturno da porta da
frente do apartamento de Cris. O no-to-educado hspede mastigou e engoliu
em tempo recorde e foi embora sem muita cerimnia, como lavar as patas ou
miar em agradecimento.
- E l se vai ele, Katie disse. O gato desapareceu no meio dos arbustos. Esse
rapazinho est te usando, Cris. Ele est abusando de sua generosidade.
- Eu sei.
- Ento voc sabe o que est acontecendo aqui?
- Sei sim.
Katie olhou pela bem iluminada calada da rea do complexo de apartamentos,
tentando ver se Sr. Tropeo iria de porta-em-porta com seu ar simptico. Ele
parecia estar andando fora da parte iluminada e se mantendo na parte onde os
arbustos que, ficavam na frente de cada apartamento do primeiro andar, eram
mais baixos.
- Voc sabe, se essa mesma rea fosse usada para apartamentos hoje, a maioria
das construtoras colocaria o dobro ou talvez o triplo de apartamentos no mesmo
espao, Katie comentou. Eu no sei de nenhum outro complexo de apartamentos
que tenha uma rea gramada to grande no centro e seja to tranqilo.
- Eu acho que  porque quando os apartamentos foram construdos eles estavam
no subrbio, e a terra era relativamente barata, Cris disse. Agora que a cidade
cresceu bastante, o local ficou timo.
- Voc acha que vocs dois vo morar aqui por muito tempo?
Cris deu de ombros e fechou a porta.
- Voc conhece o Ted. A cada duas semanas ele comea a falar sobre integrar
algum tipo de ministrio que nos mandaria para um dos cantos selvagensdesse
mundo fazendo tradues da Bblia ou alguma outra coisa.
- E como voc se sente em relao a isso?
- Depende do dia que voc me pergunta. Eu soube desde cedo no nosso
relacionamento que viver na selva ou numa casa na rvore era parte do sonho de
Ted. Eu no sei se essa idia ir, algum dia, sair completamente da mente dele.
Cris foi at o armrio e tirou um saco de tortilla chips e deu a Katie juntamente
com alguns itens da geladeira, incluindo salsa, um saco de mini cenouras, e um
pote de pasta de amendoim.
- Ento voc faria as malas e iria com ele para os confins da terra se ele te
pedisse?
Cris fez que sim com a cabea. Ela transmitia paz em sua expresso. Nem
resistente nem decidida. Apenas contente.
- Nossa. Katie espalhou os itens variados na pequena mesa da cozinha e se jogou
em uma das cadeiras.
- Nossa o qu? Cris ligou a torneira da pia, enchendo dois copos com gua.
- Eu achei que Ted se sentiria mais estvel agora e iria querer ficar em um s
lugar j que vocs esto casados e que ele tem um bom emprego.  um trabalho
como pastor, eu sei.  um ministrio, certo? Eu no gosto de pensar na
possibilidade de vocs se mudarem para longe daqui.
-  sempre uma possibilidade. Mas no se preocupe com isso. Ns no temos
planos de ir para nenhum lugar nos prximos anos.
Elas lancharam e conversaram por mais uma hora at Katie decidir que deveria
voltar para o dormitrio. Pegando sua bolsa tira-colo e jaqueta, ela perguntou:
 - Voc quer tentar se encontrar comigo para almoarmos na tera no Ninho da
Pomba? Eu posso estar l  1:30.
- Tera 1:30 d pra mim. Eu vou pedir pelo meu horrio de almoo nessa hora,
ento.
Cris se levantou e deu um abrao em Katie.
- Foi timo. Eu precisava mesmo de algo assim. Espero que voc tenha
descansado um pouco tambm, apesar de no termos conseguido saltar de pra-
quedas ou andar a camelo.
- H sempre uma prxima vez, Katie disse sorrindo. Diga um oi ao Ted. E se o Sr.
Tropeo voltar essa noite, eu recomendo que voc o mande embora sem comida.
Melhor ainda, eu vou trazer o Hamburger Helper que eu comprei junto com a
pipoca no bazar de garagem, e voc pode aliment-lo com isso.
- Katie, um dia voc ainda vai encontrar um animal que voc realmente goste, e
voc vai acabar se tornando uma pessoa mais meiga.
- Sim, talvez. Por acaso algum canguru j veio at sua porta pedindo por comida?
Eu gosto de cangurus.
Cris abraou Katie mais uma vez.
- Da prxima vez que um canguru aparecer na minha porta eu vou guard-lo pra
voc.
-  bom mesmo.
Acenando por cima de seus ombros, Katie caminhava alegremente para o
estacionamento e subiu em seu VW 1978, o qual ela carinhosamente chamava de
Buguinho. Jogou sua bolsa em cima do banco do passageiro e virou a chave na
ignio.
Nada aconteceu.
Ela tentou uma segunda vez e uma terceira. Nada. Nem mesmo um ronco estilo
Sr. Tropeo saiu de baixo do cap.
- Qual o problema, Buguinho? Voc est dormindo? Vamos l, acorde. Voc tem
que me levar de volta pra escola, agora.
Vendo que as tentativas quatro, cinco, e seis no produziram nenhum barulho,
Katie tirou uma lanterna do porta-luvas e saiu do carro. Ela abriu o cap e
iluminou o motor.
- No que eu saiba o que exatamente estou procurando... , ela murmurava
enquanto iluminava na frente e atrs, aqui e ali. Ela fazia idia que algum tubo
tinha desencaixado de seu encaixe prprio, ou que algum fio estaria solto e
pendurado debaixo de seu respectivo plug.
Nada se revelou para Katie durante aquela checagem aleatria. O irmo dela era
quem consertava os carros. Ele sabia tudo sobre o Buguinho, ele saberia o que
fazer. Entretanto, Katie no tinha o nmero dele no celular dela. E mesmo se ela
tivesse, ela tinha plena certeza de que ele no estaria disposto a pr o p na
estrada e dirigir por mais de uma hora para resgat-la  meia-noite. Ela no o via
h quase dois anos.
Por ele ser bem mais velho, quando chegou  poca em que ela j estava
crescidinha o suficiente pra conhec-lo melhor, ele passava a maior parte do
tempo fora de casa e envolvido em problemas. Uma boa idia e a mais provvel
era que ela encontrasse um novo mecnico.
Katie iluminou o motor mais uma vez, mas foi sua ltima e ftil tentativa. A luz
piscou. Depois ela diminui consideravelmente e piscou de novo.
- Eu estou um desastre ambulante esta noite com relao a aparelhos eletro-
eletrnicos! Qual  o meu problema? Por acaso o estrago do micro-ondas me
tornou radioativa ou algo assim?
Katie permaneceu frente ao cap aberto, tentando decidir o que fazer. Se ela
voltasse ao apartamento de Cris, ela teria que esperar Ted voltar, j que eles s
tinham um carro. Mas Katie sabia que ela podia contar com ele para lhe dar uma
carona, ento ela comeou a fechar o cap, j com sua deciso tomada.
Mas antes que ela pudesse fazer algo, ela ouviu algum se aproximando atrs
dela. Virando-se e segurando firmemente a lanterna pesada em caso de precisar
us-la como uma arma, Katie ouviu um rapaz perguntar:
- Est tudo bem?
Um nmero grande de estudantes da Rancho Corona morava nesse complexo.
Katie conhecia muitos deles. Mesmo na escurido do estacionamento, ela
reconheceu a voz e o jeito de andar do rapaz que vinha na direo dela. Era Eli.
- Ele no quer dar partida.
- Voc tentou bombear o acelerador algumas vezes e deixar no ponto morto
enquanto vira a chave na ignio?
- No.
Eli permanecia prximo a ela e examinava o motor. Debaixo de seu brao ele
carregava um saco de dormir uma garrafa trmica.
- Voc vai acampar ou algo do tipo? Katie perguntou.
- Eu vou ao deserto.
- Agora? Ta doido?
- Provavelmente.
Katie olhou para ele mais de perto sob a luz amarelada do estacionamento. O
cabelo castanho claro de Eli parecia estar sempre desgrenhado. Hoje ele estava
usando um gorro que permitia que alguns fios rebeldes escapassem em diferentes
direes. Ela normalmente o identificava pelo cavanhaque, como se aquela fosse
a caracterstica que mais o distinguia. Os olhos dele, na verdade, eram mais
peculiares. Ela tinha notado a intensidade deles e sua expresso examinadora
quando Eli a tinha parado na cafeteria em Agosto e tentado envolv-la numa
conversa. Mas agora, na luz escassa, o foco deles sobre ela os fazia mais
intensos.
- Ento... Ela tentou encontrar um jeito amigvel de terminar essa conversa.
Voc vai ao deserto sozinho no meio da noite com freqncia?
- No muito. Eu normalmente vou com o Joseph. Voc conhece Joseph Oboki? Ele
estuda na Rancho.
- Sim, eu conheo o Joseph. Ele vai com voc hoje?
- Eu estou indo busc-lo agora.
- timo! Eu posso pegar uma carona com voc de volta pro campus?
- Claro, mas eu vou buscar o Joseph no posto de gasolina, que  onde ele
trabalha.
- O posto  perto da Rancho?
- No  longe. Eu posso te deixar l.
- Obrigada. Katie fechou o cap e pegou sua bolsa e jaqueta no banco do
passageiro. Ela seguiu Eli at seu velho Toyota Camry. Essa parecia ser a chance
para ela a comear a ser mais legal e "normal" com ele.
Quando Cris e Katie estavam comendo seu lanche mais cedo, Cris mencionou que
Eli tinha se juntado a ela e Ted algumas vezes para almoar depois do culto aos
domingos desde que o semestre tinha comeado. Katie tinha estado ocupada
demais para participar desse momento "galera no almoo", mas ela percebeu que
se ela tivesse gastado algum tempo com Eli quando ele estava com Cris e Ted ou
at mesmo quando estivesse com Rick, ela teria pensando nele como sendo
mesmo parte do grupo deles.
Ela sentou no banco do passageiro, e a primeira coisa que ela notou foi que ele
ainda tinha o arranjo de flores que ela tinha usado no cabelo, no casamento de
Ted e Cris. O crculo seco de pequenas e brancas baby's breath tinha cado da
cabea de Katie no casamento, e quando Eli dirigiu para fora do lugar onde havia
sido o casamento, Katie viu o arranjo pendurado no espelho do carro dele.
- Hm, isso  meu, no ?
- .
- Por que voc ainda guarda isso?
- Voc disse que no o queria.
- Sim, porque ele caiu no cho. Quando voc tentou me devolver, eu acho que
minhas palavras foram algo como 'jogue fora pra mim'. No 'faa disso um enfeite
nojento de retrovisor pra mim e dirija por a com ele em seu carro pelos
prximos seis meses. '
Eli colocou o cinto de segurana e dirigiu para fora do estacionamento.
- Voc o quer de volta?
- No, no exatamente.
- Voc se importa se eu ficar com ele?
- Sim, me importo sim.
- Por qu?
- No h porque voc ficar com isso.  estranho.
- Mais estranho que sair correndo por a com uma coisa verde na cara?
- Havia uma razo para aquilo.
-  h uma razo para isso, Eli disse confiante.
- Que razo?
- Ele me lembra de orar.
Katie deixou a declarao de Eli se esvair entre eles. Ela no podia discutir com
algum cujo argumento se baseava em 'lembrar de orar'. Mas orar pra qu? Ou
pra quem? Por que seu arranjo seco levaria algum a orar? Ela decidiu no querer
saber. A melhor coisa a fazer nesse momento era transformar toda essa
estranheza numa piada.
- Ah, bem, se voc vai vir com desculpas espirituais e dizer que ele  seu arranjo
da orao ou qualquer coisa assim, eu acho que no posso iniciar uma briga aqui.
A expresso de Eli mudou para um tipo de expresso satisfeita e vitoriosa.
Nota a si mesma: Jamais tente jogar xadrez com o Cara do Cavanhaque. O
crebro dele gira em crculos que voc no quer visitar.
Pelos cinco minutos seguintes, nenhum deles pronunciou uma palavra. Estava
bom para Katie desse jeito. Pra falar a verdade, estava mais que bom. Ela estava
acostumada a andar de carro com Rick ouvindo msica no clssico Mustang dele
e, falar no fazia parte desse momento. Rick gostava de ficar com as janelas
abertas, assim ele podia ficar com os braos para fora da janela e batucar no
lado da porta junto com o tempo da msica. Muitas vezes Katie cantava junto
com a msica, mais pra ela mesma do que para Rick.
Katie pensou em como Rick ficaria feliz por ela estar se esforando para se dar
bem com o colega de quarto dele. Isso era bom. Por um instante ela pensou na
possibilidade de trazer a tona o assunto da noite de pizza apenas para se
certificar de que Rick tinha explicado a Eli que o convite de mais cedo tinha sido
oferecido muito apressadamente.
Mas ela no disse nada. Ela confiava em Rick. Se ele disse que iria consertar as
coisas com Eli, ela sabia que era exatamente isso que Rick faria. Tudo que ela
precisava fazer era ser educada com o rapaz. Essa era a chance de ser um pouco
mais como Cris, exatamente como as duas tinham conversado mais cedo, cada
uma pegaria um pouco das qualidades da personalidade da outra.
Katie achou que estava indo muito bem.
O silncio durou mais trs quarteires at que Eli virou e entrou num posto de
gasolina que ficava numa esquina. Ele desligou o carro e saiu. Ele olhou para
trs, na direo de Katie e disse:
- Voc sabe que pode vir conosco se quiser.
O que surpreendeu Katie enquanto ela assistia Eli dar longos passos em direo 
loja de convenincia do posto, foi que ela quase soltou um "ok" antes que ele
sasse do carro.
Por que eu iria querer ir ao deserto no meio da noite com esses caras?
Atravs da janela de vidro da loja de convenincia, Katie via Eli e Joseph
fazerem um desses toques particulares com as mos enquanto conversavam um
pouco. Joseph olhou para o carro e levantou o brao para acenar para Katie. Ela
acenou de volta. Ele havia estado em um dos grupos de orientao que Katie
tinha apresentado pelo campus um ano e meio atrs quando ela tinha se
voluntariado para ser da equipe de recepo do campus. A nica coisa de que ela
se lembrava sobre ele era como ele estava tmido na primeira reunio deles. Mais
tarde ela descobriu que ele era da frica, e ela entendeu ento porque tudo
parecia to encantador pra ele na primeira semana no campus.
Katie tinha um carinho especial por estudantes intercambistas. Ela pensou em
quo rapidamente ela ficou atrada por Michael no ensino mdio. Ele era da
Irlanda do Norte, e a primeira frase lrica que saiu da boca dele a encantou. Eles
namoraram tempo suficiente para que Cris expressasse sua preocupao com
onde Katie tinha colocado seus valores e prioridades. Mas o relacionamento deles
deu a ela um corao bondoso com relao queles que tentavam se sentir em
casa em uma nova cultura e pas.
Katie inclinou a cabea para trs e se perguntou quanto tempo fazia desde que
ela tinha pensado em Michael. Meses. Talvez um ano. Ela e Rick estavam fazendo
coisas juntas por quase um ano, e por todas as razes bvias, Rick estava na linha
de frente de todos os pensamentos dela sobre garotos.
Com um pequeno sorriso, Katie se lembrou de quo intensamente Michael tinha a
influenciado durante o tempo de namoro deles. O romntico irlands tinha a
convencido de mudar radicalmente seus hbitos alimentares. Ela tinha se
tornado uma vegetariana f de todas as coisas orgnicas e consumidora de alho e
tofu.
Os ombros dela tremeram involuntariamente quando ela pensou em todas as
combinaes de sushi altamente estranhas que ela tinha comido quando estava
com Michael. Ela rapidamente disse que amava as preferncias alimentares dele
mesmo sabendo que, na maioria das vezes, ela estava engolindo cada delcia
rpido demais pra ter sequer uma idia do gosto delas. Olhando para trs, ela
no tinha certeza de ter mesmo compartilhado do gosto dele por frutos-do-mar-
crus-e-vegetais, mas ela amou o jeito como ele a apreciava por ela ter mesmo
abraado as preferncias dele. E ela amou a aventura de tentar algo novo.
Eli e Joseph vieram em direo ao carro, e o pensamento que tinha vindo  Katie
mais cedo retornou. E se eu fosse com esses caras ao deserto? No era eu quem
estava dizendo  Cris que queria tentar algo novo? Ir em busca de algum tipo de
mini-aventura? Isso certamente se aplica.
Joseph abriu a porta de trs e cumprimentou Katie com um oi caloroso. Ele era
mais velho que Katie pelo menos uns cinco anos, ela sups. As poucas vezes que
ela o tinha visto pelo campus, ela o cumprimentara, mas no parou pra se
envolver em nenhum tipo de conversa.
- Voc vai vir ao show conosco? O jeito de Joseph falar era um doce emaranhado
de palavras, com um sotaque ecltico que unia levemente o francs em algumas
vezes e em outras levemente o ingls britnico.
- Show? Katie disse. Eu pensei que vocs estavam indo ao deserto.
- Ns estamos. Ns temos um lugar onde ns gostamos de ir e curtir um pouco
com as rocks 'n' stars.
-  mesmo. Exatamente com quais 'rock stars' voc vai curtir? Eu no sei de
nenhuma que more por aqui.
Eli gargalhou. Katie no o tinha ouvido gargalhar antes. Aquele barulho tinha
vindo do fundo de seu ser e era um tipo de gargalhada to feliz que Katie ficou
surpresa com o som dela.
- Katie, ns estamos indo assistir a uma chuva de meteoros, Eli disse
calmamente. Essa so as rocks e as stars das quais Joseph est falando.
- Ah. Ok. Ento qual de vocs  o presidente do Star Wars Club local? Ela
balanou as mos no ar e fez uns barulhos de bipes de estaes espaciais.
Nenhum dos dois riu.
- Star Trek?
Eli ligou o carro.
- Eu vou te deixar na Rancho.
Ela mordeu seu lbio inferior enquanto Eli saa do posto de gasolina e dirigia pela
luz verde, rumo ao oeste, na direo do campus. Ele passou por trs cruzamentos
at que Katie limpou sua garganta e em voz baixa disse:
- Eu vou.
- Voc disse alguma coisa? Eli perguntou.
- Sim. Katie disse com determinao. Ela forou seus ombros pra trs e se virou
para Eli. Eu vou com vocs ver a chuva de meteoros e o show das rock-star.
- Que bom, Joseph disse.
Katie voltou  sua posio enquanto Eli virava o carro. Essa era a aventura de
tarde da noite que ela queria. Verdade, nada de camelos ou arugulas pelo
caminho. Assim que eles entraram na aventura ela tentou pensar em Cris. Mas a
emoo do desconhecido estava esperando por ela alm do claro das luzes da
cidade, e isso a deixou feliz.
Fazia muito tempo que ela no fazia algo assim, no impulso.
Isso seria muito bom.
                               Captulo 4
O improvvel trio de amigos estava na estrada por volta de 5 minutos quando
Katie assumiu o papel de diretor social j que ambos os rapazes estavam muito
quietos. Ela comeou perguntando Eli como estava o emprego de segurana do
campus. Foi a primeira coisa que lhe ocorreu sobre ele.
-  um bom emprego. As horas no entram em conflito com as aulas, e como
voc sabe j que voc  uma AR, no acontece muita coisa no campus pra fazer
da segurana um grande problema. E seu emprego?
- Tem sido timo, Katie disse. Quer dizer, eu reclamo muito sobre trabalhar dia e
noite, mas essa posio cobre moradia e alimentao e isso  timo. O vero
inteiro trabalhei ridiculamente longas horas em diferentes empregos, e tudo que
ganhei foi pra pagar mensalidade. Ainda no sei como vou pagar pelo prximo
semestre.
- Isso  um desafio pra todos ns, no ? Joseph disse.
- Joseph, de qual parte da frica voc ? Katie perguntou.
- Gana.
-  perto do Qunia?
- Lado oposto do continente, Eli respondeu. Qunia  Leste da frica. Gana 
Oeste da frica.
- Onde fica Zimbbue? Katie perguntou.
- Sul da frica. De novo, Eli foi quem respondeu as perguntas dela.
- Ding-ding-ding! Katie disse como se ela fosse uma apresentadora de um
programa de jogos. Eli... qual  seu sobrenome?
- Lorenzo.
- Srio?
- Sim, srio.
- Certo. Voltando a usar a voz de apresentadora ela disse: Eli Lorenzo ganha para
a categoria 'lugares na frica'. Aparentemente temos um gnio geogrfico na
disputa essa noite.
- Ele no  um gnio, Joseph disse com um risinho. Ele sabe porque ele esteve l.
- Voc esteve na frica? Que massa! Vocs dois se conheceram em Gana?
- No, nos conhecemos aqui, Joseph respondeu.
- Acho muito incrvel que voc tenha ido pra frica, Katie disse pra Eli.
Ele riu. Joseph se juntou a ele.
- O qu?
- Voc disse que eu 'fui pra frica, ' Eli disse.
- Sim, eu acho legal. Viajar para outros lugares do mundo  uma tima
oportunidade. Dois anos atrs fui pra Europa com Cris e Ted. Numa viagem
diferente antes daquela, fui pra Inglaterra e Irlanda. Acho que viajar  um
privilgio.
-  sim, Joseph concordou.
- Cris me contou que voc e Ted moraram no mesmo lugar quando vocs estavam
na Espanha.
-  verdade, Eli disse.
- De todos os lugares interessantes em que voc esteve, qual  o seu favorito?
- Aqui.
- Aqui? Sul Meridional da Califrnia? Voc no t falando srio, t?
- Claro que estou falando srio. Gosto daqui.
- Mas depois de ter estado na Europa e frica, voc t dizendo honestamente que
esse populoso-poludo-engarrafado canto do mundo  seu lugar favorito?
- Sim.
- Bem, acho que jamais diria isso. E duvido que voc diria se tivesse crescido
aqui.
- No, provavelmente no diria. Mas ento, no cresci aqui.
- E onde voc cresceu?
Eli fez uma pausa antes de responder. Ele olhou bem pra Katie como checando
pra ter certeza que ela queria ouvir a resposta dele.
- frica. Eu cresci na frica.
- De verdade? Uau. Que parte? Assim que ela perguntou, ela riu. No que eu
saberia onde, mesmo se voc me contasse, desde que j temos estabelecido meu
conhecimento limitado de geografia africana.
- Cresci na Zmbia.  Sul Meridional da frica um pouco acima de Zimbbue e
Moambique. Quando eu tinha 12 anos nos mudamos para Nairobi.
- Nairobi  capital do Qunia, n?
- Ding-ding-ding. Parece que temos uma vencedora na rodada bnus, Eli disse
com um meio-sorriso, imitando a brincadeira anterior de Katie.
- Ento suponho que voc tenha visto uma girafa.
- Algumas. Eli disse.
Joseph riu.
- E uma zebra ou duas? Katie perguntou.
- Sim.
- O que seus pais faziam na Zmbia?
- Eles eram professores. Ento meu pai assumiu uma organizao missionria na
sede em Nairobi. Ele procura por vilas que precisam de um bom sistema de
encanamento para levar gua limpa pra eles.
No reflexo das luzes dos carros que passavam, Katie viu o maxilar de Eli cerrar e
descerrar. Ela no poderia imaginar que falar sobre a frica ou onde ele cresceu
seria um tpico cheio de tenso, mas ento ela no conhecia Eli. E ela no sabia
como estava a atual temperatura poltica no Qunia. Ela sabia que as coisas
tinham sido complicadas vez ou outra. Ela queria saber se ele era uma daquelas
crianas missionrias que se sentiam mais confortveis quando as pessoas
pensavam que elas tinham crescido num subrbio americano com um
conhecimento sobre skates e seriados cmicos da TV.
- Sabe, se eu tivesse crescido na frica como vocs dois, acho que eu seria a
maior orgulhosa no campus. Todo mundo saberia quo extica eu era.
Eli riu e Joseph se juntou a ele.
- Estou falando srio. Vocs fazem idia de quo legal  que vocs tenham
morado em outra parte do mundo?
- E voc percebe, Eli disse, que pra ns isso  outra parte do mundo? Viver aqui 
que nos faz legal pra todo mundo que deixamos em casa.
- Interessante. T entendendo o que voc t dizendo. Ento, esse  seu ltimo
ano?
Eli balanou a cabea afirmando.
- E ento o qu?
- Eu ainda no sei.
O que chocou Katie a respeito da resposta de Eli foi que ele era o primeiro
estudante de quem ela j tinha ouvido aquele tipo de resposta que no soava em
pnico. Alguns meses antes ela teve que decidir uma especialidade antes que
pudesse se matricular para seu ltimo ano na faculdade e o estresse de no saber
com certeza o que queria foi estranho. Ela no podia acreditar que Eli estava
levando seu futuro de forma to tranqila.
Queria ter a mesma confidncia e contentamento profundos que Eli tem. Eu no
fao a mnima idia do que vou fazer quando me formar.
Como ela j tinha feito tantas vezes, Katie flertou com a idia de casar logo aps
a formatura como Ted e Cris. Ela sabia que ela e Rick no estavam prontos pra
esse prximo passo. No que eles no pudessem estar em alguns meses, mas
definitivamente eles ainda no estavam l. Uma parte dela queria ver uma girafa
ou alimentar um canguru ou andar de riquex 4 numa rua lotada de Bangkok antes
dela caminhar pelo corredor da igreja pro seu casamento. Mas primeiro ela tinha

4
    Transporte comum na sia, um tipo de carro que  puxado por uma pessoa.
que terminar esse semestre e descobrir uma forma de ter dinheiro para o
restante de sua faculdade.
E exatamente naquele momento seu "trabalho" de diretora social estava onde ela
precisava pra direcionar sua ateno. As coisas tinham ficado muito quietas no
carro.
- E voc Joseph?
- Eu? Eu tenho mais 2 anos de estudos. Se Deus quiser, vou passar e me tornar um
pastor e professor.
- Voc quer trabalhar aqui ou em Gana? Katie perguntou.
- Gana. Claro que Gana.
Eles estavam fora da rodovia principal agora e se dirigiam por uma estrada
estreita e cheia de buracos que ficava mais escura quanto mais eles seguiam. Os
faris do carro de Eli logo se tornaram a nica luz ao redor deles. Ento ele
parou o carro, desligou o motor e desligou os faris. O mundo se tornou negro e
silencioso.
- Nossa, Katie disse baixando a voz.  realmente escuro aqui.
Eli se inclinou sobre o volante e olhou pra cima atravs do pra-brisa.
Katie seguiu os movimentos dele e esticou o pescoo numa tentativa de ver o cu
noturno acima deles. Uma exposio gloriosa de estrelas tomou seu lugar no
palco do cu apenas alm do painel de vidro embaado do pra-brisa.
Joseph abriu a porta traseira e saiu. Eles estavam parados numa estrada de
asfalto que formava um caminho atravs da areia do deserto como uma faixa
larga de alcauz seca5.
Uma corrente de ar frio encheu o carro. Katie pegou sua jaqueta e a vestiu antes
de sair do carro. A luz do interior do carro mostrou que Joseph tinha subido no
teto do carro e tinha se posicionado confortavelmente como se o carro fosse uma
cadeira reclinvel de couro.
- No  m idia. Katie fechou a porta e fez uma no-to-graciosa tentativa de se
juntar a Joseph no teto. As boas condies do carro de Eli mantiveram Katie de
ficar preocupada em arranhar o teto ou danific-lo em alguma coisa.
- Ah, sim,  bom e tostante aqui atrs, n?
- Hmm, Joseph replicou satisfeito. Seus braos estavam embaixo de sua cabea e
seus olhos estavam fixos no cu.
Katie se deitou e absorveu a vista.
- Uau! De onde vieram todas essas estrelas? Tem tantas!
- Umm-hmm, Joseph murmurou.

5
    alcauz= legume de raiz amarela e adocicada; raiz de regoliz (o que quer que seja isso)
Eli puxou o saco de dormir e garrafas trmicas do banco traseiro. Ele encontrou o
caminho para a frente do carro com a ajuda de uma pequenina lanterna
vermelha que estava no seu chaveiro. Estendendo as garrafas e o saco de dormir
pra Katie, ele pulou pra perto dela. O teto fez um rudo metlico, e Katie teve
certeza que o peso deles estava deixando um dano permanente no teto.
Eli desenrolou o saco de dormir e colocou sobre eles trs como se eles fossem
moscas num tapete e acostumados a se embrulharem daquela forma toda noite.
- Isso  incrvel, gente. T feliz que vocs me convidaram pra vir com vocs.
- Voc quer caf? Eli abriu a tampa de sua garrafa trmica.
- Com certeza. Obrigada. Katie tomou um gole do caf fumacento que Eli tinha
colocado nos copos.
- Voc pode agradecer Joseph. Ele me deixou colocar na loja de convenincias.
- Entretanto eu paguei pelo caf, Joseph disse rapidamente como se ele estivesse
preocupado que Katie podia pensar que ele tinha permitido que Eli roubasse um
pouco. Katie estava impressionada de uma forma terna por ouvir um colega da
Rancho Corona fazer sua integridade conhecida nas pequenas coisas. Ela estava
acostumada a ouvir de alguns estudantes como eles manejavam pra furtar isso ou
aquilo sem ser descobertos ou como eles davam um jeitinho aqui e ali sem
ningum notar. Katie conhecia poucos estudantes que estavam tentando fazer
escolhas corretas e honestas mesmo quando ningum estava olhando. Ela
admirava Joseph.
-  bom caf, Katie disse. Apesar de que sou uma expert em ch, ento no
tenho certeza se sou qualificada pra avaliar caf de lojas de convenincia.
- Gosta de ch? Eli perguntou.
- Sim, gosto de ch, Katie respondeu fazendo um resumo sobre sua afeio pela
bebida. Ela sintetizou a histria de como ela tinha passado seu primeiro semestre
na Rancho tentando criar um ch de ervas original. Seus esforos chegaram ao
fim quando seus humildes oferecimentos causaram alergia na pele dos estudantes
cobaias que provaram suas misturas.
- Entretanto, uma das minhas misturas participou de um show de comida por
volta de 1 ano atrs e ningum sofreu efeitos nocivos. Recebi uma meno
honorvel.
- Voc continua fazendo misturas de ch?
- No, acabou que se tornou um dos meus hobbies passageiros. Por qu? Vocs
gostam de ch?
- Prefiro caf. Joseph pegou o copo da mo de Katie e segurou enquanto Eli
colocava mais caf da garrafa trmica.
- A gente bebe muito ch no Qunia, Eli disse. Eu tenho amigos que administram
uma plantao de ch.
- Srio? Eles so americanos?
- No, so quenianos. A terra foi cultivada durante o perodo colonial por uma
famlia da ustria. Eles venderam pra um mdico queniano e agora seus dois
filhos mais velhos e suas famlias tomam conta da fazenda.
- Isso  to legal. Fiz um trabalho ano passado sobre justo comrcio e como 
difcil para os indgenas viverem do que produzem no mercado de ch. A maioria
das minhas pesquisas citadas foram sobre a ndia. Eu no sabia que o Qunia
tinha um grande mercado de ch.
- Eles tem. E  um mercado em crescimento porque as condies climticas so
certas. Tenho certeza que o que voc leu sobre a ndia se aplicaria ao mercado
do justo comrcio na frica. A especialidade na plantao do meu amigo 
chamado 'Nairobi Chai. ' Tenho alguns no apartamento. Prxima vez que voc for
l me lembra e eu fao um pouco pra voc.
- Valeu, obrigada. Gostaria de provar sim.
Joseph tinha voltado pra sua posio reclinada e Eli se juntou a ele. Katie seguiu
o sinal mudo pra encerrar a conversa e curtir o show. Recostando-se, ela focou
seus olhos no centro do palco acima deles. A enorme quantidade de pontos de
luz brilhantes correndo das estrelas para a Terra tiveram um efeito respirao-
em-sinfonia em Katie. Longe ao Sul, a lua de marfim parecia flutuar como uma
casca encaracolada de um limo plido. Parecia que uma grande rajada de vento
csmico poderia enviar a lua minguante rolando de ponta a ponta pra fora da
toalha de mesa aveludada do cu.
Tal rajada de vento no veio. Tudo estava como deveria estar nessa quieta cena
da vida.
Tantas estrelas. No acho que j tenha visto esse tanto de estrelas.
O motor abaixo deles arrefecia. Era o nico som que Katie ouvia.
Quanto mais ela olhava mais parecia que a a vida parada se movimentava. Era
como se o universo estivesse exalando em um grande suspiro. Ela sentia como se
eles trs, o carro e todo o planeta Terra estivessem se reduzindo at se tornarem
no maior que uma partcula de areia. Diante deles estava o universo expansivo,
vasto, imensurvel, selvagem e vivo com cores sutis e luzes pulsantes. Uma
estrela diretamente acima parecia mais azul que as outras. Ela notou como as
outras estrelas eram de tamanhos diferentes e algumas pareciam tremular.
Uma estrela cadente apareceu no horizonte leste, deixando um rastro
resplandecente no cu em um piscar de olhos. Katie suspirou numa rpida
respirao atravs de seus lbios entreabertos. Se ela estivesse com outras
pessoas, sua resposta teria sido oohs e aahs, como se isso fosse uma
apresentao de fogos de artifcios. Mas com Joseph e Eli, o silncio profundo
que os circundava foi a oferta deles de admirao.
Entre piscadas, Katie estreitou os olhos e localizou outro rpido e menos
brilhante meteoro, como se lanasse a si mesmo de cabea na atmosfera da
Terra e se incinerasse com sua longa cauda de luz.
Durante uma das aulas de cincias de Katie, ela tinha estudado um pouco sobre
as estrelas e o espao sideral. Uma figura de um de seus livros veio  sua mente.
Mostrava um diagrama do caminho que os cometas fazem ao redor do sol num
curso regular. Quando a Terra viajava atravs de um fluxo de pedaos de pedras
geladas de um cometa, ns veramos aqueles pedaos como estrelas cadentes ou
uma chuva de meteoro.
Uma depois da outra, o desfile de estrelas cadentes colidiam com a barreira
invisvel da Terra e desapareciam. Seus pensamentos sobre a cupular cena
noturna mudaram de cientficos para apreciarem uma dana. Joseph tinha dito
mais cedo que eles estavam indo para um concerto. Talvez ele estivesse ouvindo
msica naquele exato momento. Para ela, um bal maravilhoso estava tomando
seu lugar no cu. Deus estava orquestrando essa performance como Ele faz todos
os dias e todas as noites. Ela sentiu como se fosse parte de uma audincia
limitada e privilegiada que estava testemunhando a Terra sendo salva momento a
momento da destruio de grandes pedras malvadas e antigas que vinham em sua
direo.
Tudo estava calmo. O perigo estava mantido fora da barreira invisvel da
atmosfera da Terra. A vida continuava como sempre enquanto esse girante
planeta azul continuava no seu curso correto.
A magnitude de tal compreenso assentou em Katie da mesma forma que o saco
de dormir de cheiro musgoso descansava sobre ela, mantendo-a aquecida e
confortvel. Ela se sentiu segura.
Katie notou como sua respirao tinha se tornado regular e constante. Ela quase
no percebia Joseph e Eli ao seu lado a no ser pelo pequeno senso de que a
respirao deles estava lenta e at mesmo ritmada como a dela. Aquilo e a
percepo de que a jaqueta de Joseph carregava o cheiro de gasolina.
Outro meteoro, esse com a cauda mais brilhante at aquele momento, apareceu
no oriente e no se apressou antes de incinerar em uma fumaa de poeira
interplanetria. Uma srie de pontos de luz brilhantes tipo ratinhos velozes6
seguiram o primeiro pra extino.
Deus mantm o mal longe de mim todos os dias da mesma forma que ele est
mantendo a Terra de ser pulverizada pelas estrelas cadentes?
Um sendo de humilde gratido a encheu.
Sem aviso, Eli moveu suas pernas e deslizou pra fora do teto, deixando um
espao frio perto de Katie. Ele foi para o porta-malas, o abriu e apenas com a
pequena luz vermelha no seu molho de chave para iluminar o caminho, ele
caminhou de volta lentamente para a frente do carro.
Katie sussurrou para Joseph:


6
  No original o nome  LEMMING, tudo que consegui encontrar foi que  um animal tipo um rato que habita
nas regies frias do Norte.
- O que ele t fazendo?
- No sei. Com Eli eu nunca sei.
S ento,  distncia o dbil uivo de um coiote soou. Pelo menos Katie achava
que era um coiote. Ela e Joseph trocaram olhares assustados na escurido, sem
certeza do que poderia acontecer a seguir.
                               Captulo 5
Eli abriu a porta da frente do carro, e a luz interna iluminou a fria escurido com
uma luz azul.
Katie se virou e olhou de onde ela estava, perto de Joseph no cap do carro     de
Eli, para dentro do carro atravs do pra-brisa. Eli estava colocando um CD     no
som do carro e aumentando o volume. Abaixando a janela do carro do lado         do
motorista, ele fechou a porta. Assim que ele fez isso, a noite os submergiu     de
novo.
Eli subiu para perto de Katie e puxou uma parte do saco de dormir para cima de
suas pernas. Atrs deles a msica comeou. A introduo comeou com o lento e
constante ritmo dos tambores.
- Isso  da frica? Katie perguntou.
- Sim. Shhh.
Os tambores foram seguidos por uma "limpa" e singular voz que provavelmente
pertencia a uma criancinha. O solo foi cantado com perfeita afinao e clareza.
Mesmo Katie no entendendo as palavras, a msica soava como uma adorao
pra ela.
Contemplando o cu novamente, ela deixou a msica lav-la como se fossem
ondas invisveis. No refro, uma multido de vozes se juntou quela voz sozinha
com expressivos sons que fizeram o pra-brisa vibrar na suas costas.
A letra mudou para o ingls. Katie ouviu mais cuidadosamente e rapidamente
reconheceu a primeira parte da cano como sendo de Salmos 8. Ela sabia isso
porque Ted e o amigo deles, Douglas, tambm tinham escrito uma cano com
esse versculo. A verso africana era bem diferente tanto na melodia quanto no
tom, mas as palavras eram as mesmas:
Quando contemplo os teus cus,
Obra dos teus dedos,
A lua e as estrelas que ali firmaste,
Que  o homem para que com ele te importes,
E o filho do homem para que te preocupes?
Tu o fizeste um pouco menor que os seres celestiais
E o coroaste de glria e honra.
A msica acabou, e a prxima comeou sobre eles to bela e calmamente quanto
a primeira. Essa tambm foi cantada nos profundos e terrestres tons de uma
lngua que Katie no reconheceu e depois foi repetida em ingls.
O que o Senhor requer de voc?
Alm de agir com justia,
Amar com misericrdia,
E caminhar humildemente com Deus.
Katie se virou para Joseph enquanto ele balanava a cabea e os ombros junto
com o tempo da msica.
- timo show, ela disse docemente.
- Umm-hmm.
Sobre eles as estrelas danavam.
Na TV e no cinema, Katie tinha assistido uma poro de danas. Ela tinha visto
danarinos tribais pulando com grandes lanas. Ela tinha visto homens
tailandeses numa ilha vestidos a carter pisar na areia com fora. Comdias
retratavam companheiros mascarados balanando suas armas em volta das
fogueiras da tribo e gritando "uga-buga" para assustar seus inimigos e fazer com
eles fugissem.
Mas isso, Katie ainda no tinha visto. Ou se ela j tinha visto, seu esprito nunca
tinha sido capturado da maneira como estava sendo agora. Tudo em volta dela
parecia estar danando em resposta  msica e a beleza perfeita da noite, e ela
era parte dessa imensa dana de louvor. Apesar de no estar se mexendo.
Katie puxou o saco de dormir at a altura de seu queixo, quase cobrindo o sorriso
em seus lbios. O nariz dela estava gelado, mas o corao estava quente e
tranqilo, como se l dentro ela estivesse prostrada em orao. Ela no se
lembrava de alguma vez ter se sentido to envolvida na imensido e ao mesmo
tempo em um minuto to particular diante da beleza de Deus e do seu cosmos.
Essa era uma noite como nenhuma outra.
Quando a msica terminou, Eli e Joseph silenciosamente desceram do cap do
carro, e Katie os seguiu. Uma vez que Eli tinha ligado o carro e o aquecedor, ela
comeou uma conversa sobre a msica e a frica.
Eli e Joseph contaram-na que cada um deles tinha, em algum momento de sua
infncia, vivido em uma choupana de barro com telhado de palha. Antes de vir
para a Califrnia, ambos tinham morado em grandes cidades. Eli disse que morou
em um apartamento. Joseph disse que morou em um quarto de uma casa com
uma pessoa chamada Shiloh.
- E quem  Shiloh? Katie perguntou.
- Shiloh  minha linda esposa.
- Sua esposa? Eu no sabia que voc era casado. Ela ainda est na frica?
- Claro. Ele tirou uma foto de sua carteira e entregou  Katie. Ela teve
dificuldade em ver sob a luz fraca, mas ela pde perceber que a foto era de uma
amvel e sorridente moa.
- Qual foi a ltima vez que voc a viu?
- Vinte e trs meses atrs.
- Joseph!
- Sim?
- Que horror.
- Ns estaremos separados apenas por mais dezessete meses.
- Apenas dezessete meses? Joseph, eu estou pasma. Katie devolveu a foto a
Joseph.
- Por que voc est pasma?  por que uma mulher to linda me escolheu como
marido?
- No, claro que no. Eu estou pasma de ver como voc pode deixar sua esposa
por tanto tempo apenas para vir estudar.
- Ir a uma faculdade  um grande privilgio.
Katie concordou, mas ela nunca tinha considerado os sacrifcios que alguns
estudantes faziam para estudar na Rancho. Para ela tinha sido muito difcil sem o
suporte de sua famlia, mas os obstculos dela pareciam mnimos comparados aos
de Joseph.
Enquanto processava tudo aquilo, o carro branco de Eli subia o morro at o topo
do planalto onde a Universidade Rancho Corona ficava. O campus parecia estar
dormindo naquelas primeiras horas desse novo dia.
- Obrigada por me deixar ir com vocs, Katie disse. Eu estou quase feliz por meu
pobre carrinho ter estragado. Quase.
- Voc tem algum mecnico que pode fazer o conserto pra voc? Joseph
perguntou.
- Eu estou pensando em ver se meu irmo pode vir e dar uma olhada.
- Se ele no puder, me fale, por favor, Joseph disse. Eu conheo um pouco de
mecnica.
- Bom saber disso. Katie pegou seu celular e a tela iluminou-se quando ela
apertou os botes para armazenar um novo contato. Qual  seu nmero?
- Eu no tenho celular.
Katie no sabia de ningum que no tivesse um celular.
- H algum telefone para o qual eu possa ligar l no posto de gasolina?
- H sim, mas eu no sei o nmero. Se voc rebocar o carro at o posto, eu posso
fazer o conserto pra voc.
- Ta bom.
Eli parou o carro em frente ao Crown Hall, e seu carro ficou parado ao longe
enquanto Katie se despedia.
- Eu vejo vocs por a. Obrigada mais uma vez por me deixar ir com vocs. Se
vocs planejarem ir a outro rock star show me falem, t?
- Combinado, Eli disse. Estou feliz por ter vindo.
Katie se dirigiu para dentro do dormitrio e fez aquela longa caminha at o fim
do corredor, ainda flutuando na euforia daquela noite. Com apenas trs horas
antes de ela ter que estar em servio na mesa da frente, ela vestiu seu pijama e
colocou o seu celular para despertar. Ela se sentia bela e estranhamente
descansada desde o seu interior at o exterior.
Instintivamente digitando uma mensagem para Rick antes de dormir, ela disse a
ele que esperava que ele e Joseph fizessem uma viagem segura.
Um minuto depois que ela enviou a mensagem, seu celular tocou.
- Eu no acredito que voc ainda est acordada. Voc est na casa da Cris? Rick
disse, com uma voz de quem estava bem acordado.
- No, eu sa de l antes da meia-noite. Eu estou no meu quarto, mas voc jamais
vai adivinhar onde eu fui depois que sa da casa de Cris.
- Casa de Pedro?
- No. Eu fui ao deserto com Eli.
O outro lado da linha ficou em silncio.
- Rick, voc ainda est a?
- Sim, estou. Voc disse que foi ao deserto com Eli?
- . Eu fui ao deserto com Eli e Joseph. Voc conhece o Joseph. Ele  da frica.
- Katie, voc est tentando fazer uma piada ou coisa do tipo? Porque eu no
estou entendendo.
Katie se esticou em sua cama e comeou a histria com a parte que o Buguinho
no queria funcionar. Ento ela deu a Rick uma explicao completa, incluindo a
discusso sobre chs, a inacreditvel quantidade de estrelas, a irresistvel
presena de Deus, a maneira como ela ouviu um coiote de longe, e o "show"
africano. Ento ela parou para respirar antes de dizer:
- Eu queria que voc estivesse l. Foi a noite mais maravilhosa de todas. Eu acho
que nem consigo explicar o quo fenomenal foi.
De novo, a ligao parecia ter cado.
- Rick?
- Eu no sei o que dizer, Katie. Eu ainda estou tentando entender porque voc
saiu no meio da noite e foi ao deserto com dois caras que voc nem conhece.
- O que voc quer dizer com 'nem conhece'? Eli mora com voc. Era voc quem
queria que eu o conhecesse melhor.
- Sim, conhec-lo, ser educada quando voc estiver no apartamento e ele estiver
l. Eu nunca quis dizer que voc deveria sair com ele no meio da noite para
algum destino louco.
- No foi assim to louco quanto parece. O que eu no te contei  que eu estava
tentando convencer a Cris de ir a uma aventura noturna comigo. Eu sugeri pular
de pra-quedas, ento com isso em mente, essa chuva de meteoros noturna foi
uma opo muito melhor.
- Ento por que a Cris no foi com voc?
- Ela no sabe que eu fui. Eu no voltei para cont-la que o Buguinho no estava
funcionando. Mas fato , eu conheci o Eli e agora eu no tenho mais antipatia
dele. Ento na verdade, agora mesmo, eu acho que voc deveria estar dizendo,
"Bom trabalho, Katie. Continue assim!".
- Okay, bom trabalho, Katie. Continue assim. E a propsito, eu disse ao Eli que o
convite que eu fiz para ele sobre a noite de pizza foi um erro, ento eu espero
que voc no mude de idia com relao a isso.
- No. Obrigada. Como ele reagiu?
- Bem. Por qu?
- Eu s no quero magoar os sentimentos dele.
- Katie, voc est me matando. Hoje mais cedo eu tentei convidar o Eli para a
noite de pizza e voc no gostou disso. Agora voc est preocupada com a
possibilidade de eu o ter magoado. Voc no sabe o que quer.
- Ei, eu no conhecia o Eli hoje mais cedo como eu o conheo agora. Voc estava
certo; ele  um cara legal. As coisas esto indo bem, Rick. Tudo est timo entre
mim e voc e tudo est bem agora com o Eli. No h nada com o que se
aborrecer.
- Sabe o que mais, Katie? Essa , provavelmente, a pior hora possvel para termos
essa conversa. Ns estamos numa hospedaria agora. Josh acabou de chegar com
as chaves. Eu te ligo hoje mais tarde, pode ser?
- Pode. Me ligue depois das cinco.
- Depois das cinco. Entendi.
- Eu espero que suas negociaes dem certo.
- Obrigada, Katie.
Ela apertou o boto de seu telefone e colocou-o de lado. Ser muito bom quando
ele tiver terminado esse caf no Arizona. Essas viagens estavam o cansando
muito e colocando um grande peso no relacionamento deles.
Sem perceber, ela comeou uma orao em voz baixa.
- Voc j sabe o que eu quero, Deus Pai. Eu quero que o Rick e eu tenhamos uma
chance de ficar mais prximos agora que ns somos namorados. Ns esperamos
um ano por esse prximo passo no nosso relacionamento, e apesar de parecer
que temos que nos esforar muito mais do que tnhamos antes de sermos
oficialmente namorados.
Um grande bocejo tomou conta dela e ela deixou o restante da orao por falar
quando caiu no sono.
Parecia que tinha passado apenas um minuto at ela ouvir uma batida
persistente em sua porta. Ela deu olhada no relgio sobre sua mesa. Eram apenas
8:25 de uma manh de sbado. Com um gemido ela rolou na cama e gritou:
- Pode entrar.
A batida continuou, mais forte.
Sem abrir seus olhos, Katie gritou de novo:
- Srio! V checar a AR em-trabalho na mesa principal.
Assim que as palavras pronunciadas saram de sua boca, os olhos de Katie
abriram instantaneamente.
- Espera. Sbado? Ah, no! Sou eu, no sou?
Rolando pra fora de sua cama, ela abriu a porta, piscando por causa da luz do
corredor. Julia, a diretora dos ARs, estava l com uma expresso meio confusa.
Parecia que ela tinha acabado de levantar e colocar uma cala jeans e um
moletom. Seu cabelo castanho cor-de-areia estava preso com um grampo e sua
bela e sardenta pele estava rosa.
- Katie?
- Meu despertador deve... Eu pensei que eu...
- Eu vou voltar para a mesa principal, Julia disse. Venha e tome meu lugar assim
que voc puder.
- Eu vou me apressar.
Katie pegou seu telefone e descobriu que desapercebidamente o desligou quando
ela acabou de falar com Rick algumas horas atrs. Ela tinha trs chamadas na
caixa postal. Duas eram de Julia. Ela no parou pra ver de quem era a terceira
ligao. Correndo para vestir uma cala de jeans e um moletom, Katie calou
seus ps num par de chinelos e desceu o corredor correndo.
- Julia, eu sinto muito, muito mesmo. Meu telefone...
- No se preocupe com isso. Acontece. Eu no estou me sentido bem, eu vou
voltar pra cama. Se voc tiver algum problema, ligue para o Greg primeiro, ta?
- Claro. Obrigada. De novo, me desculpe.
Rapidamente, aquele se tornou um chatssimo sbado para Katie e para todos
com que ela se encontrou durante as suas cinco horas de trabalho.
Primeiramente, ela estava com fome e nenhuma das gavetas da mesa guardava
uma sacola de rosquinhas ou mas confiscadas da cafeteria que normalmente
ficavam l. Segundo, todos que vieram at ela com um problema estavam
irredutveis no quesito precisar de uma soluo imediata para o problema.
Terceiro, o nmero de problemas, mesmo para um sbado, estava bem mais alto
que o normal. Katie estava acostumada com as situaes como "Eu perdi minha
chave" ou o "Eu preciso agendar com a manuteno para que eles venham
consertar a porta do meu armrio". Hoje duas infestaes de formigas foram
detectadas e um pequeno incndio resultante de uma cola quente em cima da
cama enquanto a artista foi ao centro da cidade para comprar mais coisas para
seu projeto de arte.
A fumaa da roupa de cama queimada originou numa ligao para a mesa de
Katie vinda do quarto ao lado do desastre, o que significava que Katie tinha que
avaliar o lugar se ligasse para o departamento de incndio.
Ela ligou, eles vieram, tudo foi feito bem rpido e eficientemente, antes que a
estudante de arte estivesse de volta do centro da cidade e encontrasse seu
colcho e sua roupa de cama queimada ensopados e fora do Crown Hall.
Acabou que Katie teve que encontrar um novo colcho e arrumar um jeito de
levar o colcho danificado para longe dali. Tudo isso aconteceu antes de meio
dia.
Ao meio dia, sua companheira de andar, Nicole, entrou no Crown Hall com uma
surpresa feliz. Ela tinha um sanduche com poro extra de picles para Katie.
- Voc est brincando comigo? Katie disse, assim que a doce Nicole apareceu com
o grande, e salvador de famintos embrulhado num papel. Como voc sabia?
- Eu tive que trabalhar no sbado por duas semanas seguidas, lembra?  o pior
dia.
- Oh, baby, voc  meu novo melhor amigo. Katie deu uma mordida em seu
sanduche.
- Eu seria boba de pensar que voc estava falando comigo, Nicole disse com um
sorriso. Eu sei que essa sua expresso de carinho  para o sanduche. O sanduche
 mesmo seu novo melhor amigo, no ?
Katie no respondeu. Ela apontou para seus lbios fechados e sua boca cheia de
sanduche e continuou a mastigar e fazer barulhos para demonstrar sua
felicidade enquanto mastigava.
Nicole puxou uma cadeira para perto de Katie. O cabelo escuro e escorrido de
Nicole estava preso em um rabo de cavalo e mesmo parecendo que ela no
estava com nenhuma maquiagem exceto pelo discreto delineador e o rmel em
seus olhos, ela aparentava estar nova em folha, como sempre.
Nicole pegou seu celular, para checar as mensagens. Seu semblante caiu.
- Hmm? Katie perguntou, ainda mastigando. Ela apontou para o telefone,
deixando claro que ela queria saber com o qu Nicole estava desanimada.
- Ah. Eu estou esperando que uma certa pessoa me responda se vai comigo a uma
certa noite de pizza na sexta e isso est me deixando louca. Isso  muito
humilhante. Eu gostava mais de quando estvamos no primeiro ano do ensino
mdio, quando tudo que tnhamos que fazer era contar s nossas amigas de quem
ns gostvamos e deix-las contar ao garoto para ns. Elas sempre voltavam logo
em seguida com uma resposta se ele gostava de ns ou no.
Katie engoliu e deu olhada para fora da rea do saguo para se certificar de que
ningum as podia ouvir.
- Quem voc chamou?
- Ah... Phillip Sett.
Katie caiu na gargalhada.
- Que foi? Ele no  to ruim assim. Eu acho que ele  at bonitinho.
Katie balanou sua mo na frente de seu rosto e tentou respirar.
- Por que voc est rindo, Katie?
- No, no. No  por causa dele. Eu nem o conheo. Ela voltou a respirar
normalmente.
- Ento qual  a graa? J  humilhante o suficiente estar na ltima semana e
tentar arrumar um acompanhante; voc no precisa zombar de mim.
Katie assumiu uma expresso melanclica.
- Nicole, me desculpe. Eu no estou zombando de voc. Foi o jeito como voc
disse o nome dele. Eu nem conheo o cara. Mas quando voc disse o nome dele,
eu achei que voc tinha dito, 'Eu to triste, '7 e eu acabei achando engraado o
fato de voc estar to chateada e eu pensei que...


A lgica ilgica do que Katie tinha entendido foi ao encontro de Nicole e ela deu
um pequeno sorriso.
- Ah, entendi. Phillip Sett. Eu to triste. Ok.  bem engraado.
- No, no . Se fosse engraado voc estaria rindo tambm. Eu estou meio
grossa essa manh, Nicole. Ns j tivemos dois problemas com formigas e um
incndio.
- Eu vi o colcho. O que aconteceu?
Em meio s mordidas do sanduche, Katie fez um resumo para Nicole. Depois de
Katie dar mais algumas mordidas em seu sanduche, todas as luzes no pequeno
escritrio piscaram. A luz caiu completamente por dois segundo e depois voltou.
- O que est acontecendo hoje?
- Ns tivemos uma queda de energia ontem a noite tambm, Nicole disse. Voc
estava aqui quando isso aconteceu? Ns ficamos sem energia s nove da noite por
cerca de cinco ou seis minutos.
- No, eu estava na casa da Cris. Ns estvamos tendo nosso problema particular
de queda de energia com o micro-ondas.

7
  Em ingls, o que a Katie entendeu foi que a Nicole tinha dito"I feel upset", que quer"Eu to triste", ao invs
de Phillip Sett, que  o nome do garoto. Coisas de Katie...
- Ah, , e como foi o tratamento facial? Vocs gostaram da minha frmula
secreta?
- Eu acho que funcionou mais na Cris do que em mim.
- Voc deveria us-lo constantemente. Toda semana. O produto  bom.
- A cor era tima. Excelente tom de verde. Bom para assustar garotos.
Nicole sorriu.
- Eu no sei se quero ouvir o restante dessa histria. No agora, do jeito que a
minha vida anda... Eu acho que eu assustei o Phillip. E agora sim, eu to triste.
- Ento ligue pra ele e diga que voc s est querendo saber como ele est. Seja
calma e simptica e ento voc vai saber se ele vai com voc ou se voc vai
precisar convidar outra pessoa.
- Esse  o problema, Nicole disse. Quem mais eu poderia convidar? Eu j esgotei
todas as minhas opes. Se o Phillip no for comigo, eu acho que no vou.
- Voc tem que ir. Isso  seu trabalho.
- Bem, ento meu trabalho deveria vir, automaticamente, com um
acompanhante para todos os eventos sociais porque, de verdade, eu no quero
ser a nica a ir sozinha. Eu no estou agindo com uma criana pirracenta.
Sinceramente. Esse  meu ltimo ano e eu fui sozinha  maioria desses eventos.
 horrvel. Especialmente ano passado quando eu fui AR pela primeira vez. Eu
dizia a mim mesma que tudo bem ir sozinha porque no ano seguinte seria meu
ltimo ano, e certamente, a essa altura, eu teria algum com quem eu pudesse
fazer, pelo menos, as coisas mais casuais. Mas olhe pra mim, Katie! Lgrimas
jorraram de seus olhos. Eu sou uma universitria em seu ltimo ano e do campus
todo eu sou a mulher que menos saiu com algum rapaz!
- Isso no  verdade. Voc est brincando comigo? Nicole, voc  maravilhosa e
voc sabe disso. Voc est com um corpo timo, pele perfeita, um cabelo lindo,
e voc  mesmo maravilhosa. Tanto por fora quanto por dentro. Voc s no
encontrou o cara certo ainda.
Por mais que Katie tivesse a inteno de que sua ltima frase desse esperana 
Nicole, ela ainda parecia com algo que uma me diria seguido de um tapinha no
joelho. Principalmente por causa do jeito como Katie tinha feito um resumo das
melhores caractersticas de Nicole, como se Nicole precisasse que algum a
contasse o quo maravilhosa ela era.
Infelizmente, a exortao de Katie para Nicole tinha produzido o mesmo tipo de
lgrimas sufocadas que teriam vindo se uma me estivesse falando a mesma
fatdica frase.
Nicole piscou corajosamente.
- Eu sei. Eu realmente no deveria estar fazendo disso um grande problema. Eu
estou sensvel demais. Voc tem algum chocolate guardado em seu quarto?
- Bombas de chocolate? Katie ofereceu, segurando a chave de seu quarto.
- Eu vou olhar com a Em. Ela normalmente tem essa coisinha preta guardada. Se
ela no tiver, eu vou atacar seu estoque de bombas de chocolate.
- Seja minha hspede. E Nicole? Eu estava falando srio mesmo que tudo tenha
sado errado e soado horrivelmente bobo. Voc  maravilhosa, e qualquer rapaz
seria louco de no sair com voc. Eu realmente acredito que voc vai encontrar
algum. Eu no sei quando, mas voc vai, e os 'sinos vo soar' pra vocs dois.
Poo mgica, raios brilhantes no canto dos olhos e tudo mais.
- Poo mgica, raios brilhantes no canto dos olhos, hein?
- Cris e eu estvamos falando sobre isso ontem  noite.  basicamente a
sndrome da princesa de desenho animado. Ento Katie se lembrou de que a
conversa com Cris tinha sido, na verdade, sobre deixar os raios no canto dos
olhos na parte dos mitos. Agora, aqui estava ela, bajulando Nicole e a
convencendo a acreditar que seu lindo prncipe estava h apenas um desejo de
distncia.
- Sabe o que mais, Nicole? Eu percebi que no so brilhos e raios. Eu no deveria
ter vindo com essa histria de poo mgica. Eu sei que no  assim pra todo
mundo. Mas, fato , eu tenho aquela sensao melosa de docinho de coco de que
 assim que vai ser com voc.
- Por que, eu sou um docinho de coco?
- No, voc no  um docinho de coco.
- Katie, voc pode parar de tentar me animar. Eu sei que Deus tem um plano pra
minha vida. Sei mesmo. Eu te contei durante nossa caminhada rumo ao Catalina
como eu cresci com a premissa de que eu sou uma princesinha de Deus e um dia
meu prncipe viria. Eu acho que grande parte de mim ainda acredita nisso.
- Que bom.  assim que deve ser.
- Sim, mas nesse ano, por sua causa do seu tema Tesouros Peculiares para o
nosso andar, eu estou desenvolvendo uma imagem maior da minha vida e do que
importa para Deus. Eu no sei se eu j te agradeci por isso. Eu estou vendo que
sou mesmo um tesouro peculiar de Deus e o meu valor pra ele  o que importa
mais e mais.
- No h regra nenhuma que diz que voc no pode ser um tesouro peculiar e
uma princesa ao mesmo tempo.
- Eu acho que estou no meio-a-meio. Metade de mim quer deixar isso pra l e
dizer que toda essa coisa de acompanhantes no vai me definir ou meu ltimo
ano de faculdade. Deus est fazendo tudo que o honra e  isso que eu quero. Mas
a, a outra metade de mim diz, "Al! Lembra de mim, Deus? Cad meu Senhor
Maravilha?"
Katie deu um espontneo abrao em Nicole.
- Eu te amo, Nicole. Voc  to sincera.
- Esse tambm  um dos seus melhores traos que est passando pra mim, Katie.
O telefone de Nicole tocou e as duas se ergueram na cadeira, com expectativa e
uma expresso levemente "tonta".
- To triste? Katie perguntou, enfatizando a pronncia errada do nome do
acompanhante em potencial de Nicole.
Nicole pegou seu telefone e o abriu. A expresso dela decaiu quando ela viu o
nome no identificador. Colocando o telefone em seu ouvido e melhorando sua
voz, ela disse:
- Oi, me.
Katie escondeu seu sorriso desapontado numa mordida em seu sanduche. Nicole
deu um tapinha no ombro de Katie e acenou um tchau enquanto caminhava para
fora do escritrio dizendo:
- Aham. Srio? Ah, que bom.
Enquanto mastigava ruidosamente na calmaria da mesa principal, ela lembrou
que havia uma mensagem na caixa postal que ela ainda no tinha ouvido.
Pegando seu telefone, ela acenou para duas estudantes que entraram no prdio e
deram um oi pra ela.
Ela ouviu s duas mensagens de voz de Julia perguntando onde ela estava e se
ela se lembrava que ela estava encarregada da mesa principal naquela manh.
Ento veio a terceira mensagem.
- Ah. Bem. Eu no sei que... Al? Voc est me ouvindo?  sua me. Katie? Voc
no deve estar em casa. Voc est a? Eu no sei se eu devo falar o nmero do
meu telefone ou apertar algum boto. Voc deveria deixar instrues que digam
s pessoas o que elas devem fazer ao invs de... Bem, tchau. Eu j desliguei? Eu
no sei como isso funciona.
Um clique e um silncio se seguiram.
Katie engoliu o pedao de sanduche. Ela respirou fundo e digitou o nmero do
telefone da casa de seus pais. Limpando sua garganta, ela esperou enquanto o
telefone chamava. O corao dela estava acelerado, como se ela fosse atravessar
a nado um grande e gelado oceano.
                               Captulo 6
Os pais de Katie estavam em seus quarenta anos quando ela nasceu. Mesmo eles
sendo super protetores no comeo, uma vez que ela formou no ensino mdio, ela
comeou a ficar mais independente, o que a deixou sentindo-se  deriva no
relacionamento dela com eles.
Enquanto ela esperava sua me atender o telefone, um caminho de entrega da
floricultura estacionou em frente ao Crown Hall.
- Oi, me. Sou eu, Katie. Ela odiava ter que se identificar, mas era melhor ela se
fazer conhecida no comeo da ligao do que esperar que sua me soasse
confusa e depois dissesse, "Quem ?"
- Eu tentei te ligar hoje de manh, Katie.
- Eu sei. Essa  a primeira oportunidade que tive para ligar de volta.
- Voc deveria deixar instrues no seu telefone se voc no vai atender. Eu no
sabia se eu deveria apertar algum boto ou o qu.
- Voc no precisa apertar nenhum boto. Tudo que voc tem que fazer  falar,
me. E depois desligar. Do jeitinho que voc fez.
Um homem baixinho aproximou-se da mesa principal, seu rosto escondido pelo
grande buqu de margaridas, lrios e rosas. Ele colocou as flores no balco, o que
bloqueou a viso de Katie, impedindo que ela o visse.
- Eu preciso que voc assine aqui. Ele puxou uma prancheta passando-a ao lado
do buqu - No 'x'.
- Katie, h mais algum na linha?
- No, me. S um segundo. Ela abaixou o telefone, rabiscou sua assinatura na
linha onze e agradeceu ao entregador antes de voltar  conversa com sua me.
Voltei, eu tive que assinar uma entrega de flores.
- Flores?
- , um buqu. Um buqu enorme.
-  pra voc?
- No. Eu estou de planto na mesa principal. No sei pra quem . Katie virou o
vaso e encontrou o carto colado ao lado do vidro ao invs de preso a um desses
usuais palitinhos de plstico presos em meio s flores.
Seu corao parou quando ela viu que o nome que estava no carto era "Katie".
- Se voc estiver muito ocupada agora para falar, voc pode me ligar mais tarde,
a me dela disse.
- No, tudo bem. E a, alguma novidade? Ela tentou no soar indiferente, mas sua
mente percorreu todas os possveis motivos pelos quais Rick a teria mandado
flores. Ele estava s tentando ser legal? Eles no tinham marcado ou
comemorado nenhum desses "aniversrios de namoro" do jeito que alguns casais
de namorados faziam. Rick no estava comeando agora, estava?
- Eu preciso do seu endereo, a me dela disse.
- Meu endereo?
- Sim. A da escola. Uma carta chegou pra voc e eu preciso encaminh-la.
- Ok. Katie recitou o endereo de seu dormitrio enquanto tirava a fita adesiva
que prendia o carto no lado do vaso. Assim ela poderia ler o que estava escrito.
- Sua tia av Mabel morreu. Eu j te contei isso, no contei?
- J, me. Voc me contou isso uns meses atrs. A menos que agora voc esteja
falando de outra tia av Mabel.
- No,  a mesma.
- Ok, bem,  melhor eu voltar para o trabalho. As unhas de Katie estavam curtas,
o que fez da tarefa de tirar a fita adesiva do carto, algo desafiador.
- Seu pai retirou um ndulo do brao dele, mas no era cancergeno.
- Que bom. Ah, eu tenho que contar. Meu carro estragou ontem  noite.
- O carro que o Larry comprou pra voc?
- Sim, esse mesmo. Eu estava pensando que deveria ligar pra ele, mas eu no
tenho o nmero do telefone dele. Katie parou com aquela briga intil com o
carto no vaso e procurou pra uma caneta. Ela encontrou tambm, sobre a mesa,
um pedao de papel num bloco de anotaes que no estava completamente
usado. Voc poderia me dar o nmero do Larry?
- Por que voc no tem o nmero do telefone do seu irmo?
Katie teve vontade de dizer:
- Voc acabou de me pedir meu endereo. Qual  a diferena entre isso e o fato
de eu no ter o nmero do telefone do Larry?
Ao invs disso, ela disse:
- Eu devo ter em algum lugar, mas no no meu celular. Voc pode me dar o
nmero, me?
- S um minuto. Ah, espere. Aqui est. A me de Katie leu o nmero e depois
disse: Voc sabe que ele se mudou para Bakersfield, no sabe?
- Bakersfield? Quando o Larry se mudou pra l?
- No vero passado. Voc sabia que ele estava num centro de reabilitao, no
sabia?
- No.
- Eu pensei que soubesse. Ele ficou l apenas uma semana ou talvez duas antes
de ele mesmo pedir pra sair. Ns no temos notcias dele desde Agosto. Eu tenho
certeza que o centro no se importar se voc ligar pra saber se ele ainda est
l.
- Que nmero voc acabou de me dar? O celular dele?
- No tem como eu saber se ele tem um celular. Eu te dei o nmero do centro de
reabilitao.  o nico nmero que tenho.
Katie empurrou o papel na mesa.
- Me...
- O qu?
- Isso  muito srio, no ? Quero dizer...
- Seu irmo j  um homem crescido. Eu no posso me responsabilizar pelas ms
decises dele. Ns criamos vocs trs para serem independentes.
- Eu sei, Katie disse calmamente. Como o Clint est, a propsito? Voc falou com
ele recentemente?
- No. Voc quer o telefone dele tambm?
- Sim, se voc tiver. Katie anotou o telefone de seu irmo mais velho no bloco de
notas. Ela sentiu como se algo bom tivesse mexido com ela por dentro.
- Me, o que voc e o papai vo fazer na semana de Ao de Graas?
- O que voc quer dizer com 'O que ns vamos fazer'?
- Bem, eu s estava pensando que poderia ir pra casa. Eu no tenho que ficar
aqui. Quero dizer, eu s estou h uma hora de casa. Eu no fui pra casa durante
o vero porque eu estava trabalhando muito, mas eu no tenho que trabalhar
durante a semana de Ao de Graas.
O silncio cobriu aquela conversa, como que passando a responsabilidade da
resposta para a me de Katie e ela, aparentemente, no sabia o que fazer com
aquilo.
- Ns no nos importamos muito com os feriados, Katie. Ns nunca fomos assim.
- Eu sei. Eu no estou dizendo que tem que ser um grande evento caso eu v pra
casa. Eu s estou oferecendo. Talvez o Rick possa ir comigo e ele e eu
poderamos fazer o jantar para voc e pro papai. Vocs iriam gostar, no iriam?
- No sei.
Aquele silncio doloroso preencheu o espao entre elas mais uma vez.
- A famlia de Rick no convidou voc?  isso?
- Rick e eu ainda no conversamos sobre a semana de Ao de Graas. Eu s
pensei em te falar sobre essa possibilidade. No  nada de muito importante,
me.
- Ns no estamos prontos para receber visita. Ter a casa preparada em to
pouco tempo  demais pra mim. H muita coisa acontecendo aqui. Ontem mesmo
seu pai retirou um ndulo...
- Eu sei, me. Voc j me contou. Ns podemos deixar pra l a idia do dia de
Ao de Graas. Tambm h muita coisa acontecendo por aqui.
- Se voc tivesse me avisado com um pouco mais de antecedncia, eu poderia
organizar alguma coisa, Katie. O dia de Ao de Graas  daqui a apenas uma
semana e meia.
- Eu sei.
- Voc deveria ser mais organizada, especialmente quando seus planos envolvem
outras pessoas. Eu esperava que a faculdade fosse curar essa sua natureza
impulsiva, mas, obviamente, voc continua pensando que tudo bem fazer as
coisas na ltima hora.
Katie se sentiu mergulhando em uma velha e bastante desagradvel poa de lama
de vergonha.
- Agora, se voc quiser conversar sobre fazermos algo no Natal, eu posso falar
com seu pai sobre isso.
- Eu vou pensar, me.
- Pensar em qu? Voc quer vir ou no?
- No sei. Eu preciso conversar com o Rick sobre isso.
- Nos telefone quando voc decidir. Quanto mais rpido, melhor. Ns estaremos
aqui, voc sabe disso.
Katie desligou e olhou para o pedao de papel com o telefone do centro de
reabilitao de seu irmo. Sem parar pra pensar no que ela deveria dizer, Katie
discou o nmero do telefone. Uma recepcionista atendeu.
- Meu nome  Katie Weldon, e eu gostaria de saber se existe a possibilidade de
meu irmo estar nesse centro. O nome dele  Larry Weldon. Ele tem trinta e
cinco, no, trinta e seis anos, ele tem o cabelo ruivo e...
- Um momento, por favor.
Enquanto Katie esperava, ela olhou para as cheirosas flores e usou seu dedo
polegar para, mais uma vez, tirar a fita adesiva. Ela tentou puxar para cima uma
ponta do carto.
- Al? Uma voz feminina diferente surgiu no telefone. Eu soube que voc est
ligando para procurar por um de nossos internos.
Katie deu a mesma informao que tinha dado  primeira mulher.
- Um momento, por favor.
De volta na espera, Katie tirou o carto, com dificuldade, do vaso. Ela abriu o
envelope selado e tirou o pequeno carto, esperando ver o nome "Rick" na
assinatura debaixo de algo bem carinhoso. Ao invs disso, tudo que o carto dizia
era:
Eu estou muito feliz por voc ter dito sim.
Nosso futuro comea agora.
Nenhum nome apareceu no carto. Apenas aquelas duas frases. Katie virou o
carto e checou a frente do envelope. O nome na frente era mesmo "Katie."
- Que bizarro, ela resmungou. Para o qu eu disse sim?
- Al, Senhorita Weldon?
Katie pegou seu celular.
- Sim, ainda estou aqui.
- Obrigada por esperar. Ns checamos nossos arquivos, e no achamos nenhum
'Larry Weldon' que esteja atualmente inscrito em nosso programa.
- Ele estava a no vero, no entanto, certo? Ele deixou alguma informao?
- Infelizmente ns no temos autorizao para dar qualquer tipo de informao
por telefone.
- Mesmo para familiares?
- No. Sinto muito. Ns podemos pegar alguma informao sua para contato e se
seu irmo entrar no programa de novo, ns podemos passar seu telefone pra ele.
- Ok. Eu agradeo. Katie falou o nmero de seu telefone e seu endereo. Com
uma ltima tentativa ela disse: Tem certeza de que voc no pode me contar
nada mesmo? Quero dizer, eu no sei se ele est desabrigado ou...
- Ns no temos como localizar um interno antigo, a menos que essa pessoa
queira nos manter atualizada.
- Entendo. Ok. Bem, se ele aparecer por a, por favor diga a ele que eu quero
mesmo falar com ele. Katie sentiu-se mal com a possibilidade de seu irmo estar
em uma situao ruim. Verdade, ela nunca fora muito prxima de nenhum de
seus irmos e eles no mantiveram contato depois que ela saiu de casa, mas
ainda assim, eles eram seus irmos. Ela se sentiu mal por no ter feito nada para
manter contato com eles.
Assim que ela desligou o telefone, ela discou o nmero de seu irmo mais velho.
A caixa postal dele atendeu.
- Ei, Clint. Sou eu, Katie. Sua irmzinha. Eu sei. Estranho eu ligar. Eu s queria
saber como voc est. A mame me deu seu nmero. Ento... Eu acho que eu s
queria dar um oi e me ligue uma hora dessas. Eu estou bem. Mame e papai
esto bem. Eu no sei como o Larry est. Se voc souber, voc poderia me ligar e
dizer como ele est e como voc est? Ok. Bem... Espero falar com voc depois.
Tchau.
Talitha, uma das outras ARs, entrou na pequena rea atrs da mesa principal. Ela
estava com seu laptop debaixo do brao e em sua mo direita estava um copo
trmico de caf.
- No  possvel que j sejam duas horas. Katie olhou para o relgio de parede.
Uau. Esse foi o planto mais rpido de todos.
- Como foi a manh? Talitha perguntou.
- Coisa de louco. Mas essa ltima hora foi normal.
- Que bom. Espero que continue assim. Eu tenho um trabalho pra terminar.
Ela armou seu laptop na mesa, e Katie apontou para o resto de seu sanduche.
- Voc est com fome? O estmago de Katie estava muito cheio de 'ns' pra ela
enviar qualquer pedao a mais de comida para ele.
- No. Obrigada assim mesmo.
Pegando as flores, Katie as encaixou em seu quadril e colocou seu celular em seu
bolso para que ela pudesse carregar a sacola do sanduche de volta para seu
quarto e guard-lo em sua pequena geladeira para um lanchinho futuro.
- So lindas, Talitha disse. So pra voc?
- So.
- Do Rick?
Katie se desvencilhou de sua incerteza dizendo:
- De quem mais elas seriam?
- Eu amo o cheiro de lrios sonhadores, voc no? 8
-  isso que elas so? Lrios sonhadores? Katie sentiu um rumor estranho dentro
de si enquanto jogava pra longe o pensamento que estava tentando bater de
frente com sua conscincia.
- Sim, sonhadores. Voc tem que tomar bastante cuidado porque o plen amarelo
mancha, mas os dessas flores foram retirados. Eu amo essas flores. Eu vou us-las
no meu casamento.
Katie ficou surpresa.
- Seu casamento? Voc tem planos que eu ainda no sei?
- No! Talitha disse rapidamente, abaixando o tom da voz. Voc est brincando?
Eu tenho uma vida amorosa zero e quase uma vida social zero tambm. Eu s
estou dizendo que algum dia, se e quando eu me casar, eu gostaria de ter essas
flores no meu buqu de casamento.
- Aqui. Katie extraiu uma das vibrantes flores do centro do buqu e deu 
Talitha. Uma flor para fazer um desejo.
Ento, para dar um toque em seu presente impulsivo, ela inventou instrues
para extrair um desejo da flor:

8
   Em ingls  stargazer lilies. Literalmente traduzidos, so lrios sonhadores, mas no tenho certeza de que
esse seja o nome verdadeiro da flor em portugus.
- Veja, com uma flor dos desejos, voc deve girar a flor, cheir-la e dizer, 'Com
esse lrio, eu te desejo. ' Ento o primeiro garoto que voc vir depois que tiver
feito o desejo ser 'ele'.
Talitha gargalhou.
- Eu acho que vou esperar para girar e cheirar at que minhas chances de
localizar o 'Sr. Ele' sejam um pouco melhores do que elas so nesse momento.
Katie seguiu a viso de Talitha para o hall onde dois rapazes podiam ser vistos.
Um deles estava abraando sua namorada no sof e outro, um raqutico
conhecido em seus quarenta e quatro quilos, estava digitando, em seu laptop, na
velocidade da luz.
- Entendo o que voc quer dizer. Entretanto, quando voc estiver pronta, siga
essas simples instrues e veja o que acontece com sua flor dos desejos.
- Se voc diz.
Katie tinha certeza que Talitha estava rindo dela por trs daquele sorrisinho, mas
Katie no se importava.
- Sabe o que eu acho? Eu acho que se uma jovem no se d o direito de
ocasionalmente fazer um desejo para uma estrela, ou uma flor, ou um bolo de
aniversrio cheio de velas, ento ns estaremos perdendo um das mais doces
extravagncias da nossa juventude.
Talitha levantou suas sobrancelhas para a declarao de Katie.
- De onde voc tirou isso?
Katie levantou seu queixo. Ela sabia que sua incomum e excntrica frase tinha
vindo das experincias combinadas das ltimas vinte e quatro horas  estar com
sua amiga casada, Cris; contemplar as estrelas com Eli e Joseph, conversar com
sua montona me; pensar em seus irmos; e agora segurar um lindo buqu de
flores com seu nome nele. Uma vez que era demais tentar resumir isso tudo, sua
resposta para Talitha foi:
- A vida passa rpido e muitas coisas podem nos entristecer. Mas se ns no
tivermos esperana, ento, bem... pra qu serve o futuro, se no  pra gente
sonhar com ele?
Talitha deu um abrao espontneo em Katie.
- Eu precisava disso. Obrigada, Katie. Eu precisava dessas flores tambm.
- Que bom. E no se esquea do desejo-para-seu-lrio.
- No esquecerei.
- O desejo s  bom enquanto a flor ainda est viva, ento no espere ela secar
ou comear a se despedaar.
- Entendi.
Juntando tudo em seus braos, Katie tentou carregar as flores para o seu quarto
sem ser notada pelos demais. Ela no teve muito xito. Trs mulheres de seu
andar a pararam para sentir o cheiro e admirar seu buqu. J que o divertido
faa-um-desejo-para-uma-flor estava fresquinho em sua mente, Katie repetiu o
exerccio inventado com as trs moas. Para cada uma delas, ela deu um boto
de rosa juntamente com as instrues do desejo.
- Tem certeza de que voc quer dissecar seu buqu assim? Uma das garotas
perguntou.
Katie rapidamente disse que o buqu era grande demais e precisava ser
decomposto.
- O Rick tem a tendncia de exagerar nas coisas, ela adicionou com um rpido
pensamento sobre a ltima vez que ele deu um buqu a ela. Ele era to enorme
quanto esse, e Katie no tinha exatamente apreciado seus generosos esforos.
Eles discutiram naquela noite e ela deixou o buqu no banco de trs do carro.
Esse ela guardaria. Ela poderia o decompor um pouco, mas ela o guardaria e se
certificaria de agradec-lo sinceramente, mesmo ela no tendo entendido a
mensagem no carto.
A observao de Cris no primeiro buqu era que Rick estava tentando encontrar
maneiras criativas de expressar sua afeio e paixo por Katie, sem fazer isso de
uma maneira fsica. Se isso fosse verdade, esse buqu era equivalente a, pelo
menos, uma dzia de beijos. Uma dzia de beijos que ela e Rick ainda no
tinham compartilhado lbio-a-lbio nessa nova fase de estarem juntos.
Na maioria das vezes, Katie tentava no pensar sobre a falta de beijos deles. A
admirvel, apesar de enlouquecedora prudncia de Rick a frustrava demais para
ela pensar no assunto e chegar a uma concluso que fosse boa para ela. A nica
paz que ela tinha no momento era que quando fosse a hora certa, eles estariam
se beijando como uma parte maravilhosa das expresses de carinho deles um
pelo outro. Depois de todos os meses e todas as discusses que eles tiveram
sobre beijos - ou sobre a falta deles - ela sabia que isso s viria como um toque
de mgica essencial se ela esperasse e deixasse Rick dar o primeiro passo.
Entrando no corredor do dormitrio, Katie parou em frente ao Mural dos Tesouros
Peculiares. No comeo do semestre, Katie e Nicole tinham coberto uma parte do
mural com fotos de todas as mulheres do andar. Perto de cada foto elas
adicionaram um versculo como um tipo de beno para a garota.
Parando para dar uma olhada em sua foto no mural, Katie repetiu seu versculo
como se fosse uma promessa ou uma beno.
- 'O Senhor guardar sua sada e sua entrada desde agora e para sempre' Salmo
121:8.
Mais uma vez, o versculo escolhido por Em para Katie, uma das alunas, era
aplicvel para o momento que ela estava passando. Ela estava "saindo" com Rick,
mas tambm estava "entrando" em um novo relacionamento com sua me e
possivelmente com seus irmos.
Uma vez que a me de Katie era uma pessoa emocionalmente distante, Katie
nunca tinha experimentado o carinho maternal que muitas de suas amigas tinham
com suas mes.
Eu me pergunto se isso  parte da razo pela qual Rick se tornou uma pessoa to
importante pra mim. Por muito tempo eu quis ser aceita pela minha me, mas
isso nunca aconteceu com a profundidade que eu precisava. Eu tenho uma queda
por Rick desde o colgio. Agora que ele est verdadeiramente interessado em
mim, eu o tenho visto como o preenchedor desse buraco em mim?
Ela olhou novamente para o versculo no mural e pensou em como, de muitas
formas, Deus j tinha "guardado" sua sada com Rick. Para ela no importava
quais eram as profundas razes psicolgicas para seu relacionamento com ele.
Contanto que o relacionamento deles estivesse dando certo.
Por que analisar tudo? Ela lembrou a si mesma de que se o opulento arranjo
florido era a maneira dele de expressar sua paixo por ela, ela aceitaria isso e
seria grata.
E se o relacionamento dela com esses dois estranhos prximos da sua famlia
fosse o relacionamento que ela deveria dar ateno agora, ela aceitaria isso e
seria grata, tambm.
A porta de Nicole de frente para o Mural dos Tesouros Peculiares estava aberta.
Katie viu Nicole sentada em sua cama com seu laptop. Assim que Katie entrou,
Nicole abaixou o volume da msica em seu laptop e disse:
- Uau!
Katie esperava que sua entrada e a ostentao de seu buqu no deixassem
Nicole desconfortvel, uma vez que ela ainda estava esperando para ouvir se
teria, pelo menos, um acompanhante para sexta  noite. Ela ainda estava com a
chave do quarto de Katie, ento Katie tinha mesmo que ir l buscar.
- Aqui. Katie puxou uma margarida rosa. Essas so suas favoritas, certo? As rosas?
Nicole sorriu e balanou a cabea em afirmao.
- Obrigada, mas voc no deveria estar despedaando seu buqu.
- Considere isso como meu agradecimento pelo sanduche e apenas uma coisinha
para alegrar seu dia e seu quarto.
- Obrigada. Nicole tirou um pequeno vaso de uma caixa em seu armrio. Claro
que Nicole estaria preparada para qualquer situao.
- Voc foi l pegar as bombas de chocolate? Katie perguntou.
- No, eu acabei mudando de rumo quando minha me me ligou. Ela me animou
e eu me esqueci da minha busca pelo ouro negro. Aqui est sua chave. De
qualquer forma, obrigada.
- Eu tenho um favor pra te pedir. Katie colocou o vaso de flores na beirada da
escrivaninha de Nicole.
- Voc quer deixar seu buqu aqui?
- Que bonitinho. No, eu preciso de uma carona hoje  tarde. Meu carro est no
prdio da Cris onde ele resolveu parar de funcionar ontem  noite, ento eu
preciso reboc-lo at o mecnico. Eu precisarei de uma carona de volta pra
faculdade.
- Claro, eu estou disponvel. Sinto muito pelo Buguinho. O que aconteceu?
- Ele no quis funcionar ontem  noite.
- Eu posso ir quando voc quiser. Eu estou pronta agora mesmo. Nicole parecia
estar sempre pronta pra sair. Seu quarto tambm. Tudo estava no lugar  limpo,
organizado e guardado.
Katie percebeu enquanto estava em p no quarto limpo e organizado de Nicole
que ela ainda carregava em si uma mistura de fragrncias que as flores,
provavelmente, estavam ajudando a despistar nesse momento. Os aromas
comeavam com a pipoca de micro-ondas mutante sabor alho e manteiga e
mscara de ch-verde, seguido do constante cheiro de fumaa de motor
resultante da ida ao deserto. Um banho parecia uma boa idia.
- O que voc acha de sairmos daqui a meia hora?
- Eu estarei bem aqui.
Katie saiu depressa de seu quarto. Ela ligou para um servio de reboque e
marcou de encontr-los no prdio de Cris em uma hora.
J que o chuveiro era, normalmente, seu lugar favorito para orar, Katie comeou
com sua lista interna assim que a gua quente caiu sobre ela. Ela iniciou com os
problemas do carro, suas necessidades financeiras, sua famlia e, especialmente,
seu irmo, onde quer que ele estivesse. Ento ela orou sobre seu relacionamento
com Rick.
- Eli! Katie repentinamente expeliu esse nome em meio  corrente de gua que
caa. Ela continuou parada ali como se uma mini-revelao estivesse caindo sobre
ela.
O Eli me mandou aquelas flores! Elas no so do Rick. Elas so do Eli. Ele
escreveu aquelas duas frases porque ele ficou feliz por eu ter dito "sim" para a
ida ao deserto com ele e ele est feliz porque as coisas esto bem entre ns
agora, e nossa amizade  o que est "apenas comeando".
Katie inclinou a cabea para trs e enxaguou o shampoo de seu cabelo.
Ento por que ele no assinou o carto? Ser que ele pensou que eu saberia que
foi ele quem mandou as flores? E por que ele mandaria um buqu to grande?
Ser que ele no pensou que isso poderia passar uma 'mensagem errada'? Quero
dizer, ele sabe que eu sou namorada do Rick.
O banho de Katie acabou virando um tanque de pensamentos, onde ela tentava
descobrir porque Eli a enviaria um carto como aquele. Ela se lembrou que ele
tinha feito um comentrio com Rick algumas semanas atrs sobre Katie ser
"inesquecvel," o que quer que ele quisesse dizer com isso.
Se o Eli acha que essa  uma boa hora ou uma maneira esperta para ele comear
a flertar comigo enquanto Rick est fora, bem, ento eu tenho umas poucas e
boas pra esse atrevido Cara do Cavanhaque.
Katie deixou de lado os pensamentos sobre Eli assim que ela voltou para seu
quarto. A caminho do prdio de Rick, ela tentou ligar para Cris enquanto Nicole
dirigia. Katie percebeu que ela no tinha contado  Cris sobre seu carro ter
estragado. Ou mesmo sobre seu passeio ao deserto. Mas seria bem melhor cont-
la pessoalmente. Katie poderia esperar at o almoo delas na tera-feira. Com
Cris, era sempre melhor ter uma conversa longa face-a-face.
J que Cris no atendeu o celular, Katie deixou uma mensagem de voz.
- Ei, sou eu. Me ligue mais tarde.
O telefone dela tocou s cinco daquela tarde, bem na hora que Katie e Nicole
estavam entrando no posto de gasolina onde Joseph trabalhava. Elas estavam
bem atrs do caminho de reboque e Katie pde ver que Joseph estava no posto,
o que era bom.
Mas no era Cris quem estava ligando para Katie; era o pontual Rick. Ela tinha
dito a ele para ligar depois das cinco, e eram 5:01.
- Rick, eu vou ter que te ligar mais tarde. Meu carro estragou, e Nicole e eu
estamos no posto de gasolina agora.
- Seu carro estragou? O que aconteceu?
- No sei. Eu te conto quando eu descobrir. S me diga bem rapidamente, como
voc est?
- Estou bem. Tudo est indo bem aqui. Me ligue quando voc puder.
- Ligo sim.
Ela desligou e Nicole disse:
- Voc esqueceu de agradec-lo pelas flores.
- Ah, , Katie disse. As flores.
                              Captulo 7
Nos dias seguintes, Katie foi surpreendida todas as vezes em que atendeu seu
telefone.
A primeira chamada inesperada foi do seu irmo Clint. Ele deixou uma mensagem
enquanto Katie estava na igreja domingo de manh. Ele disse que estava
passando muito bem. Ele no falava com Larry j h alguns meses, mas Clint no
estava preocupado porque a nica vez que ele falou com Larry foi quando ele
estava metido em confuso. Depois Clint disse a Katie,"me ligue quando voc
quiser".
J fazia muito tempo que Katie no se comunicava regularmente com seus
irmos, parecia mais que ela estava ouvindo uma mensagem de uma professora
bem intencionada do colgio que estava ligando pra saber se estava tudo bem.
Ela no ligaria de volta pra Clint s pra bater papo, mas era bom ter o telefone
dele e ver que poderia ligar pra ele se ela quisesse.
A ligao seguinte que a surpreendeu veio na segunda-feira do mecnico amigo
de Joseph ao qual Katie tinha confiado o Buguinho. As palavras restaurao e
peas originais foram as primeiras pistas de que ela estava caminhando para um
desastre financeiro. O mecnico disse que tornaria a ligar para ela com uma
estimativa em poucos dias. Nesse meio tempo ele ia procurar pelas peas raras.
A ligao surpresa mais agradvel foi a que veio de Rick na segunda-feira de
manh. Katie estava deixando a lanchonete quando o telefone dela tocou. Ela
decidiu fazer um passeio at a parte mais alta do campus enquanto ela falava
com ele. Rick estava de bom humor e disse que tinha vrias novidades. Katie
sups que era alguma novidade referente ao negcio no caf no Arizona, algo
que estava sendo uma parte consistente das conversas semanais e, s vezes,
dirias deles desde agosto.
- Antes de voc me contar suas novidades, Katie disse eu tenho algumas pra
voc.
- Boas novidades, eu espero. Rick disse.
- Minhas novidades so misturadas. Como um buqu. Como um grande, bonito e
inesperado buqu. Ento, obrigada.
Katie esperou que Rick dissesse alguma coisa do tipo:"Oh, voc recebeu as
flores, no ? timo. Voc gostou?".
Em vez disso, Rick disse:
- Pelo qu exatamente voc est me agradecendo?
- Voc sabe. Ela esperou.
- No... Rick esperou.
Katie cuidadosamente lanou a prxima isca para ele.
- Obrigada por perguntar sobre minhas novidades e por sempre fazer coisas to
legais para mim. Coisas inesperadas.
- Oh-kay. E o que eu fiz que foi to legal?
Katie ento soube que as flores no foram de Rick.
- O que voc fez que foi to legal? Bem, pra comear, voc me ligou. Obrigada.
Alm de ser simptico e legal comigo sempre. Como quando voc levou pra fora
o fedorento pacote de pipoca queimado pra mim e pra Cris na sexta-feira
passada. Isso foi legal. Obrigada. E no sei se eu disse obrigada naquela noite,
quando voc fez aquilo por mim, por ns, mas eu queria dizer obrigada.
Rick estava rindo do outro lado. Para Katie soou do jeito que Ricky Ricardo riria
para Lucy no antigo episdio em preto e branco quando Lucy estava tentando
esconder uma de suas muitas manotas. Dessa vez a desculpa dela 'caiu como uma
luva', como se diz, e a risada do "Ricky dela" estava garantida. Katie estava
alegre por ele estar rindo e no a pressionando por detalhes. Ela sabia que se ele
estivesse irritado ao invs de bem-humorado, ela teria contado sobre as flores
para explicar-se e isso poderia virar uma confuso.
Especialmente considerando que o buqu estava atualmente com mais ou menos
um tero de sua opulncia original. Katie tinha se deleitado todo o final de
semana abenoando vrias mulheres do andar com uma flor e tinha vindo ao
buqu meia dzia de vezes, como se ele fosse o seu jardim particular e todas as
flores estavam s esperando ser apanhadas e entregadas a alguma outra pessoa.
- Ento? Rick perguntou. Era essa a sua novidade?
- No, tem mais. Ela resumiu a conversa com a me dela e a subseqente
conexo parcial com o seu irmo Clint.
- Isso  timo, Katie. Voc estava dizendo algumas semanas atrs que voc
realmente esperava que as coisas com a sua me melhorassem. Parece que esse
pode ser o primeiro passo.
-  um primeiro passo meio cambaleante.
- Tudo bem.  um passo. Tem certeza que ela no vai mudar de idia e nos
chamar para o jantar do dia de ao de graas?
- Ela no vai querer que ns apareamos na ltima hora. Ela no muda de idia.
Ela no  como eu. No mesmo.
Assim que Katie disse as ltimas frases, um intervalo estranho se seguiu por
alguns segundos antes de ela ter certeza do que deveria fazer com aquela auto-
revelao.
- No que eu mude de idia o tempo todo. Quero dizer, uma vez que eu tomo
minha deciso, eu sigo em frente com o que quer que eu tenha decidido fazer.
- Eu sei, Rick disse.
- Contudo, no foi voc que me disse que flexibilidade  um sinal de boa sade
mental?
- Acho que no. Talvez.
- Bem, eu sou flexvel com horrios e dia de ao de graas e qualquer outra
coisa. Ela esperou um momento para Rick convid-la para a celebrao de ao
de graas da famlia dele como se essa fosse, naturalmente, a prxima coisa a
ser dita na conversa.
Ele hesitou por mais um instante.
- Eu no sei o que meus pais esto planejando fazer este ano. Tanta coisa tem
acontecido que eu no pensei em perguntar a eles.
- Eu imaginei que com a casa nova e o jeito como sua me ama decorar e fazer
tudo ficar to bonito, ela poderia no estar pronta para receber pessoas no dia
de ao de graas. Quero dizer, pelo menos no do jeito como ela fez na Pscoa
com aquelas louas de porcelana e prata e toda aquela comida. Quantas pessoas
estavam l? Umas doze ou quatorze? Eu no acreditei que todas elas couberam
em volta da mesa.
- Essa  minha me. Ela ama celebrar em grande estilo. Eu vou perguntar a ela
quais os planos para este ano. Tenho certeza que voc est convidada. Voc 
minha namorada, voc sabe.
Katie sorriu.
-  sempre bom ser lembrada disso.
- Pronta para ouvir as minhas novidades?
- Espere. Eu tenho mais uma.
- Fim de semana agitado pra voc.
- Foi. E essa novidade  triste. Voc lembra que eu te contei que o Buguinho no
queria pegar? Bem, no est nada bem com o velho garoto. O mecnico no me
ligou de volta com uma estimativa final, mas o Buguinho pode estar nas ltimas.
- Que chato.
- Eu sei.
- O que voc vai fazer? Rick perguntou.
- Ainda no sei.
- Bem, se ajudar, eu posso te oferecer caronas para onde voc precisar ir, a
partir de tera-feira por volta das seis da noite.
Katie digeriu essa declarao.
- Isso significa que voc est vindo pra casa mais cedo?
- Estou. Ns temos mais um compromisso no banco amanh de manh e ento
Josh e eu vamos ir direto pra casa de vez.
- De vez?
- Sim, de vez. Ns samos do negcio hoje. Esta  a minha grande novidade.
- Voc est brincando! O que aconteceu?
- Ns encontramos obstculos considerveis, ento trouxemos um consultor
empresarial. Ele verificou os documentos e depois de conversarmos com ele por
trs horas, ns decidimos sair do projeto. No ia decolar.
- Rick, essa  uma grande novidade! V o que eu digo sobre como voc 
paciente e bom? Voc me deixou falar e falar sobre todas as minhas coisas
primeiro, mesmo que as suas novidades mudem radicalmente sua vida e seus
horrios.
- , mas eu tenho que te contar, ns estamos bem. Tanto Josh quanto eu
estamos aliviados. Em nossa viagem para c, ns oramos e ento ns
perguntamos um ao outro se talvez ns no estvamos forando algo que no ia
dar certo, mesmo que ns nos esforssemos ao mximo pra que desse certo.
- Eu sei como  isso, Katie disse.
- Eu sei que voc sabe. Voc est trabalhando duro tambm, Katie. Eu acho que
eu, algumas vezes, fico com uma idia fixa de que se eu me esforar bastante ou
trabalhar mais todas as coisas quebradas sero consertadas. Dessa vez no estava
funcionando. As primeiras duas horas da nossa reunio com o consultor, eu
permaneci argumentando que ns ainda poderamos fazer funcionar. Finalmente,
eu percebi. Eu vi que a melhor deciso, a deciso correta, era sair fora, embora
eu estivesse to envolvido no projeto.
- Uau.
- Eu sei. Uau, n? Esse, definitivamente, no sou eu.
Katie agora estava nos bancos do planalto e sentou com seu olhar direcionado
para o pr-do-sol. O horizonte estava to embaado que ela no via o oceano.
Tudo o que estava visvel eram nuvens cinzas. Naquela parte mais afastada do
litoral, no alto do planalto onde ela se sentou, o cu era um tom plido de azul
com longas tiras de nuvens cinza-prateadas riscando o teto abobadado da Terra.
- Ento o que vocs vo fazer? Ela perguntou a Rick.
- Ns vamos ser reembolsados na maior parte do nosso investimento inicial
porque o contratante adiou o contrato por mais cinco meses na ltima semana.
J que foi ele que mudou a data, ns tivemos a oportunidade de sair. Foi um fim
de contrato tranqilo, como ns queramos que fosse.
- Soa como uma coisa de Deus. Katie disse.
- Eu acho que . No tempo certo. Eu vou poder focar novamente no Ninho da
Pomba e Josh vai procurar outras oportunidades. Ns vamos recomear.
- Vai ser terrivelmente egosta se eu disser que estou contente porque voc no
vai para o Arizona mais?
Rick riu novamente.
- Eu no vou sentir falta do calor daqui, isso eu te digo!
H muito tempo ele no estava to bem humorado. De onde ela estava sentada,
o futuro dos dois estava parecendo inteiramente melhor do que nos ltimos
meses enquanto ele estava saindo e viajando o tempo todo.
- Nada em voc  egosta, Katie. Voc estava me agradecendo mais cedo por ser
generoso e tirar o lixo, mas sabe? Voc  quem deveria receber todos os
agradecimentos. Voc tem sido extremamente paciente comigo nisso tudo. Eu
deveria estar te agradecendo por me agentar durante esses meses. Eu coloquei
tanto foco e ateno nessa transao empresarial, que eu sinto como se tivesse
desprezado voc.
- Voc no me desprezou, Rick. Nos ltimos quatro meses eu me envolvi com a
faculdade e o cargo de AR assim como voc em seus negcios. Ns estivemos,
ambos, ocupados.
- Eu acho que  tempo de um novo comeo para ns  para mim e para voc. Rick
disse.
- Concordo.
- O que voc vai fazer amanh  noite depois das seis?
- Ver voc, eu espero.
- Eu fiz reservas no Palcio Tailands.
- Perfeito. Katie sorriu. O Palcio Tailands foi o restaurante onde Rick e ela
tinham decidido dar o prximo passo no relacionamento deles e se comprometer
como namorado e namorada. Desde aquele feliz jantar quase um ms atrs, nada
de muito significativo havia mudado no relacionamento deles. Nada que os
fizesse parecer mais comprometidos um com o outro. Ambos sabiam que seus
horrios loucos eram os culpados, ento tinha sido fcil estender pores de
graa e entendimento para os dois. Agora que Rick j no teria o projeto do caf
no Arizona em primeiro plano em sua vida, Katie sabia que as coisas estavam
prestes a mudar para eles. Essas eram novidades que ela no podia esperar para
contar a Cris.
Assim que Katie desligou o telefone, ela ligou para Cris. Katie ainda estava
sentada no banco na parte de cima do campus, olhando para o horizonte. A
nvoa da noite estava chegando em grande quantidade, tornando ainda mais
difcil ver qualquer coisa debaixo do expansivo vale que se curvava para o
oceano.
- Cris? Ei, o que voc est fazendo? Vocs esto no meio do jantar ou qualquer
coisa assim?
- No. Ted e Eli confiscaram a mesa da cozinha. Eles esto tentando consertar o
laptop do Ted. O que voc est fazendo?
- Eu estou sentada bem perto do lugar onde voc lanou seu buqu de casamento
e eu o peguei.
- Ohh. Eu no vou a desde o nosso casamento. Voc acredita? Como est a
campina esta noite?
- Nublada e fria com uma chance de comida tailandesa amanh  noite.
- Uma chance de qu?
- Eu acabei de falar com o Rick. Ele est voltando do Arizona amanh e ns
vamos ao Palcio Tailands. Katie caminhou de volta ao seu dormitrio enquanto
ela colocava Cris a par da conversa com Rick.
Como qualquer melhor amiga faria, Cris respondeu s novidades de Katie com
entusiasmo. Katie passou para as novidades do falecimento iminente do
Buguinho.
- Ns precisamos cancelar os nossos planos de almoo amanh? Cris perguntou.
- No, eu tenho certeza que posso pegar um carro emprestado. Eu vou estar na
livraria s 13:30. Katie se recusou a contar suas duas novidades favoritas, as
flores e o passeio para o deserto na sexta-feira  noite. Ela ainda sentia que
esses dois assuntos seriam mais bem apresentados pessoalmente, enquanto ela e
Cris se demorassem na conversa do horrio de almoo.
Essa foi, parcialmente, a razo pela qual, no dia seguinte, Katie sugeriu que elas
ficassem no Ninho da Pomba para almoar em vez de ir para algum lugar. Katie
queria assegurar o maior tempo possvel para conversar. Em outros encontros de
almoo com Cris, elas tinham optado por ir a algum outro lugar, ento os
empregados no estariam dentro dos limites de escuta da conversa particular
delas. Isso no era um problema hoje.
O que foi um problema foi o jeito como Cris reagiu quando Katie disse a ela a
prxima parte das novidades.
- Ento, adivinha o que eu fiz sexta-feira passada quando eu deixei o seu
apartamento? Voc nunca adivinhar.
- Voc acabou indo saltar de pra-quedas. Cris estava indo rumo  mesa no canto
mais distante. Elas tinham pedido saladas simples e gua e estavam carregando a
prpria comida para a mesa numa tentativa de deixar claro que elas no queriam
ser interrompidas.
- Nada de saltar de pra-quedas. Melhor que isso. Eu fui ao deserto e assisti uma
chuva de meteoros com dois caras da frica e ns ficamos praticamente cercados
por coiotes selvagens.
Cris abaixou o queixo e examinou a expresso de Katie, certa de que ela estava
brincando.
-  srio. Quando eu sa da sua casa, o Buguinho no pegou. Eli veio e me
ofereceu uma carona de volta para o campus, mas a ele buscou o Joseph Oboki e
ns trs acabamos indo para onde ns podamos ver as estrelas. Foi incrvel, Cris.
Eu nunca tinha visto tantas estrelas. E quando a msica comeou com as crianas
africanas...
- Katie, espere. Eu estou muito confusa. Que parte disso  verdade, sem contar o
Buguinho no funcionar?
Katie lanou um falso olhar ferido para Cris.
- O que voc quer dizer com 'Que parte  verdade'? Tudo  verdade.
Cris abaixou o garfo e olhou perturbada.
- Quando o seu carro no pegou na sexta-feira passada, por que voc no voltou
para o meu apartamento? Ns teramos esperado pelo Ted e ele teria te dado
uma carona at o campus.
- Eu sei. Mas o Eli estava bem ali.
- Ento, por que voc no pegou uma carona com Eli?
- Eu peguei. Eli estava indo me levar de volta para o campus depois de ele buscar
Joseph no posto de gasolina, mas ento eles me convidaram para ir com eles e eu
ainda estava animada para fazer alguma coisa, da eu disse sim. E foi
maravilhoso. Ns assistimos as estrelas do cap do carro do Eli sob um saco de
dormir. Um desses velhos e verdes sacos de dormir de flanela.
- Vocs trs? Debaixo de um saco de dormir?
- Ele estava aberto como um grande cobertor. Era o nico jeito de ficarmos
aquecidos.
- Katie!
- O qu?
- Voc est me dizendo que na sexta  noite, depois de voc deixar o meu
apartamento, num impulso, voc foi para o deserto com dois caras que voc
sequer conhece e se aconchegou num saco de dormir com eles?
- Por que voc faz isso soar dessa forma? Ns no nos agarramos. Voc est
fazendo isso parecer algo indecente. No foi. Foi bonito. Foi uma noite santa.
- Ento o que foi toda essa coisa sobre dois garotos da frica e crianas
cantando?
- Eli cresceu na frica. Joseph tambm. Ns ouvimos um CD com crianas
cantando em algum idioma africano. Eu no estou inventando isso. Tudo o que eu
estou dizendo  a verdade e foi maravilhoso. Eu no consigo entender porque
todo mundo fica tentando estragar isso.
- Voc honestamente no quer ver como parece loucura quando voc diz que foi
ao deserto no meio da noite com dois caras que voc nem conhece?
- No pareceu loucura na hora. Nem metade da loucura que seriam os passeios de
camelo e saltos de pra-quedas que eu estava sugerindo na sua casa. E como
assim 'dois caras que eu nem conheo'? Rick disse isso tambm. Vocs esto
juntos nisso?
- Juntos em qu?
- Tentar fazer com que eu me sinta mal sobre o que foi realmente uma
maravilhosa experincia de adorao. Sem mencionar que eu estava fazendo um
esforo para conhecer Eli e ser simptica com ele. Vocs se esqueceram como
esta tem sido a meta de vocs para mim nos ltimos meses?
- Ningum est tentando te fazer sentir mal. Ns apenas nos preocupamos com o
que acontece com voc. Cris apertou os seus olhos e deu a Katie um olhar
intenso. E se alguma coisa terrvel tivesse acontecido?
- O que voc est fazendo?
- Eu estou te fazendo uma pergunta.
Katie inclinou-se para trs e cruzou os braos.
- No, voc no est. Isso no  uma pergunta. Voc est fazendo soar como uma
acusao. Voc est tentando agir como a minha me.
- Sua me?
- Sim, minha me. Voc est me tratando como se eu tivesse doze anos de idade
e no fosse inteligente o bastante para tomar minhas prprias decises.
- No, eu no estou.
- Sim, voc est!
- Katie, por que voc est to chateada? Eu  que fui pega de surpresa. L
estvamos ns tendo um timo tempo no meu apartamento na sexta  noite e
ento voc fugiu com esses dois caras. O que voc estava pensando?
- Eu estava pensando que seria divertido.
- Katie, h mais coisas na vida alm de tentar propor novas formas de se divertir.
- Ah, essa  boa! Katie podia sentir o seu rosto ficar vermelho. Voc senta aqui e
age como se voc soubesse de tudo agora que est casada.
- No, eu no ajo assim.
- Sim, voc age. E voc est tentando fazer com que eu me sinta mal porque eu
no sou sria e responsvel o tempo todo como voc . Voc pensa que eu sou
uma grande fracassada.
- Eu no disse isso! Agora o rosto de Cris estava ficando vermelho tambm. Eu
no disse nada sequer parecido com isso.
- Ento por que voc est me tratando como se minhas decises fossem imaturas
e irresponsveis?
Cris parou. Ento ela soltou:
- Bem, por que talvez, algumas vezes, Katie, elas sejam.
Katie sentiu como se ela tivesse acabado de esbofetear o seu rosto. Ela se
afastou da mesa.
- Oh! Ento voc acha que eu sou imatura e irresponsvel. Eu no posso acreditar
nisso. Primeiro voc fala igual ao Rick e agora voc est imitando a minha me
palavra por palavra. O que vocs fazem? Ligam um para o outro e dizem, 'Ei,
como ns podemos chatear a Katie essa semana? '.  isso?
- Claro que no. Cris levantou o queixo. Talvez ns trs estejamos dizendo a
mesma coisa porque ns nos preocupamos com voc.
- No  isso. No, vocs esto dizendo tudo isso porque vocs pensam que eu sou
irresponsvel demais para tomar minhas prprias decises. Especialmente se tais
decises tm alguma coisa a ver com relaxar e se divertir e no trabalhar e
estudar 24 horas por dia e 7 dias por semana. Vocs acham que eu estou
tomando decises to ruins que um dia eu vou acabar em um centro de
reabilitao em Bakersfield.
O rosto de Cris foi de vermelho para branco.
- Do que voc est falando?
Katie no respondeu. Ela sentiu sua mandbula tremendo.
- Sabe o qu mais? Cris disse, seu rosto ainda vermelho. Eu no sei o que est
acontecendo, mas eu sei que eu no posso ter essa conversa com voc. No
agora. No aqui.
Ela levantou da mesa e caminhou para longe.
Katie no se lembrava de uma ocasio em que Cris se caminhasse para longe dela
como agora. Katie estava chocada. Ento ela se deu conta de que vrias pessoas
no caf estavam olhando para elas e as escutando. A conversa delas obviamente
tinha sido alta o suficiente para os observadores curiosos terem uma clara idia
do que estava se passando.
O lugar parecia estar se tornando menor e mais fechado. Katie ousou olhar ao
redor do caf. Duas mesas  frente ela viu a ltima pessoa que queria ver.
                              Captulo 8
O olhar de Julia, a diretora dos residentes de Katie no Crown Hall, encontrou o
de Katie ali no caf.
Katie desviou o olhar. Como se j no fosse suficientemente ruim Katie ter
perdido o horrio no sbado e Julia tivesse que ir busc-la, agora, nesse lugar
pblico, Julia tinha, indubitavelmente, testemunhado a discusso inteira.
O estranho era que uma parte de Katie queria correr at Julia e receber o mesmo
tipo de compaixo e compreenso que ela tinha experimentado com Julia antes.
Como conselheira de Katie, Julia tinha dado timos conselhos e encorajamento
em diversas ocasies. Naquele momento, entretanto, Katie no achava que podia
encarar Julia. No do jeito como ela estava se sentindo.
Sem parar para considerar qualquer outra opo, Katie se levantou, pegou sua
bolsa e correu para a porta. Enfiando a chave na ignio do carro de Nicole, ela
deu r e saiu da vaga do estacionamento rapidamente, antes que algumas
lgrimas pudessem correr rosto abaixo.
Eu no acredito que isso acabou de acontecer! Cris e eu no brigamos desse
jeito.
Outro pensamento tomou conta de Katie enquanto ela pensava com mais clareza
no que Julia tinha acabado de presenciar. Julia no era apenas sua conselheira e
amiga, era tambm supervisora de Katie. Era ela quem avaliava o trabalho de
Katie como AR.
Se ela fizer uma anotao ruim no meu relatrio, eu posso no ser contratada
para o segundo semestre e a o que eu vou fazer? Meu trabalho cobre as minhas
despesas de moradia e alimentao. Eu j no tenho dinheiro suficiente para o
conserto do meu carro. Se eu tiver que pagar por moradia e alimentao no
prximo semestre...
Katie sentiu suas mos tremendo quando ela deu a seta e saiu da rea do
estacionamento. Parte dela queria sair cantando pneu e deixar uma marca de
raiva no asfalto. Se ela estivesse no Buguinho, ela teria deixado um grande risco
de pneu. Mas esse era o carro de Nicole e Katie tinha conscincia de quo
cuidadosa ela precisava ser, especialmente porque ela no sabia quem poderia
v-la nessa pequena cidade.
Dirigindo abaixo do limite de velocidade permitido, Katie, cuidadosamente,
dirigiu de volta para o campus. Pelo caminho, ela reclamava em voz alta como se
estivesse terminando a briga sozinha.
- Eu vou mostrar pra vocs como eu sou responsvel. Eu sou confivel. Eu no
estou fazendo nada de errado. Esto vendo? Eu sou uma motorista competente. E
para informao de vocs, eu tambm posso, com bastante competncia,
contemplar as estrelas  meia noite. Vocs no estavam l. Vocs no sabem
como foi timo.
Assim que Katie chegou ao campus, o celular dela tocou. Ao checar, ela viu que
era Julia que estava ligando. Katie sentiu um frio na barriga. Ela sabia que era
melhor atender a ligao agora do que adiar aquela inevitvel conversa.
- Oi, Katie disse calmamente. Ela estacionou o carro numa vaga perto do campo
de softball e o desligou, j preparada para ser repreendida.
- Como voc est, Katie?
- Pssima.
- Fao idia.
- , tenho certeza que voc faz mesmo. Katie no teve o sentimento de vergonha
que ela esperava ter. Julia tinha todas as razes para fazer um julgamento
depois do que tinha acabado de acontecer. Ao invs disso, ela estava calma e
compreensiva em suas palavras para Katie.
- Onde voc est agora?
- Na Rancho. Perto do campo de softball.
- Voc quer sua salada? Eu a embrulhei pra viagem. Eu posso lev-la comigo.
- Eu no estou com fome.
- Eu vou levar caso voc fique com fome mais tarde. Por que voc no se
encontra comigo no meu quarto daqui a vinte minutos?
- Ta bom.
Julia pausou.
- Espere, voc disse que est no campo de softball?
- Sim.
- Eu vou te encontrar a, ento. Enquanto voc espera por mim, voc poderia
conseguir um basto e uma bolsa de bolas?
Katie sabia que deveria concordar com o que quer que Julia pedisse. Ento Katie
marchou rumo  sala de esportes, onde ela pegou um basto de baseball e uma
bolsa de lona com bolas de softball. Com passos largos ela retornou para a
arquibancada e se sentou, esperando por Julia, sob aquela brisa fria da tarde.
Ele no teve que esperar muito. Julia apareceu na rea do estacionamento
usando culos escuros e roupas casuais, roupas que algum usaria quando
estivesse em seu dia de folga. Julia tinha uma aparncia jovial com seu cabelo
castanho 'beijado-de-sol' e algumas sardas espalhas pelo rosto. Sempre que Katie
a via, ela achava que Julia parecia ter acabado de sair de um barco  vela.
- Vem c. Julia pegou a bolsa de lona. Ela foi para a rea do lanador deixando
Katie com o basto de baseball.
Katie seguiu, ficando com os ps numa posio confortvel sobre a base inicial.
Ela no jogava softball h meses, mas do jeito como ela estava se sentindo, ela
poderia rebater uma bola at Cincinnati. Alm do mais, ela gostou mesmo da
idia de bater em algo com o basto de baseball naquele momento.
Abrindo a parte superior da bolsa de lona, Julia pegou uma bola. Ela se esticou
para a direita e esquerda e ento lanou a bola para Katie.
Katie balanou o basto e errou.
Julia deu um grande sorriso. Ela tinha vindo para brincar.
- Ei, Katie gritou, batendo a ponta do basto no cho de terra e colocando toda
sua expresso de jogadora. Tente pegar esse alm da base.
Julia jogou de leve com um traioeiro lanamento bem devagar. Katie balanou o
basto, dando tudo de si. A bola voou para alm da terceira base e aterrissou
fora do campo com uma pequena quicada.
- Ok, estou te entendendo, Julia disse. Nada de moleza, Senhorita Katie. Deixe-
me ver do que voc  capaz.
Pelos cinco minutos seguintes, Katie ps pra fora toda sua agressividade e a
colocou na constante quantidade de bolas, fazendo contato e mandando cerca de
80 por cento delas para fora do campo com uma srie de rebatidas precisas.
Assim que a bolsa se esvaziou, Julia sorriu, - Voc tem escondido talentos, Katie.
- Voc tambm. Katie andou rumo  rea do lanador. Voc jogou em algum
time?
- Anos atrs. Eu sa.
- Eu tambm.
- Est se sentindo um pouco melhor? Julia perguntou.
- Sim, um pouco.
Elas caminharam para fora do campo com Julia carregando a bolsa de lona. Como
duas criancinhas cansadas no final da caada de ovos na Pscoa, elas cataram as
bolas e as colocaram de volta na bolsa.
- Ento, eu tenho que te perguntar sobre a referncia ao centro de reabilitao
em Bakersfield. O tom de voz convencional de Julia era calmo. Como se elas
estivessem fazendo uma 'reviso' de todos os problemas de Katie pela ltima uma
hora e estavam agora acertando alguns pontos finais.
- De onde voc tirou isso?
- Meu irmo. Katie parou de pegar as bolas e ficou de p com as mos nos
quadris, dando a Julia um resumo da conversa dela com sua me e a subsequente
tentativa de ligar para o centro em Bakersfield.
- Agora voc sabe de onde minha loucura vem, Katie concluiu.
- Eu vou te parar aqui, Katie. Repreenda esse pensamento. Elimine-o do seu
corao. Primeiramente, voc no  seu irmo, e segundo, voc no  sua me.
E por falar nisso, a Cris no  sua me.
Katie olhou pra baixo, pra bola em sua mo e a girou antes de coloc-la de volta
na bolsa.
- Voc est certa. Eu preciso me desculpar com a Cris. Ela e eu tivemos algumas
briguinhas no passado, mas nada desse nvel. Eu no sei por que eu fiquei to
chateada. Bem, talvez eu saiba. Foi uma combinao de tudo, comeando pelo
jeito como ela fez isso parecer, como se eu tivesse feito algo imoral s porque eu
dividi um saco de dormir. Foi como um cobertor. Nada inapropriado aconteceu.
Aquilo foi mesmo maravilhoso e adorvel.
Katie tomou flego e continuou.
- Quero dizer, eu sei que teria sido sensato contar a algum onde eu estava indo
e com quem. Essa parte eu entendi. Mesmo que os dois rapazes sejam alunos da
Rancho, ningum mais soube onde eu estava indo e com quem eu estava. E eu sei
que  esperado que ARs lidem com sua vida social baseada nos mesmos
parmetros que os demais alunos. Ento, se voc quiser escrever isso no meu
relatrio, eu estive fora at s 4 da manh ou qualquer que seja a hora, eu no
vou contestar isso. No foi sensato e nem um bom exemplo da minha parte.
Nenhuma das mulheres do meu andar sabe que eu estive fora at esse horrio.
Mas isso no importa. Mesmo que elas no saibam, voc sabe e eu sei, ento se
voc quiser me dar uma advertncia, eu entendo.
- Quem disse que eu vou te dar uma advertncia sobre alguma coisa?
-  assim que funciona, no? Ns temos muitas regras na Rancho Corona. Eu estou
sendo paga para auxiliar no cumprimento dessas regras pelas mulheres no meu
andar. Se eu estou indo contra as regras, ento  voc que  paga para cobrar
essas regras de mim.
Julia no respondeu. Katie esperava que ela fosse dar um sermo sobre como os
assistentes dos residentes e os diretores dos residentes estavam l para, em
primeiro lugar, cultivar relacionamentos e, em segundo lugar, impor regras.
Katie tinha memorizado essa frase nas reunies de treinamento. Julia,
entretanto, parecia mais inclinada a demonstrar aquela diretriz  Katie do que a
repetir as palavras pra ela.
- Eu quero que voc saiba, Katie, que voc poderia ter me ligado quando seu
carro no quis funcionar. Eu teria ido te buscar no importa onde voc estivesse
ou a que horas do dia fosse.
- Obrigada. Katie no tinha pensado em ligar para Julia, mas ela sabia que
poderia ligar.
Julia se curvou e pegou outra bola. Virando-se para olhar para Katie, ela disse
com uma voz doce:
- No se preocupe. Voc no vai pra Bakersfield to cedo. No enquanto estiver
debaixo dos meus olhos.
Katie no soube explicar porque aquela afirmao simples de Julia foi to
profundo em seu corao. Ela expulsou pra longe algumas gotas de lgrimas que
vieram correndo. Ento ela se virou de costas para Julia e catou as ltimas bolas.
Esse foi um momento raro e intenso para Katie, enquanto ela absorvia a sensao
de ser amada por outra mulher. A fonte em seu corao que guardou tais
palavras da bondade feminina estava to vazia, que aquelas ocasies
espontneas que a vida lhe deu, quando aquelas palavras 'pingaram' na sua fonte,
produziram um eco que ressoou at sua alma.
As duas mulheres caminharam at a sala de esportes e devolveram os
equipamentos.
- Eu estou com sua salada no meu carro, Julia disse. Ela deve estar um pouco
murcha.
- Tudo bem. Obrigada por trazer.
Julia sorriu.
- Obrigada a voc por me trazer aqui. Vamos jogar juntas mais vezes.
- Boa idia.
- Eu acredito que outra boa idia seria se voc e eu marcssemos algum horrio
para nos encontrarmos de novo daqui a alguns dias. Julia disse.
- Com ou sem basto de baseball?
- Sem. Embora eu deva ter um em mos caso eu precise.
- Ok. Katie sorriu e deu um abrao em Julia. Obrigada. De verdade. Obrigada.
Katie levou o carro de Nicole de volta ao estacionamento do Crown Hall e correu
para seu quarto. Ela empurrou a salada para dentro de sua pequena geladeira e
pegou seu laptop. Sua prxima aula comearia em quatro minutos, e ela sabia
que era impossvel atravessar o campus rpido o suficiente para chegar a tempo.
Ela chegaria atrasada. Normal para aquele dia atribulado.
Katie sentou numa cadeira no fundo da sala. A cabea dela no estava na aula.
Ela tentou fazer anotaes nos primeiros vinte minutos at admitir que era
intil. Ela tinha que falar com Cris. Rick viria busc-la dentro de uma hora e
meia, mas Katie sabia que ela no conseguiria aproveitar seu tempo com Rick
sabendo que seu relacionamento com sua melhor amiga estava assim to
confuso.
Aps perguntar se o rapaz ao seu lado poderia mandar-lhe um email com as
anotaes dele sobre a aula, Katie saiu da sala e foi direto para seu quarto. Ela
olhou seu telefone procurando por mensagens e viu que Cris tinha ligado duas
vezes. Ensaiando seu pedido de desculpas enquanto andava a passos largos pelo
campus, Katie planejou fazer a ligao assim que entrasse em seu quarto e
pudesse fechar a porta para aquela importante conversa.
Ela correu corredor abaixo rumo ao seu quarto. Era um dia de 'dormitrio aberto',
ento muitos estudantes estavam socializando em seus quartos, com uma
variedade de msicas tocando. Katie acabou de colocar os ps dentro do quarto e
seu celular tocou. Era Cris.
- Ei. Katie sentou-se em sua cama e se acalmou. Eu ia te ligar agora. Eu sa da
aula mais cedo porque eu queria me desculpar.
- Eu tambm. Eu sinto muito mesmo, Katie.
- Eu tambm. Foi horrvel. Eu no quero brigar de novo com voc desse jeito.
- Nem eu.
As duas deram um longo suspiro ao mesmo tempo, por coincidncia. Katie se
sentiu uns cinqenta quilos mais leve.
- Foi horrvel mesmo. Eu no acho que o plano de vamos-influenciar-uma-a-outra
funcionou muito bem, Cris disse.
- Do qu voc est falando?
- Sabe quando voc disse na sexta passada que eu era educada demais? Bem, eu
pensei muito sobre aquilo. E quando voc comeou a se exaltar, eu me senti to
frustrada que eu decidi tentar ser um pouco... no, muito mais agressiva. Isso
no funcionou mesmo. No pra mim. Eu no me dou bem com discusses de jeito
nenhum.
- Mas voc estava dizendo coisas, na hora do almoo, que voc honestamente
sentiu? Quero dizer, voc acha que eu sou irresponsvel?
- No. Eu no estava dizendo que voc  irresponsvel. No mesmo.
- Tem certeza?
- Katie, voc  uma AR. Eles no do esses empregos para pessoas irresponsveis.
Voc est se mantendo numa faculdade. Quantas mulheres voc conhece que
conseguiram fazer isso? Voc e Rick tm estado num relacionamento maravilhoso
e maduro por quase um ano. Katie, voc  responsvel. Voc sabe que voc .
Considere tudo que eu disse da mesma forma que toda a minha imagem de tentar
entender porque voc saiu com Eli e Joseph. D-me um pouco de misericrdia,
considerando que eu no sabia o que estava acontecendo.
- Entendido. Misericrdia concedida.
- E vergonha retirada de voc.
- Gostei disso. Vergonha retirada de mim. Misericrdia concedida a mim.
Misericrdia concedida a ns duas.
- Sim, misericrdia concedida a ns duas.
Katie respirou funda e constantemente.
- Voc quer tentar almoar de novo mais no fim dessa semana? Eu acho que
deveramos falar mais sobre isso sem nos exaltarmos. Eu preciso da sua opinio.
Voc v coisas que eu no consigo ver em mim mesma. Eu preciso ouvir o que
voc tem a dizer sobre mim sem te atacar logo em seguida.
- Por que voc no me manda um email quando voc souber quais dias voc
pode? Ns vamos comear de novo.
- Voc no vai acreditar, mas voc est 'citando' Rick de novo. Quando ele e eu
nos falamos ontem, ele disse que j que ele no vai mais viajar pro Arizona, essa
 nossa chance de dar ao nosso relacionamento um novo comeo.
- Eu espero que vocs dois tenham uma tima noite hoje.
- Eu tambm espero. Eu te mando um email mais tarde.
Katie pausou novamente, encarando o buqu que preenchia o centro de sua
escrivaninha. Ela se perguntou se deveria contar a Cris sobre as flores. No,
melhor ir direto  fonte. Katie ligou para a segurana do campus e perguntou por
Eli Lorenzo.
Entretanto, ela no fazia a menor idia do qu ela iria falar quando ele
atendesse.
                               Captulo 9
Assim que Katie ouviu a voz de Eli do outro lado do telefone, sua garganta
apertou e ela deu uma leve tossida.
- Katie? Eli disse. Voc est bem?
- Sim. Desculpa. De repente fez uma ccega na minha garganta. Ei... humm...
- Seu carro j est bom?
- No, estou esperando o oramento. Pode ser definitivo. Aparentemente, partes
do meu carro viraram categoria de colecionador.
- Nada bom
- Eu sei
Seguiu uma pausa.
Katie queria tossir de novo mas refreiou e mecheu com as mos rapidamente
procurando uma forma de levar a conversa onde precisava ir.
- Ento, Rick est voltando essa noite. Ele te disse?
- Sim, ele ligou
- Bom. Ento... Ela olhou para as flores e decidiu usar as mesmas pistas que
havia usado com Rick para saber se ele havia mandado o buqu.
- Eu s liguei para agradecer pelas flores... Ela parou, esperando que ele desse
uma resposta indicativa.
Ele no deu.
Katie fez o melhor que pode.
- ... a maneira florida que voc iluminou meu dia na outra noite no concerto dos
meteoros. Ela fechou os olhos e fez uma careta.
Isso foi pattico!
- Voc  bem vinda, Eli disse vagarosamente. Outra pausa seguiu e depois ele
acrescentou, Voc tem certeza que est bem?
- Sim, estou bem. Ei, escute. Eu preciso ir. Eu queria apenas ter certeza que
voc sabia que Rick est vindo mais cedo do que havia dito, j que ele chega
essa noite.
- Certo. Peguei isso. Rick est vindo para casa.
- Ok. Bem.  isso. Te vejo por a. Katie apertou o End no telefone e caiu na
cama. Colocando as mos nos olhos ela murmurou: Eu no acredito no que eu 
Antes que ela pudesse terminar a frase, uma batida soou na porta.
Com as mos nos olhos, ela disse:
- Entre somente se voc ousa se associar com uma idiota!
A porta abriu e Katie afastou um dedo para ver se era Nicole ou outra das
mulheres do dormitrio que havia batido na porta. A face que apareceu vindo
pela porta no era a de Nicole.
- Rick! Katie caiu fora da cama da forma menos delicada possivel e correu para
dar a ele um grande abrao.
- Voc est aqui! Eu senti tanto sua falta!
- Senti saudades tambm. Rick chegou para traz e sorriu para ela. Seus
acolhedores olhos castanhos pareciam estar dando a ela uma olhada em sua
aparencia.
- Voc chegou cedo! Katie protestou, puxando-o para fora do quarto. E eu no
estou pronta ainda. Voc deve voltar daqui a meio hora. No, vinte minutos. Eu
posso ficar o mais fofa possivel em vinte minutos.
- Eu posso esperar aqui, no posso?  um dormitrio aberto. Voc ir descer o
corredor para o banheiro. Eu irei checar meus e-mails enquanto voc est indo.
Rick entrou de novo no quarto e aparentemente notou pela primeira vez o
buqu.
- Quem mandou flores pra voc?
Katie deu uma boa olhada na expresso dele para ter certeza de que ele no
estava brincando e tentando esconder que ele mesmo mandou. Ela conhecia Rick
o suficiente para ler dentro de seu olhar um ligeiro ciume e saber
definitavamente que o buqu no era dele.
Com os ombros encolhidos ela tentou fazer uma expresso fofa o maximo que
pode. Se ela tivesse mais argumentos no momento, poderia tentar distrair Rick
para no fazer mais perguntas sobre as flores.
-  um mistrio. Ela disse.
- O que o carto diz?
- No est assinado.
Rick se moveu para a mesa. Ele pegou o carto, olhou, e ento olhou para Katie.
- No est assinado
- Eu sei.  o que acabei de dizer. Daqui o mistrio. Ela usou dois dedos um de
cada mo para fazer uma mmica do contorno do "mistrio"
Rick olhou em volta do vaso.
- Ele no parece meio errado para voc?
- O que, que um admirador fantasma mande flores pra mim? Eu no chamaria isso
de errado. Um pouco extraordinrio e inesperado, talvez, mas eu posso ser
popular em alguns circulos.
- No, eu digo o buqu. No parece que ele no foi terminado ou algo assim?
Quero dizer, no estou dizendo que sou especialista em arranjos de flores, mas
para um ramalhete enorme, ele est diferente, como se tivesse sido colhido
- Ah,  porque eu o tenho usado como jardim pessoal esses dias. Sempre que uma
das mulheres do andar precisava de um carinho, eu lhe dava uma flor para lhe
desejar algo bom.
- Faz sentido. Rick olhou para o carto novamente e ento para frente do
envelope. Esse carto no faz muito sentido.
Outra batida ma porta meio aberta de Katie. Dessa vez ela sabia que era Nicole
assim que ela bateu.
- Venha Nicole. Voc chegou a tempo da reunio do Clube Junior de Sabiches.
Nicole entrou graciosamente e moldou um sorriso timido para Rick antes de olhar
para Katie.
- Ol.
- Vocs j se conhecem? Quero dizer, oficialmente? Katie parou e disse: Rick,
Nicole. Nicole, Rick.
- Nicole Sanders. Ela estendeu a mo para Rick com muito mais classe do que a
tentativa de apresentao de Katie. Eu sou a parceira de andar da Katie.
Rick demonstrou suas imprensionantes boas maneiras.
- Eu sou Rick Doyle. Namorado da Katie.  bom te conhecer depois de tudo,
tenho ouvido sobre voc pela Katie. Parece que vocs duas tm tido um timo
ano.
- Eu imagino que posso dizer a mesma coisa sobre vocs dois. Os olhos de Nicole
pareciam graciosos e frescos enquanto ela sorria para Rick.
Katie estava amando que Nicole e Rick estavam se conhecendo. Importava muito
para Katie que todos os seus amigos fossem amigos uns dos outros. Nesta nova
fase da vida, agora que Cris e Ted estavam casados, e Douglas e Tricia esto bem
ocupados com o beb, Katie queria que seus antigos amigos se misturassem com
os novos.
Ela percebeu que Rick tinha o mesmo motivo em querer que ela fosse amigvel
com Eli desde que ele estava morando com Rick e j fazia parte do circulo de
amigos de Ted e Cris.
Nota para si mesma: No ser to teimosa e reacionria. Se Rick queria que eu
fosse legal com seu colega de quarto, devo lembrar que eu gostaria que ele fosse
legal com minha colega de dormitrio.  a mesma coisa.
Nicole virou para Katie.
- Eu acho que no entendi a parte do clube de sabiches quando entrei.
Indicando o buqu fazendo um esforo para parecer indiferente, Katie disse:
- Elas no so do Rick. O carto sem assinatura  bem enigmtico. Ns estamos
tentando descobrir quem mandou.
Rick continuou com o carto na mo. Ele olhou o envelope de novo.
- Voc tem certeza de que so pra voc? No tem o ultimo nome. Talvez sejam
para uma outra Katie.
Katie congelou. Sua mo vagarosamente cobriu a boca enquanto seus olhos
ficaram arregalados. Nicole teve a mesma reao abrindo os olhos.
- Existe outra Katie neste andar? Rick perguntou, olhando para as duas.
- Ela no est neste dormitrio, mas sim, existe outra Katie. Ela  uma A. R.
tambm.
- Ela est no Sophie Hall, Nicole acrescentou. E voc no vai acreditar, mas
ontem ouvi que ela est noiva.
Katie sentiu seu estomago apertar.
Rick leu o carto.
- Estou feliz que voc tenha dito sim. Os trs trocaram olhares.
- Nosso futuro comea agora. Katie repetiu, j havia memorizado o que parecia
uma mensagem estranha.
- Ai cara, cara, cara!!! Isso no  bom. Isso no  bom mesmo. Como pude ser to
burra? Eu tenho que concertar isso. Eu tenho que leva-lo ao Sophie Hall agora.
- Primeira coisa que voc precisa  de mais flores para concertar o buqu, Rick
disse. Eu sei o quanto um buqu desse tamanho custa, e eu acho que o namorado
dela, ou na verdade, o noivo dela, deve estar bem chateado que ela no tenha
dito nada de ter recebido.
- Voc est certo. Ns precisamos de mais flores. Vamos fazer isso agora. Katie
agarrou sua mochila. Vamos l! Voc conhece uma loja de flores, certo? Ela
procurou a mo de Rick. Aquela que voc comprou um buqu pra mim a alguns
meses atras.
- Voc deveria levar as flores com voc, Nicole disse. Assim voc vai saber o que
acrecentar.
- Certo! timo pensamento. Ela pegou o buqu e parou, olhando para Nicole.
Vem com a gente.
- Eu?
- Por favor? Voc tem olho muito melhor em coisas assim do que eu.
Provavelmente eu pediria flores erradas e faria parecer um grande erro.
- Ok, certo, eu vou.
Os trs se apressaram para o hall e entraram no mustang vermelho de Rick.
- Meu pai tinha um Mustang, Nicole disse do banco de trs, enquanto o carro de
Rick saia do estacionamento e ia em direo  cidade.
- De que ano era? Voc sabe?
- Eu no sei. Era azul e conversivel. Ele vendeu quando eu estava na escola ento
no lembro muito sobre ele, exceto o quanto era divertido ficar no banco de trs
nas tardes de vero e ir tomar um sorvete.
- Voc cresceu por aqui? Rick perguntou.
- No, eu cresci em Santa Barbara.
- Srio?  onde minha me cresceu, Rick disse. Sua familia morou l por muito
tempo?
- Meu pai morou em Santa Barbara a vida toda. Ele deve conhecer sua me. Isso
no  estranho? Rick disse a Nicole o primeiro e o novo nome da me dele e
Nicole manteve a conversa com detalhes de onde ela cresceu e o quanto as
coisas mudaram depois que virou uma cidade costeira sonolenta.
Katie apreciava a forma que Nicole estava levando a conversa. Ela estava to
frustrada no momento para pensar em coisas para dizer. Tudo que ela estava se
preocupando era em restaurar o buqu na vivacidade original e lev-lo para a
outra Katie no Sophie Hall. Enquanto Rick entrava no estacionamento. Katie
estava pensando nas desculpas para a outra Katie.
Rick segurou a porta aberta para Katie e Nicole entrarem na floricultura.
Felizmente, eles eram os unicos na loja, o que fez a confisso de Katie ao caixa
menos dolorosa do que seria com uma grande audincia. A mulher olhou para
Katie com uma mistura de simpatia e humor.
- Sem problemas, ela disse. Eu de fato acho que lembro desse buqu. Ns usamos
lrios, no foi?
- Isso mesmo, Katie disse.
- Deixe eu peg-las pra voc. A mulher pegou o buqu. Ns iremos trabalhar da
forma certa. Ir levar em torno de meia hora. Talvez um pouco menos. Voc
gostaria de esperar ou voltar depois?
Katie olhou para Rick.
-  com voc, ele disse.
- Ns voltaremos depois.
Os trs sairam e Katie disse:
- Que tal um sorvete para todos? No  exatamente uma tarde de vero, mas ns
podemos abaixar os vidros do carro de Rick e aproveitar o tempo, dirigindo, em
volta do quarteiro e fingindo que  um conversvel.
- Ou ns podemos apenas ir l para aquele caf do outro lado, Rick sugeriu.
- Eu prefiro isso. Nicole colocou os braos em volta dela mesma tentando se
aquecer. Nicole estava de short e camiseta. Eles saram do dormitrio to rpido
que ela no teve tempo de pegar um casaco.
- timo, mas continuo pagando. Vocs dois esto sendo timos comigo, com isso
tudo. Me sinto pssima. No posso acreditar que no pensei que as flores no
eram pra mim.
Rick colocou o brao nos ombros dela, enquanto eles andavam at o Caf Bella
Barista.
- Por que voc no perguntou pra mim se eu mandei as flores? Isso teria resolvido
o mistrio, ou pelo menos faria voc comear a querer resolver o problema.
- Eu perguntei a voc.
- Quando?
- No telefone. No Domingo. Ou talvez foi na Segunda. Eu no lembro quando, mas
eu sei que perguntei.
- Voc lembra como fez isso?
- Primeiro, voc precisa saber isso da forma certa, quando eles me entregaram o
buqu no Sbado, eu presumi que eram suas. Mas quando vi o carto ele no
fazia sentido. Voc lembra quando eu disse na ligao que tinha noticia mistas
como um grande buqu? E ento tentei agradece-lo por ser to legal.
- Eu achei que voc estava me agradecendo.
- Eu estava.
- Voc no estava me agradecendo por tirar o lixo da casa da Cris na outra noite?
- Sim, mas era mais do que uma conversa sobre o lixo txico da pipoca. Eu estava
te dando um monte de agradecimentos por tudo que voc faz por mim, incluindo
as flores. Katie olhou pra ele e deu um de seus sorrisos fofos.
Rick sorriu de volta.
Ela colocou os braos em volta da cintura dele.
- Voc  meu heroi. Voc sabe disso, no sabe?
Rick encostou os lbios do lado da cabea dela e beijou seu cabelo. Ela desejou
que tivesse tomado um banho antes dele chegar. Ela estava se sentindo um
pouco sem graa andando perto de Nicole enquanto Rick estava demonstrando
carinho por ela. Ela no interrompeu o carinho.
Rick soltou Katie e passou por elas para segurar a porta enquanto ele continuava
ouvindo que era o heroi de Katie.
- Obrigada. Nicole entrou na loja quentinha primeiro. Ela respirou fundo. Eu amo
o cheiro de caf, vocs no?
- Eu sempre achei que o cheiro  melhor do que o gosto, Katie disse.
- No pra mim. Adoro caf. Voc j provou o expresso que eles tm aqui? Eles
fazem um timo duplo descafeinado americano, Nicole disse.
- Americano?  este que Rick geralmente pede. No  este que voc gosta Rick?
Katie perguntou.
Ele balanou a cabela olhando para o menu na parede.
- Eu nunca estive aqui antes. timo menu. Fcil de ler. Boa iluminao.
Katie virou para Nicole.
- Eu deveria ter alertado voc. Ele sempre "toma nota" em qualquer caf que
vamos.
- Vocs gostariam de fazer o pedido? O rapaz na caixa registradora estava
olhando para Katie.
Ela apontou para Nicole ir primeiro. Nicole pediu o recomendado duplo
descafeinado americano. Rick pediu o mesmo. Katie estava considerando pensar
em outra coisa mas pela presso disse:
- Faa trs desse.
Ela pegou sua carteira, mas Rick a interrompeu.
- Deixe-me fazer isso.
- Mas eu disse pra vocs que iria fazer isso. Eu quero fazer alguma coisa para
agradece-los por virem comigo e me ajudar a resolver meu gigante fiasco.
Rick sorriu para ela e lhe deu um piscada.
- E eu quero pagar para voc ter mais uma razo para me agradecer.
Katie sorriu de volta. Ela se sentiu feliz. No apenas porque Rick estava em casa,
isso era timo. E no porque ele estava pagando o caf como um cavalheiro, ela
tinha que admitir, isso tambm era timo.
Ela estava feliz porque Rick parecia diferente. Ele parecia que havia voltado ao
seu charme antigo aquele que ela tinha ficado enlouquecida na escola. Ele
parecia ter deixado um pouco de lado o homem de negcios responsavel e a
seriedade, o lado flertardor de sua personalidade voltou mais forte.
Katie estava gostando de Rick mais do que nunca.
Sem dar uma segunda resposta a ele, Katie levantou seu queixo e, bem ali, na
frente de Nicole e do rapaz do caixa, ela irreverentemente disse:
- timo. Eu aceito voc pagar com uma condio.
- Ok, qual? os olhos castanhos de Rick estavam deixando o corao dela mais
feliz.
- Primeiro voc tem que me beijar.
                              Captulo 10
- Eu vou inventar uma mquina do tempo.  isso que eu vou fazer. Katie levantou
o seu edredom at o queixo. Ela estava deitada em um colchonete no cho do
quarto de Nicole. Era bem depois da meia-noite e as duas estavam repassando os
detalhes das ltimas seis horas e meia.
- Sim,  isso que eu vou fazer. Eu vou descobrir um jeito de voltar no tempo e
alertar a mim mesma antes de fazer todas aquelas coisas exageradas e
impensadas que eu fao. Voc viu o olhar no rosto do Rick? Claro que voc viu.
Voc estava bem ali. Eu nunca o tinha visto olhar daquele jeito. Era como se eu o
tivesse ferido.
- Ele contornou bem a situao, Katie. Quando ele te beijou na bochecha e
entregou o carto de crdito dele para o rapaz no caixa, ele fez tudo parecer
inteligente e suave. Ningum sabia que era um comentrio impulsivo da sua
parte. Nicole virou-se de barriga pra cima na cama e ajustou as cobertas.
- Eu sabia que era impulsivo; Rick sabia que era impulsivo, Katie disse. Foi por
isso que ele trouxe o assunto  tona enquanto ns estvamos tomando caf. E o
que voc disse foi timo, a propsito. Eu acho que ele precisava ouvir seus
pensamentos de como ,,alguns casais fazem de uma pequena coisa no
relacionamento algo enorme e como o relacionamento inteiro precisa estar em
equilbrio.
- Katie, a nica razo pela qual eu disse tudo aquilo foi porque eu pensei que ns
estvamos apenas tendo uma conversa sobre relacionamentos. Eu no tinha idia
de que o que eu disse teria um significado especial para voc e para o Rick
porque vocs ainda no se beijaram. Eu s presumi que, uma vez que vocs dois
so oficialmente um casal, suas expresses de afeio tinham se estendido para
beijar. Faz sentido?
- Sim. Fez muito sentido. S que ela e Rick aparentemente no eram como os
outros casais. Aquela realidade tinha se tornado clara desde o incio do
relacionamento de idas-e-vindas deles.
- Sabe, Katie adicionou, Rick tambm est certo. De vrias maneiras, a razo do
nosso relacionamento estar equilibrado, ou pelo menos mais equilibrado do que
qualquer um dos relacionamentos anteriores dele,  porque as nossas expresses
fsicas esto em um nvel muito baixo.
- E isso  muito louvvel, Nicole disse.
- Sim, se eu estivesse em busca de um distintivo de elogios por conseguir
controlar um relacionamento que est no comeo, eu suponho que eu estaria
feliz por ns sermos to ,,louvveis. Mas eu no quero louvores. Eu quero
romance. Eu estou pronta para romance, Nicole. Eu estou pronta para ser tratada
com carinho.
- Rick te trata com carinho. Isso ficou muito claro esta noite, no apenas pela
conversa, mas tambm pelo jeito como ele tratou voc. Ele est tentando fazer
o que  melhor para o relacionamento de vocs.
- Eu sei, eu sei, eu sei. Rick  a personificao de todas as virtudes crists. E eu
estou tentando respeitar as preferncias dele, sabe? Quero dizer, eu no entrei
nesse relacionamento, especialmente na parte fsica, com o mesmo tipo de
objetivos de super-hiper abstinncia que ele tem.
Nicole olhou com surpresa para Katie.
- Eu s estou dizendo a verdade. Correndo o risco de parecer vulgar, mas eu no
vejo nada de errado com casais que se beijam, particularmente quando eles
esto no estgio namorado-namorada. Mas ele v. Pelo menos, beijar nos lbios.
Ele est com uma idia fixa na cabea que  melhor para o nosso relacionamento
ficar desse jeito. Esse jeito pode ser muito puro e bom na teoria, mas, na
realidade, quando eu me sinto bem prxima dele como eu me senti esta noite,
eu quero beijar o garoto!
- Eu sei o que voc quer dizer, Nicole disse calmamente.
- Eu no deveria dizer beijar o ,,garoto. O que eu quero  beijar Rick Doyle, o
homem. Eu j beijei Rick, o garoto. Duas vezes.
Nicole sentou e se inclinou sobre a beirada da cama, dando a Katie olhar
arregalado de conte-tudo.
- Foi muito tempo atrs. No ensino mdio. Bem, eu estava no ensino mdio, mas
ele estava na faculdade. Ns fomos ao Desfile das Rosas em Pasadena, o que, a
propsito, era uma coisa muito mais legal para se fazer naquela poca do que
aparentemente  agora.

- H quanto tempo foi isso? Nicole estava ao lado dela, com o brao a
sustentando.
- No sei. Quatro anos atrs. Talvez v fazer cinco em janeiro.
- E ele te beijou?
Katie afirmou com a cabea.
-  meia-noite. Quero dizer,  obrigatrio, certo? Feliz Ano-Novo! Beije a garota
que estiver mais perto de voc, depois a ignore por um longo perodo, deixe-a
confusa e ento a beije de novo quando voc estiver engessado e totalmente
vulnervel e ela estiver bastante insegura.
- Foi o segundo beijo? Nicole parecia estar acompanhando bem as digresses e
progresses de memria que Katie estava fazendo enquanto contava o caso.
- Sim. Esse foi no apartamento que ele compartilhava com Ted e Douglas em San
Diego. Ele estava dando saltos mortais na piscina aquela tarde antes de Cris e eu
chegarmos, se exibindo como um grande universitrio, e ele torceu o pulso e
rompeu ou deslocou alguma coisa. Os rapazes o levaram para o hospital.
- E ele teve que engessar?
- Era algo mais parecido com um grande embrulho de faixas. Mas o fato  que eu
fiquei com pena dele. Ele estava agindo mais humildemente do que o normal. Ou
talvez os analgsicos que deram a ele no hospital o fizeram parecer mais
vulnervel. De qualquer forma, aquela noite, l fora, na escurido em frente ao
apartamento dele, quando ele pressionou o rosto dele contra o meu, eu deixei
que ele me beijasse. Ento, quando ele comeou a se afastar, eu o beijei de
volta. No foi nada romntico. Eu me senti uma idiota. Ele me ignorou durante
todo o dia seguinte e foi isso.
- Katie, voc faz isso soar to desagradvel. Eu no consigo imaginar que beijar
Rick possa ter sido to ruim.
Katie suspirou.
- No foi horrvel, mas no foi exatamente romntico. Eu s queria mesmo que
ele me beijasse esta noite.
- Voc acha que se ele te beijasse no caixa do Bella Barista teria sido romntico?
Katie torceu a boca para um lado e para o outro. Ela odiava quando seus amigos
mais prximos expunham suas declaraes ilgicas com tanta preciso. Se Nicole
fosse, de alguma maneira, uma pessoa combativa, Katie poderia, pelo menos,
iniciar uma boa discusso, mas ela sabia que no poderia discordar.
- Ok, ento no na frente do rapaz do Barista. Mas realmente, Nicole, essas
coisas de ter pacincia, de planejar, esperar e tudo isso que o Rick fala j me
cansaram.
- Eu acho que o que ele disse foi maduro e nobre.
- Sim, mas do jeito que eu estou me sentindo, eu quero jogar toda essa
prudncia pro alto. Ele s precisa me beijar e terminar com isso.
Nicole riu suavemente. Eu odeio dizer isso, Katie, mas agora voc  quem no
est soando muito romntica.
Katie esticou-se para apanhar o saco de M&Ms que dez minutos atrs elas tinham
colocado fora de seu alcance para parar de comer impulsivamente. Ela colocou
trs balinhas em sua boca e fez um barulho cmico para Nicole.
Nicole riu levemente e jogou um travesseiro em Katie.
- Ok, ento eu no sou romntica. Nem Rick. A est o segredo sobre o que faz de
ns um casal to bom. Ns somos os ltimos ,,amigos para sempre. Katie cruzou
os olhos e mordeu sua lngua colocando a para fora.
- Pra! Nicole jogou outro travesseiro nela. Vocs dois so um timo casal. Rick 
um timo rapaz. Quero dizer, o jeito que ele se sentou ali para o caf e
conversou abertamente sobre o assunto de beijos e relacionamentos e o valor de
planejar  frente... Que mulher no iria querer um rapaz que tem pensado
profundamente por cada passo?
Katie riu.
- O qu?
- ,,Pensado profundamente por cada passo. Voc ouviu o que acabou de dizer?
Agora temos um trava-lngua.
- Eu acho que voc est com excesso de acar no sangue, Nicole disse.
- Eu acho que voc tem razo. Katie fechou o saco e colocou-o ainda mais longe.
Eu no posso mais consumir tanto acar como quando eu era criana.
- Katie, eu quero lhe dizer uma coisa e eu quero que voc oua como vindo de
algum que tem apenas as melhores intenes.
- Ok, v em frente, irm. Eu agento.
- Eu acho que se voc no pressionar Rick sobre demonstrar a afeio dele por
voc fisicamente, isso vai acabar acontecendo com naturalidade e equilbrio e
vai ser muito romntico.
- Eu sei.
- Mesmo se ele tiver algum tipo de plano secreto, como voc o acusou no Bella
Barista...
- Eu no o acusei. Aquilo no foi uma acusao. Foi um desafio amigvel. Rick
entende o meu senso de humor. Ele consegue agentar.
- Tem certeza?
- Sim. Por qu?
- Bem, Nicole disse lentamente, esticando-se para pegar seu travesseiro. A
primeira parte foi bonitinha, quando voc disse que o lado ruim de namorar um
super-heri era que voc tinha que passar pelo cdigo de conduta dele. Foi a
parte seguinte que soou muito forte.
- Tudo o que eu disse foi que ele tem dado um descanso para os lbios dele por
muito tempo.
- Na verdade, Katie, suas palavras exatas foram, ,,Voc pode muito bem raspar a
sua cabea e se tornar um monge j que seus lbios esqueceram como achar o
caminho para os meus.
Katie fez uma careta.
- Eu realmente disse isso?
Nicole confirmou.
- Voc tem um gravador ou alguma coisa parecida?
- No, eu s lembro porque, bem... Foi uma declarao bastante memorvel.
- Voc est certa. Foi muito duro. Eu acho que eu estava um pouco exaltada
quela altura. Ela estalou os seus dedos. Voc sabe o que eu acho? Eu acho que
aquele barrigudo do Barista nos deu caf normal e no descafeinado e mais que o
dobro de caf. Eu acho que ele me deu uma poro extra de cafena e ela me fez
ficar um pouco maluca durante essa parte da conversa. Ento, veja, na realidade
era o caf falando e no eu.
Nicole se ajeitou embaixo das cobertas, mas no disse nada, o que fez Katie
perceber que Nicole no estava engolindo nada disso.
- Ok. Katie pegou sua cala jeans no cho perto dela e tirou telefone do bolso. 
melhor eu ligar para o Rick e me desculpar novamente.
- Eu acho que ele aceitou as suas desculpas no caminho de volta da floricultura.
E a propsito, eu acho que, quando ns fomos ao Sophie Hall, a outra Katie
aceitou muito bem suas desculpas quando voc deu as flores a ela. Eu no acho
que voc tenha desculpas pendentes pra pedir.
Katie fechou o telefone dela.
- Eu acho que ela aceitou muito bem tambm.
- Ajudou o fato de a moa da floricultura ter telefonado para ela antes de ns
chegarmos e explicado que foi um descuido deles no colocar o nome no carto
anexo. Eu estou contente por ela ter checado o computador e visto que o noivo
da Katie colocou o nome dele na nota quando ele fez o pedido on-line. A
floricultura deveria ter posto o nome dele no carto e o nome completo dela no
envelope.
- Eu achei legal que a moa na floricultura fez um buqu novinho em folha. Eu
acho que o segundo era ainda mais deslumbrante que o primeiro.
- Concordo.
- Voc tambm deve concordar que a moa da floricultura foi muito simptica
conosco.
- Ela foi maravilhosa. Rick foi muito maravilhoso tambm. Eu acho que a moa
gostou que ele tenha comprado flores para voc e pra mim. Eu sei que grberas
cor-de-rosa no so as suas favoritas.
Katie olhou sobre o vaso na cmoda de Nicole com o chamativo buqu rosa.
- No, mas elas so as suas favoritas.
- Eu sei, mas voc foi legal ao dizer que voc gostava delas tambm, para fazer o
Rick feliz ao nos dar o presente.
- Sim, bem, eu sou totalmente a favor de fazer o Rick feliz ao me dar presente.
Katie tombou para trs no colcho inflvel, fitando o teto. Nicole tinha revestido
o seu teto completamente com tecido, fazendo o seu quarto parecer uma
confortvel nuvem do reino das fadas. Como voc fez isso?
- Fiz o qu?
- O tecido pelo teto.
- Nunca subestime o poder de uma mulher com um grampeador, uma cola quente
e uma paixo insacivel por decorar todas as coisas que estiverem ao alcance de
suas mos.
Katie riu.
-  a sua arte. Eu amo isso. Sabe, voc amaria a me do Rick. Ela tem o mesmo
jeito. Ela ama decorar. Ela tambm ama celebrar fazendo seus aniversrios e
feriados bonitos. O que me lembra que  provvel que eu fique aqui no dia de
Ao de Graas. Ento, se voc precisar que eu verifique alguma coisa enquanto
voc no estiver aqui, eu posso cobrir qualquer responsabilidade que tenhamos
no andar.
- Voc vai ficar aqui? Srio?
- Sim. Katie detestava o sentimento de sim-eu-sou-praticamente-uma-orf-mas-
por-favor-no-me-olhe-assim que a cobria naquele momento.
- Bom, adivinha? Eu acho que vou ficar aqui tambm.
- Voc vai? Por qu?
- Eu me sinto como a Pequena rf Annie.
- Me fale sobre isso.
Nicole disse:
- Bom, meus pais esto indo para Singapura na quarta para uma conferncia
internacional de pastores e minha irm vai passar com a famlia do namorado em
Idaho. Eu poderia ir para casa em Santa Brbara e passar o jantar do dia de Ao
de Graas com minha tia e meu tio, mas acho que eu vou ficar aqui.
- Por que voc e eu no fazemos alguma coisa juntas? Ns poderamos fazer uma
viagem.
- Eu pensei que voc fosse passar o dia de Ao de Graas com a famlia do Rick.
- Talvez eu passe. Os pais dele acabaram de se mudar para a nova casa deles e
eles provavelmente ainda no esto prontos para receber visitas. Como eu disse,
a me dele ama fazer tudo. Na Pscoa ela teve um farto jantar na tarde de
domingo. Todos ns nos sentamos em uma grande mesa com pratos de porcelana
e cristal. Muito elegante. Eu acho que se ela no puder fazer do dia de Ao de
Graas algo super chique, ela provavelmente ir esperar e fazer do Natal uma
noite de gala.
-  assim que a minha me sempre fez nos feriados, Nicole disse. Eu poderia ir
pra casa, mas eu ficaria totalmente sozinha. Seria muito deprimente.
- Ns definitivamente temos que fazer alguma coisa.
Nicole acenou com a cabea e cobriu a sua boca assim que um bocejo tomou
conta dela.
- Ah, desculpa. Eu estou ficando com sono, Katie. Voc se importaria se eu
apagasse a luz? Ns podemos continuar conversando, se voc quiser, mas eu
tenho que te alertar que eu posso pegar no sono.
- Tudo bem. Eu estou pronta para deixar esse dia muito longo e muito irritante
terminar. Eu tenho uma aula s oito da manh e eu sei que eu vou estar morta
quando o meu alarme soar s sete. Pelo menos eu tomei o meu banho  noite. Eu
estava realmente desejando que eu tivesse tomado um antes de ver o Rick
porque, perto de voc, eu definitivamente no era a abbora mais fresca do
,,pedao.
Katie podia ver Nicole sorrindo, antes de ela apagar a luz, por causa de sua
ltima frase.
- A propsito, Katie, obrigada por me deixar ir jantar com voc e Rick. Eu me
senti como se estivesse atrapalhando o encontro de vocs.
- No, foi divertido ter voc l. Alm do mais, o que voc iria fazer? Eu a
arrebatei da loja de flores e a arrastei conosco para o Sophie Hall. Quando voc
terminou de ser meu apoio moral em reparar minha grande asneira, a lanchonete
estava fechada. Voc quase no tinha nenhuma escolha a no ser vir conosco e
eu estou contente por voc ter vindo. Fiquei feliz pelo jeito como voc e o Rick
se deram to bem. Ele queria que eu fosse mais simptica com o colega de
apartamento dele, mas eu demorei muito pra entender isso. Eu agora aprecio o
que ele estava tentando dizer por que eu posso ver como  timo quando todo
mundo, em seus diferentes crculos sociais, se do bem um com o outro. Entende
o que eu quero dizer?
O tique-taque fixo do antigo relgio na escrivaninha de Nicole foi a nica
resposta que Katie recebeu.
- Uau. Voc no estava brincando quando disse que estava prestes a pegar no
sono. Eu pensava que eu fosse rpida, mas isso  assustadoramente mais rpido.
Lembre-me de te contar de manh quo rapidamente voc dormiu.
Katie puxou seu edredom at o queixo e aconchegou-se dentro dele.
- Eu continuo gostando da minha idia de uma mquina do tempo, ela murmurou
para si prpria j que Nicole j estava dormindo. Eu definitivamente faria esse
dia sumir. Com exceo dessa parte. Eu deixaria essa parte da nossa ,,noite de
pijamas. Eu me sinto em casa com voc, minha nova amiga.
                             Captulo 11
- O que voc quer dizer com isso de no ir para a noite da pizza amanh? Katie
estava em p perto de Rick na fila para o cinema, mas ela estava no celular com
Nicole.
- Phillip s agora me enviou um email. Ele nem sequer deu uma razo. Ele apenas
disse, ,,Talvez outra hora. Eu sei que ele no fez de mal. Odeio quando os
rapazes dizem coisas que eles no tinham inteno.
- Que idiota, Katie disse.
Rick calmamente pressionou sua mo no ombro de Katie. Ela entendeu que era a
forma dele faz-la saber que sua voz estava elevada e que ela estava falando
muito alto num lugar pblico.
- Ele no  um idiota, Katie. Ele  um cara legal. Eu sei que voc acharia isso
tambm se voc o conhecesse.
- T bom, se eu chegar a conhec-lo, eu vou ter algumas palavras bem escolhidas
pra ele.
- Ele provavelmente tem uma boa razo pra que ele no queira ir comigo amanh
 noite. No estou guardando isso contra ele. Mas agora  tarde demais pra
convidar outra pessoa.
- No  tarde demais. Tem que ter algum, Nicole.
Rick pressionou o ombro de Katie novamente. Ela levantou o olhar pra ele e
perguntou:
- Qu? Ainda estou falando muito alto?
Rick sorriu.
- E Eli?
- O que  que tem Eli? Katie perguntou.
- Quem  Eli? Nicole perguntou.
Katie olhou pra Rick e lembrou como menos de uma semana antes eles tinham
discutido no apartamento dele quando ele estava tentando juntar Eli com a
companheira de andar de Katie. Katie ofereceu a Rick um meio sorriso.
- Quer saber Nicole? Eu s no tenho o mais compreensivo e paciente e lindo
namorado do mundo, eu tambm tenho o melhor matchmaking namorado do
mundo. Voc se importaria se eu e Rick te juntssemos com o colega de quarto
dele, Eli? Tenho certeza que ele est disponvel.
- Ele  o rapaz da segurana do campus que dirige no pequeno carro de golfe?
- Sim.  ele. Aquele com o maluco cabelo marrom claro que sempre parece que
acabou de sair do ciclo giratrio da secadora. Aquele com a barbicha.
- Certo.  quem eu pensei mesmo. Nicole no pareceu entusiasmada.
- Ele no  como voc acha, Katie disse rapidamente. Ele no  nada do que ele
parece. Quer dizer. Ele parece bem, na minha opinio. Ele tem aqueles olhos
melanclicos que parecem olhar dentro de sua alma enquanto voc t olhando
pro outro lado. E ele cresceu na frica e foi pra Espanha com Ted, e ele parece
ter um corao terno, sabe? Como se tivesse sido machucado e agora ele sabe
como os outros se sentem quando esto feridos. Acho que voc vai se dar muito
bem com Eli. Ele  um tipo de pessoa artstica e ah, Nicole, ele tem uma tima
risada. Quer dizer, uma linda risada. Ele  definitivamente um bom partido.
Muito melhor que o cara ,,eu to triste.
Nicole parou Katie antes que ela pudesse continuar com a longa descrio em
favor de Eli.
- Ok. Voc me convenceu com o ,,disponvel.
Katie se virou para Rick e acenou com a cabea de forma febril e, com um sorriso
enorme, ela apontou pro celular dele e indicou com sua mo que estava livre que
Rick deveria ligar pra Eli e marcar.
- De jeito nenhum, Rick disse.
Katie piscou pra ele e fez uma careta.
- S um minuto, Nicole. Ela pressionou o celular contra seu estmago. O que voc
quis dizer com ,,de jeito nenhum?
- Eu j tinha convidado Eli. Eu tambm o desconvidei. Se voc pensa que ele 
perfeito pra Nicole, eu acho que voc deveria convid-lo dessa vez.
- Ok. T bem. Katie colocou o celular de volta no ouvido. Nicole? Aqui o plano.
Vou ligar pra Eli pra ver se ele ainda est disponvel amanh  noite, e ento eu
dou seu nmero pra ele te ligar porque ns estamos quase entrando no cinema.
- Obrigada, Katie.
- No me agradea ainda. Espere at depois que voc passar um tempo com ele
amanh  noite. Ento voc me agradece, e eu realmente vou saber que voc
quis dizer isso porque ele  legal.
Ela desligou e olhou pra Rick.
- Tem certeza que voc no quer ligar pra ele?
- Certeza. Rick procurou na lista de seu celular e deu pra ela enquanto a fila se
movia pra dentro do cinema.
Katie deu uma olhada na tela do celular muito-mais-elaborado do Rick.
- Tudo que voc tem que fazer  apertar o boto.
Katie o pressionou e disse:
- Sei, isso foi o que Cris disse na noite que eu tentei fazer pipoca na casa dela.
- Ei, sobre aquela pipoca, Rick disse. Eu ouvi do Ted noite passada que voc
comprou num bazar de garagem.
Agora era Katie quem estava pressionando sua mo no ombro de Rick. Ele
definitivamente estava falando muito alto num lugar pblico lotado.
Abenoadamente, Eli atendeu ao telefone no primeiro toque.
- Eli. Ei.  Katie. Oi. Como voc est?
Por que isso de eu continuar monossilbica quando eu tento falar com esse cara?
Sou uma bobona.
- O que est acontecendo, Katie?
- Eu tava pensando, bem, na verdade, Rick e eu estvamos pensando, Rick est
bem aqui comigo no cinema, estamos caminhando pro cinema exatamente agora
e eu estou ligando do celular dele.
Ela achou que ouviu Eli abafando uma risada.
- De qualquer forma, ns estvamos pensando se voc no vai fazer nada amanh
 noite, sexta  noite, se voc queria ir pra Noite da Pizza no Crown Hall.
- Achei que vocs j tinham me desconvidado pra esse evento.
- Bom, agora estou te des-desconvidando e isso  o mesmo que te reconvidar.
Tudo que voc tem que fazer  dizer, ,,Com certeza, eu ficaria feliz em ligar pra
sua colega de andar, linda Nicole, e diria a ela que estaria honrado em
acompanh-la pra cafeteria pra fazer uma pizza com ela amanh  noite. O que
voc me diz? Sete horas? Pode nos encontrar no lobby do Crown Hall???
Uma longa pausa se seguiu do outro lado. Katie olhou pra Rick. Ele tava
reprimindo um sorriso. Ela usou seu brao livre pra fazer crculos no ar como
para indicar pra Eli apressar em tomar sua deciso.
- Ento?
- Ele desligou? Rick perguntou. Se sim, voc no pode exatamente culpar o cara.
- Eli? Katie pressionou o telefone mais perto de seu ouvido. Eu posso te ouvir
respirando, Eli.
Ele riu aquela fantstica risada dele vinda do fundo do ser.
- Foi s muito, muito engraado ver voc suando daquele jeito.
- O que voc quer dizer com ,,me ver suando? Eu pressionei o boto da cmera
do telefone do Rick?
- No. Olha na direo da mquina de pipoca.
Katie se virou na direo da banca de lanches. Eli estava em p recostado contra
uma coluna e segurando um enorme saco de pipoca. Ele tinha uma bandana ao
redor de sua cabea, e seu cabelo danava em todas as direes por baixo dela.
Katie se virou e deu um soco no brao de Rick, mas no muito forte.
- Voc sabia desde o incio que ele estava aqui.
- Sim, eu sabia. O sorriso de Rick era imenso e cheio de travessura. Esqueci de
comentar que Eli estava vindo ao cinema com a Carley?
- Carley? Katie falou o nome de forma muito alta e ela sabia. Abaixando sua voz,
ela disse: Quando Eli comeou a sair com Carley?
- Hoje  noite quando ela o convidou.
Katie nunca tinha realmente encontrado uma forma de estabelecer um tipo de
relacionamento pacfico, fcil e cheio de altos e baixos com Carley, uma garota
no seu andar. No vero anterior Carley foi contratada pra trabalhar no Ninho da
Pomba com Katie, mas sempre pareceu pra Katie que Carley estava competindo
pela ateno romntica de Rick. Quando Carley e algumas outras garotas fizeram
uma brincadeira com Katie h um pouco mais de um ms, elas duas tiveram uma
conversa face a face que pareceu arrumar as coisas entre elas e coloc-las em
um lugar melhor relacionalmente. Ainda assim, Carley no estava no topo da lista
de pessoas favoritas de Katie.
Essa surpresa, no entanto, atingiu Katie mais forte do que ela teria previsto.
Definitivamente Carley no era a garota certa pra Eli. Nicole era uma escolha
muito melhor e Katie sabia disso.
Ela e Rick entregaram seus ingressos para o atendente e cruzaram o lobby onde
Eli estava em p perto da mquina de pipoca.
- Ento? Katie deu a Eli uma expresso de expectativa e olhar brilhante.  uma
resposta vindo, oh-grande-rebelde-sem-refrigerante-pra-acompanhar-toda-essa-
pipoca?
- Sim. A resposta  sim. Eu vou com voc amanh  noite, Eli disse.
- No comigo. Com Nicole.
- Certo. Isso que eu quis dizer. Tenho a impresso que  um encontro duplo. 9
- . Ok. Bom. Aqui. Espera s um segundo, ok? Katie pegou seu celular, apertou o
nome de Nicole e esperou ela atender. Ela sentiu um tipo engraado de pnico,
como se Carley pudesse aparecer a qualquer momento e tornar as coisas mais
embaraosas do que j estavam.
- Ei, Nicole, Eli est bem aqui e eu vou deixar ele conversar com voc. Ela
entregou o telefone antes que Nicole dissesse qualquer coisa.
Eli agiu de forma louvvel, soando interessado em Nicole enquanto ele
confirmava os planos. Ele disse a ela:
- At l ento, e devolveu o telefone para Katie.
Ela o fechou com fora.
- timo! Tudo certo ento. Obrigada, Eli. Pronto, Rick? Ou voc queria comprar
mais pipoca?

9
  Double date  quando dois casais saem juntos. No sei se tem uma expresso especfica pra isso em
portugus, se tiver por favor, eu quero saber tambm kkkkk
- Eu no. Voc quer?
- No. Eu perdi meu apetite por pipoca recentemente.
- Engraado. Eli disse. Cris disse a mesma coisa.
- Voc t s inventando isso.
- No estou.
- Quando voc viu Cris?
- Ela e Ted estavam na fila atrs de ns pra ltima sesso, mas j estavam
esgotados, ento eles foram comer alguma coisa e vo voltar.
- Quer dizer que eles esto vindo pra mesma sesso que a gente. Legal. Katie
olhou pra Rick. Ns deveramos entrar e guardar lugar pra ns quatro.
- Vocs se incomodariam em guardar mais um lugar? Eli perguntou.
- Voc vai ver de novo? Rick disse.
- No. Eu estava no grupo que no conseguiu ver a sesso esgotada. Eu consegui
estudar no meio tempo, acredite ou no.
- E Carley? Katie perguntou.
- Ela foi na sesso mais cedo. Ela e a colega de quarto dela compraram os
ingressos online por isso no tiveram problemas pra entrar.
- E elas te deixaram? Katie perguntou.
Eli encolheu os ombros.
- O que posso dizer?
- Vamos. Rick pegou a mo de Katie. Ns vamos guardar alguns assentos. Eli, fale
pra Ted e Cris que ns entramos.
- Isso t se tornando mais estranho e mais estranho a cada minuto, Katie
murmurou. Ela e Rick tinham conversado sobre ir assistir essa sequncia do filme
que eles tinham gostado em um de seus encontros anteriores em Fevereiro.
Como em todo caso de sequncias longamente antecipadas, a noite de estria 
o melhor momento pra ir mesmo com a multido, apenas pra ficar entre os
primeiros a ver. Katie odiava estar em grupo de pessoas quando eles
conversavam sobre uma seqncia que ela no tinha visto ainda. Os estudantes
da Rancho Corona mantinham-se avidamente a par dos filmes e conversavam
sobre eles nas refeies.
- Ns deveramos ter organizado, Katie disse, enquanto ela e Rick se apressavam
pra entrar no auditrio e pegar 5 assentos juntos. Se ns soubssemos que Ted e
Cris estavam vindo, poderamos ter ido comer com eles.
- Talvez eles queiram sair pra comer sobremesa mais tarde. O cinema estava
enchendo rapidamente e o barulho feito dificultou que Katie entendesse o que
Rick tinha dito enquanto eles subiam os degraus.
- Voc disse que eles talvez queiram ir pro deserto depois? 10
- No, no sair para o deserto. Sair pra comer sobremesa. Caf? Torta de queijo?
Torta? 11
- Cris provavelmente vai querer torta de queijo. Ela teve um desejo por isso na
outra noite. Perguntei se o desejo significava que ela tava grvida, mas ela disse
que no.
- Que tal aqui? Rick deslizou para uma fileira quase na metade do fundo e Katie o
seguiu. Os assentos eram prximos ao fim da fileira, mas da forma como o
cinema estava lotando iria se tornar impossvel encontrar cinco assentos juntos
no centro.
Colocando suas jaquetas nas trs poltronas entre eles, Katie e Rick sentaram-se
em cada ponta e ficaram olhando a entrada esperando por seus amigos.
De todas as pessoas, Carley veio do canto, os olhou, acenou e veio para a fileira
deles.
- Pensei que ela estava na ltima sesso. Katie murmurou baixo o suficiente para
que Rick no a ouvisse.
- Ol vocs dois. Carley correu fileira abaixo e ficou em p no espao em frente
aos assentos vazios que eles estavam tentando guardar. - Apenas vim dizer oi. Vi
Eli e ele me disse que vocs estavam aqui. Vocs vo amar esse filme. O fim 
uma grande surpresa. No  o que vocs esto esperando.
- Carley, no se atreva a nos contar o que acontece! Katie sentiu seu rosto
ficando vermelho.
- No se preocupe. Eu no ia dizer. Estou apenas dizendo que no  o que vocs
esperam. Vocs sabem o cara no primeiro filme que tem o dente que sai? Bem...
Katie a interrompeu.
- Carley, no! No diz nada. Nada! Nem uma palavra! Oh, olha. L vem Ted e
Cris. Eles vo querer sentar exatamente onde voc est em p.
- Sem problema. J estou indo. S queria dizer oi e tambm dizer obrigada, Rick,
pelas flores. Aquilo foi realmente muito gentil da sua parte.
Rick balanou a cabea polidamente e se levantou para que Ted e Cris pudessem
passar por ele enquanto Carley acenava e se movia lentamente para fora da
fileira na outra direo.
- Vocs esto tendo uma briga? Ted perguntou a Katie.
- No. Por qu?
- Vocs esto sentados muito longe um do outro. O surfista-cara-legal Ted deu
um meio sorriso para Katie que mostrou sua covinha e ainda mais claramente

10
        Dessert = sobremesa
        Desert = deserto
11
   Cheesecake  torta de queijo e outras tortas so chamadas pie.
mostrou que ele estava brincando com ela.
- No comece comigo hoje  noite, Ted. No  uma boa idia. Ns estvamos
sentados longe, pois assim pudemos guardar lugar para vocs dois. Katie se
levantou e passou por Cris assim Katie pde sentar no lado direito dela, perto de
Rick. Cris sentou do outro lado de Katie e apertou o brao dela.
- Que divertido! No consigo acreditar que deu certo, Cris disse. Voc sabe
quantas vezes temos tentado nos encontrar com vocs dois, mas no pudemos
coordenar nossas agendas? Bem, isso  perfeito e nenhum de ns planejou.
- Eu sei. Isso  timo. A resposta de Katie no foi inteiramente entusistica. Ela
se virou para Rick e em uma voz baixa disse: Ento, flores, hein? Alguma coisa
que eu deveria saber?
Rick se inclinou para mais perto e sussurrou no ouvido de Katie. A respirao dele
fazendo ccegas no cabelo dela.
- Eu quis fazer uma coisa gentil para agradecer a todos os meus empregados por
terem feito um timo trabalho nos ltimos meses enquanto eu estava indo e
vindo do Arizona. Voltei  floricultura j que a moa de l foi muito prestativa
conosco na outra noite. Ela ps alguns arranjos pequenos para todas as
empregadas.
- Apenas para as mulheres?
- Sim, apenas para as mulheres. Para os homens eu comprei canivetes.
- Isso foi muito gentil da sua parte.
- Sabe o que mais  gentil da minha parte? Rick perguntou, colocando seu brao
no ombro de Katie e a puxando para mais perto.  tambm gentil da minha parte
que estou aqui e ns vamos passar esse tempo juntos assim.
Katie se sentiu relaxar no abrao parcial dele. Encostando sua cabea no ombro
de Rick, ela disse:
- Sim, isso  bom. S para constar, se eu ainda trabalhasse no Ninho da Pomba,
eu teria preferido o canivete em vez de flores.
- Eu sei, Rick disse. Ele beijou o topo da cabea dela.
- Especialmente se fosse um daqueles canivetes pequenos que tem pequenas
tesouras flexveis. Eli tem um. Voc sabia que eles fazem daquelas em cores? Eu
vi um vermelho que combinava com seu carro. Sabia disso? Katie se afastou um
pouco pra trs e olhou para Rick. - Voc deveria comprar um vermelho pequeno
e manter no porta-luvas.
- Ei, e voc sabe alguma coisa sobre seu carro?
Katie fez uma careta exagerada.
- T com medo de que o Bugrinho esteja se encaminhando para a fbrica de cola.
- O que isso significa?
- No sei. Meu pai costumava dizer isso. Acho que tem a ver com cavalos velhos
que eles costumavam fazer cola deles ou alguma coisa.
- Voc est dizendo que seu carro no tem conserto?
Katie confirmou.
- O mecnico me deixou uma mensagem hoje e disse que ele encontrou uma das
partes online no Hava, mas estava muito enferrujado para usar. Eu tenho que
ligar de volta pra ele amanh e basicamente concordar com ele sobre o
inevitvel. Ele acabou. Ele foi um bom amigo enquanto o tive, mas infelizmente
nosso relacionamento maravilhoso tem que chegar a um fim.
Cris que aparentemente ouviu Katie, perguntou:
- Voc t falando sobre o Bugrinho?
Katie se virou para ela e balanou a cabea afirmando.
- Katie, que triste.
- Eu sei.  como o fim de uma era.
Ted se esticou sobre o colo de Cris e apertou o brao de Katie. Ele podia ser um
grande brincalho, mas quando ele queria, Ted podia ser compreensivo.
- Sinto muito por saber disso, Katie. Eu senti como se fosse o fim de uma era
quando a Kombinada deu seu ltimo suspiro.
- Como voc vai fazer para ter um carro? Cris perguntou.
- No fao a mnima idia. No tem sido to ruim quanto eu pensei que seria essa
semana por no ter um carro, mas isso porque Nicole tem me emprestado o dela.
Vou ter que ver se eu posso vender as partes do Bugrinho ou alguma coisa assim.
- Voc pensa em talvez guardar algumas partes? Ted perguntou.
- O qu? Como voc guardou o banco traseiro da Kombinada quando voc teve
aquele acidente?
O meio sorriso de Ted voltou.
- Eu poderia fazer alguns mveis para voc.
- Eu vou pensar nisso, Katie disse sem disfarar seu sarcasmo. Ela olhou para trs
de Ted e viu Eli vindo na direo deles. Ted o viu tambm e acenou para que ele
sentasse na poltrona guardada prxima a ele.
Eli se sentou e ofereceu seu pacote de pipoca.
- Vocs querem?
Ted foi o nico que pegou uma mo cheia.
As luzes diminuram e os trailers comearam. Katie se voltou para Rick e ele a
aconchegou perto dele. Ted e Cris estavam abraados tambm. Era um dos
cenrios de encontro duplo que Katie tinha imaginado sempre desde que ela e
Rick tinham comeado a sair juntos. Eles tinham manejado coordenar alguns
desses tipos de tempos juntos.
To feliz quanto Katie estava ela se sentiu mal por Eli. Falando de experincia
prpria! Katie sabia muito bem o que era ser aquela pessoa sobrando, ao longo
dos anos que ela saa com Cris e Ted e os outros amigos. Em uma pequena 
muito pequena  maneira, Katie desejou que Carley tivesse trocado seu ingresso
assim Eli pelo menos teria algum com ele.
Katie se aproximou mais perto de Rick e fez uma de suas notas contnuas para si
mesma: Pare de se preocupar com Eli. Isto  o que voc tem sonhado por um
longo tempo. Relaxa! Aproveita o momento.
                               Captulo 12
A grande surpresa daquela noite no foi o fim do filme, apesar de que foi uma
maneira brilhante de amarrar a histria e deixar os espectadores famintos pelo
terceiro filme. A surpresa foi como o filme ficou to bom.
- O segundo filme nunca  to bom quanto o primeiro, Rick disse, enquanto o
grupo deles saa da sala.
- Esse com certeza foi, Ted disse.
Cris concordou dizendo, :
- Aquela parte no final em que o cara...
Katie pegou o brao dela e impediu Cris de terminar sua frase. Eles estavam
passando pela fila de espectadores que esperavam para assistir ao filme na seo
de tarde da noite.
- Eu s no queria que voc acabasse contando algo para qualquer uma das
pessoas que esto na fila.
- Ah. Ta bom. Cris apertou os lbios.
- Eu estou feliz por termos visto o filme hoje  noite, Katie disse. Eu odiaria me
sentar amanh na cafeteria e ficar ouvindo um monte de crticos amadores
falando sobre todas as partes boas do filme.
- O que vocs acham de ns formarmos nosso prprio grupo de crticos amadores?
Rick perguntou. Katie e eu descobrimos uma nova cafeteria. O Bella Barista.
Vocs j foram l?
- No, Cris disse enquanto Ted balanava sua cabea negativamente ao lado
dela.
- E voc, Eli? Katie perguntou.
- Eu sou mais do tipo que bebe caf em lojas de convenincia, como voc sabe.
Todo mundo se virou para olhar para Katie, esperando uma explicao de porque
ela saberia aquilo. Ela no queria Cris, Rick e Ted envolvidos numa discusso
sobre seu passeio ao deserto na semana passada com Eli e Joseph.
Mudando o foco, Katie disse:
- E a? Vocs querem ir conosco ao caf?
Ted e Cris olharam um para o outro e trocaram uma srie de expresses de
dvidas, como ombros balanando e cabeas se mexendo, o que pareceu para
Katie dois passarinhos conversando num fio de telefone.
-  melhor no, Cris disse.
Katie suspeitou que eles tivessem gastado seus fundos para entretenimento para
o ms com o filme e o jantar.
A deciso de Ted e Cris pareceu determinar a deciso de Eli. Ele disse que iria
voltar para o apartamento. Olhando para Katie de uma maneira bem direta, ele
disse:
- Te vejo amanh  noite.
- Beleza. Noite de Pizzas de casais. Crown Hall. 7 horas. No saguo. Katie
esperava que ningum tivesse notado como suas frases ficavam curtas quando ela
estava perto de Eli. Essa agitao toda dela a incomodava.
O grupo se despediu no estacionamento, e Rick e Katie caminharam de mos
dadas para o carro dele.
- Eu no te contei ainda, Rick disse. Minha me est planejando fazer um jantar
de Ao de Graas na nova casa dela. Ela disse que iria te ligar. Ela queria que
voc soubesse que est convidada, eu disse a ela que me certificaria de que voc
fosse.
-  muito legal da parte dela. E da sua parte tambm. Eu adoraria passar o dia
Ao de Graas na sua casa. Diga a sua me que eu ficaria feliz em ajudar de
alguma forma, caso ela precise.
Enquanto eles caminhavam, ela balanava as mos deles.
- Voc sabe se ela convidou muitas pessoas?
- No sei. Por qu?
- Eu estava pensando que se tivesse jeito, seria legal incluir mais uma pessoa que
no tem planos para o dia de Ao de Graas. Mas isso  s se sua me no se
importar em receber mais um universitrio rfo.
- Voc conhece minha me. Tenho certeza de que ela no se importaria. Rick fez
um carinho na mo de Katie. Estou feliz que voc tenha pensando no Eli. Vou
falar com ele que ele tambm est convidado.
- Eli? Eu estava pensando em Nicole. Ela no vai pra casa no dia de Ao de
Graas. Na verdade, ela e eu estvamos pensando em fazer uma viagem no
prximo fim de semana caso ns duas no recebssemos nenhum convite.
- Como eu disse, voc conhece minha me. Tenho certeza de que ela no se
importaria. Eu vou convidar o Eli e voc pode convidar a Nicole.
- Eles vo pensar que ns estamos forando os dois a ficarem juntos.
- No tem problema. Se der certo, eles vo nos agradecer.
Eles chegaram ao carro de Rick, e ele destrancou a porta do passageiro e a abriu
para Katie. Ela estava prestes a entrar no carro quando viu, no banco, uma
pequena caixa com uma fita prateada em volta.
- Que isso?
Rick no respondeu. Ele apenas deu um sorriso malicioso, como se sua surpresa
estivesse funcionando do jeito como ele tinha planejado.
-  pra mim?
- Por que voc no abre e descobre?
Katie puxou a fita e abriu a caixinha. Dentro dela havia um canivete, exatamente
igual ao que ela tinha descrito para Rick no cinema. Ao invs de vermelho como o
carro de Rick, esse era amarelo, como o Buguinho.
- Rick! Como voc sabia?
- Eu te conheo, Katie. Eu sabia que voc ia gostar. Eu tambm sabia que se eu
te desse flores no significaria tanto quanto se eu te desse um desses. Eu vi o
amarelo e pensei no seu carro. Isso foi antes de eu ficar sabendo que ele no
teria conserto.
- Isso vai sempre me lembrar do meu Buguinho amarelo-sol. Katie disse
carinhosamente.
- Voc j abriu um desses antes? Aqui ficam as tesouras, e quando voc puxa isso
aqui, sai uma lixa de unha.
- Rick, obrigada! Katie envolveu-o com seus braos em um caloroso abrao.
Assim que se afastaram, eles ouviram uma buzina e ambos olharam para ver Eli
passando de carro por eles, fazendo um tipo de aceno mos-retas-no-ar.
- Eu no sei por que ele guarda aquilo, ela resmungou. Ele disse que isso o
lembra de orar. Mas orar pelo qu?
- Katie? Rick colocou sua mo debaixo do queixo dela e trouxe o rosto dela de
volta, afim de que ela olhasse para ele.
Katie ps fim aos pensamentos resmunges sobre Eli e sorriu calorosamente para
Rick.
- Desculpe-me. O que eu estava dizendo?
- Voc estava dizendo que gostou do canivete.
- Sim, gostei. Eu gostei do canivete. E gosto de voc. Muito.
- Que bom. Porque eu gosto muito de voc. Rick sorriu. Voc quer tomar sorvete?
- Sorvete? Claro. Voc tem duas passagens de avio para Veneza escondidas no
bolso da sua jaqueta?
- Ns podemos tomar sorvete aqui mesmo nessa cidade.
- Onde?
- No lugar que fomos com a Nicole. O Bella Barista. Eu vi sorvete no menu e
pensei que voc e eu precisvamos voltar l e dar um basta nisso.
- Um basta em qu?
- No fiasco do nosso encontro no vero passado com aquele teste de sabor.
Embalagem quadrada versus embalagem redonda?
Katie inclinou sua cabea para trs e resmungou.
- Por favor. Eu estou tentando esquecer toda aquela confuso. Tudo isso
aconteceu muito tempo atrs quando eu era sincera demais, impulsiva e
exigente. Como voc e eu sabemos, eu mudei dramaticamente desde aquela
poca.
Rick gargalhou.
- Ok. Talvez no dramaticamente. Mas eu sei como eu queria no ter levado essa
coisa toda do sorvete to a srio, e, bem... Tudo mais naquela noite. Katie
deixou o restante por falar, na mesma noite que ela o tinha pressionado a fazer o
desafio do teste do sorvete, ela tambm o tinha pressionado sobre suas
determinaes em no convidar beijos para o relacionamento deles. O desafio
no tinha terminado nada bem.
Parte da tentativa posterior de Rick em dar fim quela noite foi seu estranho
teste particular, o qual Katie achou bastante irritante. Rick usou apenas uma
embalagem de sorvete e dessa forma fraudou o teste dizendo que era uma
tentativa de ser esperto.
- Esse evento todo do sorvete foi uma idia divertida que acabou dando errado.
Muito errado, Katie disse. Ns podemos no relembrar mais disso?
- Combinado, Rick disse.  por isso que sorvete  a resposta.  um novo comeo.
Ns podemos tomar sorvete sem nenhum tipo de conflito sobre a forma da
embalagem e o sabor. O que voc acha?
- Ok. Novos comeos. ,,Bora pro sorvete. Katie entrou no carro e sorriu pra si
mesma. Rick Doyle, voc  mesmo o homem mais determinado do planeta. Uma
vez que voc entra em algo, voc nunca deixa isso de lado at voc ter todas as
peas no lugar, do jeitinho que voc gosta.
Katie lembrou a si mesma de que essa caracterstica de Rick era boa e era
tambm uma maneira de completar Katie, j que ela no era assim to
comprometida em cumprir seus objetivos.
- Sabe, se ns no tivssemos finalmente concordado algumas semanas atrs em
parar de tentar achar apelidos um para o outro, eu acho que agora eu te
chamaria de ,,Bulldog.
- Bulldog? A rplica de Rick deixou claro que ele no estava nada empolgado com
aquele apelido.
Sacudindo sua mo no ar, ela disse:
- Deixa pra l. Puxando pra fora a lixa de unha de seu novo canivete, Katie
comeou a lixar a unha de seu polegar. Ela desejou no ter trazido  tona esse
assunto de apelidos. Durante meses Rick tinha tentado conseguir o apelido certo
para ela, mas nenhuma das opes a agradou. Com exceo do "Katie-girl". Ela
gostou desse, mas Rick no.
Cerca de trs semanas atrs, enquanto eles saam da igreja juntos e Rick de
repente anunciou que ele no gostava do apelido "Katie-girl", ela parou e disse:
- Fim do jogo. Pronto. Ela disse a Rick que de agora em diante ela s queria que
ele a chamasse de Katie e ela o chamaria de Rick, exceto para aqueles momentos
ocasionais em que o ltimo nome dele cairia melhor e "Doyle" simplesmente
escorregaria de seus lbios.
Eles acabaram dando uma basta naquela busca por apelidos naquele domingo.
Katie esperava que esse passeio ao Bella Barista desse um basta na busca deles
por uma agradvel experincia com sorvetes.
Meia hora depois, Katie estava dizendo a si mesma. At agora tudo bem! Pra
constar, tudo nessa noite tem sido bom. Muito bom. Talvez o nosso melhor
encontro at hoje.
Quando eles pediram pelo sorvete, s pra ser agradvel, Rick deu um beijo na
bochecha de Katie assim que passou seu carto de crdito para o caixa.
- Algum motivo especial? Ela perguntou.
- Eu pensei em comear uma nova tradio. Voc disse, da ltima vez que viemos
aqui, que se eu fosse pagar eu teria que te dar um beijo. Eu gostei disso. De
agora em diante, toda vez que viermos aqui, se eu pagar, eu tenho que te beijar.
- E se eu pagar?
- Ento voc  quem tem que me beijar.
- Promete? Katie levantou uma sobrancelha.
Rick sorriu pra ela e a beijou de novo, dessa vez na testa. Foi meigo, como uma
beno ou um gesto fraternal de carinho. Ela deixou o calor do beijo dele na
testa dela acalmar seu interior. Talvez, pela primeira vez, Katie ficou contente
com os gestos de carinho de Rick. Ela no teve que tentar esconder uma
expresso de decepo porque ele no a envolveu em seus fortes braos, a
rodopiou como um danarino num salo de festas, e plantou um grande beijo em
seus lbios.
Ele estava mostrando a ela que gostava dela. Que a adorava. Por que ela no
tinha visto a intenes dele dessa maneira antes?
O carinhoso Rick e a apaixonada Katie sentaram-se um de frente para o outro em
uma das pequenas mesas do canto. Eles, confortavelmente, cruzaram seus ps
um no outro e compartilharam os sabores de seus sorvetes. A iluminao baixa e
amarelada das lmpadas que estavam penduradas e a inspiradora msica italiana
ao fundo fizeram do momento deles algo to romntico para Katie como se eles
estivessem lado a lado numa gndola descendo um canal de Veneza.
Rick alcanou o cabelo de Katie e passou a mo sobre ele, depois tocou sua
bochecha e disse a ela o quanto ele gostava do cabelo, das sardas e dos olhos
verdes dela.
- s vezes seus olhos ficam profundos, como jade, ele disse. Nessas horas eu sei
que voc est pensando muito.  como se a luz ficasse fosca do lado de fora
primeiro e depois do lado de dentro. H tambm momentos em que seus olhos
ficam da cor da grama ou das folhas na primavera. Eu sempre sei quando voc
est feliz. Seus olhos parecem primavera.
- Que cor eles esto agora? Katie entrelaou seus dedos nos dele.
- Cor da primavera. Definitivamente, primavera.
- Seus olhos esto cor de chocolate quente agora. Chocolate quente de verdade.
No o p de chocolate ao leite que vem num pacote. Esto como chocolate
escuro. Como o chocolate do meu sorvete. Katie, graciosamente, levantou uma
pequena colher cheia de sorvete e a colocou perto dos olhos de Rick. Ele fez uma
pose, arregalando os olhos enquanto ela fazia a comparao.
- No, seus olhos so mais escuros. Muito mais misteriosos.
Rick lanou pra ela um olhar elegante-homem-misterioso, posando como um
autor de romances de suspense, com uma mo no queixo.
Katie gargalhou.
- L vem voc.  esse olhar que voc quer no seu prximo carto de
apresentao. Ela levantou-se de seu assento. Ei, eu vou pegar um pouco de
gua. Voc quer beber algo?
- Sim, eu quero um Americano pra gente levar.
- Pra gente levar? A gente vai a algum lugar?
Rick checou seu relgio.
- Claro. Por que no? Quanto tempo voc ainda tem antes de perder seu
sapatinho de cristal e ficar trancada pra fora de seu dormitrio?
Katie levantou seu p.
- Nada de sapatinhos de cristal, veja, e no se esquea de que eu tenho a chave
mestra. Olha, rimou!
- Espertinha. Agora pegue o meu Americano e vamos.
- Ok, Sr. Chefinho. Eu pego e eu pago? Katie perguntou.
- No vejo porque voc no deva pagar. Rick deixou claro, que assim como Katie,
ele estava gostando da brincadeira e de tudo mais naquele encontro.
- Ok. Est bem. Ela pegou no brao dele, o puxou para cima, e marchou com ele
para a caixa registradora. Um Americano duplo e um ch mdio Darjeeling. Para
levar. Entendeu?
A mulher no caixa disse que sim e Katie tirou o dinheiro de seu bolso. Assim que
ela entregou o dinheiro, ela ficou na ponta dos ps e deu um delicado beijo na
bochecha de Rick. Sorrindo pra ele, ela disse.
- Eu acho que essa nova tradio vai funcionar muito bem.
Eles se foram com suas bebidas quentes e seus braos em volta um do outro.
- No est to frio como na outra noite que viemos aqui, Katie disse.
Olhando pra cima, ela viu um punhado de estrelas. A fina camada de nuvem que
normalmente bloqueava a viso do cu deles, nessa poca do ano, tinha
diminudo o suficiente para revelar um pouquinho das maravilhas brilhantes aqui
e ali.
- A noite est boa.
- Vai ficar melhor ainda quando chegarmos ao lugar para o qual estamos indo.
Rick abriu a porta do carro ao seu modo Prncipe Charmoso.
- Ah, uma pequena dica de para onde estamos indo. Voc no est o Senhor
Cavalheiro hoje  noite?
Rick pareceu gostar de ser o Senhor Cavalheiro. Ele manteve esse mesmo olhar
durante todo o percurso de volta para o campus da Rancho Corona. Katie ficou
um pouco decepcionada. Ela pensou que ele quis dizer que eles iriam para algum
lugar mais aventureiro como a praia, ou as montanhas, ou at mesmo o deserto.
Talvez Eli estivesse certo com relao a essa parte do sul da Califrnia ser um
timo lugar pra se viver. Em uma hora ns poderamos estar em qualquer um
desses lugares  praia, montanhas, deserto. Ento por que Rick quis vir aqui?
Ele continuou dirigindo depois de passar a virada para o dormitrio de Katie e
rumou para a parte mais alta do campus.
Ns estamos indo para aquele banco de madeira. O banco onde ele tentou
aquele desastroso teste de sabor do sorvete.  o banco onde eu estava sentada e
falei com ele alguns dias atrs quando ele me disse que no iria mais dar
prosseguimento ao caf no Arizona.
Katie estava certa. Rick estava a levando para o banco "deles". O que ela no
sabia era que as palmeiras ao longo da trilha estavam envolvidas em luzes pisca-
pisca brancas.
- Olhe! As rvores esto todas iluminadas! Adorei! Ela saiu do carro com seu copo
de ch em mos. Quando foi que eles fizeram isso?
- Eli me contou sobre isso. Ele trabalhou na fiao ontem. Parece que eles vo
armar coberturas amanh porque essa rea foi alugada para um grande nmero
de eventos durante os feriados. Cris e Ted iniciaram algo quando descobriram
que poderiam fazer o casamento deles aqui.
- Boa e velha Tia Marta. Foi ela quem descobriu isso aqui.
-  bonito, no ? Rick colocou seu brao em volta do ombro de Katie.
-  como um conto de fadas. Ela bebeu um pouco de seu ch enquanto
caminhavam. A cheirosa bebida estava na temperatura e no gosto exatos. Os
braos de Rick em volta dela a faziam se sentir bem.
Eles tinham descido alguns metros trilha abaixo quando Rick parou. Ele se virou,
assim ele e Katie ficaram face-a-face sob a mgica luz de centenas de pequenas
luzes brancas que acendiam seus coraes no ar calmo daquela noite. Os ventos
no alto das palmeiras estavam calmos. A faculdade e a cidade estavam em
silncio.
Tudo que Katie pde ouvir foi o som de seu corao acelerando assim que Rick se
aproximou. Seus olhos cor de chocolate estavam fixos nela e ela sabia. Ela sabia.
Era isso. Rick iria beij-la. Ele realmente, verdadeiramente, finalmente iria
beij-la!
                            Captulo 13
Katie fechou os seus olhos. Os lbios quentes de ch dela viraram-se para Rick
enquanto ela sentia que ele inclinava-se para mais perto. O momento foi to
perfeito quanto poderia ser.
Ela prendeu a respirao.
Rick beijou Katie.
O beijo dele no foi qualquer beijo. O beijo dele foi o beijo perfeito pelo qual
ela esperou por tanto tempo.
Eles demoraram tempo suficiente antes de se afastarem. Seus narizes tocaram-se
e, em um gesto de afeio, eles pararam por um momento com os seus narizes
lado a lado.
 medida que Rick se afastava, Katie abriu os seus olhos. Ela abriu a sua boca e
respirou fundo, pronta para dizer alguma coisa calorosa, graciosa e maravilhosa
para marcar esse momento para sempre no seu corao e mente.
Antes de uma palavra poder escapar, Rick colocou seu dedo nos lbios dela e
emitiu um suave, "Shhh".
Katie fechou os seus lbios e manteve todos os seus pensamentos e sentimentos
espontneos guardados. Nada precisava ser dito. Nenhuma declarao precisava
ser entregue para clarear o que acabara de acontecer. Ambos sabiam. Ela sabia.
Ela sabia que era a afirmao do crescimento do compromisso de Rick para com
ela.
Tudo relacionado ao "primeiro" beijo deles foi perfeito. Rick deu a ela esse
beijo. Ele no o roubou. E exatamente no mesmo momento, Katie deu a ele o seu
beijo em retorno. Ela sabia que tudo para eles havia acabado de mudar.
Avanando para a mo de Katie, Rick conduziu-a abaixo pela trilha de luzes
cintilantes. Eles no pararam e sentaram no banco, que parecia estar coberto
com gotas de orvalho. Em vez disso, eles permaneceram caminhando, de mos
dadas, atravs do silncio do caminho de luzes cintilantes. Katie pressionou os
seus lbios, revivendo as sensaes de calor e formigamento do beijo de Rick. Ela
pensou ter sentido o leve gosto de sorvete de menta com chocolate. Um pouco
do sorvete dela tinha se apegado aos seus lbios. Ou talvez fosse um pouco que
tinha se apegado aos lbios do Rick quando ele estava provando o sorvete de
Katie. Katie sorriu para si mesma, pensando no beijo envolvido em chocolate que
ela acabara de compartilhar com o seu namorado com olhos de chocolate.
Eles foram at o final do caminho de palmeiras iluminadas. Eles tinham os seus
braos ao redor um do outro agora e Katie descansou a sua cabea nos ombros
dele. Ele estava usando uma camisa plo de mangas-compridas e colarinho feita
de uma mistura de casimira. Ela sabia porque da ltima vez que ele usou ela o
tinha abraado e perguntado porque a blusa dele era to quente e confortvel.
Ento ela o fez ficar parado, com o queixo inclinado pra baixo, assim ela poderia
levantar a etiqueta e ver do que fora feito.
Nenhuma daquelas frenticas, normais, aes de Katie parecia parte dela agora.
Ela se sentia elegante e calma e - ousaria ela a dizer isso? Como uma princesa.
Enquanto Rick levava Katie para o dormitrio, eles seguraram as mos e
roubaram olhares um do outro. Ambos estavam sorrindo, mas nenhum dos dois
falava. At mesmo isso parecia certo e ajustado. Quando ele a encaminhava para
a porta do dormitrio dela, Rick encaixou Katie nos braos dele e segurou-a perto
dele por alguns momentos.
- Vejo voc amanh, ele sussurrou no cabelo dela.
- Amanh, ela ecoou.
Ele a deixou lentamente e voltou-se, olhando para trs e acenando antes de
entrar no carro dele. Katie permaneceu na frente do Crown Hall, assistindo o
carro dele desaparecer, ainda com olhos sonhadores e ofuscados. Quando as
luzes traseiras no eram mais visveis, ela finalmente se voltou e usou a sua
chave-mestra para abrir a porta. Uns poucos estudantes estavam conversando no
salo de entrada. Outros ainda estavam acordados no andar dela, enquanto ela
flutuava pelo longo corredor at o esconderijo dela bem no final.
Katie destrancou a porta do seu quarto, ligou a luz e entrou. A primeira coisa que
ela viu foi um formidvel buqu com uma dzia de rosas brancas.
Dessa vez Katie sabia que as flores eram de Rick. Rick Doyle, voc planejou essa
noite at a ltima luz reluzente e rosa branca, no foi?
No topo do envelope do carto estava colado um papel rosa de Nicole que dizia,
"Eu coloquei as flores dentro do seu quarto para que elas no ficassem esperando
na mesa da frente a noite inteira. Sabia que voc no se importaria. Muito feliz
por voc! N."
Abrindo o carto de presente, Katie ligou a luz sobre a escrivaninha. Ela prendeu
a respirao na lnguida fragrncia das delicadas rosas antes de ler o carto,
escrito  mo por Rick.
"Bem aventurados so os puros de corao, porque eles vero a Deus."
Rosas brancas representam pureza de corao.
Katie, eu vejo Deus trabalhando em nosso relacionamento e eu me sinto muito
abenoado.
Voc  linda.
Seu namorado, Rick.
Ela leu o carto trs vezes antes de coloc-lo de volta no envelope. No era o
que ela esperava que o carto dissesse, ainda que o sentimento fosse doce e
parecesse que Rick tinha gastado tempo pensando antes de escrever.
Arrancando uma das rosas brancas do buqu, Katie comprimiu-a debaixo do seu
travesseiro. Ela sabia que no precisaria de ajuda para fazer com que seus sonhos
fossem sobre Rick essa noite, mas uma pequena flor debaixo do travesseiro da
pessoa nunca  demais.
Manter-se flutuante em seu mundo dos sonhos no foi difcil essa noite ou at
mesmo na manh seguinte, quando ela se apressou para a aula. De um jeito
louco, porm feliz, a inocncia disso tudo estava dando a ela uma sensao que
durou mais do que ela pensou que duraria. A parte engraada era que ela no
queria contar para ningum. Ela no queria se apressar para o quarto de Nicole
ou ligar para Cris. Por agora, isso era a experincia especial compartilhada por
Rick e Katie e no alguma coisa que Katie estivesse pronta para colocar em
discusso.
Uma coisa ela tinha certeza sobre o evento da Noite da Pizza: ela queria parecer
bem. E cheirar bem.
Com duas horas inteiras para se preparar, Katie revistou uma caixa no cho do
seu armrio procurando pra ver se ela tinha algum gel de banho no utilizado ou
loes que poderiam realmente somar algo ao seu banho. Ela encontrou uma
espuma em spray perfumado de pssego para se depilar, mais da mscara facial
verde de Nicole e uma caixa de clareador de cabelos. Ela tinha comprado a caixa
no comeo do vero quando ela estava se sentindo deprimida por trabalhar todos
os dias e tambm por ir para a escola de vero. J que ela no poderia gastar
tempo l fora no sol ou ir  praia, ela calculou que poderia muito bem parecer
que tinha feito isso.
Seu vero estivera, no entanto, ocupado demais para um pequeno mimo e Katie
nunca tinha aplicado o clareador no seu cabelo. Ela tinha tempo hoje. Checando
a data de validade na caixa, ela leu as instrues e decidiu:
- Por que no?
Colocando pra fora todo o contedo, Katie foi passo-a-passo, espremendo a
soluo do iluminador dentro da pequena bandeja de plstico e misturando-a
com a mistura fedorenta da outro pequeno pote. Com um pequeno rodo de
plstico engraado, ela aplicou a coisa pastosa em seu cabelo comeando em
uma parte, conforme as instrues indicavam.
Uma vez que os seus cabelos estavam profundamente imersos na soluo acre,
Katie colocou a touca de plstico fornecida e checou o relgio. Ela tinha que
esperar de doze a dezessete minutos antes de enxaguar. Dando o pontap inicial
no modo multitarefa, ela aplicou a mscara facial e prontamente abriu a janela e
virou-se para o seu pequeno ventilador. A combinao de todas as fragrncias era
demais. Ela decidiu esperar para usar a espuma depilatria de pssego no
momento do banho.
Com a sua energia restante, Katie trocou os lenis da cama dela, alisou o seu
edredom e estendeu as roupas que ela queria usar. Levou exatamente doze
minutos. Ela desceu ao corredor que d para o banheiro, evitando ser vista por
algum. Uma vez no chuveiro, ela assistiu enquanto a cor dos seus cabelos e o
verde do seu rosto concentravam-se no chuveiro, fazendo uma sombra estranha
de marrom no azulejo.
O spray de espuma depilatria de pssego refrescou bem o ar e Katie saiu do
chuveiro bem quando outras trs mulheres do andar entraram com pressa de se
prepararem para a noite. As trs estavam conversando sobre a noite da pizza.
Katie sentiu uma pontada de decepo, ou talvez fosse cime, j que nenhuma
das mulheres do seu andar tinha parecido to empolgada quanto agora com o
"Evento do Hall" que ela tinha organizado no comeo do ano. Aquele evento no
era para ser um encontro de casais e muita gente no conhecia uns aos outros
ainda. Mas agora j tinha passado muito tempo daquele ano para que eles
comeassem a ficar empolgados com os eventos sociais. Ela sabia que deveria
estar agradecida pelo entusiasmo estar alto para o evento dessa noite.
To logo ela entrou em seu quarto, Katie permaneceu na frente do espelho com
a toalha ainda enrolada em volta da sua cabea. Uma erupo de remorso por
estar correndo risco veio sobre ela. E se essa for uma das coisas mais
precipitadas que voc j fez? E se no for? E se voc acabar gostando disso? S
tem uma maneira de descobrir.
Mas ainda no.
Ela virou as costas para o espelho, procurando ao redor pelo seu secador e se
apoiou na cintura enquanto secava a parte de baixo do seu cabelo primeiro.
Levantando-se e dando uma pequena balanada na cabea, ela rapidamente
secou o restante do seu cabelo sacudindo-o desordenadamente. Ela queria que
ele parecesse despojado quando virasse.
Desligando o secador e respirando profundamente, Katie soltou um "ta-r"
otimista e virou.
O que ela viu no espelho a chocou.
Seu cabelo estava maravilhoso.
Ela amou. A identidade ruiva dela ainda era dominante, mas as luzes deram um
destaque beijado de sol, um toque loiro que clareou o semblante dela e
acentuou o seu rosto brilhante, graas  mscara verde.
- Eu no acredito, ela murmurou. Eu fiz alguma coisa que deu certo. Eu amei
meu cabelo!
Esse momento, no importava o quo pequena era a vitria, no era para ser
desperdiado. Katie se vestiu rapidamente, se divertiu um pouco com a sua
maquiagem e ento se levantou de novo e tirou uma foto de si prpria com o seu
telefone celular.
Ela enviou a foto para Cris com uma mensagem de texto dizendo: "Eu clareei o
meu cabelo. Amei!!!"
Katie olhou no relgio e percebeu que as suas pequenas vitrias continuavam. Ela
estava pronta e estava adiantada. Subitamente, ela era uma mulher com opes.
Ela poderia ir ao salo de entrada e ajudar caso os seus companheiros ARs
encarregados do evento precisassem dela. Ela poderia tirar um super cochilo. Ela
poderia checar o seu e-mail. Ela poderia passear corredor abaixo e ver quantos
elogios receberia pelo seu novo look.
Isso era timo. A vida era doce. Katie no se lembrava da ltima vez em que se
sentira assim.
Com um sorriso para si prpria no espelho, ela pensou: Talvez o beijo de Rick na
noite passada realmente tenha me tornado uma princesa.
O pensamento a encantou, assim como a lembrana do beijo dele. J era quase a
octogsima vez que ela pensava sobre isso. E todas as vezes que ela considerava
o jeito que ele tinha sido to romntico beijando-a, Katie sorria. O sorriso se
formava apenas nos cantos dos seus lbios fechados. Um sorriso de Monalisa.
Como Monalisa, Katie tinha um segredo. Um segredo delicioso. Um segredo que
ela eventualmente revelaria a Cris. Mas no momento, o segredo dela no estava
diludo. Era somente dela. Dela e do Rick.
Eu queria saber se o Rick j contou para algum. Os rapazes fazem isso? Para
quem ele poderia contar? Eli? Ted? E se ele tiver contado para o seu irmo ou
para os seus pais? Eles vo me olhar de maneira diferente quando me virem no
dia de Ao de Graas?
Katie decidiu que ela definitivamente deveria contar para Nicole. E para Julia.
Esse seria um bom momento da vida dela para compartilhar com Julia e
comemorar de alguma forma. Oh, e Trcia. Trcia ficaria sabendo eventualmente,
j que Rick, Ted e o marido de Trcia, Douglas, eram to prximos. Trcia deveria
ouvir essa novidade de Katie antes de ouv-la de Douglas.
E Selena! Eu deveria mandar um e-mail para ela no Brasil e contar a ela. Quanto
tempo eu tenho agora?
Checando o relgio na escrivaninha outra vez, Katie decidiu esperar para enviar o
e-mail a Selena. Ela avanou para um dos botes de rosa branca e tirou-o do
vaso. Seria divertido usar a rosa de alguma forma esta noite, mesmo que fosse
somente uma noite da pizza e no uma noite de baile.
Katie tentou descobrir uma forma dela poder afixar a flor no seu cabelo. No deu
certo. Ela tentou atrs da orelha, no estilo havaiano. No ficou bom. Entre os
dentes, no estilo de uma danarina latina de flamenco? Ela ergueu as suas mos
de lado e bateu-as duas vezes, pisando no salto do sapato dela para dar nfase.
No.
A rosa foi levada de volta para o vaso e Katie foi para fora do quarto. Passeando
corredor abaixo, ela bateu na porta de Nicole e encontrou a sua companheira de
andar no meio de uma tentativa na qual Nicole chamava"Possibilidade de roupa
nmero quatro. No, nmero cinco."
Vendo as opes empilhadas na cama de Nicole, Katie disse:
- Agora,  por isso que eu estou subitamente contente por ter um guarda-roupas
minimalista. Eu levaria umas seis horas para vasculhar todas as combinaes que
voc tem aqui.
Nicole puxou uma camiseta branca sobre a sua cabea e, enquanto fazia isso, ela
notou o cabelo de Katie.
- Katie, o seu cabelo! Eu amei! Quando voc teve tempo para fazer isso?
- Eu fiz uma hora atrs.
- Voc mesma fez? Eu estou impressionada. Est deslumbrante.
- Obrigada. Katie virou-se para olhar a sua imagem no espelho de Nicole. No
reflexo, ela viu Nicole alisando os lados da camiseta branca e olhando pensativa.
- Voc acha que essa camiseta est muito sem graa?
- No se voc a usar com uma de suas jias divertidas. E quanto a um de seus
colares de conta?
- tima idia. Nicole correu para a parede prxima  sua escrivaninha onde todos
os seus acessrios estavam pendurados em uma ordenao fashion, parecendo
mais uma pea de arte tridimensional do que um espao til para guardar coisas.
- Experimente o vermelho. Ou o turquesa com prata. Katie sugeriu. Ela deu um
passo  frente e tirou um dos colares do gancho. Esse  fofo. Voc se importaria
de me emprestar?
- Claro que no. Ele vai ficar timo com a sua blusa azul. O que voc acha desse?
- Fantabuloso12. Nada que voc deva se preocupar. Voc sempre fica tima. E,
alm disso, Eli  do tipo de cara de estilo discreto, assim voc no precisa se
sentir como se voc estivesse tentando impression-lo.
Nicole deu a Katie um sorriso apreciativo.
- Obrigada por me arranjar com ele. Eu ainda sinto que isso  humilhante, mas
pelo menos eu tenho um acompanhante. Estar com voc e com o Rick vai tornar
isso divertido.
- Vai ser definitivamente divertido. Voc j est quase pronta?
- J. Deixe-me encontrar meus sapatos e escovar meus dentes. No vai demorar
muito. Voc pode ir  frente. Eu no quero faz-la se atrasar.
- No vou me atrasar. Eu estou adiantada.
Nicole chegou o seu relgio.
- Est mesmo!
- Eu sei.  como a noite do universo alternativo de Katie. Meu cabelo ficou
timo, eu gosto do que eu estou vestindo e eu estou adiantada. Isso nunca
acontece. Com uma balanada nas pontas dos seus cabelos, Katie disse: Eu acho
que eu vou saltar a caminho do salo de entrada e talvez cantar uma pequena
cano. Terra de contos de fadas combina comigo, no acha?
- Definitivamente. Se minha me estivesse aqui agora, ela diria que o Senhor est

12
     Neologismo da Katie. Fantstico com fabuloso.
abenoando-a e ela citaria Tiago 1:17.
- Por que Tiago 1:17?
- Diz, ,,Tudo de bom que recebemos e tudo o que  perfeito vem do cu, vem de
Deus, o Criador das luzes do cu.
- E porque sua me citaria esse versculo bem agora? Katie sabia que o pai de
Nicole era pastor, ento no era incomum que Nicole tivesse crescido com
versculos bblicos como uma parte de sua vida diria. Contudo, Katie no estava
certa do que esse significava.
- Minha me sempre cita esse versculo quando as coisas vo bem. Ela diz que ns
devemos apreciar todos os presentes que Deus nos d, inclusive os momentos
divertidos com amigos e at mesmo ,,noites de cabelo bom.
Katie queria contar a Nicole sobre certo presente "bom e perfeito" que ela tinha
recebido na noite passada na forma de certo beijo de certo Prncipe Encantado.
Ela se segurou, contudo. Elas no tinham muito tempo. Esse assunto seria mais
bem conversado quando tivessem mais tempo de discusso disponvel.
- Eu estou indo na frente, Katie disse. Vejo voc em alguns minutos.
Sentindo-se radiante enquanto entrava no salo principal, a primeira pessoa que
Katie viu foi Eli. Ele sorriu quando a viu. O cabelo dele no estava desgrenhado
como o usual. Ele parecia limpo, do jeito que ele estava no casamento de Cris e
Ted, quando Katie o encontrara pela primeira vez.
- Rick deve estar aqui em alguns minutos, Eli disse.
- Nicole tambm. Aqui, quero dizer. Ela est vindo. Tambm.
Eli acenou com a cabea enquanto Katie respirava e tentava dizer ao seu crebro
que ela realmente precisava lembrar-se de usar frases completas quando ela
estivesse prxima desse cara.
- Eu tenho uma pergunta para voc, Eli disse.
- Ok.
Raios! Isso ainda foi uma nica palavra.
- Rick me contou sobre a confuso com o buqu que foi entregue aqui.
- Sim, foi uma confuso enorme. Deu tudo certo no final, graas ao Rick.
A. Agora voc soa normal. Continue normal.
- Quando voc me ligou outro dia, voc estava tentando ver se era eu que tinha
lhe enviado as flores?
- Mais ou menos. Eu estava pescando pistas.
Eli inclinou-se para frente e olhou para ela mais intensamente.
- Por que voc pensaria que era eu que tinha enviado as flores para voc?
- Por causa do carto. Rick te contou o que ele dizia?
- No.
- Ele dizia, ,,Obrigado por dizer sim. Eu pensei que talvez isso significasse sim
para ir ao deserto, o que foi maravilhoso, a propsito. Eu fiquei pensando sobre
todas aquelas estrelas, como alguns minutos atrs quando Nicole estava citando
para mim um versculo sobre como bons presentes vem do Pai das luzes do cu,
eu imediatamente vi uma imagem na minha mente de todas aquelas estrelas . Eu
disse ao Rick que ns precisamos sair e ir at l. Quero dizer, ele e eu estamos
saindo, bvio, mas eu quero dizer sairmos para ir ao deserto algum dia.
Eli acenava com a cabea, compreendendo as frases rpidas de Katie.
Ok, agora voc est usando palavras demais. Diminua um pouco.
O salo de entrada estava se enchendo de gente rapidamente e o volume das
conversas estava aumentando. Katie olhou para a porta esperando por Rick e
ento virava na outra direo para ver se Nicole estava chegando. Quando ela
virou de volta para Eli, ele parecia estar estudando-a com o seu olhar
penetrante.
Em um esforo para agir como seu eu "normal", Katie formou um retngulo com
o polegar e o indicador nas duas mos.
- Tire uma foto, amigo. Dura mais.
- Mais que o qu?
- Mais do que encarar. Voc estava me encarando.
- Desculpe. Um velho hbito. De uma rvore. Quando eu era uma criana. Agora
era Eli quem estava com frases parciais.
Katie inclinou a cabea, esperando uma explicao.
- Em Zmbia?
Ele acenou confirmando.
- Ns morvamos em um complexo, um lote com vrias casas. Havia uma grande
rvore que era perfeita para escalar. Era bem prxima do posto de sade. Eu
costumava me esconder l, assistindo todas as pessoas irem ao posto. Eu podia
me esconder l por muito tempo antes de algum me notar e me dizer para
descer de l.
- Bem, aqui vai uma pequena sugesto amigvel, se voc no se importar de eu
lhe dar. A maioria das garotas no gosta de ser estudadas. Ento esta noite,
enquanto voc estiver com Nicole, tente se lembrar de que voc no est em
cima de uma rvore. Voc estar com a minha amiga e ela  maravilhosa e ns
teremos um bom momento juntos, ento voc pode apenas relaxar.
- Entendi, Eli disse.
Katie olhou atravs da multido procurando por Nicole e ento para a porta da
frente procurando por Rick.
- E se ns tivermos um sinal? Eli perguntou.
- Um sinal para qu?
- Esta noite, se voc me vir agindo como uma estranha criana da frica, voc
pode me dar um sinal para eu perceber.
Quando Katie olhou para Eli, ela percebeu pela primeira vez que ele poderia
estar nervoso sobre esse encontro. Ela sabia que se ela estivesse nesta posio,
sobre ir a um encontro s escuras, ela estaria nervosa tambm. Katie nunca
apreciou ser a sobra que seria arranjada com os amigos de outras pessoas.
Especialmente de ltima hora. Sua empatia por Eli cresceu.
- Ok, ela disse. Aqui est o meu favorito. Est pronto? Katie coou a sobrancelha
direita e jogou o cabelo para trs.
- V em frente, Eli disse. Qual  o sinal?
- Aqui est. Ela fez de novo.
- Pareceu algo to natural.
- Bem, Einstein, esse  o ponto. Voc no quer um sinal com esse. Ela bateu em
seu ombro direito duas vezes e, com trs dedos, bateu em seu antebrao.
Eli riu e em um profundo suspiro, ele pareceu relaxar totalmente.
- Voc joga baseball, no joga?
- Softball, normalmente. E voc?
- Eu cresci jogando futebol. Beisebol est na minha lista de esportes para
experimentar enquanto eu estiver aqui. Eu ainda no tive oportunidade.
- Ns temos que ver o que podemos fazer para mudar isso. Eu estou louca, h
muito tempo, por um bom jogo no campo de baseball. No h nada melhor do
que um grande jogo de softball num sbado  tarde. Exceto no vero.  quando
os jogos noturnos so os melhores. O ar  muito bom e o jeito que a terra se
levanta das bases nos holofotes,  como...
Antes de Katie terminar a sentena ela viu Nicole timidamente parada atrs de
Eli, esperando que Katie terminasse.
- Oh, ei. Nicole est aqui. Bom. Nicole, este  Eli. Eli conhea a Nicole.
Nicole estava tima. Os modos dela eram perfeitos. Ela veio casual e com uma
roupa fresca e Eli compreendia cada palavra que ela falava, inclinando a cabea
e escutando cuidadosamente. Quando pareceu que ele estava caminhando para
ser tornar um pouco mais focado, Katie deu alguns passos e parou bem atrs de
Nicole. Ela passou a mo sobre sua sobrancelha e jogou os seus cabelos para trs.
Eli captou a dica de Katie e respondeu com um sinal  altura. Ele alisou o seu
cavanhaque com o polegar e o indicador. Pelo menos Katie pensava que era um
sinal de retorno. Foi bonitinho. Se fosse o seu sinal de "Okay", Eli o transmitiu
sem esforo e sem tirar os olhos de Nicole. Mas a sua postura relaxou e ele
pareceu menos intenso, o que era bom.
Katie olhou em volta e viu Rick parado h mais ou menos duzentos metros de
distncia e olhando na direo dela com um grande sorriso no seu rosto bonito.
Katie piscou para ele, como se isso fosse seu sinal especial de ol para ele. Sua
"piscada de Monalisa", como ela resolveu cham-lo.
Rick no piscou de volta.
Ela levantou a sua mo em um pequeno aceno e Rick pareceu mover o seu olhar
de Nicole para Katie. Ele levantou a mo e acenou para ela vir at onde ele
estava.
Meu prncipe chegou.
                             Captulo 14
- Voc parece tima, Rick disse.
- Voc tambm. Katie colocou a mo na de Rick.
Com um gesto discreto, ele perguntou:
- Como esto indo aqueles dois?
- Muito bem na verdade. Eu acho que Eli estava nervoso. Foi fofo.
- Ele estava nervoso, tudo bem. Aparentemente ele no tem tido muitos
encontros desde que se mudou pros Estados Unidos. E a Nicole? Estava nervosa
tambm?
- At que no. Ela mudou de roupa vrias vezes at decidir o que usar. Mas isso 
normal. Especialmente quando voc tem vrias opes para escolher como ela
tem.
Rick parecia estar estudando Nicole enquanto Katie falava.
- Ela fez uma boa escolha. Est fantstica.
Katie deu um passo atrs e deu a Rick um olhar curioso.
- O que? Ele perguntou, vendo a expresso dela.
- Se eu no soubesse bem, eu diria que voc a est checando de mais.
- Eu s estou dizendo que ela fez uma boa escolha. Voc disse que ela mudou
vrias vezes.
- Eu sei. OK, vamos l. Katie puxou Rick pelo salo lotado, ansiosa em deixar
para trs esse assunto antes que ela e Rick comeassem uma discusso.
- Eu tenho que fazer um anncio.
Katie fez seu caminho para o centro do salo e teve a ajuda de Rick para subir na
mesa de caf.
- Ok, todos, escutem!
Como a conversa no parou, Katie colocou os dois dedos nos lbios e deu um
assobio. Isso chamou a ateno.
- Obrigada! Oi, Sejam Bem Vindos! Se vocs esto aqui pela Noite da Pizza de
Casais, esto no lugar certo. Se vocs esto para o estudo da turma 101 de
Biologia, vocs no esto no lugar certo.
A piada dela no surtiu muito efeito ento Katie decidiu ir direto ao ponto.
- Ok, ento assim ser nossa noite. Talita e sua tropa esto do outro lado na
cafeteria preparando tudo para ns irmos como um time fazer pizzas. Todos
precisam ter um time de 4 pessoas. Se voc no tem 4 no seu grupo ainda, voc
tem a chance de achar outro casal mas... Espera! Escutem! No tentem achar os
pares ainda. Deixe-me terminar as instrues primeiro.
As vozes no local cheio continuavam a aumentar ento Katie teve de assobiar de
novo. Ela olhou a expresso de Rick, ele no parecia ter gostado. Ela guardou a
expresso de desaprovao dele.
- Ento todos iro caminhar at a cafeteria e ficar em grupos de 4 pessoas. Cada
grupo ter a massa de pizza, molho e queijo na mesa. Ento vocs podero
selecionar no mximo 5 recheios e iro fazer suas pizzas o mais criativo que cada
um puder. Seu grupo ir comer sua prpria pizza, ento no coloquem nenhum
objeto estranho.
- Como um sapato! O comentrio veio de Vick e estava ligado a uma piada
interna entre ela e Katie. Estava se referindo ao incidente do ano anterior
quando Katie colocou um sapato de Vick em um forno. A forma que todos riram
parecia que mais pessoas sabiam sobre o incidente com o sapato.
- Continue, Katie. Julia estava do outro lado de Katie e mencionava que ela
podia completar as instrues antes de se perder na multido.
- As pizzas sero premiadas por categoria ento se divirtam, escolham seus
grupos de 4 pessoas, e  isso. Vocs podem ir para a cafeteria agora.
A agitao de vozes imediatamente cresceu assim que Katie terminou de falar e
desceu da mesa de caf.
- Por que eu aceitei fazer isso? Ela perguntou a Rick. Talita poderia dar as
instrues.
- Sim, mas a Talita conseguiria assobiar como voc? Rick perguntou.
- Provavelmente no.
- Ento eu acho que voc tem a resposta. Vamos tentar achar Nicole e Eli antes
que eles sejam atropelados.
Rick fez um caminho pelas pessoas se movendo at onde estavam Eli e Nicole
onde Katie os deixou. Nicole parecia um pouco frustrada, mas se iluminou
quando viu Rick e Katie.
Os quatro andaram pelo campus com Rick conduzindo a conversa. Eles entraram
na cafeteria e acharam uma rea aberta com os ingredientes bsicos para pizza
deles. Alguns grupos j estavam colocando calabresa, azeitonas e vrios outros
recheios.
Eles se posicionaram em volta da mesa e olharam um para o outro.
- Eu pensei que poderamos fazer uma grande face feliz, Katie disse. Vocs
sabem, olhos de calabresa e...
- Ou, Rick disse, ns podemos focar em fazer a mais gostosa j que ns vamos
com-la.
- Mas  uma competio de formas, Katie disse.
- E ns temos que com-la, Rick repetiu. Dois olhos de calabresa para quatro
pessoas no  uma boa escolha.
- E se ns tentarmos fazer uma fofa e deliciosa? Nicole perguntou. Ns podemos
tentar fazer uma forma nica. No precisa ser redonda, precisa? Ns podemos
fazer de uma forma diferente, como uma casa.
- Uma casa? Katie repetiu.
- Nicole chegou no ponto, Rick disse. Talvez no uma casa, mas alguma outra
coisa. Gostei como voc conduziu, Nicole.
Katie sentiu como se estivesse virando uma grande produo maior do que ela
esperava. Ela tinha um dono/chef de um caf em seu time com uma grande
criatividade. Virando para Eli ela disse:
- O que voc acha?
- Eu no sou um expert na rea, ento eu vou deixar vocs me dizerem o que
precisam que eu faa.
Rick puxou para cima suas mangas.
- Me deixe lavar as mos e eu irei trabalhar na massa. Vocs vejam qual recheio
ns podemos usar. Peguem cogumelos, lingia e cebolinha, se eles tiverem
alguma. Ns precisamos disso, o gosto  muito bom.
Rick saiu do restaurante e Katie virou para Nicole.
- Cebolinhas?
- So como pequenas cebolas. Voc quer que eu v buscar os recheios?
- tima idia, Katie disse. Para surpresa dela, Eli no seguiu Nicole e Nicole no
pareceu notar que no havia ningum com ela.
- Ento, Katie disse, Como est indo com Nicole?
Eli parecia muito mais relaxado do que mais cedo. Ele no deu nenhuma
resposta. Ao invs ele disse:
- Seu cabelo est timo.
Katie j havia esquecido que descoloriu o cabelo.
- Oh, obrigada.
Ela lembrou que Rick no disse nada. Ele geralmente era bem atencioso, mas
aparentemente ele no havia notado.
Quando ele voltou e colocou as mos na massa, Katie disse:
- Voc notou meu cabelo?
- Eu notei, parece bom, ele disse, a ateno dele estava na massa.
- Ns podemos decidir o formato da pizza?
Nicole chegou cheia de coisas para o recheio.
- Eu tive uma idia. E se ns a fizermos retangular como um quadro? Vocs
sabem, muitas azeitonas em volta para fazer uma moldura. Ento ns podemos
fazer um quadro com todos esses diferentes recheios.
- Voc diz uma foto da Monalisa? Katie perguntou.
Nicole riu.
- Eu no sou to ambiciosa! Eu estava pensando em algo simples como uma
paisagem.
Katie no tinha pegado a viso, mas Rick parecia estar na mesma linha que
Nicole. Ele habilidosamente colocou a massa na forma retangular e fez as bordas
enquanto Nicole colocava as fileiras de azeitonas. Eli e Katie assistiam.
- Isso  ruim, ns no podemos usar essa pasta ao invs de molho de tomate, Rick
disse. Ns podemos fazer uma paisagem mais realista com uma base de verde.
Esse espinafre ir servir bem, para o topo da rvore. Boa escolha com o
espinafre.
Katie queria rir, mas manteve a vontade pra si mesma. Nunca em um milho de
anos ela esperaria ver Rick trabalhando em uma pizza, ainda mais como ele era,
fazendo uma rvore com lingia e dizendo a Katie para ,,trabalhar com os
cogumelos para fazer com que eles paream flores.
- Por que eles no podem ser apenas o que so? Um monte de cogumelos?
Rick estava decidido a fazer o design para Nicole, que tinha uma faca apenas pro
caso de precisar cortar a calabresa em formas especificas.
- Eu vou procurar alguma coisa pra gente beber, Katie disse. Toda essa
criatividade est me dando sede.
- Eu vou com voc, Eli disse.
Os dois passaram pelo resto dos outros grupos e pararam ombro a ombro para ver
o que estava acontecendo. A maioria deles estava apenas colocando o molho
numa no to redonda pizza e colocando a calabresa de uma forma no to
criativa ou escrevendo suas iniciais com azeitonas.
- Olha l. Eli apontou para o grupo de Vick no final da mesa. Segunda carinha
feliz que eu vejo.
- Ok, ento eu no sou original.
Ele parou Katie e olhou para ela com um olhar intenso.
- Sim, voc . Voc definitivamente  original.
- Ok, ela disse vagarosamente. Eu sou original. Mas minha decorao de pizza
no parece.
Eles estavam prximos  mquina de refrigerante e Eli estava pegando copos com
gelo.
- Ns podemos ir l e pegar bebidas para todos. O que voc acha?
- Certo. Pode ser uma coisa boa a fazer. Ela procurou por uma bandeja de
cafeteria e cada um deles encheu as bandejas com copos cheios de gelo e
refrigerantes. Eles andaram em volta, oferecendo as pessoas uma bebida. Katie
gostava de fazer esse tipo de coisa. Isso dava a ela a chance de interagir com
todos.
Eli parecia gostar de servir bem. Ele no tinha muito a dizer para todos, mas ele
conhecia mais pessoas do que Katie e ele se lembrava de todos pelo nome.
Os dois fizeram uma segunda rodada de bebidas. Quando eles chegaram de volta
na mesa deles, Rick e Nicole estavam prontos para alguns copos de refrigerante.
- Isto ir caber no forno? Katie perguntou, porque a pizza deles era a maior da
mesa.
- Sim. Rick passou o brao pelos ombros de Katie. Espere para ver nosso prmio
de maior pedao.
- Melhor ainda, Nicole adicionou, Espero para ver Julia e Greg e os outros jurados
virem isso. Eu acho que ns j ganhamos a competio fora da cozinha.
Rick riu e levantou seu copo plstico para brindar com Nicole pela grande
contribuio dela. Os dois brindaram. Katie virou para Eli, para inclu-lo no
brinde. Enquanto Katie bebia um pouco de seu refrigerante, ela notou que Rick
estava com o seu antigo sorriso de flerte para Nicole. Ele continuou com o brao
em volta de Katie e estava deixando claro que eles estavam juntos, mas o seu
sorriso para Nicole estava um pouco demais na opinio de Katie.
No comeo da semana Katie tinha pensado calorosamente do fato de que Rick
era muito mais seu agora do que na poca da escola.
- Bem na hora para checar nossa pizza, Rick disse pegando seu celular que estava
tocando.
- Voc colocou um alarme? Katie perguntou.
- Sim, no quero que nossa pizza queime. Vamos.
Os quatro deixaram a mesa e foram para o forno numero 6 do Crown Hall, os
ajudantes da cafeteria estavam com grandes ps de tirar pizza do forno.
- O tempo dessa j est bom, Rick disse, estando um pouco mais alto e esticando
o pescoo para ver o que estava acontecendo nos outros fornos. , parece que
ns vamos precisar de 3 minutos ou mais. Apenas para assar mais as bordas.
Nenhum dos outros estudantes estava dando direes especificas de cozimento
para os outros ajudantes. Pelos olhares dos outros, eles perceberam que estavam
sendo exigentes. Uma das pizzas no teve todo o queijo derretido. Os juzes
estavam colocando seus comentrios e, graciosamente, Julia disse que a pizza
precisava voltar ao forno. Depois de tudo, Katie viu que o evento tinha ido muito
bem. Todos estavam se divertindo e este era o objetivo. Todos exceto Nicole e
Eli. No que Nicole tivesse que dar ateno somente a ele, mas afinal era um
encontro. Os quatro assistiram sua pizza retangular sair do forno parecendo
muito boa.
Quando a pizza estava pronta para os jurados olharem, todos olharam e sorriram.
Rick mumurou:
- Ns estamos prontos pra vocs.
Ele virou para Nicole e bateu em uma de suas mos como um jogador de
basquete. Os dois agiram como se praticamente a vitoria j fosse deles.
O que est acontecendo aqui?
Katie tentou dar a si mesma alguma perspectiva. Ela lembrou a si mesma como
ela tinha ficado chata durante o vero quando Carley ganhou ateno extra de
Rick. Carley depois disse que ela estava fazendo um jogo para ver se ela poderia
fazer Rick not-la e isto era pra aborrecer Katie. O ideal de Carley era inusitado
e nasceu quando Katie considerou que ela era insegura.
Os esforos de Nicole para conseguir a ateno de Rick no vinham do mesmo
lugar. Ela no era como a Carley.
Eu estou sendo muito sensvel? A Nicole est apenas tentando se ajustar e ter
um tempo divertido e eu estou interpretando as intenes dela com Rick de
forma errada? Ento, o que tem de mais se eles tiveram um momento legal de
comprimentos de vitria?
Katie lembrou a si mesma que ela e Eli tambm tinham um sinal secreto que eles
inventaram antes do evento. Ainda, o gesto de Rick e Nicole no tinha includo
ela. Nicole poderia brindar com Eli e bater as mos com ele. Tentando afastar
esses pensamentos incmodos. Katie foi para perto de Rick enquanto estava
dando a bandeja com a pizza finalizada para os juzes. Os quatro estavam livres
para voltar pra mesa deles e mergulhar em sua criao. Com Katie ao seu lado,
Rick fez seu caminho mais longo at a mesa. Foi engraado ver todos pegando
seus pedaos de pizza simultaneamente e enfiando tudo na boca.
Oh, meu namorado competitivo! Voc me mata!
O processo de cozimento tirou um pouco as cores de sua moderna paisagem. As
fatias de cogumelos haviam ondulado agradavelmente e alguns deles no
pareciam flores. O tronco da arvore, feito de lingia, ficou bem marrom e as
folhas de espinafre ficaram bem com os pedaos de tomate imitando as mas.
Era uma paisagem surreal, mas funcionou bem.
- Eu tenho que cortar isso, Nicole disse enquanto os quatro estavam sentados
com a pizza na frente deles. Todos que passavam comentavam, incluindo
acusaes contra Nicole de que ela havia trazido um especialista para ganhar a
competio.
- Ele no est comigo, Nicole disse, olhando em volta como se ela estivesse
acabado de lembrar que ela tinha sado com Eli naquela noite. Rick  namorado
da Katie.
Depois de muito tempo temos que relembrar esse fato significante, eu estou
pronta para colocar minha apreenso de lado e no deixar que nada de louco
acontea.
Nicole sorriu para Eli, que estava sentado do outro lado da mesa em frente a ela
e disse:
- Obrigada por ter trazido bebidas pra ns Eli.
- Era o mnimo que eu podia fazer para uma artista to focada, ele disse.
Nicole levantou de seu lugar do outro lado de Rick e deu a volta na mesa onde Eli
estava sentado sozinho. Ele parecia feliz que eles tivessem esse encontro e Katie
poderia se acalmar e finalmente sentir pronta para aproveitar o encontro duplo
deles.
- Quem quer ter a honra de cortar o primeiro pedao? Rick perguntou.
- Espere! Katie disse. Ns devemos tirar uma foto primeiro. Onde est seu
telefone com cmera?
Rick pegou o celular e tirou varias fotos. Ele tirou uma de Eli e Nicole parados
lado a lado sorrindo. Katie pensou que eles faziam um belo casal. Ela desejou
que Nicole pensasse a mesma coisa quando visse a foto. Nicole, no entanto, no
pareceu ter sentimentos por Eli de uma forma ou de outra, mesmo depois de Rick
ter enviado a foto por e-mail no sbado de manh. Ela e Katie estavam dirigindo
pela cidade para comprar algum "bom" caf na Bella Barista quando Katie
comeou a falar da Noite da Pizza de Casais com Nicole.
- Ento quais foram seus pensamentos sobre Eli? Katie perguntou.
Nivole virou para ela, fez uma cara de "mais ou menos" e manteve os olhos na
estrada.
- Ele  um cara profundo e cuidadoso, Katie disse. Voc deveria ver como as
pessoas reagiram com ele quando ns estvamos distribuindo as bebidas. Ele
conhece cada um do campus e todos pareciam respeit-lo.
- Ele  um cara legal, Nicole disse.
- Mas...
- Mas ele no  muito meu tipo.
- O que  seu tipo? Mais como o Rick, certo?
Nicole sorriu para Katie com um pouco de pnico ou outra coisa menos tranqila
em sua expresso.
- Eu acho o tipo do Rick timo, Nicole disse rapidamente. Ele  doido por voc.
Ele no teria um irmo?
Katie sentiu seus ombros relaxarem.
- Sim, de fato, Rick tem um irmo.
- Ele tem?
- O nome dele  Josh e, quer saber? No  uma m idia afinal! Eu posso ver voc
com o Josh. Eu estava mesmo para te chamar para ir ao Jantar de Ao de
Graas na casa dos Doyles. Isso seria otimo! Voc gostaria de vir?
- Voc tem certeza que est tudo bem com os pais do Rick?
- Sim. Ele j perguntou a me dele. Ele est convidando Eli e eu estou
convidando voc.
Nicole sorriu para Katie de novo.
- Eli tambm vai?
- Sim, apenas porque Rick o convidou. Eu nem sei se ele vai mesmo, mas foi
convidado, assim como voc. Voc ficaria desconfortvel se ele fosse? Eu digo,
voc no viria para o Jantar de Ao de Graas porque o Eli poderia estar l?
- No, no, no. Eu realmente estou tentando no fazer um grande caso com
isso, Katie. Desculpe se pareceu isso. Eu apenas sinto que Eli no  pra mim,
sabe? Ele chegou de uma forma muito intensa, antes quando voc falava dele,
ele no parecia complicado. Eu gosto de caras mais complexos, sabe? Mais
misteriosos.
Katie pensou sobre a forma que Nicole falou de Eli. Ele era roceiro. Katie
apreciava isso nele. Ela gostava que Rick vestisse camisas sofisticadas, mas ela
tambm gostava da forma que Eli vestia as camisas que pareciam como se elas
tivessem uma longa jornada. Ela gostava da forma que Rick parecia sempre bem
e seu cabelo estava sempre bem cortado, mas ao mesmo tempo algo sobre a
forma desarrumada de Eli a faziaela sentir como se no precisasse checar sua
prpria aparncia antes de comear uma conversa com ele. A forma relaxada de
Eli dava a Katie a liberdade de ser igualmente relaxada.
- Homens misteriosos esto em falta, Katie disse. Rick  um contnuo enigma e
eu posso te dizer que esse no resolvido quebra cabea de sua mente 
exaustivo. Bem, no exaustivo. Desafiador seria uma palavra melhor. Rick me
deixa caidinha. Ele me deixa sonhando.
- Eu amo isso num relacionamento, Nicole disse. No que eu j tenha tido muitas
experincias, mas eu gosto de surpresas.
- Josh pode ser como o Rick nesse departamento. Eu no o conheo muito bem.
Eu vou dizer ao Rick que voc ir no Jantar de Ao de Graas e ele ter a
chance de preparar o Josh.
- No! No diga nada sobre me apresentar ao irmo dele! Por favor! Eu
honestamente acho que isso foi o grande impedimento pros meus sentimentos
com o Eli. Desde o inicio era uma armao e ns dois sabamos. Eu acho que
saber disso parece que estou desesperada por um encontro e isso acaba deixando
o nosso carisma meio de lado, sabe?
Katie concordou. Ela estava entendendo mais fcil agora como as coisas
aconteceram na noite passada. Katie j esteve em encontros como esse e ela
sabia exatamente o que Nicole estava dizendo. Elas entraram no estacionamento
do shopping e Nicole estacionou. As duas entraram no Bella Barista, que estava
cheia por ser um sbado.
Enquanto elas esperavam na caixa registradora, Katie lembrou como Rick havia
beijado ela na primeira vez que estiveram l e ento como ela havia devolvido o
beijo na outra vez quando ela pagou. Essa pequena lembrana, em frente  caixa
registradora do Bella Barista, era sempre um pensamento mgico pra ela. Rick
no havia beijado ela nos lbios, mas isso estava bom para Katie. Eles haviam
transformado isso em parte de seu relacionamento devagar por vrios meses e
agora ela sentia como se cada beijo no dado tivesse um grande valor e pudesse
ser guardado como uma moeda de ouro.
Se ela tinha algum problema sobre Rick no dar a ateno devida para ela na
noite passada, todos esses pensamentos foram embora enquanto ela se lembrava
do beijo ali na cafeteria. A nica pequena imagem que no deixava sua cabea
foi o que aconteceu enquanto os vencedores da Noite da Pizza eram anunciados.
Todos pareciam saber que os vencedores seriam Rick, Katie, Nicole e Eli. Ento
quando Greg chamou seus nomes, mesmo Katie estando ao lado de Rick, em
frente a todos, Rick foi at Nicole primeiro e a cumprimentou com um abrao da
vitria.
Foi um abrao rpido sim, bem merecido para Nicole que havia feito o design da
pizza.
Mas Katie ficou l parada sozinha perto de Eli. Os dois deram um ao outro
embaraosos tapinhas nas costas, enquanto eles sorriam um para o outro. Katie
esperou Rick voltar. Quando ele voltou, ele deu a ela um abrao da vitria
enquanto todos olhavam e aplaudiam. Foi fofo, engraado e romntico. Katie
preferiria  claro que Rick tivesse abraado a ela primeiro. Ela no imaginou que
ele abraaria Nicole. Katie apenas queria que ela fosse a primeira com Rick
quando haviam varias pessoas em volta.
Isso, ela decidiu, enquanto pediu outro ch de jasmim, sempre seria um desafio
com Rick, seu quebra cabeas favorito. Ela tinha o sentimento de que nunca
teria uma forma completa de entend-lo. Era melhor deixar as coisas andarem
de forma que estavam e no mudar ou reclamar sobre a maneira do
relacionamento deles. O ponto era, ela cresceu, se importava com seu
relacionamento que ela sempre quis ter com Rick e mesmo com todos esses
obstculos em potencial, estava funcionando. Por que isso estava mexendo com
ela?
                            Captulo 15
Katie tinha duas conversas pendentes e, na tera-feira de manh, ela sabia que
era melhor tentar ter essas conversas antes do feriado de Ao de Graas que era
apenas daqui dois dias.
A primeira conversa era com Julia, com quem Katie tinha concordado em falar
aps o jogo de softball delas e a segunda conversa era com Cris. Ela precisava
contar a Cris sobre ter beijado Rick.
Katie no tinha que contar a sua melhor amiga, mas ela queria. Ningum sabia
ainda. Em certa ocasio, ela considerara se abrir para Nicole; entretanto, depois
da estranha noite de pizza, Katie decidiu que contraria primeiro a Cris e depois
deixar Nicole a par das novidades.
F da frase que dizia "matar dois coelhos com uma cajadada s", Katie marcou
um horrio para se encontrar com Julia s quatro da tarde de tera-feira e
depois, aps pegar o carro de Nicole emprestado, iria se encontrar com Cris
assim que ela sasse do trabalho s cinco.
O que Katie no contava era com o fato de que o carro de Nicole precisaria levar
algum ao aeroporto.
Katie encontrou Julia no quarto dela s quatro e comeou a "vender seu peixe."
- Voc gostaria de ir ao Ninho da Pomba para comer algo? Eu pago. Eu at pago a
gasolina porque, na verdade, eu planejava encontrar a Cris, mas o carro que eu
iria pegar emprestado no est disponvel.
- Sem problema, Julia disse. Deixa eu dizer ao Greg onde estou indo. Ele est
dispensando muitos estudantes mais cedo para o feriado de Ao de Graas, e eu
disse que o ajudaria se ele ficasse sobrecarregado.
- Muitos deles esto indo pra casa mais cedo. Eu estou sentindo que as aulas
amanh tero pouqussimos alunos. Eu me pergunto por que eles no cancelam
todas as aulas de quarta?
- Eu me lembro de me fazer a mesma pergunta quando era aluna, Julia disse.
Voc est pronta pra irmos?
- Pra casa?
- No, quis dizer se estava pronta para ir ao Ninho da Pomba. Eu estou pronta se
voc estiver.
Vrias pessoas as pararam para fazer alguma pergunta rpida ou s mesmo pra
conversar enquanto elas passavam pelo saguo do Crown Hall e iam para o
estacionamento do lado de fora. Julia tinha um bsico Sedan quatro-portas azul e
a capa dos bancos era de flores havaianas azuis e brancas.
- Como est sendo pra voc ficar sem carro? Julia perguntou.
- S tem uma semana e meia, e eu j me sinto desamparada, Katie disse. Eu
estava planejando ir  igreja no domingo, mas acabou dando numa confuso. Eu
disse ao Rick que o encontraria l, e a a Nicole no podia ir porque ela tinha um
trabalho enorme para fazer para segunda-feira. Mas ela j tinha emprestado o
carro para outra pessoa. Na hora que eu descobri isso tudo, j era tarde demais
para Rick vir me buscar e ainda conseguirmos chegar a tempo na igreja, da eu
apenas fiquei aqui no campus e fui tomar caf da manh. Ningum vai tomar
caf da manh aos domingos, voc sabia disso? Eu levei minha bblia comigo e
tive meu momento particular e tranqilo com o Senhor. E acredite, foi um
momento tranqilo, muito tranqilo.
- Como esto as outras coisas? Julia perguntou enquanto saa da entrada principal
da Rancho Corona e comeou a virar morro abaixo.
- Bem. Est tudo bem. Eu vou  casa nova dos pais de Rick no dia de Ao de
Graas, e Nicole vai vir comigo. Vai ser divertido.
- Eu notei na noite de pizza que Nicole e Rick se do muito bem.
Katie olhou para Julia para ver se ela deveria estar lendo algo nas entrelinhas do
comentrio de Julia. Julia no pareceu estar fazendo nada mais que um simples
comentrio.
- Sim. Eles se do bem. Eu espero conseguir junt-la com o irmo do Rick, o
Josh. Rick e eu tentamos junt-la com o Eli, mas no deu em nada.
Julia dirigiu em silncio cerca de um quilmetro e meio at que Katie disse:
- Voc teve esses mesmos tipos de drama quando estudava aqui?
- Claro. A maioria dos meus ,,dramas girava em torno do meu namorado.
- Seu namorado? Katie olhou para Julia de novo, esperando que uma chuva de
detalhes viesse a seguir.
- O nome dele era Trent.
- Nome legal e forte, Katie disse. Eu acho que nunca conheci um ,,Trent.
- Ele era nico. O original.
- E... ? Katie buscou por mais detalhes.
- Ns estvamos apaixonados e...
- No me conte se for algo horrvel. Eu odeio ouvir sobre mulheres que tiveram
seus coraes quebrados. Por que o amor tem que ser to doloroso?
Julia respirou fundo.
- Ele certamente pode ser doloroso, no pode?
- Como voc sabia que o amava? Quero dizer, sabia mesmo que era amor?
- Eu apenas sabia. Eu ainda sei. Se ele fosse entrar na minha vida hoje, eu ainda
sentiria aquele sentimento avassalador no meu corao. O amor no vai embora
s porque as pessoas vo embora.
Katie tentou descobrir se concordava com a frase de Julia.
- Voc est dizendo que pode genuinamente amar algum, mas acabar no
ficando com essa pessoa pro resto da sua vida.  isso que est dizendo? Voc
pode am-lo  de verdade, am-lo mesmo  e ainda assim no ficar com ele.
- Sim.
- No sei se concordo. Eu no gosto da idia de viver com o fio do amor apenas
balanando pra l e pra c, sem este estar conectado dos dois lados.
Julia sorriu um pequeno, meigo sorriso.
- Eu tambm no gosto, mas aqui est ele.
- Ento voc vai me dizer que ele acabou se casando com outra pessoa?
- No.
Katie esperou por mais detalhes, mas Julia terminou por ali. O no dela era firme
o suficiente para que Katie soubesse que ela faria bem se deixasse o assunto de
lado, pelo menos por enquanto.
Nota a si mesma: Quando o assunto sobre o Trent surgir de novo, descubra onde
ele est agora. Se no est casado, por que ele e Julia no poderia ficar juntos
de novo? Agora que seria uma grande histria de amor.
- Como esto as coisas com sua famlia? Julia perguntou mudando de assunto.
- Do mesmo jeito, eu acho.
- J que voc disse que vai para casa de Rick no dia de Ao de Graas, eu supus
que voc no vai passar esse dia com seus pais.
- No. Eu tentei marcar algo com eles, mas no funcionou. Talvez no Natal. No
sei.
- Tomara que voc passe um tempo com eles no Natal, Julia disse, No precisa
ser muito tempo ou algo muito especial. Apenas estar com eles de alguma forma
j seria muito bom.
Katie olhou para suas mos. Ela sempre se sentia desconfortvel quando o
assunto girava em torno de seus pais, mesmo ela sabendo que Julia estava certa.
A verdade era, ela adoraria ter um relacionamento com seus pais, mas como isso
poderia acontecer? No era algo real.
Katie abriu seus pensamentos para Julia e contou a ela como era difcil estar com
os pais dela. Ela resumiu a ltima conversa com sua me e disse:
- Ento, como eu posso mudar isso? Quero dizer, o que eu posso fazer?
- Eu no acho que voc possa mudar alguma coisa. A nica coisa que voc pode
mudar  a mesma.
- Voc acha que eu preciso mudar? Quero dizer, voc acha que minha atitude
est errada? Katie sentiu uma pontinha de um sentimento defensivo crescendo
dentro dela e tentou deix-lo de lado. Ela, com certeza, no queria comear uma
discusso do tipo me-desafie-em-algo-que-eu-me-sinta-desconfortvel-e-eu-vou-
morder-sua-cabea com a diretora dos residentes. Ela valorizava demais o
relacionamento dela com Julia para fazer isso.
- Eu acho que o que voc tem que fazer  o que Deus nos mandou fazer.
- O qu? Amarmos uns aos outros?
- Sim, verdade, ns somos chamados a amarmos uns ao outros. Mas eu estava
pensando era sobre o quinto mandamento.
- Que ...
- ,,Honra teu pai e tua me.  Ele pode parecer diferente em muitos
relacionamentos pais-filhos, mas o direcionamento  o mesmo. Honre-os. O que
isso significa pra voc e pra eles, voc ter que descobrir. Mas faa o que os faz
sentirem honrados.
Katie balanou sua cabea concordando.
- Ok, eu sou boa nisso. Eu no tenho certeza de como eu vou honr-los no Natal
ou o que quer que seja, mas entendo o que voc est dizendo, e sim, eu quero
sim honrar meus pais.
- Eu sei que voc quer. Voc tem um grande corao, Katie. Voc  uma pessoa
muito aberta, de boa vontade e responsvel. Eu realmente admiro isso em voc.
- E eu admiro que voc tenha me falado o que preciso ouvir e fazer isso de uma
maneira que eu consigo engolir.
Julia virou para dentro da vaga do estacionamento do Ninho da Pomba, e na
mesma hora elas disseram:
- O que est acontecendo? O estacionamento estava quase todo cheio.
- Voc pode ir l para trs, Katie disse. Os funcionrios estacionam l ao lado da
lixeira, e sempre h vaga.
Elas acharam uma vaga e entraram no caf e encontraram uma fila de alunos do
ensino fundamental esperando para fazer o pedido. Espalhados entre os alunos
estavam alguns adultos com uma aparncia exausta tentando manter seus
pequenos bandos sobre controle.
- Parece uma excurso, Katie disse. Ns tivemos algumas dessas na ltima
primavera. Voc quer ir a algum outro lugar?
Julia olhou para seu relgio.
- Voc que sabe, se voc quiser, Katie, eu posso te deixar aqui. Ns no
precisamos ir a lugar algum ou comer algo. Eu s queria conversar um pouco com
voc antes do feriado de Ao de Graas. Eu acho que nossa conversa no carro
foi boa, ns colocamos o papo em dia. O que voc acha?
- Eu me sinto mal, como se eu tivesse usado voc para me dar uma carona at
aqui, e pronto.
- No se sinta mal. Eu disse a voc que estaria disponvel para caronas se voc
precisasse delas algum dia. A Cris vai te levar de volta pra faculdade, no vai?
- Esse  o plano.
- Ento eu vou voltar pra Rancho. Eu preciso mesmo estar disponvel para ajudar
Greg a registrar a sada dos alunos para o fim de semana. Eu viajo amanh, mas
estarei de volta no sbado. Aparea qualquer hora, se voc acabar ficando nos
dormitrios pelo restante do fim de semana.
- Ok, vou sim. Obrigada pela carona.
Julia acenou e se foi. Katie no tinha certeza, mas pareceu que quando o nome
do de Trent surgiu , um ,,peso tomou conta de Julia. Katie deveria ter imaginado
isso, mas a fisionomia de Julia parecia ter se entristecido e ficado abatida depois
disso. Isso s deixou Katie mais curiosa sobre Trent, mas ao mesmo tempo, mais
alerta ao fato de que ela precisava ser cuidadosa e sensvel se esse assunto
surgisse de novo.
Katie ficou ali do lado, tentando decidir o que faria. Ela sabia que poderia ir 
livraria ali ao lado e ficar seguindo Cris pela loja caso ela estivesse estocando
livros. Ou ela poderia ficar ali e assistir a festa daquela excurso.
Sem muito esforo, ela se moveu para onde ela poderia ver Rick atrs do balco,
tentando eficientemente ajudar seu agitado grupo de funcionrios que estava
anotando os pedidos na fila de alunos. Katie, de certa forma, gostava de estar
nos bastidores assistindo isso e assistindo Rick. Ele tinha uma presena bastante
imponente. Ele estava lindo.
Um sorriso brincou nos lbios de Katie enquanto ela pensou: Esse  meu
namorado, Rick Doyle, esse homem maravilhoso, voc. Voc me beijou, voc
sabe. Voc me beijou bem. E eu amo voc.
No instante em que Katie concluiu aquele pensamento de "e eu amo voc," Rick
levantou o olhar e seu olhar percorreu todo o caf. Ele estabeleceu contato
visual com Katie, e ela sentiu um arrepio subir suas costas e fazer ccegas em
seu pescoo. Foi como se ele a tivesse ouvido.
Rick, eu amo voc. Voc me ouviu pensando isso? Eu no posso acreditar: Eu sei.
Eu sei mesmo. Eu te amo!
Um n se agarrou  garganta de Katie, e ela sentiu como se fosse chorar; exceto
pelo fato de que ela no tinha lgrimas. Ela s tinha um sorriso. Um grande, feliz
sorriso para Rick, que agora estava acenando para que ela fosse at o balco.
Muitos dos alunos se viraram para ver para quem o cara no balco estava
acenando. Katie se sentiu como a escolhida Cinderela que estava se aproximando
de seu prncipe no meio da multido enquanto todos os pequeninos, os pequenos
cavalheiros estavam abrindo caminho para ela. Nenhum dos alunos estava se
curvando para ela, no entanto, mas Katie imaginou que eles estavam j que eles
eram to pequenos.
- Que viso agradvel, Rick disse assim que Katie estava prxima o suficiente
dele para que pudesse ouvi-lo. Voc vai encontrar com algum?
- Cris, mas s s cinco.
- Alguma chance de voc vir aqui pra trs, colocar um avental, e fazer algumas
pizzas?
- Isso vai depender. Katie estava atenta ao fato de que os estudantes assim como
os adultos que os acompanhavam pudessem estar ouvindo cada palavra da
conversa deles. Eles estavam dispostos a ficarem impacientes e comearem a
jogar dardos invisveis nela se ela atrasasse Rick mais um pouco, ento ela fez
sua gracinha rapidamente. Eu vou fazer quantas pizzas voc quiser contanto que
eu no tenha que enfeit-las com paisagens. Eu sou o tipo de mulher ,,carinha-
feliz, voc sabe.
- Sim, eu sei, Rick disse. Sem paisagens, eu prometo. Coloque uma telinha no
cabelo e me ajude a comear essa fila. A expresso dele ficou engraada e ele
virou a cabea. Ei, voc fez algo diferente no cabelo?
Katie deu um grande sorriso.
- Ah, esse  o observador Sherlock Holmes que todos conhecemos e amamos. Ela
enfatizou o "amamos", na esperana de que Rick captasse a pista do que tinha
acabado de acontecer no corao de Katie. Ela estava apaixonada. Ela sabia
disso. Ela amava Rick. Ela provavelmente carregava uma cpsula do amor por ele
em seu corao desde o ensino mdio.
Mas hoje, nesse exato momento, enquanto Katie estava ali, assistindo Rick, algo
havia mudado. Era exatamente como Cris tinha dito que seria. Katie tinha dado
um passo aps o outro, enquanto ela e Rick caminhavam nessa longa e sinuosa
estrada do relacionamento deles. Ento, sem nenhuma pista de que o prximo
passo seria diferente dos outros, Katie deu esse passo nessa fila invisvel, e l
estava ela.
Amando!
                                        Captulo 16
Para Katie, fazer pequenas pizzas de pepperoni no Ninho da Pomba era uma coisa
que ela poderia fazer dormindo. Ela provavelmente dormira mais que uma vez
durante o expediente enquanto tinha produzido dzias das pequenas delcias
para vrios grupos. Estar de volta  linha de montagem vestida em seu avental e
touca foi algo familiar pra ela e a fez se sentir feliz
Claro, a exploso extra de felicidade poderia vir do deleite que ela secretamente
carregava dentro de si, sabendo que ela estava amando. Verdadeiramente
amando. Oficialmente, alm da conta, amando.
Em um determinado momento nos vinte minutos de loucura de pizzas sendo
preparadas, Katie olhou para Rick, que tinha se juntado  brigada do molho de
tomate. Ela ouviu uma pequena cano meldica em sua cabea: "Primeiro vem
o amor, ento vem o casamento e ento vem o beb num carrinho de beb."
Um sorriso brotou. Ela no fazia idia de onde tinha ouvido aquela cantiga. Era
muito antiga e definitivamente muito pouco aplicvel para a gerao em que ela
estava vivendo, mas naquele momento, as frases soaram familiares e amigveis.
A ltima vez que as linhas dessa cano tinham soado em seus pensamentos foi
naquele vero na praia13. Douglas e Trcia tinham levado o beb Daniel, e uma
quantidade enorme de coisas de beb para a areia. Cris e Ted levaram seu ,,modo
lua-de-mel e ficaram a tarde toda envolvidos em abraos carinhosos. Katie levou
Rick, mas Rick levou seu celular e ficou bastante tempo com o rosto colado no
irritante pedao de plstico em uma longa conversa com Josh sobre negcios
relacionados ao caf no Arizona.
Naquele dia, Katie no estava certa sobre a parte da cantiga em que ela se
encaixava. No entanto, seus amigos se encaixavam muito bem nas partes do
"casamento" e do "carrinho de beb". Mas hoje ela sabia. Ela estava no primeiro
passo. Amor. Primeiro vem o amor, depois vem...
O corao dela palpitou levemente quando ela se permitiu pensar se casamento
seria o prximo passo. Por que no? Toda vez que esses pensamentos tinham
aparecido na mente de Katie no passado, ela os tinha sacudido pra longe. Hoje
ela gostou muito da idia. Isso certamente seria a resposta para muitas das
perguntas sobre o que "vir em seguida?".
Resmungando para si mesma, Katie entrou na linha de produo e serviu aqueles
estudantes todos antes das cinco.
Rick escorregou seu brao em volta da cintura dela quando ningum estava
vendo.
- Voc quer fazer algo hoje  noite? Eu posso sair daqui por volta das oito.
- No posso.
13
     Essa cantiga aparece no captulo 13 de Tesouros Peculiares e no captulo 1 de Como quiseres, Senhor.
- Por qu? Ele se afastou, chocado com o fato de que ela negou o pedido dele.
- Eu vou jantar com a Cris e depois tenho que fazer um trabalho para amanh, e
eu ainda nem comecei.
- Voc ainda ter aula amanh?
- Eu s terei uma aula.  s 10:30. Depois disso, eu tenho planto na mesa
principal de meio-dia s cinco.
- Ento voc est me dizendo que eu terei que esperar vinte e quatro horas
inteiras at que voc se lembre de que tem um namorado que est esperando
passar um tempo com voc.
- Oh, eu me lembrarei cada segundo dessas vinte e quatro horas. Mas, sim, voc
ter que esperar at amanh s cinco at que eu esteja oficialmente no feriado
de Ao de Graas.
- Eu posso esperar.
Katie sorriu.
- Eu sei que voc pode esperar. Voc  um profissional na arte de esperar. E um
chef profissional. E um proprietrio profissional de um caf. Mas voc comeou
como um garom muito bom. Entendeu? 14
Rick pegou Katie pelo punho e a levou para os fundos do restaurante onde ficava
seu escritrio e uma mesa que fora colocada no canto para os funcionrios.
Ningum estava l atrs naquele momento. Ele olhou pra direita e pra esquerda
e depois, com as mos em forma de concha, pegou o rosto de Katie e aproximou-
a dele. Antes que Katie soubesse o que estava acontecendo, Rick a estava
beijando. E foi um beijo bom. Um beijo muito bom.
- O que voc est fazendo? Ela sussurrou enquanto eles se afastavam.
- Se voc no sabe o que foi isso, eu, com certeza, estou fazendo algo de errado.
- Eu sei o que foi isso, bobo! E foi algo muito bom, a propsito.
Rick sorriu.
Num tom de voz mais baixo, ela disse:
- Mas o que voc est fazendo me beijando?
Rick apenas sorriu mais, como se a pergunta dela no precisasse de uma
resposta.
Katie se afastou, assim as nicas partes deles que estavam se tocando eram as
mos entrelaadas.
- O que eu quis dizer, foi... Ela abaixou sua voz para quase um sussurro. O que

14
  A expresso usada, no ingls,  waiter. Um trocadilho que a Katie/Robin faz, j que waiter significa aquele
que espera, do verbo wait e tambm significa garom. Ou seja, o Rick comeou como garom, e ao mesmo
tempo, como algum que sabe esperar. Uma vez que, de certa forma, garons so pessoas que esperam pelos
pedidos dos clientes.
voc est fazendo me beijando no trabalho? Voc sempre teve regras rgidas
sobre ns no darmos para ningum a impresso de estarmos namorando ou de
estarmos sendo carinhosos no trabalho.
- Voc trabalha aqui? Ele perguntou com um sorriso metido.
- No, no mais.
- Ento qual era mesmo sua pergunta?
Katie deu a ele um de seus olhares garota-bonitinha-do-rosto-sardento que ela
sabia que ele gostava. De um jeito brincalho ela disse:
- Sem mais perguntas, Senhor.
Ele se aproximou e a beijou do lado de sua cabea e soltou as mos dela.
-  melhor voc ir encontrar a Cris. Eu irei  Rancho amanh s cinco e ns
jantaremos em algum lugar.
- Ok. Katie ainda estava dando a ele seu olhar sonhador.
-  um encontro, Rick disse.
-  um encontro, Katie repetiu. Ela envolveu seus braos no tronco de Rick e lhe
deu um grande abrao. O mesmo tipo espontneo de abrao que tinha
estabelecido uma sequncia de conflitos no ltimo vero quando ela expressara
seu carinho no trabalho. Hoje ele foi recebido pelo namorado dela e respondido
com um igualmente caloroso abrao.
Katie se soltou de seu forte namorado Rick, jogou sua touca no lixo e seu avental
sujo na cesta de roupas para lavar. Beijando as pontas de seus dedos, ela acenou
para Rick e deu um sorriso "te vejo mais tarde" pra ele.
Ele olhou apaixonado e ela no poderia estar mais feliz.
Passando por dentro do caf e indo para a livraria ao lado, Katie viu Cris na porta
de vidro da frente olhando para fora, na direo do estacionamento. Ela estava
com sua bolsa sobre os ombros.
- Procurando por mim?
- A est voc. Eu no sabia se algum te traria ou no.
- A Julia me trouxe mais cedo. Eu acabei indo ajudar l no caf. Ficando o mais
ereta possvel na frente de sua amiga, Katie abaixou a voz e disse: Voc est
percebendo algo de diferente em mim?
- Seu cabelo! Cris exclamou. Est mais claro. Adorei!
Katie tinha se esquecido das suas luzes e deixou de lado o comentrio de Cris
dizendo:
- O que mais voc notou? Alguma coisa? Est vendo nos meus olhos?
Cris olhou mais de perto.
- Voc est usando lentes de contato ou algo do tipo?
- No. Decepcionada, Katie relaxou os ombros. Eu acho que  invisvel, j que
isso acontece de verdade no interior.
Cris continuou parecendo no entender o que as dicas de Katie insinuavam, ento
Katie prosseguiu e disse:
- Estou amando.
Curiosa, Cris levantou suas sobrancelhas.
- Srio?
- Sim, srio.
- Uau, Katie.
- Eu sei. Uau, n? Foi exatamente como voc disse. Eu estava caminhando, passo-
a-passo e a...
- Espere. Essa conversa  importante demais para ser feita aqui. Vamos, eu quero
ouvir tudo. Ela olhou para seu relgio. Eu tenho que buscar o Ted s 6:45.
- Isso significa que no temos muito tempo, Katie disse.
- Eu sei, mas o bom  que voc sabe falar rpido. Eu estava pensando que ns
podamos ir  Casa de Pedro. O que voc acha?
Katie deu os braos para Cris enquanto elas saam e iam para o Volvo de Cris e
Ted.
- T contigo, Chimiganga Mama. Bora!
- Comece com a Noite de Pizzas de Casais, Cris disse. Eu quero ouvir tudo.
Katie fez um rpido resumo. Ela pulou as partes sobre as pontadas de cime que
sentiu de Rick e Nicole por eles estarem se dando to bem naquela noite.
- Ns quatro fomos tomar caf no Bella Barista depois e essa parte foi divertida
porque um monte de outras pessoas da Rancho foi pra l. Ns todos juntamos as
mesas e conversamos. O Bella Barista est se tornando nosso novo ponto de
encontro. Eu no tinha percebido isso at o dia que fomos  floricultura para
consertar o buqu da outra Katie.
- Espere. Cris estacionou o carro em frente  Casa de Pedro e o desligou. Que
buqu e que outra Katie?
Katie fez uma careta.
- Eu estou mesmo atrasada nas novidades com voc, n? Eu nunca vou conseguir
chegar na parte boa.
- Vai sim. Continue. Conte-me sobre o buqu.
Katie resumiu o assunto enquanto a recepcionista as acomodava. Mudando de
assunto apenas o tempo suficiente para fazer o pedido, Katie ento mudou pra
parte que ela queria falar.
- Ento Rick e eu fomos para a parte mais alta do campus, e as palmeiras esto
todas envolvidas por luzes. Est maravilhoso, Cris. Voc e Ted precisam ir l para
ver o que vocs comearam quando decidiram fazer o casamento de vocs l. A
calada foi melhorada tambm. Est mgico.
- Eu quero ir l ver. Eu vou falar com o Ted. Talvez ns possamos dar uma
passada l nesse fim de semana. Mas continue. Voc e Rick foram fazer um
caminhada at o topo do campus debaixo dos pisca-pisca das palmeiras e...
- Ele me beijou.
Cris ficou paralisada por um momento e ento ela soltou um gritinho e pegou o
punho de Katie.
- Katie! No acredito que voc demorou isso tudo pra me contar.
- Eu sei. Eu queria te contar pessoalmente. Foi perfeito demais, Cris. Perfeito de
todas as maneiras e eu sei que isso vai soar meio louco, mas eu no contei a
ningum porque eu no queria acordar caso isso fosse s um sonho. Mas no foi
um sonho. Foi real e foi maravilhoso. Perfeito. E voc  a primeira pessoa para
quem eu estou contando.
A expresso do rosto de Cris deu a impresso de que ela iria gritar de novo, mas
dessa vez foi um gritinho bem mais baixo.
- Eu estou to feliz por vocs, Katie.
- Eu estou amando, Cris. De verdade. Eu sei que eu j disse isso antes de uma
forma leviana, mas dessa vez  diferente.
- Diferente como? Cris olhou abertamente e cheia de expectativas para Katie.
- Foi exatamente como voc disse. Eu estava l no Ninho da Pomba menos de
duas horas atrs, assistindo o Rick no caixa e l estava um mar de crianas do
ensino fundamental. Eu s pensei, ,,Esse  meu namorado e depois pensei, ,,Eu o
amo.  E algo dentro de mim simplesmente... No sei. Algo dentro de mim
confirmou meu pensamento. No era um ,,eu amo o Rick leviano, um sentimento
desses que vm e vo. Dessa vez era como uma afirmao. Foi como...
Katie pausou e sorriu, mais pra ela mesma do que para Cris.
- Eu no acredito que vou dizer isso, Katie falou, mas eu sabia. Quero dizer, todo
mundo que j amou de verdade sempre diz, ,,Quando voc souber, voc vai
saber.  E eu sempre achei que essa era a desculpa mais esfarrapada para uma
possvel explicao. Mas  verdade. Eu sei. Eu sei que eu amo o Rick.  como
uma pedra no meu corao. Uma pedra enorme. A Pedra de Gibraltar. E ela no
vai embora.
O sorriso de Cris era caloroso e amoroso. Ela tinha lgrimas nos cantos de seus
olhos.
- Ah, Katie, eu sinto que devo dizer, ,,Bem vinda ao outro lado ou algo assim
- Eu estou do outro lado, no estou?
- Est sim, Cris disse. Voc est amando e voc est num outro nvel do seu
relacionamento com o Rick. Voc est no nvel do corao e do sentimento, e eu
estou to feliz por voc.
- Obrigada. Agora Katie sentia que lgrimas iriam rolar vagarosamente de seus
olhos tambm. Antes que as gotinhas fizessem sua feliz apario, a comida e a
bebida chegaram com sua glria fumegante e bem temperada.
- Eu quero orar. Cris buscou pelas duas mos de Katie e elas seguraram as mos
uma da outra sobre a mesa.
Assim que Katie fechou os olhos e curvou sua cabea, ela sentiu Cris abeno-la
com suas palavras de carinho ao Pai celestial, agradecendo a ele por ter dado o
dom do amor e por derramar do amor dele sobre Katie. Cris agradeceu a Deus
por Rick, por Katie, pelo relacionamento deles e por como Deus os tinha trazido
at esse ,,lugar. As palavras de Cris foram simples, lindas e profundas. Ela estava
parecendo com Ted quando ele orava.
O momento foi to sagrado que Katie no queria abrir os olhos mesmo depois de
Cris ter dito, "Eu oro em nome do seu Filho, Jesus. Amm."
Quando Katie olhou pra cima, tudo que ela e Cris fizeram foi sorrir uma pra
outra.
- Eu quero construir um altar aqui, Katie disse.
- O qu? A expresso de Cris mudou de feliz para confusa. Do que voc est
falando?
- Quando eu estava em Catalina no vero passado, durante nosso dia de silncio,
eu estava procurando pelo versculo dos tesouros peculiares e li esse versculo
em xodo que diz, ,,Construa altares nos lugares onde eu te lembro de quem eu
sou, e eu irei e te abenoarei ali. Eu sinto que Deus acabou de me abenoar aqui
atravs de voc. Ele me lembrou de quem ele . Deus  amor. Eu estou amando.
Eu quero marcar esse momento de alguma forma e sempre me lembrar dele.
Cris parecia estar incerta sobre como responder. Cautelosamente ela disse:
- Eu no tenho certeza de que ns deveramos construir altares...
- Eu no estou dizendo que vou comear a empilhar feijes congelados dentro de
um pequeno santurio. S estou dizendo que eu quero marcar esse momento
como um momento de Deus.
- Eu acho que ele j est marcado, Cris disse. No seu corao. Voc nunca vai
esquecer o momento em que soube que amava Rick. Eu nunca esquecerei o
momento em que soube que eu amava o Ted. Quando esse momento est
marcado no seu corao, voc pode voltar l a qualquer hora e, confie em mim,
voc ver que o Senhor j est l e ele te abenoar l.
- Isso  muito estranho, no ? Katie disse, nada interessada em morder seu
chimiganga do mesmo jeito que Cris tinha abocanhado o dela. O que quero dizer
 que voc est caminhando normalmente e tudo est como sempre, e de
repente, Deus aparece e tudo muda.
- O Ted tem uma opinio sobre isso. Cris limpou sua boca com seu guardanapo.
As pessoas dizem, ,,Deus apareceu, e isso ou aquilo aconteceu. Ted diz que Deus
no ,,aparece. Deus  o Alfa e o mega, o princpio e o fim. Ele  onipresente,
onisciente e onipotente. O jeito como Ted define esses momentos  dizendo que
Deus j est l. Ele era,  e sempre ser. Ns  que aparecemos. Ns temos uma
idia do que Deus deseja pra ns e ns o buscamos e prestamos ateno nas
direes que ele d. Ento, repentinamente esse momento santo acontece no
porque Deus resolveu dar um passo e entrar nas nossas vidas, mas porque ns
resolvemos caminhar passo a passo com o eterno plano de Deus para nossa vida.
- Hmm.
- Enfim, Cris disse enquanto Katie contemplava a perspectiva de Ted sobre esses
momentos divinos. Me diga o que aconteceu depois no Ninho da Pomba. Depois
que voc soube que estava amando o Rick. Voc disse alguma coisa pra ele ou
apenas entrou e fez as pizzas com ele, como se nada estivesse diferente?
- Eu no o contei que o amo, mas eu sinto que ele, de certa forma, percebeu.
- Como?
- Ele me levou l pros fundos e me beijou de um jeito muito romntico.
- Ele fez isso?
- Sim. Voc sabe como ele sempre foi bem incisivo sobre ns expressarmos
qualquer tipo de carinho no trabalho?
Cris balanou a cabea concordando, sua boca estava cheia de comida.
- Bem, dessa vez ele  quem foi o carinhoso. Ele disse que eu no trabalho mais
l ento no era como se ele estivesse fazendo algo de errado 15 com uma
funcionria.
- Ele disse isso? Ele disse ,,fazendo algo de errado?
- No, ele no disse isso, e ns, definitivamente no estvamos fazendo algo de
errado. Foi s um beijo. Um beijo lindo, memorvel, e derretedor-de-coraes.
Katie suspirou.
- Voc sabe, eu acho que o Rick deva estar certo sobre o que ele disse no vero
passado quando ns tivemos aquela enorme e horrvel discusso na cozinha dele
porque ele no me beijava quando eu queria que ele o fizesse.
- O que ele disse?
- Ele disse que os rapazes nunca se esquecem dos beijos deles com uma mulher,
e eu disse que ns nunca esquecemos tambm.  simplesmente diferente, sabe?
Quero dizer, um abrao voc meio que lembra por um tempo, mas quando seus

15
  A expresso no ingls  making out e literalmente, segundo o dicionrio Michaelis  UOL diz que making
out  ter relaes sexuais. Eu achei muito `estranho' traduzir assim e no tenho certeza de que a Robin quis
dizer algo assim `to forte'. Enfim, o algo de errado d uma idia mais ampla, sem restringir apenas ao ato
sexual.
lbios se tocam, isso acende uma memria na sua cabea, no ?
Cris chegou mais perto e abaixou a voz.
- Espere at voc estar casada e voc se doar completamente, de corpo e alma.
A estar algo que voc nunca vai esquecer. A memria fica bem acesa. Confie
em mim.
Katie gostou do modo como o rosto de Cris estava ficando corado, como se ela
fosse a guardi de alguns preciosos segredos e ela estava revelando um pouco
desse tesouro para Katie.
- Eu no entendo como algum pode doar a si mesmo num nvel de intimidade
como esse sem a linda, protetora aliana do casamento, entende? Cris continuou.
O sexo  to sagrado e capaz de unir duas pessoas. Eu sei que eu j disse isso
antes, Katie, mas eu tenho que dizer de novo. Criar esses momentos de
intimidade que marcam a alma com apenas um homem e apenas no seu leito de
casamento  algo que no se parece com nada que voc j experimentou.
Quando voc espera por esses momentos e sabe que ele esperou para
compartilhar esses momentos com voc...
Cris chorou de novo.
-  mesmo um presente. Um presente maravilhoso.
Katie entregou um guardanapo  Cris. Ela pegou-o e enxugou seus olhos. Depois,
alcanando seu copo de ch gelado, Cris levantou seu copo para Katie.
- Ao amor e a Deus, que fez disso algo to lindo.
Katie brindou com seu copo de refrigerante e adicionou:
- E a voc e Ted por esperarem para darem a si mesmos um ao outro e por fazer
um timo trabalho em me anunciar a recompensa dessa virtude da espera.
Cris gargalhou.
- Eu no sabia que ns estvamos anunciando.
- Vocs esto anunciando, mas  do melhor jeito possvel. Isso  uma boa coisa. 
uma coisa de Deus, na verdade.
Katie bebeu seu refrigerante.
- s vezes, Cris, eu olho pra trs e penso, ,,Quem eu seria hoje se eu nunca
tivesse conhecido a Cris?  Eu sei que eu no seria quem eu sou hoje. Eu no acho
que eu estaria fazendo escolhas to boas. Principalmente se eu tivesse ficado
com o mesmo crculo de amigos que eu tinha no Colgio Kelley antes de voc se
mudar pra Escondido. Cris, e se voc no tivesse se mudado de Wisconsin? E se
ns no tivssemos nos tornado to amigas desde aquela primeira noite quando
empapelamos a casa do Rick? Deus  quem fez isso, no foi?
Dessa vez as lgrimas realmente transbordaram dos olhos azul-esverdeados de
Cris.
- Eu preciso de outro guardanapo. Ela deu uma olhada em volta para ver se
algum garom estava indo na direo delas. Eu estou muito emotiva.
Katie se levantou e puxou dois guardanapos de uma das mesas vazias.
- V em frente. Chore o quanto quiser.
Cris enxugou seus olhos novamente e assuou seu nariz.
Katie encarou seu grande burrito chimiganga.
- Isso  mesmo muito estranho.
- O que  estranho? Seu chimiganga?
- No, o chimiganga est timo. O que  estranho sou eu. Eu no estou com
fome. Voc pode acreditar nisso? Tenho certeza de que isso tem que significar
algo. Eu estou sentada na Casa de Pedro com meu preferido chimi no mundo todo
bem na minha frente e eu no consigo comer.
Cris deu um grande sorriso.
- Claro que voc no comer significa algo. Voc est amando.
Katie fez um gesto para Cris para que ela passasse a unha entre seus dois dentes
da frente. Tem um pedacinho de carne ou algo parecido bem a.
A expresso de Cris mudou. Ela ficou constrangida, mas apenas por um instante.
Ela usou o segundo guardanapo para remover o pedacinho de carne.
- Voc e eu precisamos uma da outra mais do que ns pensamos. Obrigada, Katie.
O garom chegou perto da mesa delas.
- Eu preciso de uma caixa para levar, Katie disse. E a conta. Ns precisamos ir
andando.
- Eu vou pegar uma caixa tambm, Cris disse. Eu nunca consigo terminar um
desses.
- Eu sinto que assim que essa sensao de felicidade atordoadoara-e-boba-
porque-eu-estou-amando passar, eu vou estar faminta. Quando esse momento
chegar, o Sr. Baby Chimi estar esperando em minha pequena geladeira, e eu
serei uma menina feliz.
O chimiganga de Katie ocupou uma prateleira inteira na geladeira dela e ficou l,
intocado, durante toda a noite. Ela trabalhou na velocidade da luz em seu
trabalho para a aula de quarta-feira e dormiu trs horas. Ento ela se vestiu e
caminhou pelo campus com um leve sorriso no rosto.
Ela ainda no estava com fome depois da aula. Voltando para seu dormitrio,
Katie subiu para a parte coberta do telhado e se esticou em uma das
espreguiadeiras. Abaixo, no estacionamento, dzias de alunos estavam
enchendo seus carros de malas para o longo fim de semana.
Acima, o cu da Califrnia estava riscado com a cauda das nuvens, o que era um
indicador de que o outono tambm estava fazendo suas malas. O inverno, com
seus ventos impetuosos vindos do deserto, iria, brevemente, mandar a nvoa e o
calor para o mar e agraciar o sul da Califrnia com ar refrescante e cu limpo.
Um passeio de volta ao deserto durante os prximos meses providenciaria uma
oportunidade fantstica de apreciao das estrelas.
Katie pensou nas estrelas enquanto fechava seus olhos no conforto da
espreguiadeira. Ela podia ouvir as vozes das crianas africanas cantando. Ela
podia sentir o calor do sol do fim da manh sobre ela, como se fosse um velho e
verde saco de dormir. Uma sensao de estar presa num universo em movimento
veio sobre Katie.
Ela sabia duas coisas naquele momento sob o cobertor de raios solares. Primeiro,
ela sabia que era minscula em comparao ao cosmos. Segundo, ela sabia que
aquele que tinha arquitetado os cus e a terra tinha feito seu corao  mo, e
nesse corao, ele tinha plantado uma semente que estava crescendo e se
tornando algo maravilhoso, eterno e puro. Algo chamado "amor".
                             Captulo 17
Pouco depois de Katie cochilar com todos os seus pensamentos felizes, ela sentiu
alguma coisa fazendo ccegas em sua bochecha. Ela sacudiu a mo diante para
espantar aquilo que a incomodava e lentamente abriu um olho enquanto uma
sombra bloqueava o calor do sol.
- Ol. Os calorosos olhos cor de chocolate que a encontraram s podiam
pertencer a uma pessoa.
- Rick!
Ele acariciou a bochecha dela com uma grbera rosa.
- Pra voc, ele disse.
Katie abriu ambos os olhos e recebeu a flor de Rick assim como um beijo no topo
de sua cabea aquecida pelo sol.
- Como voc soube que eu estava aqui?
- Nicole. Ela estava no salo principal registrando a sada dos estudantes e disse
que voc contou a ela que estaria aqui at o seu turno comear.
- Eu estou atrasada? Katie se sentou e piscou. Ou voc est adiantado? Voc no
deveria estar aqui antes das cinco. Espere. Eu estou sonhando com tudo isso?
- Eu estou adiantado, Rick disse. Estava meio parado no Ninho da Pomba por
causa do fim de semana de Ao de Graas ento eu sa umas duas horas mais
cedo. No precisa se preocupar com a troca de turno l em baixo. Nicole disse
que poderia cobrir para voc. Eu disse a ela que voc e eu tnhamos planos.
- Isso foi legal da parte dela. Eu deveria dar a ela a minha flor. Katie girou o talo
entre seus dedos como se fosse um cata-vento.
Nota para si mesma: Voc realmente precisa explicar ao Rick que voc s disse
que gostava desse tipo de flor para manter uma conversa agradvel quando
Nicole disse que elas eram as suas favoritas. Se voc no disser alguma coisa
logo, voc vai ser sufocada por essas margaridas detestavelmente coloridas pelo
resto da sua vida.
- Voc no precisa dar a Nicole a sua flor, eu comprei uma para ela em forma de
agradecimento.
Katie correu os dedos pelos cabelos, tentando acordar de uma vez.
- Agradecer pelo qu? Por pegar o meu turno esta tarde? Ela bocejou e cobriu a
boca. Desculpe.
- Sim. Eu liguei pra ela mais cedo e perguntei se ela poderia lhe cobrir. Eu contei
a ela que eu tinha preparado uma pequena surpresa.
- O que ? Katie estava acordada agora. Ela estendeu a mo e Rick a ajudou a se
levantar da espreguiaadeira. Assim que ela sentiu o calor da mo dele
segurando a dela, ela soube com certeza que no estava sonhando com tudo isso.
Rick realmente estava ali e ele tinha uma surpresa para ela.
- Voc ter que esperar, ele disse.
Katie sorriu.
- Eu sou boa na espera, assim como voc. Ela no pde deixar de pensar no que
acontecera no dia anterior quando ela disse algo relacionado a Rick tambm ser
bom na espera. Sua graciosidade lhe rendeu um beijo.
Rick abriu a porta que os levava at as escadas.
- Ento eu deveria fechar os meus olhos ou algo assim?
- No, no feche os seus olhos. Eu tenho um pressentimento de que voc vai
dormir em p se voc fechar os olhos novamente.
Katie bocejou de novo, involuntariamente.
- Desculpe. Eu estou morta de sono.
- Eu deveria ter deixado voc dormir mais um pouco.
- No. T brincando? Voc e eu finalmente temos tempo para fazer alguma coisa
juntos. Isso  raro. Eu no quero dormir enquanto isso. Eu estou bem vestida
para onde quer que estejamos indo?
- Voc est tima. S pegue uma jaqueta ou um suter e encontre-me no salo
principal.
- Estarei l em trs minutos e meio. Katie apressou-se para o seu quarto. Rick
havia dito na noite anterior que eles iriam sair para jantar. Agora que ele estava
to adiantado, ela queria saber se o encontro deles tinha se tornado um almoo
atrasado.
No importava. O Rick, a qualquer hora do dia, era um presente.
Katie deixou o seu quarto com uma blusa de moletom em sua mo e sentiu o seu
estmago murmurando. J tinham passado quase vinte e quatro horas desde que
ela comera. Talvez o magnfico ponto alto da descoberta de que ela est
apaixonada tinha diminudo o bastante para traz-la de volta s coisas da vida
real, como dormir e comer.
Ela encontrou Rick no salo de entrada conversando com Nicole no escritrio.
Exposto no balco estava um significativo buqu com grberas cor-de-rosa,
amarelas, brancas e alaranjadas.
Rick realmente gosta de dar flores. Eu ainda tenho as rosas brancas que ele me
deu na semana passada. Eu s espero que ele no tenha mais flores esperando
por mim no carro.
- Eu acho que preto ainda  a melhor opo, Nicole estava dizendo quando Katie
se aproximou. Eu sei que pode parecer clich, mas para efeito dramtico, voc
nunca erra com preto. Ele vai dar  sala um senso de estabilidade mais definido.
- Sobre o que vocs esto conversando? Katie perguntou.
- Meu apartamento. Eli e eu estvamos pensando em pintar a sala de estar e
Nicole est me dando algumas idias.
Katie voltou-se para Nicole.
- Voc est dizendo para ele pintar a sala de preto? Voc no pode estar falando
srio.
- No a sala de estar. As molduras das fotografias dele. Eu estou dizendo que ele
poderia manter todas as fotografias, mas pintar os seus quadros de preto. Eu
acho que faria uma manifestao dramtica.
- Quando vocs decidiram pintar a sua sala de estar? Katie perguntou.
- Semana passada quando ns movemos a estante e a televiso. Ns vimos o
quanto a nossa parede estava ruim.
- Por que vocs mudaram tudo?
- O sol colocava uma sombra na TV mesmo quando as cortinas estavam fechadas.
Eli sugeriu que movssemos alguns centmetros, fora da sombra, o que foi uma
tima idia. Eu nunca pensei nisso. Uma vez que ns movemos a TV e a estante,
a parede ficou exposta e estava horrvel. Ns movemos o mvel e agora est bem
fcil caminhar para os quartos. Eu s tenho que decidir de que cor vou pintar a
parede
- Eli tem alguma preferncia? Nicole perguntou.
- No, no.
- Voc deveria pedir  Nicole para fazer umas amostras de cor pra voc, Katie
disse. Voc sabe, como aquelas tiras cores que voc juntou para aquela aula de
arte do Renascimento.
Nicole explicou:
- Eu acho que voc est se lembrando daquele projeto que eu fiz um ms atrs,
no qual eu tinha de criar uma paleta de cores para a pintura The Milkmaid, de
Vermmeer. Eu deveria ter ido de Rembrandt, como a maioria da classe fez. As
cores dele eram muito mais fceis.
- Voc gosta desse tipo de coisa? Rick perguntou. Pintura e decorao, quero
dizer.
- Acho que sim. Nicole disse.
- No seja to modesta. Voc j viu o quarto dela, Rick? Nicole  uma artista
quando o assunto  com cores e decorao. Ela  bem parecida com a sua me
nessa parte.
- Eu pagaria voc, Rick disse para Nicole. Quero dizer, se voc quiser vir dar uma
olhada no apartamento e fazer sugestes de cores.
- Voc no precisa me pagar. Eu vou dar uma passada na loja de pintura este
final de semana e pegar algumas amostras. Ento voc pode decidir de qual voc
gosta. Que cor  o seu sof?
- Marrom, Rick disse.
- Meio marrom, Katie acrescentou.  preto em alguns lugares. Realmente, Nicole,
voc deveria ver o apartamento primeiro. Se voc quiser, ns poderamos ir l na
sexta ou no sbado, j que eu e voc vamos estar por aqui todo o final de
semana, de qualquer forma.
- Eu vou cozinhar para vocs, Rick disse.
- tima idia, Katie disse. Se ns formos ambiciosos, ns poderamos fazer do dia
uma festa de pintura. A sala vai estar pronta em pouco tempo.
- Eu estou gostando de onde isso est chegando, Rick disse. Eu posso tirar folga a
maior parte da sexta, mas no no sbado.
- Parece que ns temos um plano, Katie disse. O que voc acha Nicole? Sexta
est bom pra voc?
Nicole olhava um pouco hesitante, mas acenou com a cabea demonstrando que
concordava. Katie se perguntou se era porque Eli, sem dvida, estaria ali. Nicole
parecia ter a mesma antipatia de Eli que Katie tinha. Ela decidiu que quando ela
tivesse a chance, iria assegurar a Nicole que Eli era realmente um timo rapaz.
Uma vez que voc comea a conhecer um pouco mais sobre ele, ele  intrigante
e pensativo, mas no chato.
- Parece que ns temos um encontro, Rick sorriu para Nicole. Voltando-se para
Katie, ele disse: E parece que  melhor ns sairmos para o nosso encontro antes
que a tarde deslize para longe de ns.
- Divirtam-se, Nicole disse.
- Ns vamos nos divertir. Katie segurou a mo de Rick enquanto eles viravam
para ir. Ela olhou para Nicole sobre os ombros e disse: Pelo menos eu acho que
ns vamos nos divertir. Eu nem sei onde ns estamos indo!
Rick, brincalho, arrastou-a para fora da porta.
-  por isso que  uma surpresa. Nem tente me arrancar alguma pista.
- Tem certeza que eu estou bem de jeans? Ns no vamos a nenhum lugar
chique, vamos?
- No  chique.
- Vai estar muito frio? Porque se esse moletom no for quente o suficiente, diga-
me agora e eu volto pra pegar uma jaqueta.
Rick soltou a mo dela e colocou o brao em volta do ombro dela, aproximando-a
dele.
- Voc est tentando arrancar dicas de mim.
- S um pouco.
- Sem mais dicas. Voc est bem. Jeans, moletom, tudo. Voc vai ficar bem.
- E se eu sentir frio, voc vai me manter aquecida, certo?
- Sem dvida. Rick beijou-a no lado da cabea. A propsito, eu gostei do seu
cabelo. Quando voc fez isso?
- Sexta-feira, antes da Noite da Pizza.
- Voc vai ter que contar a minha me aonde voc foi. Desde que eles se
mudaram para c, ela diz que no tem encontrado uma boa lavanderia  seco ou
um bom salo de cabeleireiro.
Katie riu.
Rick olhou para ela, esperando que ela explicasse o que era to engraado.
- Desculpe, mas eu no posso ajudar a sua me com nada disso. Eu nunca tive
nada lavado  seco na minha vida e eu mesma tingi os meus cabelos.
Rick parecia pasmo. No impressionado. Pasmo.
- Voc  realmente a mulher mais independente que eu conheo.
- Eu teria dado uma tima pioneira, Katie disse. E quanto a voc? Voc acha que
teria sido um grande pioneiro?
- Definitivamente no. Eu nunca iria para o oeste se eu estivesse bem acomodado
em uma cidade do leste. Arizona foi o lugar mais rstico que eu j quis ir e eu
mesmo assim eu fiquei sob um ar condicionado o tempo todo.
Rick abriu a porta do lado do passageiro do Mustang dele para Katie com os seus
modos usualmente gentis. No banco estava uma caixa amarrada com um lao
azul.
- Rick, voc no tem que sempre me dar coisas, voc sabe.
- Eu sei. Eu gosto. Espere at que eu entre para abrir isto.
Uma vez que Rick estava atrs do volante, Katie desfez o lao e abriu a pequena
caixa. Dentro estava um colar em uma corrente prata. Ao final da corrente
estava uma pedra verde lapidada ou um pedao de vidro polido. Era lindo, mas
Katie no entendeu o seu significado.
- Gostou? Ele perguntou.
- Sim. Ela gostou mais dele ter pensado nela e dado a ela algo meigo do que
gostara do colar por si s.  lindo.
- Eu vi o colar em uma loja de presentes da ltima vez em que estive no Arizona.
A pedra me lembrou de seus olhos. Veja, quando voc a vira para a luz, ela muda
ligeiramente, assim como os seus olhos. Voc quer usar?
- Claro.
Katie entregou o colar para Rick porque ela sabia que ele via pequenos gestos
como fechar jias ou amarrar os sapatos de Katie como atos romnticos. Rick se
aproximou enquanto ela afastava os seus cabelos do pescoo e ele fechou o colar
no lugar. Ento, ele a beijou no pescoo.
A resposta de Katie foi se virar para Rick, que estava h apenas alguns
centmetros de distncia e iniciar um doce e terno beijo nos lbios dele.
- Obrigada, ela sussurrou.
- De nada. Eu estou contente por voc ter gostado.
Katie olhou para baixo e alisou os seus dedos sobre a pedra verde.
- Eu queria saber o que  isso, ela disse. Quero dizer, que tipo de pedra  essa?
- Eu no sei. Voc pode chamar de Pedra da Katie, se voc gostar.
- Fofo! Eu nunca tive uma pedra nomeada por minha causa antes.
Rick ligou o carro e a msica do som instantaneamente ressoou. Ele foi para
abaixar, mas Katie o parou com a sua mo na dele.
- Eu amo esta msica, ela gritou. Deixe assim.
Rick concordou. Com a msica alta, as janelas abertas e a luz do sol da tarde de
outono vertendo pelo pra-brisa, Rick e Katie saram para o seu encontro. Ela
tocou a lisa pedra verde em seu colar mais uma vez e desejou saber se o colar
era a surpresa ou o destino seria tambm uma surpresa. Uma coisa era certa.
Quanto mais rpido eles parassem para comer, melhor. Ela estava morrendo de
fome. Katie tinha um pressentimento de que ela iria engolir mais comida do que
ela tinha comido alguma vez na frente do Rick. Era bom que ele estivesse louco
por ela e acostumado aos seus modos carnvoros.
Eles viajaram por mais de quarenta minutos e estavam se aproximando de
Escondido, onde ambos haviam crescido, quando Katie comeou a se sentir
enjoada. O estmago dela no estava transtornado de fome. Ela se sentia
nervosa por estar to perto da casa de seus pais.
- Rick. Ela avanou para abaixar o volume do som. Por favor, no me diga que
ns estamos indo ver os meus pais. Eu no estou preparada para v-los.
Mentalmente, quero dizer.
- Ns no estamos indo ver os seus pais.
- Bom. No que eu no deveria estar indo v-los, porque eu deveria. Eu tentei,
voc sabe, arrumar alguma coisa para o dia de Ao de Graas, mas...
- Eu sei. Ns no vamos l. Voc pode relaxar.
Katie no relaxou. Ela sentia como se precisasse confiar em Rick mais do que
confiara antes. Enquanto ele continuava dirigindo, ela continuou falando,
conversando abertamente sobre os seus pais. Ela contou a Rick o que Julia havia
dito sobre honrar a eles. Ela tambm contou a ele sobre a conversa com a sua
me, sobre deixar uma mensagem no telefone de Clint e sobre como Larry havia
estado num centro de reabilitao em Baskerfield no vero passado.
- Por que voc no me contou isso antes? Rick perguntou.
- O assunto nunca surgiu. Meus irmos so apenas uma parte da minha vida. Eu
tentei contatar Clint por causa do Buguinho.
- Eu acho que voc contou que sua me ligou enquanto voc estava de planto
naquele sbado.
- Isso mesmo, ela me ligou.
- Havia uma razo?
Katie relembrou.
- Ela disse que queria o meu endereo.
- Ela te enviou alguma coisa?
- Eu no sei. Eu deveria verificar a minha caixa de correio no campus. Eu no
vejo h cerca de uma semana. Ela disse que tinha uma carta para me enviar.
- Que tipo de carta?
- No tenho idia. Provavelmente alguma coisa de emprstimos estudantis ou
uma promoo de carto de crdito.
O trfego estava ficando mais intenso enquanto eles reduziam a velocidade na
pista do centro.
- Eu espero que no haja um acidente, Katie disse.
- Eu deveria ter imaginado que ns pegaramos o trfego do feriado. Eu pensei
que ns estivssemos saindo cedo o bastante.
- Onde ns estamos indo? Katie perguntou.
Rick deu a ela um de seus sorrisos de lado.
- Deveria ser uma surpresa.
- Eu pensei que o colar fosse a surpresa.
- Ok, ento eu tenho duas surpresas. A primeira foi o colar.
- E a segunda?
- Deixe-me dizer apenas que ns estamos indo a um lugar que eu estive pensando
em lev-la por um longo tempo.
- Oh, uma pista! Continue.
-  um lugar que eu sei que voc realmente queria ir.
- Isso no  uma grande dica. E tenho desejado ir a um monte de lugares. ...
Marrocos?
Rick riu.
- No exatamente.
- Ns estamos indo em direo ao sul.  o... Mxico?
- No, definitivamente no!
- O que h de errado com o Mxico? Eu acho que seria divertido ir  Tijuana ou 
Enseada por um dia. Ns deveramos fazer isso uma hora. Um grupo de garotas
do nosso andar foi uns finais de semana atrs para a praia de Rosarita.
- Ns podemos passar o dia na praia de Carlsbad, ou melhor ainda, ns
poderamos ir at  praia de Newport.
- Voc no acha que seria divertido ir at o Mxico?
- No.
- Por que no?
-  primitivo. Eu pensaria em outros lugares aos quais eu vou mais.
- Como onde? Onde voc gostaria de ir se voc pudesse ir a qualquer lugar do
mundo?
- Eu iria  Aspen.
- Colorado?
- Minha famlia ficou em um resort ali uma vez que foi, na minha opinio, o
melhor possvel. Cinco estrelas, timas vistas pela janela. Eu poderia viver l,
sem problemas.
- Voc viveria onde neva? Em um ski resort? Katie nunca esperava que Rick
dissesse isso.
- Foi o primeiro lugar que me veio  cabea. Se ns estivermos sonhando os
nossos sonhos ideais, ento sim,  l que eu viveria.
- Eu nem fazia idia que voc gostava tanto do Colorado.
Rick acenou que sim com a cabea.
- Voc e eu deveramos ir esquiar neste inverno. Eu s fui uma vez no ano
passado. Voc j esquiou antes, no ?
- S uma vez. Com a Cris, no ensino mdio. Eu falei para ela se inscrever no
clube de esqui. Ns tivemos que vender tabletes de chocolate para levantar
dinheiro para a viagem. Eu acho que comi mais do que vendi. Gostaria de saber
como eu coube em minhas roupas de esquiar.
- O que voc acha? Voc est interessada em descer as ladeiras novamente?
- Eu estou interessada em tentar de novo, mas voc precisa saber que, quando eu
tenho um par de tbuas amarradas aos meus ps e sou empurrada ladeira de gelo
abaixo, bem, deixe-me apenas dizer que todos os coelhos da neve estaro a salvo
de qualquer competio sria.
- Voc s no teve o instrutor certo, Rick disse. Quando ns formos, eu vou
ensinar a voc algumas das artimanhas do esporte. Voc vai ficar tima. Confie
em mim.
Katie parou para criar uma imagem mental dela mesma na viagem de esqui no
ensino mdio. Ela realmente era um desastre com os esquis. Embora, se ela
estivesse lembrando corretamente, o assistente da loja de aluguel de esquis
tinha dado a ela esquis que eram grandes demais. Talvez fosse diferente se ela
tivesse os melhores esquis ou pelo menos uns que fossem mais curtos e mais
fceis de manusear.
- E quanto a voc? Rick perguntou.
- E quanto a mim?
- Onde voc viveria se pudesse viver em qualquer lugar?
Katie parou.
- Eu acho que eu gostaria de ter um pequeno apartamento em algum lugar onde
o aluguel estivesse disponvel e ento eu gastaria todo o meu dinheiro viajando
pelo mundo.
Rick riu.
- Estou falando srio. Tem tanta coisa fora daqui para se ver.
- Isso  o que o meu irmo diz. Ele fixou metas muito altas para ns ao iniciar
essa rede de cafs. Se ns conseguirmos os locais certos no momento certo e
adquirirmos antes da rea comear a bombar, ns vamos conseguir bastante
dinheiro. A loja do Arizona era um retrocesso, mas eu estou feliz agora que no
funcionou. Josh est correndo os olhos por outros locais. Eu no te contei muitos
detalhes, mas ns temos um plano de dez anos que poderia se tornar muito bom
para ns.
Katie no estava acostumada com Rick falando sobre as suas metas financeiras.
Ela tambm no tinha percebido que ele e Josh planejavam permanecer com o
negcio do caf por dez anos. Rick tinha a vida dele planejada.
Eu gostaria de saber se ele me colocou nesse plano de dez anos.
- A propsito, Katie perguntou. Josh vai estar no jantar de Ao de Graas
amanh, no vai?
- Sim.
- E quanto a Eli?
- Sim, ele ir e disse que vai levar algum.
Katie ficou empolgada.
- Ele vai levar Joseph?
- Eu no lembro quem ele disse que era. Pode ser que seja Joseph.
- Espero que seja.
Rick olhou para Katie:
- Por que voc perguntou sobre Josh?
Ela estava quase revelando a sua idia de juntar Nicole com Josh, mas ela
lembrou que Nicole no queria que Katie dissesse coisa alguma para que no
ficasse um clima estranho quando eles se encontrassem.
- Eu s estava querendo saber. Do mesmo jeito que eu quero saber por que ns
estamos quase em San Diego. Ns estamos fazendo uma viagem para dentro do
seu passado e visitando o seu antigo apartamento?
Rick olhou para Katie novamente.
- Eu no tinha pensado nisso, mas no  uma m idia.
- Eu estava brincando. Onde ns estamos indo realmente?
- San Diego, como voc percebeu.
- E o que ns estamos indo fazer em San Diego?
- Voc vai ver.
Katie deu um tapinha amigvel no brao de Rick.
- Voc  um grande garoto chato e mimado com segredos, voc sabia disso? E s
por ser chato e mimado, eu acho que voc deveria me dar outra dica.
- Voc acha, no ? Ok, sem problemas. Aqui est a sua dica. Isso  um ,,refazer.
- Um o qu?
- Um refazer. Ns j viemos aqui antes.
- Essa no  uma dica muito boa.
- E quando ns viemos aqui voc no teve um bom tempo. Eu sempre me senti
mal com relao a isso. E estava pensando sobre esse lugar ontem e eu decidi
que, se ns vissemos aqui e tivssemos um refazer da experincia, eu poderia
substituir a lembrana com uma lembrana nova e melhor.
Katie pensou sobre o que Rick estava dizendo.
- Da ltima vez que eu estive aqui, voc estava aqui tambm?
Rick acenou com a cabea e deu uma olhada para ela.
Um sorriso largo e ensolarado rompeu da face dela.
- Rick, ns estamos indo ao zoolgico! Voc est me levando para o zoolgico de
San Diego!
- Talvez, Rick disse lentamente. De qualquer forma, a expresso satisfeita no
rosto dele tornou claro que Katie chutara corretamente.
- Ei, eu volto atrs sobre ter dito que voc  um garoto chato e mimado. Voc 
o meu heri! Eu no posso acreditar que voc est me levando para o zoolgico.
Eu amo o zoolgico. Exceto na ltima vez que estivemos aqui. Eu odiei o
zoolgico aquele dia e eu odiei voc. Bem, no odiei voc, mas meus
sentimentos no eram agradveis com relao a voc como eles so agora. Oh,
Rick, essa  uma surpresa to boa! Voc  maravilhoso! Eu te amo!
O "Eu te amo" saltou antes que Katie tivesse a chance de devolv-lo  caverna
secreta de onde ele tinha pulado.
Rick permaneceu olhando para frente, dirigindo com um sorriso fixo em seus
lbios.
Katie no se retratou de sua declarao. Ela queria saber se ele entendeu como
todos os seus outros comentrios exuberantes do tipo "voc--legal, eu-te-
adoro" ou se ele entendeu do mesmo jeito que ainda estava ressoando dentro de
Katie como um gongo. A verdade fora dita em alta voz. Katie amava Rick.
Agora estava nas mos de Rick. Qual seria a resposta dele? Ele colocara Katie em
seu plano de dez anos? Ou ele ainda estava dando um-passo-atrs-do-outro no
relacionamento deles sem ter passado pela linha invisvel que o conduziria a
saber com certeza que estava amando?
Katie desejava muito saber a resposta aqui e agora. Ela podia at ter dito a Rick
mais cedo que ela era "boa-para-esperar", mas no momento, ela no gostava de
ter os sentimentos dela expostos ali no espao entre eles e ser aquela que estava
prendendo a respirao, esperando pelo que Rick diria em seguida.
                            Captulo 18
Cinco horas antes Katie havia deixado escapar a declarao de amor por Rick e
ele continuava no dizendo nada a respeito, ela tinha a expectativa de uma
resposta. Ela preferia que Rick tivesse sido o primeiro a fazer uma declarao to
importante. Ela convenceu a si mesma, pela forma como tinha dito, que poderia
deixar isso passar at Rick ser aquele que levaria a relao por conta prpria.
Sem dvidas ele iria planejar cuidadosamente o momento em que diria essas trs
pequenas palavras que poderia mudar tudo pra eles.
Eles j haviam chego ao Zoolgico de So Diego as 15 horas e feito o caminho
para ver as escolhas de Katie em algumas horas. Katie dizia cada animal que
gostava e ento eles iam at a prxima exposio. Ento este animal se tornava
seu favorito.
Rick brincou com ela, segurou sua mo, e comprou pra eles cachorro quente para
acalmar a fome antes dos grandes planos do jantar.
Na exibio do Panda, eles no viram muitos dos animais porque eles estavam
dormindo. Os Coalas estavam dormindo tambm. Os ursos polares estavam ativos
e bem amigveis esta tarde. Um deles nadou para baixo do gelo na sala de vidro
e olhou para todos, depois subiu a superfcie. Katie colocou a mo no vidro e
conversou com ele. Ele ficou um pouco tempo antes de voltar a sua ronda, virou
as costas para eles e nadou.
Rick gostava de ler as informaes sobre cada animal. Ele ficou especialmente
impressionado quando leu que o primeiro urso polar chegou ao Zoolgico de So
Diego em 1917. Agora a exibio do urso polar era a maior exibio do mundo, e
a gua era mantida bem gelada mesmo nos dias quentes de So Diego.
A exibio dos Gorilas foi bem divertida pros dois. Eles riram muito e se
divertiram vendo as crianas pequenas vendo os orangotangos nadando e jogando
gua para cima. Um dos orangotangos brincava mais do que os outros. Uma
pessoa parada perto de Rick e Katie disse:
- Eu acho que ele  o que pinta e tem isso na internet.
Katie pensou que o homem estava brincando, mas outras pessoas em volta deles
confirmaram que os orangotangos do Zoolgico de So Diego eram conhecidos
pela sua inteligncia. Rick achou um quadro informativo que explicava sobre um
orangotango chamado Ken Allen que morava ali por 29 anos. "Curioso Ken Allen"
ele fez seu prprio nome quando escapou 3 vezes do seu habitat e ficou andando
pelo zoolgico, vendo os outros animais. Os tratadores nunca conseguiam saber
como ele escapava.
O passeio deles pelo zoolgico foi bem diferente de cinco anos atrs quando eles
vieram com Cris, Ted e Douglas. Katie passou a maior parte do dia se sentindo
mau porque Rick a estava ignorando depois de te-la beijado na noite anterior em
frente ao apartamento que ele dividia com Ted e Douglas. Em um momento,
Katie lembrou que chorou por causa disso e ficou chateada com Cris por tentar
anima-la.
Essa viagem ao zoolgico estava sendo para relembrar e a diverso que ela e Rick
estavam tendo juntos estava suprimindo o drama e o trauma da excurso
anterior.
- Voc acha que  porque somos mais velhos? Katie perguntou a Rick, enquanto
eles estavam deixando a exibio para a sada.  por isso que tivemos esse tempo
to legal? Ns estamos aptos em levar melhor nosso relacionamento?
- Eu acho que voc faz de coisas como essas mais legais, Rick disse. Eu no
acredito que voc disse quela garotinha que quando os flamingos ficam parados
com uma perna  porque querem ir ao banheiro.
Katie riu.
- Voc a viu quando ela saiu com a me? Ela estava pulando numa perna.
- Ns podemos imaginar onde eles foram.
- E ns? Katie perguntou.
- E ns? Rick bebeu o gole final de seu refrigerante que estava carregando desde
que eles pararam na exibio dos rpteis. Voc quer parar em um banheiro
tambm?
- No. Eu estava tentando perguntar pra onde ns vamos agora? Ela sabia que
eles iriam jantar, mas aparentemente Rick entendeu como algo sobre seu
relacionamento.
- Eu acho que estamos prontos para mais tempos bons. O que voc acha?
- Mais tempos bons, sim, definitivamente. Alguma coisa mais que voc queira
adicionar ao pedido?
Rick colocou o brao nos ombros dela.
- Eu acho que estamos prontos para mais tempos bons por muitos dias que ainda
viro. Isso  suficiente, ou voc est pronta para mais?
- Mais?
- O quanto de compromisso voc precisa neste ponto? A voz de Rick estava toda
derretida.
- Eu no preciso necessariamente de mais compromisso. Eu apenas sei que isso...
- Voc sabe o que?
Ela no queria jogar para fora que o estava amando. No ali. No na sada do
zoolgico. Ele estava dando varias pistas de que se sentia da mesma forma, e
ainda, at que ele tenha dito as palavras, ela no iria repeti-las.
- Eu s sei que estou muito feliz da forma como estamos agora, e estou
agradecida que tenhamos pego o caminho longo na marcha lenta, ela disse.
- Eu tambm.
Enquanto eles dirigiam para fora do estacionamento, Katie pensou sobre as
respostas anteriores de Rick. Ele estava dando a Katie todas as razes para ela
acreditar que estava includa em seus planos de 10 anos  e muito mais. Um dia,
ela acreditava que ele iria dizer que a amava.
E eu preciso esperar esse dia. Eu no quero pression-lo em algo emotivo at ele
dizer isso. Eu preciso ouvir as palavras dele quando elas sarem do corao,
todas exuberantes e espontaneas.
- Ento onde estamos indo agora? Katie perguntou. Ento acrescentou: Algum
lugar para comermos, eu espero. Meu cachorro quente acabou la no urso polar.
Eu estou to faminta que eu acho que poderia comer um urso polar. No um
daqueles que acabamos de ver, porque eles eram fofos. E muito grandes! Como
uma criatura to grande pode nadar com tanta agilidade?
- Eu no tenho idia, mas acho que voc ir gostar de onde estamos indo comer
j que esta com fome. Eu estou com fome tambm.
-  algum lugar que ns j fomos antes ou que voc j esteve antes?
- No. Eu achei esse lugar pela internet. Eu tive timas referencias, e 
diferente.
- Diferente, hum? Katie sabia que Rick sempre se interessava em procurar
restaurantes que oferecessem coisas "diferentes". Era por isso que ele tinha
ficado to animado quando abriram um restaurante perto do apartamento dele
alguns meses atrs. Ele ficou falando de um restaurante indiano que abriu em
Fallbrook. Katie torceu para que essa noite no fosse a escolhida para conhecer
esse restaurante em particular. Ela queria comer um grande pedao de carne,
no um prato com variedade de arroz.
Rick dirigiu at proximo a rea antiga de So Diego e achou um estacionamento
na rua, que ele disse foi um milagre.
Katie achou uma loja de chocolate do outro lado da rua.
- Voc se importa se pararmos ali antes de comer?
- Voc quer alguns aperitivos? Rick perguntou.
- No. Bem, talvez. No  uma m idia. Eu queria comprar algo para dar a sua
me amanh.
Quando ela se juntou  famlia de Rick na Pscoa, todos os outros convidados
levaram bonitos presentes e doces ou frutas especiais. A famlia de Rick era boa
em dar presentes e Katie no queria aparecer com as mos vazias no grande
jantar da me dele.
Entrando na loja de doces, Katie perguntou a Rick:
- O que sua me gosta?
- Ela gosta de qualquer chocolate.
- Olhe esse! Katie pulou em um chocolate. O que voc acha desse?
Rick no parecia convencido.
- Voc poderia pegar algumas trufas, ele sugeriu. Voc pode escolher a que
quiser, e eles embrulham pra voc.
Katie pegou vrios tipos de bombons e trufas, enquanto uma jovem mulher com
luvas brancas enchia uma caixa com cerca de 900 gramas de bombons. Rick tinha
sugerido que ela comprasse uma caixa de 700 gramas ou, at mesmo de 450
gramas. Katie queria causar uma boa impresso ento ela deixou de lado a
sugesto de Rick e pediu pela caixa de 900 gramas, certificando-se de que a
embalagem faria jus aos mais deliciosos chocolates.
A mulher do outro lado do balco fechou a caixa marrom com um lao dourado e
o colocou de uma forma muito bonita. Ela digitou algo em seu computador e
ento disse:
- Fica em $57, 82
Katie no se moveu. Ela no piscou. Por um momento ela nem respirou. A nica
palavra que ela conseguiu dizer foi.
- Dlares?
- Aqui. Rick rapidamente alcanou sua carteira. Eu posso colocar no meu carto,
se voc no tiver este valor. Voc pode me pagar depois. Com um sorriso ele
adicionou: Voc  boa em emprstimos. Eu sei onde te encontrar.
- No, eu posso pagar. Katie disse. Ela pegou seu carto de dbito, sabendo que
no tinha dinheiro suficiente na sua conta para cobrir o gasto. Contudo, quinta
seria Ao de Graas e feriado no banco e ela tinha quase certeza de que poderia
colocar o dinheiro de volta desde que recebesse seu pagamento de AR, j que ele
era depositado automaticamente toda sexta. Tudo que ela tinha que fazer era
lembrar de transferir o valor necessrio.
Quando eles deixaram a loja de chocolate com Katie segurando o caro presente
numa sacola de shopping, ela ainda estava em choque. Ela nunca havia pago
tanto por um presente. Verdade, ela sempre fora econmica e no muito de dar
presentes ento ela no sabia o quanto iria gastar com isso. Mas gastar quase 60
dolares em doces acabou com sua mente.
- Pronta para comer? Rick perguntou
Ela confirmou e forou um sorriso. A ultima coisa que ela queria era mostrar a
Rick que ela desejava no ter comprado todo esse chocolate. Ou talvez ela
pudesse ter comprado menos como Rick havia sugerido.
Nota para si mesma: Quando Rick disser para colocar menos de qualquer coisa,
escute o homem!
Rick fez seu caminho pela rua abaixo para um restaurante charmoso que tinha
um cheiro muito bom. A placa da entrada dizia, "Churrascaria".
-  brasileiro. Rick segurou a porta aberta para Katie. Ele apontou para um dos
garons vestidos com roupas estilo gacho que passou por eles com um grande
espeto cheio de carne. Na outra mo ele tinha uma grande faca.
- Eles vm a mesa com a carne no espeto. Ento eles cortam quanto voc quiser
enquanto ainda est quente.
- O quanto eu quiser? Katie repetiu.
- Voc est com fome, no est?
- Muita!
O recepcionista os sentou em uma mesa longa, perto das saladas.
- E se voc no quiser a carne? Katie perguntou. Essa  a opo dos vegetarianos?
- No, est tudo includo.
Katie arregalou seus olhos verdes.
- Tudo incluso? Quanto custa este lugar?
- No importa. Apenas aproveite. O que voc quer beber?
Katie pediu ch, e ento juntos, eles fizeram sua ronda pela espetacular mesa
das saladas. O primeiro pedao de carne foi oferecido e cortado na mesa deles
junto com um pedao de bacon, seguido por outros pedaos finos de carne. O
sabor era apimentado, Katie adorou, e Rick tambm. Eles experimentaram cada
pedao de carne que era trazido  mesa deles.
- Eles tm 16 tipos diferentes de carne, Rick disse. Eu acho que ns devemos
comear a contar porque eu acho que no conseguiremos chegar l.
- Essa ultima estava maravilhosa, Katie disse. Mesmo tendo comido pouco ela j
estava cheia.
A salada ainda estava intocada, mesmo ela amando. Ela no poderia forar a si
mesma a comer mais um pedao.
- Selena continua no Brasil, voc sabe, e ela me disse sobre lugares que voc
poderia comer muita carne. Eu no consegui imaginar, mas tenho certeza que
era disso que ela estava falando. E s pra constar, voc pode me trazer aqui
sempre que quiser.
Katie teve a sensao de que a conta seria maior do que a dela com o chocolate.
Ela queria ter certeza que Rick saberia o quanto ela tinha gostado do dia. Eles
saram para dar uma volta pelo bairro antes de voltar para casa.
- Voc  to bom pra mim Rick. Obrigada pelo dia. O zoolgico, o jantar
maravilhoso, e essa volta. Voc realmente sabe ser generoso.
- Saiu tudo como imaginei, valeu a pena.
- O que valeu a pena?
- Gastar tempo pensando em coisas legais para fazer e lugares interessantes para
jantar. Ns estamos juntos h quase um ano, Katie. Eu sei, que estamos
oficialmente juntos h alguns meses, mas ns fizemos muitas coisas juntos por
um longo tempo. Muito desse ano passado eu estava focado no caf e em abrir
outro com o Josh. Isso me fez sentir que estava falhando com minhas obrigaes
de namorado.
- Obrigaes de namorado? Katie riu. Ei, se voc est saindo comigo como uma
tarefa ou obrigao, voc est bem enganado com o que significa nosso
relacionamento.
- Ok, ento obrigaes foi uma palavra errada. Mas voc sabe o que eu quero
dizer. Eu quero me focar em voc agora. Eu quero que a gente faa coisas legais
juntos. No ria de mim, mas eu fiz uma lista.  isto estava ma lista. Eu queria ir
ao zoolgico para voc poder ter uma boa memria em estar comigo.
Katie olhou para Rick com olhar de devoo e apreciao.
- Misso comprida, meu namorado fazedor de listas. Eu agora tenho a melhor e
mais feliz lembrana do zoolgico.
- timo. Rick parou de andar. Eles estavam em frente a uma loja de vender
bicicletas. Todas as lojas estavam fechadas, mas era um lugar turstico.
Enquanto eles estavam l, Rick segurou Katie em seus braos. Ela sabia que ele
iria beija-la. Ela ento fechou os olhos e esperou. Quando os lbios de Rick
estavam prximos aos dela, um arroto inesperado rodeou em seu estomago e
estava pronto para sair. Katie rapidamente virou o rosto e tentou impedir. Ela
fez um barulho engraado e ento riu.
- O que  to engraado? Rick perguntou.
- Nada. Eu! Meu barulho! H! Katie tentou no ficar com uma expresso estranha
e trazer de volta o momento romntico que eles quase experimentaram. Me
desculpe, Rick.
Ele parecia confuso.
De forma alguma Katie iria contar a ele que ela quase deixou escapar um gs
txico do rosto dele. Coitado do rapaz. Ele parecia no entender a brincadeira
privada de Katie.
- Vamos l. Ele pegou a mo dela e a levou de volta ao carro.
- Voc est triste? Ela perguntou.
- Eu deveria estar?
- No. Eu apenas... meu hlito est realmente com cheiro estranho. Ela disse. Me
desculpe eu no queria estragar o momento.
- Eu devo ter algum chiclete no carro.
- Bom. Eu irei pegar.
Eles pegaram a estrada e foram para o norte, mastigando o chiclete sabor menta
e pimenta e conversaram sobre o zoolgico e outras idias que Rick tinha em sua
lista. O humor deles estava timo. O trafego estava horrvel, mas deu a eles a
oportunidade de discutir sobre vrios pontos. Uma hora no caminho deles pra
casa, Katie de repente segurou o brao de Rick.
- Ah, no! Rick, ns temos que voltar!
- Qual o problema?
- Os chocolates! Eu esqueci os chocolates! Eu coloquei a sacola em baixo da mesa
do restaurante, e esqueci. Rick, ns temos que voltar!
Ele no estava feliz. Mas Katie tambm no estava.
- Eu deveria dizer pra esquecer isso e irmos embora, mas os chocolates foram um
grande investimento pra mim, Rick.
- Voc deveria ter comprado uma caixa menor! Ele murmurou
- Eu sei. Voc est certo. Eu vou te pagar pela gasolina de volta.
- Voc no precisa me pagar pela gasolina, Katie. Eu deveria ter lembrado
tambm. Eu deveria ter lembrado antes de sair.
- Eu odeio quando fao coisas assim.
- No gaste a prxima hora se culpando. Aqui. Use meu celular e ligue pro
restaurante. Eles podem levar a sacola pra voc em frente ao restaurante ento
a gente apenas passa e pega.
- Voc tem o numero deles aqui?
- Eu coloquei ai quando liguei alguns dias. Est na minha lista de restaurantes.
- Eu no conheo ningum que tenha uma lista de restaurantes no celular. Por
que voc tem todos esses nmeros de restaurantes?
- Para momentos como esse, Rick disse com uma voz baixa.
- Ponto para voc. Katie achou o numero e ligou pro restaurante. Eles disseram
que acharam uma sacola e que iriam segurar na porta da frente.
Levou 1:15 minutos para dirigir de volta ao restaurante. Ento eles voltaram pra
casa e levaram 2h pra chegar por causa do trfego. Parte do caminho eles
estavam cordiais. Mas quando Rick deixou Katie do Crown Hall depois de uma
hora da manh, os dois estavam meio ausentes.
- Eu virei amanh 11h, Rick disse.
Por um momento, Katie no conseguia lembrar o por que ele estaria vindo. Ento
ela lembrou que seria Ao de Graas. O almoo seria as 14h, mas Rick iria pega-
la mais cedo para eles assistirem o jogo de futebol ou jogar algum jogo.
- Estarei pronta as 11h, Katie disse mais para lembrar a ela mesma e ento
acrescentou. E Nicole estar comigo.
- Bom. Rick disse.
Katie estava quase fechando a porta do carro quando Rick disse.
- Katie, a sacola.
- Ah, os chocolates. Eu quase os esqueci de novo. Ela pegou a sacola.
- Voc quer que eu fique com eles e traga comigo amanha?
- No, eu irei lembrar. Obrigada de novo, Rick. Foi um dia maravilhoso e noite
tambm. E o comeo do outro dia. Me desculpe por esquecer os doces.
- No se preocupe. Durma um pouco. Te vejo de manh.
Katie acenou, e Rick foi embora. O campus estava estranho. Nenhum estudante
estava andando por l. Mesmo j sendo tarde da noite, sempre tinha algum
entrando ou saindo do estacionamento ou sentado no lobby. Crown Hall estava
parecendo um lugar fantasma.

Usando sua chave mestra, Katie fez seu caminho pelo prdio, bocejando muito.
No havia musica saindo das portas por onde passava. Nenhum som de conversas
vindas dos banheiros e nenhuma jovem sentada em frente seu quarto com
problemas nas chaves e conversando em seu telefone.
Katie achou que seria fcil ir pra cama hoje. O que no foi fcil foi acordar no
outro dia quando o alarme do seu celular tocou. Ela levou pouco tempo tomando
banho. Mas mesmo sendo pouco tempo, Katie achou que seria difcil estar pronta
antes das 11h.
Ela saiu pelo corredor em seu robe e bateu na porta do quarto de Nicole,
chamando-a.
- Ei, eu no sei o que vestir. O que voc est usando?
Nicole abriu a porta e fez sinal para Katie entrar enquanto ela estava no celular.
Ela estava arrumada, e seu cabelo brilhante estava muito bonito. Seu vestido
marrom acentuava da forma certa os lugares certos. Seus brincos e o colar
estavam ideais, e at seus sapatos estavam combinando. Nicole estava perfeita
para a Ao de Graas e Katie tinha certeza de que Josh iria not-la e ter uma
tima impresso.
Desligando o celular, Nicole imediatamente perguntou.
- Eu estou muito arrumada?
- No. E nem pense em se trocar. Voc est perfeita. Fantstica. Agora, posso
pegar algo emprestado?
Nicole riu.
- O que quiser. O que voc quer vestir? Calas? Um vestido?
- Eu quero colocar um vestido. Ou uma saia. Eu acho que fico mais confortvel
com saias.
- Aqui, tente essa. E se essa no ficar boa, tente essa. Nicole deu a Katie
algumas peas do armrio.
Katie levou apenas 6 tentativas antes de achar uma boa combinao. Ela
escolheu uma saia preta de Nicole apenas porque ela cabia bem melhor do que as
outras e uma blusa verde e branca com um suter que combinavam bem com
seus olhos. Parecia combinar tambm com o cordo que Rick deu a ela.
- Voc precisa me levar pra fazer compras. Katie disse. Eu nunca compraria algo
assim, mas agora que as coloquei junto, eu gostei. Gostei da saia tambm.
- Quer saber? Pode ficar com a saia. Eu no a usava h mais de um ano. Srio,
pode ficar.
- Obrigada. Vou voltar ao meu quarto e pegar o presente da me do Rick. Ento
estarei pronta.
- O que voc comprou?
- O chocolate mais caro do mundo.
- Eu comprei pra ela mum16. Isso  idiota? Eu no sabia o que comprar. Nicole
pegou um vaso com uma planta.
- Estas so as mums? Elas parecem margaridas. S um pouco marrons. Ou  um
tipo de laranja?
-  ocre.
- O que  isso?
-  o nome desse tipo de marrom. Ocre.
- Ok. Eu tenho que te dizer que voc e a me do Rick com certeza se daro bem.
Voc estar no topo da lista dela de pessoas favoritas com seu timo vocabulrio.
- timo, mas mesmo assim vou levar as crisntemos.
- Ahhhh! Diga essa palavra perto dela tambm. Ela sabe os nomes verdadeiros
das plantas e flores. Ela ir amar.




16
     Uma espcie de `apelido' para as flores crisntemos.
                           Captulo 19
Katie estava certa. Com ou sem flores ou a linguagem das nuances das cores, a
me de Rick instantaneamente adorou Nicole. Assim como o pai de Rick. Josh, no
entanto, parecia envolvido demais numa conversa com o pai de Rick para fazer
qualquer coisa alm de dizer oi. Quando o pai de Rick saiu da cozinha para
atender a campainha, Katie tentou encontrar uma maneira de conectar Josh e
Nicole.
- E ento, Josh, voc ainda est morando no Arizona, ou voltou pra c quando os
planos do caf em Tempe no deram certo?
- Eu estou no meio-a-meio. Do jeito que as coisas esto indo, eu devo estar de
volta no Natal, mas isso depende do que minha namorada acabar fazendo.
- Sua namorada? Katie trocou um rpido olhar com Nicole, que estava colocando
uma pequena cenoura de molho dentro de uma tigela. Nicole pareceu insensvel
 novidade de que Josh tinha uma namorada, mas Katie sentiu que devia outra
desculpa  sua amiga. Primeiro ela tentou juntar Nicole com Eli e no deu em
nada. Agora Josh tinha uma namorada.
- Shana se candidatou a um emprego em San Diego. Se conseguir, ela se mudar
pra c no fim de dezembro. Ento eu no teria motivos para ficar no Arizona.
Claro, muito vai depender, tambm, de onde ns vamos comear o prximo caf.
A me de Rick entrou na conversa enquanto ela enchia uma tigela de madeira
com tortilhas.
- Eu queria que Shana tivesse se juntado a ns nesse feriado. Por favor, diga a
ela que ela  bem vinda aqui no Natal. Voc tambm, Katie, claro. Ns tivemos
um tempo timo quando voc esteve conosco no ltimo Natal. Voc  sempre
bem vinda. Eu espero que saiba disso. Agora que ns nos mudamos e estamos
bem mais perto da Rancho, eu espero que voc venha aqui mesmo quando Rick
no estiver com voc. E Nicole, voc  sempre bem vinda tambm.
- Obrigada, Nicole disse. Tem certeza que no h nada que eu possa fazer para
te ajudar com a comida?
- Ainda no. Eu te aviso quando ns estivermos prximos ao horrio de nos
sentarmos pra comer.
- A mesa est linda, a propsito, Nicole disse. Rick mostrou a casa pra ns. A
mesa de jantar  maravilhosa. Eu adoro aquela madeira escura. Sua loua de
porcelana  um dos meus modelos preferidos. Minha tia tem igual.  Lenox, no
?
Vindo de qualquer outra garota jovem, aqueles elogios poderiam soar com um
monte de frases falsas com a inteno de impressionar. Vindo de Nicole, elas
eram sinceras. A me de Rick pareceu perceber isso.
- Voc viu a tigela de molho que vem com o conjunto de peas? Eu acho que 
minha pea favorita. Ela foi at a sala de jantar e Nicole a seguiu, animada para
conversar sobre a loua de porcelana.
Katie se virou para Josh.
- Espero que Shana consiga o trabalho. Eu gostaria muito de conhec-la.
- Voc vai gostar dela. Ela se parece bastante com sua amiga. Josh apontou com
a cabea para a sala de jantar, onde Nicole estava de p de costas para eles.
- A Nicole  tima, no ? Katie sabia que Josh quis dizer algo positivo com o
comentrio, mas sinceramente, Katie teria gostado mais se Josh tivesse dito que
Shana era bastante parecida com Katie. Isso teria aumentado o ,,ibope de Katie
com a famlia de Rick, o que Katie sentia ser sempre uma boa coisa a ser feita.
Alm do mais, se Josh estava comparando sua namorada com Nicole, ento Katie
desejou ter apresentado Josh a Nicole antes de ele ter se envolvido com Shana.
Mas ela nem teve tempo de se sentir mal pelas possibilidades que o comentrio
de Josh trazia porque o pai de Rick retornou da cozinha com Eli e Joseph.
Katie cumprimentou Joseph com um abrao de lado e disse um caloroso oi para
Eli. O irmo e o pai de Rick pareciam um pouco surpresos com a aparncia
desmazelada do companheiro de quarto de Rick. Ou talvez fosse a aparncia de
Joseph.
Rick, que estava l fora na garagem procurando por algum tipo de bandeja em
meio  coleo de caixas fechadas para sua me, entrou naquele momento. Ele
apresentou Eli e Eli apresentou Joseph. Nicole e a me de Rick retornaram para a
cozinha e outra rodada de apresentaes aconteceu com mais apertos de mo e
olhares curiosos.
Katie tinha que admitir, Rick devia ter preparado Eli para o cdigo de vestimenta
da casa dos Doyle. Eli estava de cala jeans e um suter com um buraco no
brao. Seu cabelo escapulia por debaixo da boina que ele deveria ter retirado
quando entrou na casa. Joseph no estava to bagunado quanto Eli, mas sua
camisa estava amassada e carregava um leve cheiro do posto de gasolina.
- Por favor, sirvam-se de alguns aperitivos. A me de Rick assumiu o papel de
uma anfitri ideal e se certificou de que todos tinham algo para beber.
Espalhada pelo balco, junto com as tortilhas e uma travessa de vegetais frescos
e picados, estava uma salada de frutas feita na hora, po francs com pat de
espinafre, azeitonas, queijo e torradas.
- Que banquete maravilhoso. Joseph pegou algumas azeitonas e cubinhos de
queijo. Muito obrigado por me convidar para o jantar de Ao de Graas de
vocs.
- Ainda tem mais, Rick disse. Isso ainda no  o jantar. Isso  s o aquecimento.
Joseph olhou incrdulo. Katie se perguntou como deveria ser para algum que
cresceu numa vizinhana humilde entrar numa casa grande e primorosamente
decorada como a dos Doyle. O que ser que ele pensa?
Verdade, a cafeteria da Rancho Corona provia uma variedade abundante de
comida. Mas aqui, toda a comida era apresentada artisticamente e era
acompanhada por pratos de porcelana para os aperitivos e taas de cristal para
as bebidas.
Katie olhou para Eli. Ele estava encarando a me de Rick como se estivesse
tentando memorizar sua fisionomia. Ela era uma mulher linda. Alta e de cabelos
escuros como Rick. Quando ela era jovem, ela tinha feito alguns trabalhos como
modelo e quando Rick era jovem, ela vendera alguns produtos para pele. Rick
contou  Katie uma vez que o av de sua me morou na Itlia e que ele ainda
tinha alguns parentes l.
Dando alguns passos  frente para conseguir a ateno de Eli, Katie fez o sinal
que eles tinham praticado na Noite de Pizzas antes de Nicole descer. Ela
esfregou sua sobrancelha direita e passou a mo em seu cabelo.
Eli no captou a mensagem.
Katie fez o sinal pela segunda vez. Ele continuou sem responder. Recorrendo a
uma ttica mais bvia, Katie mudou para o original sinal com os dedos "tire uma
foto, dura mais".
Eli olhou para ela, assim como todos.
Katie rapidamente afastou suas mos uma da outra e fez um estranho movimento
de estalar os dedos, como se um pouco de sal ou pat dos aperitivos tivesse
ficado em suas mos e o sinal fosse parte do mtodo para remov-los.
Eli respondeu  mmica de Katie passando a mo em seu cavanhaque. Esse era o
sinal que ele tinha dado a ela no saguo do Crown Hall, ento agora ela teve
plena certeza de que ele estava em sintonia com ela. Ao menos ele tinha parado
de encarar.
A famlia   Doyle era forte em tradies e uma dessas tradies era um jogo de
tabuleiro   que eles jogavam quando todos estavam juntos. Katie secretamente
achava o    jogo muito estranho, mas ela tinha jogado em ocasies anteriores e
sabia que   daria seu melhor no jogo mais uma vez.
O jogo vinha com uma roleta e peas para mover pelo tabuleiro, mas ele deixava
a desejar na parte da competio. Era mais um jogo "vamos conversar". Quando
um jogador parava na casa azul, ele tinha que pegar uma das cartas-pergunta e
respond-la. Se ele parasse na casa vermelha, ele tinha que pensar numa
pergunta e faz-la  pessoa a sua direita.
Katie descobriu que o jogo foi inventado por um terapeuta que estava tendo
problemas em convencer sua famlia a se interagir. No que Katie soubesse como
uma famlia normal e saudvel devia interagir nos feriados, mas se sentar para
responder a perguntas parecia estranho para ela.
Entretanto, enquanto o peru cozinhava, os convidados se sentaram em volta de
uma grande mesa na espaosa sala de estar e Rick foi o primeiro a girar a roleta.
Ele parou na casa vermelha e tinha que fazer uma pergunta a Nicole. Ele
perguntou a ela se ela estava feliz por ter vindo  casa dos Doyle.
Nicole graciosamente disse:
- Sim, eu estou muito feliz por estar aqui. Obrigada por terem me convidado.
Isso fez o jogo comear de um jeito legal e cordial.
Eli foi o primeiro a tirar uma carta-pergunta. Ele leu em voz alta.
- Descreva um dos seus aniversrios preferidos.
Eli encarou a carta por um longo e desconfortvel momento antes de finalmente
olhar pra cima.
- Eu tinha nove anos. Eu estava morando em um lote com vrias casas em Zmbia
e choveu no meu aniversrio.
Todo mundo esperou pela parte seguinte da histria. Exceto Joseph que
concordou com a cabea e sorriu.
- No chovia h quatorze meses, Eli explicou. Quando comeou a chover, todos
correram para a parte descoberta na frente do posto mdico. Foi uma grande
festa. A escola foi suspensa pelo restante do dia. Todos gargalhavam, danavam,
e batiam com os ps nas poas dgua. Eu e meus amigos fizemos uma grande
guerra de lama e minha me fez um bolo. Meu pai me deu uma lanterna que ele
mantinha sempre em seu bolso. Eu ainda tenho a lanterna. Aquele foi, sem
dvida, meu aniversrio favorito.
O restante do grupo ficou em silncio por um tempo em silenciosa contemplao.
Era a vez de Josh. Ele girou a seta e parou na casa azul. Sua pergunta era:
- Onde voc espera morar daqui a cinco anos?
- Vocs j sabem a resposta dessa. Josh olhou para seus pais e para Rick. Meu
objetivo  ser milionrio quando eu estiver com trinta e cinco anos.
- Mas onde voc quer morar daqui cinco anos? Nicole soltou.
- No Hawaii. Embora eu ache que, do jeito que as coisas esto indo, demore mais
uns dez anos para conseguir isso. O projeto de Tempe foi um retrocesso, mas se
ns conseguirmos ajeitar as coisas at o fim do ano, eu acho que conseguiremos
voltar  ativa. Eu tenho a papelada preliminar em movimentao e ns nos
encontraremos com a construtora na tera-feira, ento...
- Espere, Katie interrompeu. Vocs encontraram outra propriedade para
desenvolver o projeto? Eu no sabia que vocs j tinham encontrado algo.
Josh concordou com a cabea e lanou um olhar irritado para Rick, como se este
fosse o responsvel a dar os detalhes para Katie.
- Ns temos dois em vista. Tenho certeza de que Rick vai te contar sobre eles.
Rick lanou um olhar de volta para Josh enquanto disse:
- Ainda est nas preliminares. Um  em Redlands, e o outro  no leste de San
Diego. Ambos so h algumas horas de estrada daqui.
- E ambos esto sendo oferecidos a preo abaixo do mercado, Josh adicionou. Se
os dois derem certo, eles vo, definitivamente, fazer a perda do negcio de
Tempe ter valido a pena. Ns conseguiremos dobrar nossos lucros.
O pai de Rick entrou no dilogo.
- Ns saberemos mais depois que nos encontrarmos com a construtora na tera-
feira. Agora  a vez de quem?
Katie teve um estranho sentimento. Todo o tempo que Rick tinha falado que
gastaria com ela provavelmente seria redirecionado depois daquele encontro de
tera. Ele poderia facilmente voltar  mesma agenda que tinha quando ele e
Josh estavam tentando fazer as coisas darem certo com o caf em Tempe.
Josh disse que ele queria fechar o negcio at o fim do ano. Aquilo significava
que as coisas poderiam mudar rapidamente para Rick e Katie. Ela no estava
certa sobre como se sentia a respeito disso. Um pequeno eco dentro dela a
estava dizendo que a razo pela qual ela descobriu estar amando Rick era por
causa do sentimento de segurana que ela sentiu depois que ele expressou sua
afeio por ela com beijos e por ele estar mais disponvel para que eles ficassem
mais juntos. Como ela se sentiria quando ele no estivesse assim to disponvel?
Era a vez da me de Rick e ela estava respondendo uma pergunta sobre o que ela
sentia quando ia ao dentista. Enquanto ela descrevia sua averso a grandes
agulhas, Katie desligou sua mente e tentou imaginar como as coisas ficariam
entre ela e Rick pelo resto do semestre, o resto do ano, pelos prximos dez anos,
e pelo resto da vida dela.
Forando-se a voltar ao presente, Katie percebeu que parte do fato de ela amar
Rick significava entrar na vida dele no nvel apropriado para o tipo de
relacionamento deles. Se ela realmente o amava, o que ela sabia ser verdade,
ento ela precisaria entrar nos objetivos dele e andar no mesmo ritmo que ele
para que ele cumprisse esses objetivos. Estar com Rick o resto da vida dela
sempre significaria planos financeiros, objetivos de carreira e muitas horas de
trabalho.
Ela no tinha medo de uma vida assim. Era apenas diferente da vida que ela
vivera e certamente diferente de como ela imaginara que sua vida seria.
A nica parte que ela sabia que teria que trabalhar era a parte do dinheiro.
Comprar chocolates para a me de Rick tinha sido um pequeno teste do nvel de
vida que a famlia dele tinha. Quando Katie e Nicole entraram na cozinha mais
cedo e presentearam a me de Rick com as flores e os doces, ela expressou igual
apreciao pelos presentes. Ela deu um abrao de agradecimento em Katie pela
grande caixa de doces e disse:
- No h como tentar fazer dieta nos feriados, no ?
Foi um comentrio amigvel e dito de forma espontnea. Mas agora que Katie
tinha pensado sobre isso, ela percebeu que os caros chocolates iriam ficar
intocados pela me de Rick. Katie sabia que ela teria que desenvolver um novo
senso de entendimento para todas as coisas relativas ao dinheiro. Especialmente
em dar presentes aos membros da famlia Doyle. Ela gostava de desafios. Esse
era um que ela acreditava que conseguiria vencer.
-  a vez de Katie. Rick deu a roleta pra ela girar.
Ela voltou seus pensamentos de volta para o jogo e tirou um cinco. Sua pea
parou numa casa vermelha e ela tinha que fazer uma pergunta a Joseph. Sem
pensar em como sua pergunta poderia soar, ela voltou sua inspirao para o rumo
que seus pensamentos tinham tomado.
- Se voc tivesse um milho de dlares, o qu voc faria?
- Essa  sempre uma boa pergunta, o pai de Rick disse.
Joseph no aparentou ter a mesma apreciao pela pergunta que o pai de Rick
teve. Ele gaguejou um pouco, como se ele nunca tivesse pensado nisso. Depois
de um tempo ele respondeu:
- Eu traria minha esposa e minha filha para morarem comigo.
O grupo ficou mais uma vez em silncio.
- Sua filha? Katie perguntou. Eu s vi a foto da sua esposa. Eu no sabia que voc
tambm tinha uma filha.
- Ela s tinha trs meses quando eu deixei Ghana, e ns no tivemos a
oportunidade de tirar fotos dela.
Rick mudou de posio desconfortavelmente.
- Como voc consegue agentar ficar longe delas?
- Alguns dias so mais fceis que outros. Quando eu ouo que elas esto bem,
isso me encoraja a continuar e terminar meu curso. Minha esposa entende o que
eu estou tentando cumprir aqui com meus estudos. Ela sabe que isso ser para o
bem do nosso povo, da ela diz que o sacrifcio dela  pequeno.
A conversa continuou enquanto Joseph explicava como, quando seu av era um
chefe da aldeia, um missionrio dos Estados Unidos tinha vindo e contado a eles
sobre Cristo. O pai de Joseph acreditou e como resultado, toda a aldeia veio a
Cristo. Desde ento, a aldeia cresceu surpreendentemente e usufruiu de boa
sade e abastecimento estvel de gua potvel. O pai de Joseph era o chefe
agora e Joseph foi escolhido para ir para a faculdade atravs de uma bolsa de
estudos providenciada pela primeira organizao missionria que fez contato com
a aldeia. Os planos de Joseph eram de voltar  sua aldeia como pastor e como
professor na escola.
O contraste entre os objetivos de vida de Joseph e Josh eram chocantes.
- Eu sinto muito por voc, sua esposa e sua filha estarem separados durante esse
tempo. A me de Rick disse. Quando foi a ltima vez que voc as viu?
- Vinte e trs meses e duas semanas atrs.
A me de Rick deixou escapulir um leve suspiro que expressou o que Katie estava
sentindo e o que ela achava que o resto deles tambm estava sentindo.
- O que voc est fazendo, Joseph,  muito admirvel. Eu sei que o Senhor
abenoar voc e sua esposa pelo grande sacrifcio de vocs.
- O Senhor j tem nos abenoado. Abundantemente. A expresso de Joseph era
cheia de paz. Katie desejava que, agora mesmo, ela tivesse um milho de
dlares para que Joseph pudesse estar com a famlia dele durante os dezessete
meses restantes que ele estaria na faculdade.
-  a vez de quem agora? Josh perguntou.
Katie no estava mais com vontade de jogar. Rick deve ter sentido o mesmo
porque ele disse:
- Que tal nossa anual volta pelo quarteiro?
Katie ouvira sobre essa tradio dos Doyle no ltimo Natal. A famlia sempre saa
para dar um passeio enquanto o peru estava na sua ltima hora no forno. Eles
retornavam  casa cheirosa pela fragrncia do peru e j tinham cuidado de
aumentar seu apetite durante a caminhada.
- Bem na hora, Rick, a me dele disse. Sim, que tal a caminhada? Todos prontos
para aumentar o apetite?
O pai de Rick foi o primeiro a se levantar. Todos o seguiram e se reuniram na
porta da frente. Katie notou que a me de Rick tinha ficado na cozinha.
- Sua me no vai vir?
- No, ela normalmente fica aqui preparando o pur de batatas e as ervilhas
enquanto ns caminhamos.
- Eu vou ficar e ajudar. Nicole deu uma cutucada no brao de Katie. Esses
sapatos no so os melhores pra caminhar. Eu prefiro ficar.
- Apenas se certifique de deixar alguns pedaos de batata no pur, Katie disse. 
assim que Rick gosta. Com alguns pedaos.
- Entendi. Com alguns pedaos.
Assim que eles deixaram a casa, Katie compassou seu andar com o de Joseph.
- Qual  o nome da sua filha?
- Ns a demos o nome de Esperana.
Katie sentiu seu corao ficando mais afeioado por Joseph e sua esposa, Shiloh.
At o nome da filha deles era um reflexo das aspiraes que eles compartilhavam
pela aldeia e pelo povo deles.
- Eu gostaria que houvesse um jeito de vocs ficarem juntos aqui. Os trs
deveriam ficar juntos.
- Esse era nosso plano original. Ns dois preparamos os formulrios e os vistos
necessrios, mas nem tudo foi como ns queramos. Tudo bem. Ns estamos,
certamente, dentro do plano de Deus. Ele tem muitos pensamentos que ns no
entendemos.
O grupo desceu a larga rua do novo complexo de casas. Toda a paisagem estava
fresca e verde e todas as rvores eram jovens. A maioria das casas estava
ocupada; apesar de a vizinhana ter aquele aspecto sonolento, como se tivesse
acabado de acordar. Era uma comunidade beb e estava destinada a crescer
forte.
Rick foi para o lado de Katie e pegou a mo dela. Puxando-a alguns passos para
trs dos outros, ele disse:
- Voc est bem?
- Estou, eu s estou pensando em Joseph. Eu queria que ele pudesse trazer sua
famlia pra c.
- Eu entendo o que voc quer dizer. Em horas como essas que eu gostaria de ser
um milionrio, para fazer essas coisas acontecerem. s vezes eu dou pra trs nos
planos de Josh de ganhar muito dinheiro. E ento eu ouo algum como o Joseph
com uma necessidade dessas e eu s gostaria de poder fazer um cheque.
- Eu sei, Katie disse.
- Isso me ajuda a lembrar porque eu concordei em entrar nessa franquia do caf
com o Josh e despender tanto esforo nisso. Se ns conseguirmos ser bem
sucedidos nisso, ns teremos uma grande chance de ajudar aos outros
financeiramente.
Katie estava feliz por Rick ter dito o que ele disse naquele momento. Dentro da
casa os pensamentos dela tinham pendido para um lado da equao, pensando
que a busca incansvel por riqueza era um objetivo fraco em comparao ao foco
solitrio de Joseph em se capacitar para voltar a Gana e ensinar os outros.
Rick fez um carinho na mo de Katie.
- Quando eu perguntei um minuto atrs sobre voc estar bem, eu estava me
referindo s novidades sobre os dois novos cafs. Como voc est processando
isso tudo?
Quando Katie ouvira essa novidade, ela formulou as primeiras linhas do que ela
queria dizer: "Por que voc no me contou ontem? Ns ficamos juntos o dia todo
e quase a noite toda e ns conversamos por horas. Entretanto voc nem tocou
nesse assunto. Por que?"
Contudo, agora que ela teve tempo para colocar as coisas sob uma perspectiva
mais clara, ela estava pensando em Shiloh e no sacrifcio que ela estava fazendo
com aquela garotinha, Esperana, para que Joseph pudesse atingir seu objetivo.
Para Katie, aquilo parecia mais com a linda imagem de amor verdadeiro do que o
sentimento possessivo e acusador que ela originalmente iria lanar sobre Rick.
Com aquele renovado senso de admirao pelo que Josh e Rick estavam tentando
alcanar em longo prazo, Katie tinha uma resposta diferente para a pergunta
dele.
- Eu gostaria de ter ouvido a notcia de voc, mas eu acho que posso entender o
motivo de voc ter evitado esse assunto ontem. Foi um dia divertido. Bem,
divertido exceto pelo fato de eu ter esquecido os doces.
- No se preocupe com isso, Katie. Deu tudo certo.
- Acho que sim. Eu deveria ter comprado s metade do que eu comprei, como
voc sugeriu. Eu aprendi bastante, entretanto. E eu aprendi bastante com Joseph
naquele jogo, que, a propsito, eu sempre julguei ser um jogo idiota, mas agora
eu acho que entendo porque sua famlia gosta dele. Meu pensamento sobre essa
coisa toda do caf  que voc deve correr atrs. Independente das oportunidades
que Deus der a vocs e da forma que elas acontecerem ou quando elas
acontecerem, eu acho que voc deve correr atrs dos seus sonhos e objetivos. 
isso que voc quer. Voc no precisa me comunicar sobre cada acontecimento,
no entanto, quanto mais voc me contar, menos provvel  que eu acabe
soltando frases vergonhosas na frente da sua famlia.
Rick sorriu.
- Voc  a melhor, Katie. E sabe o que mais? Voc  boa demais pra mim.
Katie olhou pra ele. Eles estavam longe demais de todos para que eles os
pudessem ouvir. Rick parecia estar a um pequeno passo de proferir as trs
poderosas palavras que tinham, mais uma vez, subido at a superfcie do corao
de Katie. Ela carinhosamente queria diz-las em voz alta. A afirmao que estava
na ponta da sua lngua era: "A razo pela qual voc acha que eu sou boa demais
pra voc  porque eu te amo, Rick Doyle".
Ela guardou suas palavras dentro de si e esperou Rick fazer a declarao que ela
no podia deixar de acreditar que estava nos lbios dele. Eles pararam de
caminhar. Rick olhou dentro dos olhos de Katie. Ela encontrou o olhar dele,
ansiosa, pronta para ouvir aquelas palavras que mudariam a vida dela.
                              Captulo 20
- Ento o que ele disse?
Nicole estava na beira da cama mais tarde na mesma noite do Jantar de Ao de
Graas, ouvindo o resumo de Katie sobre o que aconteceu entre ela e Rick na
caminhada deles. Katie estava sentada no colcho inflvel no cho do quarto de
Nicole, tendo gasto a ultima hora falando do relacionamento dela com Rick.
- Ele disse, 'Voc est esplendida hoje'.
- E? Nicole motivou.
- Foi isso. Ele me deu um beijo rpido e suave, e ns andamos rpido pra
alcanar os outros. Quando ele chegou perto do pai ele disse 'Estou sentindo falta
do Max'. E ento o irmo dele se juntou aos dois e comearam a conversar sobre
o Max, o que eu achei ser um papo de homem entre os Doyles.
- Desculpa, me perdi. Quem  Max?
- Max era o cachorro deles. Era um timo cachorro. Eu o conheci. Eu acho que
eles o tiveram por 15 anos. Rick estava tomando conta do Max no vero passado
quando os pais dele se mudaram pra casa nova, e o velho co nunca conheceu a
casa.
- Rick no voltou a falar do relacionamento de vocs? Nicole perguntou
- No. Voc estava l no resto do dia. Ns no conversamos mais sozinhos.
- Foi um dia maravilhoso. Que jantar! A mulher sabe cozinhar. E decorar. Voc
viu o quarto do casal e o banheiro? Claro que viu. Voc j esteve l antes de
mim. Estou falando, Katie, eu nunca vi uma casa to bonita. Eu no posso
acreditar que eles moram nessa casa h alguns meses.
- Eles so uma famlia maravilhosa. Em termos de ambio e classe, eles esto
em lados polares opositores da minha famlia. Se Rick e eu nos casarmos, eu
realmente ficarei nervosa sobre os pais dele conhecerem os meus.
- Casar? Voc disse isso?
- Sim, eu acho que disse, no disse?
- Vocs pensam em casar? Nicole perguntou. Digo, vocs j conversaram sobre
casar?
- No. Como eu te disse ns nem chegamos  parte de dizer ,,eu te amo. s
vezes, como hoje, eu consigo imaginar isso. Eu posso-me ver ajustada a isso,
adaptada e vivendo minha vida. E outra hora eu... Katie sentiu sua garganta
fechar. Outra hora eu penso em pessoas como Eli e Joseph e me sinto como se eu
tivesse mais a ver com esse tipo mais simples de vida. Sabe? Como Eli disse que o
aniversrio preferido dele foi quando choveu e eles danaram na chuva.
Katie imaginou varias crianas se divertindo na chuva enquanto os adultos se
alegravam e riam uns pros outros enquanto chovia.
-  uma tima imagem no ? Ela continuou.  muito lindo, uma forma simples de
celebrao. Eu posso apostar que no haja uma pessoa no complexo onde Eli
mora que tenha uma tigela de porcelana. No, eu posso apostar que no complexo
onde ele mora no haja algum que se quer tenha visto uma tigela de porcelana.
Bem, exceto talvez os pais de Eli antes de irem pra frica.
Nicole parecia que iria protestar sobre o discurso de Katie, mas Katie
rapidamente acrescentou,
- Digo, no h nada de errado com isso. Eu amo o Dia de Ao de Graas, com as
flores bonitas no centro da mesa, e todas as figuras de peru e ndios. Mas, eu no
sei, voc tem que me dizer Nicole. Todas as pessoas como eu apreciam e
eventualmente se divertem com as pessoas de classe alta? Ou eu sempre irei
preferir danar na chuva ao invs de me preocupar com garfo de saladas?
- Katie, eu acho que voc pode fazer o que estiver em seu corao. O que
imaginar. Voc se encaixa em famlias como a de hoje.
- Serio? Eu no pareo como uma prima estranha?
- No, no. Os Doyles amam voc. Isso est claro.
- Eles amam voc tambm. Todos, exceto Josh, que decidiu ir e arrumar uma
namorada quando eu no estava vendo! Desculpa sobre isso. Eu estou feliz por
voc no ter-me deixado falar nada antes do tempo, porque eu no falei. Alm
do mais, teria sido bom se Rick tivesse me falado que o irmo dele tem uma
namorada.
- Ah, o que era aquela caixa que voc fez com os dedos quando ns chegamos l?
- Eu estava fazendo uma moldura de foto. ,,Tire uma foto, dura mais. Era um
sinal pro Eli. Ele encara as pessoas.
- Eu percebi.
- Ele no percebe o quanto ele olha intenso. Ento, depois da noite da pizza, eu
tentei manter um sinal com ele, mas ele aparentemente esqueceu.
-  um sinal meio obvio, no acha?
Katie riu.
- Sim. Eu tentei um mais discreto, mas quando ele no respondeu, eu voltei pro
grande sinal.
Nicole riu.
- Pobre Eli. No, na verdade, nada de pobre Eli. Eu estou comeando a entender
porque voc gosta dele. Eu vi um lado diferente dele hoje, e ele  intrigante.
- Oh! Deus! Isso quer dizer que voc dar outra chance a ele? Ns estaremos com
ele o dia inteiro quando formos pintar o apartamento, ento voc poderia deix-
lo saber que voc est interessada.
- Opa! Pare essa loucura agora mesmo!
- O que voc acabou de dizer?
- Era o que meu pai costumava dizer pra minha irm e eu quando estvamos
fazendo algo errado. O que to querendo dizer  que eu no estou interessada.
Voc me ouviu? N--O, no estou interessada no Eli. Eu estava apenas dizendo
que ele no me parece mais estranho. Eu no me imagino saindo com ele.  s
isso.
- Bem, Katie disse com tristeza, j  um comeo.
- Voc nunca desiste, Katie Weldon, ou talvez voc esteja interessada em
comear uma guerra de travesseiros, e, pra ser sincera, eu estou cansada. Que
horas so?
- Quase duas.
-  isso. Que horas ns combinamos com Eli?
- Voc disse que estaramos l umas 8 horas.
- Eu disse?
- Sim, voc disse, 8 horas, Nicole! O que voc estava pensando!
- Eu estava pensando que estaramos na cama antes de meia noite. Ser que
deveramos ligar e dizer que estaremos l 9 ou 10h?
- No  uma boa idia, Katie disse. Lembra que Rick disse que faria o caf da
manha? Bem, ele definitivamente acorda cedo, e, acredite, as omeletes valem a
pena.
- Eu devo colocar o alarme para 6:30? Nicole perguntou
- Voc esta doida? Coloque para 7:40. Ns apenas temos que colocar uma cala,
uma camiseta e achar algo para prender o cabelo. Ns s vamos pintar, lembra?
- Eu sei, mas eu gosto de tomar banho de manh.
- Escolha o que voc quiser. S no me acorde at 7:40. Eu posso estar pronta em
alguns minutos, e leva s 10 minutos at l.
Nicole armou o alarme, mas no disse a Katie que horas colocou. Eram 6:50 e
Nicole estava pronta para tomar um banho e se arrumar enquanto Katie tentava
ficar mais uns minutos na cama. Ela saiu da cama e fez o que disse que iria fazer
na noite anterior, vestiu uma cala jeans, uma camiseta velha e uma bandana
azul. Assim que ela lavou o rosto e escovou os dentes j estava pronta para sair.
Katie voltou para o quarto de Nicole e a encontrou colocando base.
- Uau, Miss Amrica! Dia de trabalho significa que voc no tem que estar
maravilhosa. Se bem que voc  adorvel sem nada mesmo.
- Eu s preciso colocar um pouco de maquiagem. Pronto, isso  tudo. Estou
pronta.
Andando pelo dormitrio vazio, Katie disse:
- Isso est muito quieto no est? Eu me esqueo de como isso aqui fica sinistro e
quieto quando todos saem. Ah, e obrigada por me ajudar a pintar o apartamento
dos rapazes.
- Sem problemas. Ns somos um timo time, Katie.
- Sim, ns somos. Trabalhar em equipe  sempre melhor. Eu tenho o
pressentimento de que seremos o time do dia. Espero que voc saiba que o Rick
 uma mquina!
A primeira tarefa de Rick pela manh foi fazer as omeletes, foi uma das grandes
marcas do dia. Nicole e Katie estavam longe de serem crticas de comida. Todos
eles no estavam com muita fome, depois de ter comido tanto no dia anterior.
Rick parecia um pouco chateado depois de todos eles terem comido apenas um
tero das omeletes. Quando eles disseram que queriam guardar na geladeira pra
comer mais tarde, Rick pareceu aceitar melhor.
Nicole se ocupou do servio da cozinha, limpando tudo como havia feito na noite
anterior na casa da me de Rick depois do jantar de Ao de Graas.
- O que vocs acham de mais caf para todos? Rick perguntou. Eu vou fazer um
fresquinho.
- Voc no tem ch? Katie perguntou.
Eli, que estava quieto com sua omelete na cozinha, falou.
- Eu tenho ch de Nairbi e algum ch preto.
- Oh, certo, voc tem ch da frica. Fantstico! Eu quero ver isso. Eles cortam as
folhas e depois as lavam?
- Eu no tenho idia.
- Eu to pronta pra ver isso. Onde voc guarda essas coisas?
Enquanto Katie e Eli desenrolavam folhas amarelas, Nicole e Rick trabalhavam
lado a lado lavando os pratos enquanto o caf passava. Katie decidiu provar o
ch de Nairbi primeiro, mesmo depois de ter dito a Eli que no era muito f de
ch feito de folhas secas como aquele era.
- Eu acho que estou pronta para provar o ch preto do Qunia, at porque estou
sempre pronta pra provar coisas novas. Olhe a textura dessas folhas do ch
preto. Cara,  maravilhoso. Elas cheiram muito bem fervendo na gua. Elas tem
que abrir e subir pra ficar com o melhor gosto.  por isso que deixar ferver  o
melhor jeito de tomar ch. As folhas de ch boas assim ficam melhor ainda
dentro do bule. Alm do mais, muitos chs no usam folhas frescas. Tem um
lugar, que eu pesquisei, na ndia que tem uma reportagem sobre ele. A
reportagem diz que depois que eles embalam os melhores chs, com as folhas
das plantas soltas e os colocam em grandes containeres, eles varrem o cho e
colocam tudo que sobrou nos pacotinhos de ch.
- Isso no pode ser verdade, Nicole disse. Pode? Eu bebo ch de pacotinhos o
tempo todo. Me diga que isso no  verdade.
- Como eu disse, eu estava pesquisando. Pode ser uma lenda urbana. Eu no sei.
Tudo que estou dizendo  que se voc tiver folhas fantsticas, guard-las bem, e
usar um bom filtro...
Por sobre os ombros, fazendo seu trabalho de limpeza. Rick disse:
- Katie, eu to perdido aqui ouvindo toda a sua histria sobre ch.
- Minha histria sobre ch?
- Voc ficou animada com essa histria de ch por um bom tempo. Eu estou
apenas dizendo que  legal ver voc animada sobre sua paixo de novo.
Katie pensou sobre o comentrio de Rick enquanto Eli preparava o ch de
Nairbi. Ch era sua paixo? Ela no se sentia energizada falando sobre ch da
forma como antes. Para ela, o amor por ch foi algo interessante e feliz na vida
dela, e, sim, talvez ela pudesse ter considerado como uma paixo por um tempo.
Mas definitivamente esse tempo passou. Ela gostava de ch e coisas relacionadas
a ele. Mas ela sabia que poderia ficar sem falar sobre ch. Ela teve uma idia.
Ela tinha um trabalho na semana que vem sobre a influncia da tecnologia na
vida das pessoas de diferentes partes do mundo. Isso era perfeito. Ela poderia
escrever sobre as plantaes de ch no Qunia e como eles transportavam o
produto para outras partes do mundo.
Katie entrevistou Eli sobre o que ele sabia sobre as plantaes, enquanto Rick e
Nicole iam pra sala e comeavam o projeto de pintura. Eli escreveu o link do site
sobre as plantaes e disse que o ch poderia ser pedido pela internet. Ele falou
sobre seus amigos que tinham plantaes e como eles trabalhavam, as restries
do governo e os problemas com os vizinhos das terras.
- Um monte de problemas deles comeou no Qunia. Eles no fazem parte dos
colonizadores Europeus que dominaram as plantaes at os anos 70. Os pais
desse meu amigo eram pessoas maravilhosas. Ele era medico, educado na
Inglaterra. Graas ao dinheiro dele, eles foram capazes de comprar as plantaes
e comear a fazer negcios. Eu acho que ser mais fcil pras crianas deles do
que foi pra eles. Alm do mais, quem sabe com essa poltica da frica. O futuro
da frica no  brilhante. O futuro  mais como um vislumbre de luz que vem e
vai.
Eli entregou um copo de ch de Nairbi para Katie.
- Prove um pouco.
Ela assoprava um pouco para esfriar, enquanto Eli olhava atentamente. A
intensidade dele a estava incomodando cada vez menos. Bebendo um pouco, ela
pressionou os lbios e engoliu.
- Uau!
- Voc gostou?
- No sei.
-  to diferente, no ?
- Na verdade no parece muito com ch. Definitivamente no parece ch. Sem o
leite, o ch seria mesmo bem energtico, no seria?
- Eu bebo o meu com bastante acar, do jeito que os quenianos fazem. E quero
dizer, bastante acar mesmo.
- Onde est o acar? Katie olhou uma vasilha enquanto Eli colocava o acar na
caneca dela.
- Mais, Eli disse.
- Srio?
- Se voc quer provar da forma que ns bebemos, sim. Mais.
Katie colocou mais acar. Ento, Eli acenou, ela colocou ainda um pouco mais.
Pegando uma colher, ela mexia e assoprava.
- Ter sabor como de gua de beija flor.
Ela provou um pouco e dessa vez arregalou os olhos.
- Nossa, est completamente diferente o sabor. Voc j bebeu gelado?
- Eu nunca tentei.
- Vamos colocar na geladeira. Ir ficar timo para mais tarde quando ns
estivermos cansados de pintar.
Eli comeou a fazer o que Katie sugeriu. Ele estava um pouco  frente quando se
virou e disse:
- Katie, eu quero te agradecer.
- Pelo que?
- Por provar.
- Eu no me importo em provar seu ch na verdade. E ainda quero provar o
preto, mas talvez mais tarde. Eu vou beber esse aqui primeiro. Eu tenho um
sentimento de que todo esse acar me vai dar bastante energia para a pintura
em sessenta segundos.
- Eu tenho que me acertar com Nicole, ele disse em voz baixa,
- Eu gostei da sua tentativa.
- Bem, eu espero que voc no tenha ficado chateada por... voc sabe... as
coisas no terem funcionado. Eu fico feliz de ns quatro podermos sair juntos. Se
tem uma coisa que aprendi esses anos foi que bons amigos so como ouro quando
voc no tem famlia por perto.
Ele virou pro lado e olhou alm de Katie por um momento.
- Ento, vocs j compraram as tintas? Katie perguntou
- No. Rick estava tentando decidir a cor.
- Venham dar uma olhada, Rick os chamou. Ns estamos dando uma olhada nas
amostras agora.
Katie e Eli se juntaram aos dois enquanto Nicole estava parada em frente 
parede segurando uns papeis pequenos com amostras de cores.
- Eu estava pensando que marrom, parece legal, Rick disse
- Essa cor deixaria a sala meio escura, no deixaria? Katie perguntou.
- Voc pode escolher um marrom mais claro. Nicole segurou uma cor diferente.
Essa  legal. Chama-se Caf Caramelo Ole.
- Eu gostei, Rick disse. O que vocs acharam? Eli?
- Parece legal pra mim.
- Eu gostei do nome. Katie disse fazendo uma pose como um Mexicano. Caf
Caramelo Ol!
Rick riu.
- No  espanhol.  francs, certo, Nicole?
- Voc est certo Rick.  o termo francs para 'com leite'.
- Ok. Quem quer ir  loja de tintas?
Rick olhou para Nicole.
- Eu dirijo. Ele disse.
- Eu vou, Nicole ofereceu.
Katie estava pronta para se oferecer pra ir tambm, mas se deu conta de que
no poderia deixar Eli sozinho preparando tudo. Ela precisou respirar fundo e
dizer:
- Eu vou ficar aqui e terminar de deixar a sala pronta. Se assegure de comprar
alguns rolos com cabos longos. Ir fazer a pintura ser mais rpida.
- Ns j voltaremos. Rick ficou em frente  porta, segurando aberta para Nicole.
Ele se posicionou de uma forma que ela teve que passar por baixo do brao dele
para sair. Enquanto ela passava por baixo dele, ele ofereceu um sorriso caloroso
a ela, e ela sorriu de volta.
Katie parou por um momento depois de eles terem sado e ficou no lugar onde
eles estavam antes. A cena era familiar. Rick costumava fazer isso na escola.
Ele ficava parado do outro lado da porta que ele segurava aberta ento a garota
teria que passar por baixo do brao dele. Por que ele estava fazendo isso agora?
Por que estava sorrindo para Nicole? Por que ela sorriu de volta?
Se todas essas coisas eram incomuns para Eli, ele no deu nenhuma indicao.
Ele estava pronto para trabalhar, movendo cadeiras para o centro da sala ento
eles teriam mais espao sem as cadeiras no caminho. Katie deixou pra l o
pensamento de que talvez Rick e Nicole tenham flertado e colocou a ateno na
tarefa.
- Voc tem alguma musica africana? Ela perguntou.
- Algumas.
- Ns podemos colocar musica pra trabalhar.
Katie comeou seu trabalho com o rolo de fita enquanto Eli pegava algumas
musicas. A sala se encheu com sons vindos de vozes exticas. Eli abriu todas as
janelas e cobriu os moveis no centro da sala com um antigo saco de dormir
verde. Katie sorriu, olhando a estante de livros. Ela sabia o quanto era 'seguro'
ser coberta por aquele maravilhoso saco de dormir. O sol da manha de Novembro
passava pelas janelas e ela sentiu um vento abenoador. Katie olhou para Eli,
que estava tirando os eletrnicos das tomadas. Ele no pareceu notar que ela
estava olhando pra ele. No importava, Katie no estava querendo a ateno
dele. Ela tinha um namorado. Ao contrario do namorado dela, ela no precisava
ficar flertando apenas pela diverso de flertar. Ela se sentia feliz nesse momento
musical e iluminado e quis compartilhar com um amigo.
- Eli?
- Sim? Ele no tirou os olhos do trabalho.
- Est um dia lindo, no est?
- Sim est. Ele continuou sem olhar para ela.
Katie voltou para seu servio com a fita. Ela sentia profundamente feliz, mas no
podia explicar o porqu. No importava. Seu corao estava completo. Ela
decidiu que era simplesmente um dos efeitos que a faziam ter certeza que
estava amando.
                             Captulo 21
Os quatro pintores que trabalharam duro estavam de p para admirar o seu
trabalho depois que a primeira parede fora finalizada.
- tima escolha de cores, Katie disse.
- As molduras pretas nas suas fotos vo ficar mesmo boas, Nicole acrescentou.
Ela tinha montado uma estao de pintura na cozinha e tinha transformado todos
os quadros de Rick com pinceladas de tinta enquanto Eli, Rick e Katie comearam
a passar o rolo.
- Eu sinto como se ns estivssemos em um daqueles reality shows de decorao,
Katie disse. O apresentador do programa de TV poderia caminhar pela porta bem
agora e nos dizer se ns vencemos o outro time.
- Que outro time? Eli perguntou.
- Voc alguma vez j viu aqueles programas de decorao?
- Eu acho que no.
- Eles usualmente tm algum tipo de competio para tornar interessante
enquanto as pessoas esto pintando as casas umas das outras ou trocando a
moblia de seus vizinhos, Nicole explicou.
- Trocando a moblia de seus vizinhos pelo qu?
-  difcil de explicar, Nicole disse. Voc vai ter que assistir um desses programas
de reforma de casa uma alguma hora.
- Nossa nica competio aqui, Katie disse,  ver quem conseguiu ter a menor
quantidade de tinta em si, e eu acho que vamos ter que concordar que foi a
Nicole.
- Vocs no viram as minhas mos. As pontas dos meus dedos esto pretas de
tentar fazer pequenos retoques nas molduras.
- Sabe, Rick disse, puxando o saco de dormir verde de cima da estante, e se ns
pintssemos isso de preto tambm?
- Ns precisaramos de mais tinta, Nicole disse.
- Facilmente resolvido, Rick disse. Eu tenho que ir ao caf e assinar algumas
coisas. Vocs ficaro bem continuando o servio aqui enquanto eu vou l? Eu vou
trazer mais tinta e uma pizza.
Os trs dispostos voluntrios concordaram com a arrumao e permaneceram
pintando enquanto Rick saa. Katie ligou para Cris e Ted para ver se eles estavam
em casa e queriam vir admirar o trabalho. J que ambos tinham o dia de folga,
eles ainda estavam em Newport Beach na casa dos tios de Cris.
- Ns samos para uma longa caminhada na praia esta manh, Cris disse. Voc
no pode imaginar o quanto ns dois precisvamos dessa pequena pausa! Parece
que ns no tnhamos tido tempo algum para relaxar como agora desde a nossa
lua-de-mel. Como est sendo o seu fim de semana? Est quieto nos dormitrios?
- Est repugnantemente quieto nos dormitrios. Mais eu no estou l agora.
Nicole e eu estamos ajudando Eli e Rick a pintarem a sala de estar deles.
- Voc est brincando.
- No, ficou timo. Espere at voc ver. Quanto tempo vocs ficaro na casa de
Bob e Marta?
- Ns vamos ficar aqui at amanh. Ted tem que estar de volta no domingo de
manh, mas ns no temos nada para amanh. Tia Marta quer ir s compras
amanh, mas Ted e eu podemos sair cedo e descer a Coast Highway se o tempo
ficar bom. Eu realmente quero ver Douglas e Trcia e amanh pode ser a nossa
nica chance por enquanto. Voc acredita que o beb Daniel j est com cinco
meses? Eu no o vejo h semanas. Eu tenho certeza de que ele mudou bastante.
- Cinco meses. Uau. O tempo est passando rpido.
- Voc est pronta para outro choque, pra ver como o tempo esta passando
rapidamente?
- Qual  o choque?
- Voc acredita que em poucas semanas vai fazer um ano que Ted me pediu em
casamento? Isso significa que tambm faz um ano que voc e Rick comearam a
sair juntos. Lembra? Era sexta-feira antes do feriado de Natal e todos ns fomos
ao Ninho da Pomba porque ele tinha aberto recentemente. Mas nenhum de ns
sabia que Rick estaria ali.
- Um ano, Katie repetiu. Foi um ano muito rpido.
- Agora falando serio. Eu acho que ns quatro deveramos planejar de fazer
alguma coisa para celebrar, no acha? Ns podemos achar alguma coisa para
fazer que no custe muito. Eu diria que ns poderamos ir ao Ninho da Pomba,
mas eu no acho que seria muito agradvel para o Rick.
- Eu vou perguntar a ele se ele tem alguma idia. Espere s um minuto. Katie
caminhou para fora do apartamento, deixando Eli e Nicole continuar trabalhando
enquanto ela terminava a sua ligao com Cris com um pouco de privacidade.
Tomando o caminho para o apartamento de Cris e Ted, Katie esperou at achar
que sua voz no chegaria longe pelas janelas abertas do apartamento de Rick e
Eli antes de dizer: Voc nunca vai adivinhar onde o Rick me levou na tarde de
quarta-feira.
- Ao zoolgico.
- Como voc soube?
- Ele veio na noite anterior e me perguntou se eu achava que seria uma boa
idia, j que da ltima vez que ns estivemos l todos ns sentimos muita tenso
entre vocs.
- E voc disse a ele que seria uma boa idia?
- Sim. Cris fez uma pausa. O que? Voc est me dizendo que no foi uma boa
idia?
- Foi uma idia fantstica. Eu amei! Ns nos divertimos muito. Ns fomos a um
restaurante brasileiro em San Diego para jantar e foi maravilhoso, coma o quanto
quiser. A nica parte ruim do encontro foi o trfego e que eu deixei uma coisa no
restaurante ento ns tivemos que voltar. Mas apesar disso, foi o melhor
encontro de todos. Obrigada por dizer a ele que seria uma boa idia.
- Eu estou muito contente por vocs terem se divertido. O que aconteceu com...
voc sabe.
- H algum perto o suficiente para te ouvir? Katie perguntou
- Sim, Cris disse entusiasticamente, como se ela estivesse concordando de todo o
corao com alguma coisa que Katie dissera.
- Ok, posso supor. Voc quer saber o que aconteceu com o Eli no jantar de Ao
de Graas na casa dos Doyles?
- No, mas se voc quiser me contar, eu definitivamente quero ouvir. Eu tenho
uma pergunta diferente para voc.
- Oh, voc quer saber o que aconteceu com a parte do eu-te-amo?
- Exatamente.
- Ele no disse as palavras para mim ainda, mas eu no me importo de esperar.
De verdade.
- Parece sbio da sua parte.
Katie parou na frente da porta do apartamento de Ted e Cris.
- Ei, foi bom eu ter caminhado at aqui. Vocs tm uma caixa em frente  sua
casa.
- Ns temos? De quem ?
- Central de Servios de alguma coisa. No consigo ler a ltima palavra.
- Oh,  a parte do nosso micro-ondas. Ou pode ser a reposio da nossa
campainha. Deveria ter sido entregue no apartamento do sndico. Voc pode
deixar a caixa no apartamento do Rick? Ns teremos o sndico para instalar o que
for na prxima semana.
- O seu micro-ondas est estragado mesmo?
- Sim.
- Espero que no tenha sido a pipoca.
- Eu acho que o micro-ondas estava em seu caminho para a aposentadoria antes
de voc colocar a sua pipoca, mas o fogo provavelmente no ajudou.
- Por que voc no me contou? Eu vou pagar pelo conserto, Cris. Sinto muito por
isso.
- No se preocupe com isso. Ei, voc pode me fazer mais um favor, j que voc
est a?
- Claro.
- Voc se lembra da noite em que voc estava a e eu me levantei e abri a porta?
- E o Sr. Tropeo correu para dentro do seu apartamento? Sim, eu me lembro.
- Bom. E voc lembra onde eu coloquei a coisa do lado de fora? Cris conversava
em uma linguagem cheia de cdigos.
- Voc quer dizer a tigela com comida de gato?
- Exatamente. Voc poderia checar isso pra mim?
Katie inclinou-se para baixo e olhou atrs das plantas.
- A tigela est aqui. Est vazia.
- Ok.
- Cris, por que voc est alimentando aquele gato? Aquela bolsa de pele
sarnenta. E voc s esta fazendo com que ela fique cada vez maior, voc sabe.
Cris no respondeu.
- Ok, bem, voc pode me contar mais tarde se voc quiser. Mas se voc est
querendo manter isso em segredo do Ted, eu acho que no  uma boa idia.
Voc tem que falar com ele. Quero dizer, eu no sou uma conselheira
matrimonial como vocs, mas me parece que at mesmo pequenas situaes
como essa deveriam ser discutidas entre os casais casados e eles no deveriam
esconder coisa alguma um do outro.
- Eu sei, Cris disse suavemente.
- Ok, bem, ns podemos conversar sobre isso mais tarde quando vocs chegarem
em casa. Diga oi para Bob e Marta por mim e para Douglas e Trcia, se voc
acabar os vendo.
- Digo sim. Mas espere. Voc disse mais cedo que voc pensou que eu estava te
perguntando sobre Eli ir ao jantar de Ao de Graas dos Doyle. O que aconteceu
l?
- Nada. Foi timo. Nicole veio, assim como Joseph. A comida estava fantstica.
Todo mundo teve um bom tempo realmente. O nico choque, bem, exceto por
Joseph ter ficado um pouco impressionado com a deslumbrante casa dos Doyle e
a abundncia ridcula de comida, foi um pequeno anncio de Josh de que ele
est atrs de mais duas propriedades para novos cafs. Pelo menos os dois esto
h poucas horas de viagem daqui.
- Eu espero que a transao d certo para Rick e Josh, mas eu sei que isso
poderia potencialmente significar que voc e Rick voltaro ao modo namoro-
intercalado-entre-muitas-viagens-a-trabalho.
- Sim,  isso que eu estou pensando que pode acabar acontecendo. A questo ,
eu estou prestes a ficar atolada pelo prximo ms a partir de domingo, quando os
estudantes retornam aos dormitrios. Depois disso, eu tenho um final de
semestre muito cheio. Se Rick acabar tendo que viajar todo o tempo durante os
prximos seis meses, bem, eu vou estar to ocupada quanto ele.
- Voc tem uma atitude to boa, Katie. Eu olho para trs, para os longos perodos
que eu e Ted estivemos de um lado para o outro e, para ser honesta, eu sei que
eu reclamei muito, muito mesmo.
Katie guardou as palavras de Cris no corao enquanto ela caminhava de volta
para o apartamento de Rick com a caixa debaixo do brao. Ela queria ser mais
deliberada em apreciar Rick e os seus momentos juntos. Esse tinha sido um bom
dia e eles ainda tinham a noite e parte do sbado para estar juntos antes de
Katie ter que voltar para o servio. Ela pretendia aproveitar o mximo do tempo
que eles tinham.
Os objetivos dele tinham sido bem cumpridos aquela tarde, enquanto eles
finalizavam a pintura da sala e da estante. Eles estavam prontos para a pizza que
Rick havia trazido do Ninho da Pomba, o fato de os quatro estivarem juntos mais
uma vez em volta de uma pizza depois da Noite das Pizzas de Casais, trouxe
comentrios estranhos. No entanto todos eles se relacionaram muito melhor
dessa vez do que ha uma semana atrs.
- O que voc acha? Rick perguntou enquanto eles limpavam o equipamento de
pintura. Ns devemos mover os moveis de volta ou deixar secar durante a noite?
- Eu acho que ns deveramos deixar secar, Katie disse.
-  o que eu acho tambm. Ns podemos tambm ir fazer algo. Vocs querem ver
um filme?
- Eu iria amar, Katie disse. Alguma coisa em particular que vocs queiram ver?
Os quatro discutiram as opes em potencial e decidiram pegar o carro de
Nicole, j que ele era o que tinha mais espao. Enquanto tirava o seu carro da
rea de estacionamento do prdio, Nicole bateu em algo e parou o carro.
- Vocs no tm quebra-molas aqui, tem?
- No, o que foi aquilo? Eli perguntou. Ele e Katie estavam no banco traseiro, j
que Rick tinha as pernas mais longas e pegou o banco da frente para ter mais
espao. Eli olhou para fora da janela. Estacione o carro Nicole. Eu vou sair para
ver o que .
Katie pulou fora do carro tambm. Ela tinha um sentimento no-to-bom de que
ela sabia o que Nicole havia acertado. Ela estava certa.
- Senhor Tropeo, Katie resmungou enquanto ela e Eli examinavam a massa de
pele preta no brilho vermelho plido das luzes traseiras do carro de Nicole.
Nicole desligou o motor e ela e Rick vieram para ver o que Katie e Eli estavam
encarando.
- Oh, no! Eu o matei?
- Eu no acredito que esse velho gato ainda est por aqui, Rick disse. Ele est
vagando pelo complexo h semanas.
Eli abaixou-se com compaixo e pressionou a sua mo no abdmen do Senhor
Tropeo.
- Voc no o matou, Nicole.
- Ainda est vivo? Ns deveramos procurar um veterinrio, ela disse.
- No, o gato est morto, mas no foi voc quem o matou. A carcaa est fria.
Ele j esta aqui h um tempo.
- Ns deveramos nos dispor dele, Rick sugeriu. Eu vou voltar para o apartamento
e trazer um saco de lixo.
- O que voc vai fazer? Katie perguntou. Eu no acho que ns podemos jog-lo no
lixo, podemos?
- Eu tenho uma p, Eli disse. Ns podemos enterr-lo.
- Onde? Nicole perguntou.
- Ns poderamos ir a algum lugar e...
- Ao deserto! Katie exclamou.
O grupo entrou em uma discusso comprida se eles deveriam ir at o deserto.
Nicole e Rick no eram a favor da idia. Eles estavam mais interessados em ir ao
cinema. Katie gostou da idia de pular a parte do filme para enterrar o Senhor
Tropeo sob um toldo de estrelas. Aquele show seria melhor do que qualquer
coisa que eles pudessem ver no cinema. O voto de Eli tambm era pelas estrelas.
Nicole fez uma sugesto que quebrou o impasse.
- E se ns falssemos com o sndico? Quero dizer,o gato no  seu. No fui eu
realmente quem o matou. O sndico no gostaria de saber sobre animais mortos
no estacionamento?
Os quatro se dividiram. Eli voltou ao apartamento para lavar as mos. Rick e
Katie foram falar com o sndico e Nicole moveu o carro e esperou pelos outros.
- Cris tinha uma queda por este gato, Katie disse enquanto ela e Rick chegavam
ao apartamento do sndico.
- Era ela quem o estava alimentando?
- Quem falou que Cris estava alimentando o Senhor Tropeo? Katie disse,
tentando jogar verde.
- Algum estava alimentando a fera. Eu tive um pressentimento de que era Cris.
Os anos dela no pet shop fizeram o corao dela terno para com os animais, no
foi?
- , acho que sim.
O sndico atendeu  batida de Rick. Rick explicou a situao e o velho homem
calvo disse para deixar o gato onde estava. Ele cuidaria dele.
Eles estavam quase saindo quando Katie disse:
- Oh, uma outra coisa. Uma caixa chegou para Ted e Cris. Est no apartamento
do Rick. Se for uma parte do micro-ondas, eu tenho que dizer a voc que eu devo
ter sido quem o quebrou. No de propsito, claro, mas eu coloquei uma pipoca
nele e a pipoca pegou fogo. O problema era provavelmente com a pipoca, mas no
caso de o fogo ter algo a ver com o micro-ondas j no estar funcionando bem,
eu vou pegar pelo dano.
O sndico do prdio inclinou a sua cabea e deu a Katie um olhar curioso.
- Qual  o seu nome?
- Eu sou Katie Weldon. Sou a namorada de Rick.
O sndico olhou para Rick como se estivesse surpreso por pensar que Rick tinha
uma namorada.
- Bem, Katie Weldon, eu vou dar uma olhada no micro-ondas e se eu decidir que
o fogo causou o dano, ento eu mando a conta pra voc atravs do Rick.
- Ok, obrigada.
Eles voltaram para o estacionamento e Rick disse em voz baixa:
- Por que voc contou tudo aquilo a ele?
- Porque era a coisa certa a fazer.
- Katie, ele vai te mandar a conta. Voc no conhece o cara. Voc tem idia do
que eu tive que fazer s para conseguir a liberao para pintar a nossa sala de
estar? Voc no sai por a pedindo aos sndicos para te cobrar os reparos. Ns
podemos fazer melhorias, como a pintura por nossa conta, mas...
- Ok, entendi. Katie no queria adentrar em uma das discusses irritantes deles.
Eu pensei que estivesse fazendo uma coisa honorvel.
- Honorvel, sim, mas adquirindo responsabilidades que no eram necessrias.
Seria o mesmo se dissssemos a Nicole que ela matou o gato quando na verdade
o gato j estava morto e s aconteceu de estar na rua quando ela dirigiu por l.
- Ok, eu entendi o seu ponto de vista.
Eles estavam de volta ao carro agora. Katie estava pronta para deslizar no banco
de trs, ir ao cinema e apagar a discusso. Rick tinha mais uma coisa pra falar.
- No  como se voc tivesse o dinheiro para voluntariamente pagar por coisas
como essa, Katie.
Ela desejou que pudesse ter mantido calados seus lbios indomados , mas antes
que ela pudesse parar as palavras, Katie soltou:
= Bem, eu no tinha sessenta dlares para pagar pela caixa de chocolates para a
sua me, mas aquela era a coisa certa a fazer. No que ela tenha apreciado os
chocolates. Ela fez algum comentrio sobre estar de dieta.
- Minha me sempre est de dieta. No leve isso to ao extremo, Katie. Relaxe.
- Ok.
- Ok.
Eli estava de volta ao carro com Nicole. Eles tinham escutado a ltima parte da
briga de Rick e Katie.
- Sinto muito, Katie resmungou para Rick antes de ela entrar no carro.
- Eu tambm, ele resmungou de volta.
- Est tudo bem? Nicole perguntou.
- O sndico disse que cuidaria do gato, Rick disse, tomando o banco da frente
novamente. Vamos. Ns provavelmente ainda podemos pegar a sesso das 19:15.
Os quatro viajaram em silncio. Katie odiou isso. Ela odiava se sentir abafada.
Ter uma discusso to estpida com Rick estava definitivamente abafando no
apenas o relacionamento deles, mas tambm a atmosfera com os seus amigos.
Tudo tinha sido timo durante todo o dia. Eli e Nicole estavam se dando muito
bem. Katie gostou de experimentar o ch da frica de Eli e ouvir  msica dele.
Rick estava feliz com os resultados do duro trabalho deles. Ela no queria ser a
razo para o silncio no carro.
- E amanh? Katie perguntou numa tentativa de mudar o clima entre eles. Voc
tem que trabalhar o dia inteiro, Rick?
- Sim.
- Ok. Bem, voc gostaria que Nicole e eu vissemos e ajudssemos Eli a mover os
moveis de volta e pendurar os quadros?
- Vocs que sabem.
Agora Katie estava mal. Ela estava tentando. Por que Rick no podia manter a
conversa fluindo e ficar de bom humor de novo?
Ele ficou do seu jeito mal-humorado por muito mais tempo do que Katie pensou
que ficaria. Felizmente, eles entraram para o cinema e encontraram lugares bons
o bastante e juntos apesar de tanta gente estar l naquela noite. Os trailers
comearam logo, ento no havia muita necessidade de conversar. Rick e Eli
estavam nas extremidades e Nicole e Katie estavam ao lado uma da outra no
meio.
Na metade do filme, depois de uma cena em que todo mundo no cinema riu, Rick
avanou e pegou a mo de Katie. Ela ainda estava se sentindo no limite da
irritao contra ele e queria tirar a mo para longe. Mas estar de mos dadas
sempre foi uma coisa boa para eles e ela esperava que permanecer conectada a
Rick dessa forma a ajudaria a sentir como se estivesse conectada com ele no
nvel do corao.
Como pode ser possvel eu me sentir to certa de que eu estou profundamente
apaixonada por esse homem e ento ns temos uma discusso ridcula e eu me
sinto a oceanos de distncia dele?
Katie pensou em como Cris costumava dizer a ela coisas como essa enquanto Cris
e Ted estavam vivendo em sua fase de namoro e noivado. Naqueles tempos,
Katie achou difcil entender por que Cris e Ted poderiam brigar por problemas
que pareciam insignificantes. Agora era ela quem experimentava o mesmo tipo
de relacionamento complicado e ela via como pequenas questes poderiam se
tornar grandes quando a pessoa faz um investimento emocional to grande em
outro indivduo.
O pensamento que manteve Katie flutuando foi que ela sabia que Cris e Ted
ainda tinham momentos como este. Apenas se apegar quele pensamento deu a
Katie um senso de normalidade. Talvez ela e Rick estivessem bem onde a maioria
dos casais se encontram quando eles esto apaixonados.
Ela sentiu os seus dedos relaxando na mo de Rick. Ele parecia sentir a liberao
da tenso, porque ele deu um aperto na mo dela. Ela apertou de volta.
Deixando sair um longo e profundo suspiro, Katie pensou em como esse
relacionamento era mais complicado do que ela tinha alguma vez esperado.
Por que o amor no torna as coisas mais fceis? Eu estou pegando muito pesado?
Eu estou mais apaixonada por Rick do que ele por mim?  hora de ns termos
outra DR? Se for, sou eu quem deve inici-la?
Katie no se lembrava de quando tempo havia se passado desde que ela e Rick
tiveram uma de suas conversas de "Definir o Relacionamento". Ela sabia que no
queria ser aquela a declarar os seus sentimentos a ele primeiro. Ela tambm no
queria que o seu corao aprofundasse suas razes na relao se o investimento
emocional que ela e Rick tinham fosse inclinado para apenas um dos lados. Por
que eles no podiam estar no mesmo lugar, ao mesmo tempo, emocionalmente e
relacionalmente?
Tentando fortemente deixar de lado os seus pensamentos instveis, Katie
colocou-se no presente e deixou o filme a levar para um lugar mais tranqilo. Por
agora, ela disse a si prpria, era o suficiente estar com Rick. Os detalhes
especficos que ela estava ansiosa para saber sobre o relacionamento deles
viriam  tona eventualmente.
Nenhum deles disse coisa alguma sobre a discusso deles quando eles deixaram o
cinema e Nicole no trouxe isso  tona depois que ela e Katie retornaram ao
dormitrio. O plano era dormir to tarde quanto pudessem e dar a Eli um toque
para ele saber que elas estavam vindo. Eli estaria de servio no campus s seis da
noite no sbado e Rick disse que poderia voltar para casa mais ou menos nesse
horrio.
Katie entrou num sono profundo e restaurador que durou ininterruptamente at
quase nove horas. Quando ela finalmente desceu pelo corredor para tomar um
banho e ver se Nicole estava acordada, ela ouviu um dos chuveiros funcionando.
-  voc, Nicole?
- Sim.
- Quando voc acordou?
- Uns vinte minutos atrs.
- Eu tambm. Muito bom no precisar levantar cedo pra fazer algo, no ?
- Maravilhoso! Apesar de eu ter acordado desejando que ns tivssemos trazido o
resto das omeletes do Rick de volta, dai ns teramos as comido agora.
- Eles esto provavelmente esperando por ns no freezer do Rick. Estarei pronta
em uns vinte minutos.
- Eu vou tentar ser rpida. Nicole gritou sobre o fluxo de gua que agora corria
na baia do chuveiro de Katie.
Cerca de quarenta minutos depois, as duas estavam em seu caminho para o
apartamento quando Nicole disse:
- Katie, eu tenho que lhe dizer uma coisa.
- Ok.
- Eu no ligo de voltar ao apartamento hoje para finalizar as coisas, mas se voc
no se importa, eu no quero gastar o dia inteiro l.
- Tudo bem.
Como Nicole no deu uma explicao adicional para sua escolha, Katie
perguntou:
-  o Eli? Ele ainda te deixa desconfortvel? Porque ontem parecia que vocs
estavam se dando muito bem.
- Por mim tudo bem estar junto com o Eli. Eu no estou atrada por ele ou
ansiosa por gastar um pouco mais de tempo com ele ou qualquer outra coisa, mas
eu estou bem com relao a ele. Ele  um rapaz nico e intrigante. Eu o julguei
mal a princpio.
- Ento, se no  Eli,  alguma outra coisa que eu deveria saber?
Nicole hesitou.
- Quero dizer, eu sei que na noite passada houve certa tenso depois do episdio
com o Senhor Tropeo e a conversa com o sndico e tudo o mais. Eu espero que
voc no tenha se sentido desconfortvel pela forma como Rick e eu estvamos
agindo um com o outro.
- No  voc, Katie.  s que ns quatro estivemos juntos na quinta e ento todo
o dia de ontem e agora...
- Voc est certa. Eu monopolizei todo o seu final de semana. Eu nem sequer
perguntei a voc se voc queria voltar hoje, no foi? Esse  a sua folga e aqui
estou, tomando todo o seu tempo livre e...
- No  isso, Katie. A pintura e decorao foram divertidas. Eu amo fazer coisas
assim, como voc sabe.  s que eu tenho alguns deveres que eu tenho que
terminar hoje e eu queria fazer umas pequenas compras em algumas lojas esse
final de semana e... Eu no sei. Eu s acho que  melhor que eu no esteja com
voc, Rick e Eli toda a noite como se ns fssemos um par de casais, sabe?
Katie acenou com a cabea.
- Eu entendo. Acredite em mim, eu entendo. Voc prefere s me levar l e o Rick
me leva de volta para os dormitrios mais tarde?
- No, eu vou ajudar com os mveis e quadros e tudo o mais. E o resto da minha
omelete est me esperando, certo? Quero dizer, eu tenho minhas prioridades em
ordem. Comida de graa. Eu estou dentro!
As duas amigas riram juntas e foram apreciar as omeletes do-dia-anterior-mas-
ainda-deliciosas e colocar as coisas em ordem no apartamento de Rick e Eli. Os
resultados finais foram impressionantes. As cores deixaram a sala mais
aconchegante. A idia de Nicole de pintar todas as molduras de preto fez uma
grande diferena.
Rick tinha uma grande figura emoldurada. Era uma figura personalizada e
ampliada de uma foto que o pai dele tirara na Itlia de uma vila costeira vista do
azul profundo do Mar Mediterrneo. Todas as brilhantes casas coloridas que se
prendiam aos precipcios rochosos agora pareciam ainda mais dramticas dentro
do quadro pintado. A foto foi o que Nicole chamou de "pea focal temtica" da
sala e ela pendurou de um jeito que os seus olhos iriam para ela quando algum
entrasse no apartamento.
As outras quatro pequenas imagens eram tambm fotos. Uma da famlia do Rick
com Max, todos juntos no quintal da velha casa deles em Escondido, quando Max
era um filhote. Outra foto era de Rick em toda a sua glria de jogador principal
do Ensino Mdio, usando o seu uniforme de futebol do Kelley High e fazendo uma
pose poderosa. As outras duas eram fotos que o pai de Rick havia tirado e ambas
eram do pr-do-sol.
Todas as cores na sala misturavam-se formosamente. Nicole estava contente e
enquanto ela estava l, os trs se deram muito bem. De qualquer forma, quando
Nicole partiu, Eli e Katie olharam um para o outro sem graa, como se eles no
tivessem percebido que iriam estar sozinhos por algumas horas at Rick retornar
do trabalho. Katie no esperava ficar assim, agitada, do jeito que ela ficou.
- Esta com fome? Eu estou. Mais ou menos. Ela disse.
Por que eu estou voltando para o meu antigo modo monossilbico agora que eu
estou sozinha com Eli?
- Eu poderia fazer um pouco de ch para ns, ele sugeriu. Voc ainda no provou
o ch preto queniano.
- Sim. Certo. Bom. Ok.
Katie se sentou no sof e fez os seus lbios se fecharem antes que outra pequena
palavra deslizasse para fora de sua boca. Apanhando o controle remoto, ela se
voltou para a televiso e flutuou pelos canais at encontrar um programa que
parecia bom.
-  um daqueles programas de reforma de casas, Eli. Agora voc pode ver do que
ns estvamos falando ontem. E  uma maratona, ento vai ser um programa
depois do outro.
- Que bom, ele replicou da cozinha.
Levou alguns minutos para ele retornar  sala de estar e presentear Katie com
uma caneca de ch queniano fumegante.
- Eu adicionei leite e um pouco de acar.
Katie tomou um gole.
- Oh, agora isso est bom. Muito bom.
- Deve ser daquelas folhas longas que voc estava admirando ontem. Esse  um
bom ch. Olhando para a televiso com Katie, ele disse. Explique-me o que
aquelas pessoas esto fazendo com as marretas.
Katie introduziu Eli ao passatempo americano de redecorar e remodelar casas
enquanto Eli introduziu-a ao ch preto queniano e fez comentrios comoventes
do contraste entre a riqueza nos EUA e a misria na frica. Ele no fez esses
comentrios de um jeito que fez Katie se sentir culpada por viver com um
telhado sobre a sua cabea que no tivesse goteiras, mas as observaes de Eli
eram uma abertura para os olhos dela.
Em certo momento Eli estava lhe falando calmamente sobre como ele e o pai
dele iam todos os dias pelas ruas sujas e estreitas pelo Qunia para entregar gua
limpa a quantas pessoas eles conseguissem. Eli descreveu as horrveis condies
de vida com compaixo e tenras descries de pessoas especficas. Ele falou
sobre quo duro era deixar aquela vida, vir para a Rancho Corona e tentar
ajustar o passo com um ritmo diferente de vida.
A forma como Eli desdobrou a sua histria foi como o desembrulhar de um
presente. O presente era a vida dele, a histria dele. Ele a manteve embrulhada
e guardou-a longe; mas hoje ele abriu o presente e o ofereceu a Katie.
A compaixo dele tocou-a to profundamente que ela chorou.
E foi assim que Rick os encontrou quando ele caminhou para dentro do
apartamento, sentados um ao lado do outro no sof, com lgrimas correndo pelas
bochechas de Katie.
                              Captulo 22
- O que aconteceu? Rick perguntou, indo em direo a Katie e colocando as mos
nos ombros dela.
- frica! Katie disse. Eli estava me falando sobre a frica.
Rick soltou os ombros dela.
- Oh, eu pensei que tinha algo errado.
- Alguma coisa est realmente errada. Katie disse. Alguma coisa est errada
conosco como pessoas, e alguma coisa est horrivelmente errada com nosso
mundo, milhes esto morrendo, sofrendo e ficando com fome e tristes enquanto
ns gastamos nosso dinheiro com pinturas ou chocolates!
Rick olhou com um olhar acusador para Eli.
- O que voc disse pra ela?
Eli voltou para a cozinha com as xcaras vazias.
- Eu apenas disse como minha vida era antes de vir pra c.
Rick ficou no lugar de Eli no sof e colocou os braos ao redor de Katie. Ela
encostou no ombro dele e deixou as lagrimas terminarem de cair. Eli voltou da
cozinha e trouxe pra ela um leno de papel.
- Obrigada. Desculpe rapazes. Eu acho que nunca havia pensado sobre o resto
mundo, sabe? Voc fez isso parecer to normal, Eli. To real. As pessoas
realmente vivem em condies terrveis. Isso est fora de controle. Eles no tm
nem mesmo gua limpa pra beber. Quero dizer, isso  bsico!
-  isso que meu pai faz agora, Eli disse. Eu te falei como a organizao que ele
trabalha, cava poos e localiza gua limpa em lugares remotos. Voc precisa
conhecer meu pai pra entender a devoo dele. Ele ama a frica. Ele concluiu o
trabalho por 3 homens. Ele faz muito mais coisa agora desde que...
Eli no terminou a frase. Katie presumiu que a ida de Eli para os Estados Unidos
fez a diferena na produtividade o pai. Ela sabia que os pais de Rick tinham feito
muito mais coisas depois que Josh e Rick saram de casa. Eles comearam o
Ninho da Pomba e a Livraria A Arca, depois que seus filhos ficaram
independentes.
- Rick, eu tenho uma idia.
As lagrimas dela secaram. Ela era uma mulher com uma misso.
- O que voc acha se o Ninho da Pomba mandar dinheiro pra frica para limpar a
gua? Voc pode colocar uma caixa do lado da caixa registradora para recolher
donativos. Ou voc pode decidir que toda vez que algum pedir uma pizza o
lucro vai para a frica. Voc pode colocar uma placa. Eu aposto que as pessoas
vo ajudar. Mesmo que seja um trocado por pessoa, pense em quanto podemos
coletar no final de um ms. Quero dizer, os problemas do mundo so enormes.
Ns temos que fazer alguma coisa. Ns temos que comear em algum lugar. Por
que no podemos fazer isso? Como um caf, quero dizer. Voc pode ficar
conhecido como um restaurante que se importa com o resto do mundo.
A cabea de Rick comeou a balanar a partir da terceira frase dela. Enquanto
ela falava seu discurso.
- Eu to com voc. Sim, por que no? Ns podemos fazer isso.
Katie bateu as mos e se virou para Eli.
- Voc pode nos conectar com as organizaes que seu pai trabalha, certo?
Talvez eles tenham cartazes ou algo assim.
- Eu posso fazer isso. Eli coou a nuca enquanto ela sorria ligeiramente. Katie j
tinha visto essa expresso dele antes.
- Isso  bom.
- Sim, Rick acrescentou. Boa idia, Katie. Eu vou usar isso.  algo que quero
fazer j tem algum tempo, mas no sabia exatamente o que fazer ou como
comear.
- Voc sabe, Eli disse enquanto dava um olhar de apreciao para Katie. Eu
precisava disso.
- Precisava de que? Katie perguntou.
- Eu precisava falar sobre minha casa. Sobre a frica. Desde que cheguei aqui, eu
nunca abri sobre como minha vida , ou at mesmo como minha vida era antes
de chegar aqui. Eu acho que fiquei um pouco chocado com a diferena de cultura
nos primeiros meses. Ento, tudo que eu pensava em fazer era esquecer, sabe?
Eu vi muita coisa que quero esquecer.
Katie e Rick assistiram enquanto uma onda de emoes tomou o rosto de Eli.
- Se voc puder fazer isso Rick, se puder recolher um pouco que seja de dinheiro
e mandar pra l, faria uma grande diferena. Voc no tem idia.
Katie concordou.
- Ns podemos fazer um fundo muito bem. Por que o Crown Hall no poderia
colher uns trocados ou organizar um lava jato ou algo assim? Vou trabalhar nisso,
Eli.
Ele respirou fundo.
- Obrigada gente. Eu aprecio isso. Eu acho que a coisa mais difcil pra mim desde
que cheguei aqui era pensar no que fazer com a minha histria. Minha histria.
Tudo que eu vi e experimentei. Nada disso cabia aqui. Eu no tinha acreditado
realmente em ningum, a no ser Joseph e Ted.
- O que voc quer dizer com "acreditar"? Katie perguntou.
- Talvez "confiado" seja uma forma melhor de dizer. Eu no confiei a mim
mesmo ou a minha histria para mais ningum a no ser Joseph e Ted. Eu no
quero parecer uma vitima. Eu espero que vocs no estejam vendo assim.
- No, continue. Rick disse.
Eli deu outro suspiro.
- A forma que eu vejo, eu arrumei esse emprego no Racho pra tentar me adaptar
melhor aqui. Eu fao meu trabalho, eu estudo, eu como e durmo. Mas a vida aqui
 to diferente.  uma bolha pra mim. Eu estou isolado. Desde que estou na
bolha, eu no tenho pensado muito sobre o que vivi antes de chegar aqui. Isso
precisa mudar. Eu preciso achar um jeito de viver nos dois mundos.
Rick balanou a cabea afirmando que entendia. Katie continuou confirmando
para encorajar Eli a continuar falando.
- Ento, obrigado, Katie, por me escutar e ter a idia de juntarmos
contribuies. Eu acho que era isso que eu precisava para colocar meus dois
mundos juntos.
Katie deu um sorriso cheio de compaixo para Eli. Mais uma vez ela sentiu que o
havia julgado mal desde o principio. Ela no havia dado a ela a graa e o espao
necessrio pra ser ele mesmo. Pelo resto do fim de semana, Katie pensou sobre
as coisas que Eli tinha falado. Quando ela viu Cris na igreja domingo, ela contou
sobre a conversa com Eli e a idia de arrecadar fundos que ela e Rick estavam
trabalhando.
- Tenho certeza que Ted pode acertar alguma coisa com o grupo da juventude,
Cris disse. Lava jatos so sempre bons pra arrecadar fundos. E a Arca? Se Rick
colocar uma caixa de contribuio ou algo assim no lado do caf, ele poderia
colocar no lado da livraria tambm.
- Eu vou dizer isso a ele. Boa idia, Cris. Isso ser bom para todos.
- Eu tambm acho, Cris disse, enquanto as duas iam para o estacionamento da
igreja. Cris ia dar uma carona a Katie para a Rancho antes de voltar para a igreja
e pegar Ted.
- Falando de carro e estacionamentos..., Katie disse vagarosamente.
- Voc conseguiu concertar o Buguinho?
- No, ele foi desmontado, tenho certeza agora. Eu tenho um cheque na minha
caixa de correio com o valor das peas. Eu no sei de quanto , e no tenho
olhado muito minha caixa, mas espero que d para cobrir algumas despesas com
os estudos. Minhas economias j eram.
- O que voc acha de comprar um carro novo?
- Parece que terei que continuar com as caronas por enquanto. Voc, Nicole e
Rick tm sido muito bons me dando carona. Obrigada.
- Quando quiser. Bom, sempre que eu estiver com o carro. Eu simpatizo com a
sua situao, Katie, porque dividir o carro com Ted tem sido nosso maior desafio
desde que casamos. Ns estamos pensando em comprar outro.
- Me avise se voc achar uma promoo pague um leve dois. Alm do mais, eu
no sei se poderia comprar nem mesmo o carro mais barato nesse momento. Eu
no sei nem como vou pagar o prximo semestre.
- Bem, talvez o cheque pelas partes do Buguinho seja maior do que voc imagina.
Voc disse que o Buguinho est na categoria de antiguidade. Talvez suas partes
internas valham um preo alto.
- Falando de partes internas, Katie disse, colocando o cinto de segurana. E
voltando ao estacionamento e pensando nas coisas... Eu acho que devo te contar
que o Sr. Tropeo no est mais conosco. Ele foi pro "onde quer que seja que os
felinos vo quando morrem".
- Eu sei, Cris disse. Pobre Sr. Tropeo.
- Como voc soube?
- Eu escutei isso do Sr. Yeager, nosso sindico. Ele veio ontem  noite, pra olhar
nosso micro-ondas.
- Ah, eu tinha que falar isso com voc tambm. Eu me ofereci para pagar o
concerto.
- Ele disso isso. Mas, Katie, como voc ir pagar se voc no tem dinheiro nem
para seus estudos?
- Isso que Rick disse. Eu vou dizer a voc o que eu disse a ele. Eu no sei como
vou pagar. Eu apenas quero fazer a coisa certa.
- Eu aprecio isso, mas honestamente eu no acho que tenha sido a pipoca que
estragou o micro-ondas. Ele era velho e nunca funcionou muito bem desde que
mudamos pra l. Eu disse ao sindico isso. Eu disse a ele que o micro-ondas estava
igual  nossa campainha, que continua no funcionando. Ele trouxe uma
campainha nova na caixa ontem e a nova no funcionou, ento deve ser um
problema eltrico. Deve ter sido o mesmo problema com a campainha e o micro-
ondas.
- Ok, aprendi a lio. Eu no preciso tentar fazer as coisas certas com o universo
inteiro.
- No com o universo inteiro, Cris disse. Se preocupe com o fundo de finanas
para limpar a gua da frica. Esse  um problema que voc pode resolver.
Cris deixou Katie em frente ao Crown Hall, e as duas decidiram se comunicar de
novo para um almoo durante a semana. Alguns estudantes estavam indo para as
portas abertas do Crown Hall. Era bom sentir o dormitrio cheio de estudantes de
novo. A vida estava voltando.
Katie notou que Jordan, um do ARs do dormitrio masculino, estava checando
alguns estudantes. Katie olhou em volta e foi de encontro a ele do escritrio. Ela
sentou no sof e fechou os olhos por alguns minutos. Era um bom lugar. Rancho
Corona podia ser uma bolha, como Eli disse no dia anterior, mas era uma bolha
muito bonita e era o lugar onde Katie estava livre para ser ela mesma mais do
que j esteve no lar onde cresceu. Ela amava aquele lugar e aquelas pessoas.
- Quando voc est de planto? Jordan perguntou a Katie.
Ela abriu um olho e disse:
- As 3. A no ser que voc que eu comece logo. Voc quer dar uma parada?
- Voc no se importa de comear mais cedo?
- No. Nicole me cobriu durante a sada na quarta, ento eu acho que devo fazer
isso por algum hoje.
- timo. Eu aceito a oferta se voc estiver falando srio, Jordan disse.
- Eu estou falando srio.
- Obrigado, Katie. Te devo uma.
- No deve no... Bem, eu realmente no deveria dizer isso, deveria? Eu tenho
certeza de que eu eventualmente precisarei de ajuda para alguma coisa. Ela
escorregou para a cadeira aquecida e olhou para numerao na tela do
computador, enquanto Jordan juntava e pegava a mochila e saa do escritrio.
Nem mesmo um tero dos estudantes havia chegado ainda. Com certeza o
descanso s viria mais tarde. Katie olhou pra o relgio e imaginou por que ela
aceitou to rpido ficar ali. Ela no tinha comido ainda e agora ela tinha o
compromisso de ficar de planto pelas prximas 6 horas ao invs de 4.
Katie desejou que Nicole, do jeito carinhoso, poderia pensar em trazer algo para
ela comer. Depois de 3 horas de trabalho, ela havia checado apenas 40
estudantes, e Nicole no tinha aparecido. Ela estava faminta e decidiu dar um
SOS no telefone de Rick. Quando ele atendeu, ela disse:
- Comida! Preciso de comida!
- Katie?
Ela riu.
- Claro que sou eu. Quem mais liga pra voc e diz ,,Comida! Preciso de comida!?
- No parecia com a sua voz.
-  porque eu estou faminta. Eu estou fraca de fome. O que voc est fazendo
agora? Tem alguma chance de voc poder vir aqui e trazer algo pra eu comer? Eu
estou de planto e tenho que ficar mais duas horas.
- Eu acho que eu s chegaria a em duas horas.
- Onde voc est?
- So Diego. Estamos olhando lugares em potencial que Josh achou. Eu no sei
por que viemos essa tarde. O trafego que eu e voc pegamos na ltima quarta
esta horrvel de novo. Eu posso ligar pra voc quando eu estiver perto e vejo se
voc ainda est desesperada.
- Eu estarei desesperada. Mesmo que eu consiga arrumar comida nas prximas
horas, eu estarei desesperada para ver voc.
- Isso  timo, Katie. Eu te ligarei mais tarde.
- Espera! Como a propriedade ?
- Muito boa.  uma antiga loja de pneus que ficava as margens da cidade, mas
agora esto construindo habitaes, a locao  ideal. Nenhum outro comprador
est interessado o que deixa um preo muito bom.
- Por que mais ningum esta interessado?
- Continua com pneus dentro. Josh disse que podemos nos livrar do cheiro. Ele
est pensando em fazer um tema de Loja de Refrigerantes com os pneus porque
uma das habitaes que esto desenvolvendo  para pessoas de mais ou menos
55 anos. A Loja de refrigerantes poderia ser nostlgica para eles17. Ns estamos
no estgio de trocar idias.
- Parece que ser o tema mais divertido. Voc pode chamar Nicole para ajudar
na decorao.
- Minha me sugeriu a mesma coisa. Ela veio com meu pai, Josh e eu.
- Eu devo deixar voc ir se voc est no carro agora.
- Tudo bem. Josh est conversando com Shana. Ele est tentando convenc-la a
se mudar pra c mesmo que ela no tenho um emprego. Josh est
definitivamente se mudando de volta.
Katie tinha uma leve suspeita de que se Josh se mudasse, mas Shana no,
poderia ser o fim do curto relacionamento deles e isto seria bom para Nicole ter
uma segunda chance com ele. Ela manteve o pensamento pra ela e disse a Rick
que ela tinha que ir porque alguns estudantes estavam chegando e ela tinha que
voltar ao trabalho. Durante as duas ultimas horas do trabalho de Katie foi cheio
com a volta dos estudantes. Ela esqueceu sobre a comida at Nicole chegar
ofegante ao escritrio.
- Voc no vai imaginar como estava o trfego! Katie, eu tinha a inteno de
voltar mais cedo, mas eu ficava l sentada e no saa pra lugar nenhum.
- Voc trouxe comida? Katie olhou inquisitiva para as sacolas de Nicole.
- Eu tenho o resto de uma salada de Santa F. Voc quer? Eu tenho certeza que
posso achar um garfo por aqui.
- Eu adoraria! Aqui, troque de lugar comigo. Eu sei onde os garfos esto. Katie
devorou ferozmente a salada que j estava quente por ficar tanto tempo no
carro de Nicole. Nicole tirou as coisas da mesa.
Quando elas acertaram tudo com calma, Katie disse:
- O que voc fez o dia todo?
- Voc est pronta para isso? A linda pele de pssego de Nicole ficou rosada. Eu
fui  igreja essa manh com Julia, e Phil estava l.
- Quem?
17
  Loja de Refrigerantes eram umas lanchonetes super badaladas antigamente quando os refris
foram lanados. Por isso da nostalgia.
Nicole abaixou a voz.
- Philip Sett. Lembra?
- Oh! Certo, o cara que parecia triste. Voc foi almoar com ele?
- Eu fui. Ele disse que queria se acertar por no ter podido ir  Noite da Pizza.
- Impressionante!
- Tem mais. Ns fomos almoar em um aconchegante restaurante  beira mar.
Ento ficamos presos no trafego de volta o resto do dia.
- Parece que voc teve um bom dia.
- Foi bom. No estupendo. Bom. A melhor parte foi quando ele me convidou,
sabe?
- Sim, eu sei. Eu definitivamente sei o que voc quer dizer.
A prxima leva de estudantes chegou, e Katie ficou uma hora a mais depois de
seu turno para ajudar Nicole. Julia chegou e perguntou a Katie se elas poderiam
acertar um compromisso segunda-feira  tarde.
Katie escreveu para si mesma uma nota e colocou na bolsa. Quando ela procurou
a nota depois da aula no dia seguinte, no conseguia achar. Ela tinha certeza que
Julia falou para ela estar no apartamento dela s 4 horas. Como Katie tinha um
pouco de tempo extra, ela deu uma volta no campus para ir  caixa de correio.
Trs cartas estavam esperando por ela e um postal lembrando que a permisso
de estacionamento venceria dia 1 de Dezembro.
- Bom, essa  uma divida que no preciso me preocupar mais.
Ela gostaria que um dos envelopes tivesse o cheque das peas do Buguinho. Se
Deus quisesse, teria dinheiro suficiente para ela passar o prximo ms. Ela sabia
que poderia pegar algumas horas extras no Ninho da Pomba durante o feriado de
Natal e poderia cobrir as despesas de Janeiro. Depois disso Katie no tinha idia
de onde viria o dinheiro de que ela precisa. Ela no estava preocupada, apesar
disso. Deus sempre providenciava o suficiente. Nunca de mais, nunca de menos.
Sempre o suficiente. Ela sussurrou uma pequena orao de agradecimento a Deus
pela forma que Ele cuida dela. Checando o endereo do primeiro envelope, Katie
sabia que era o cheque esperado. Ela foi abrindo o envelope enquanto caminhava
de volta para o Crown Hall e tirou o cheque. Ela parou no caminho.
- Devem estar brincando comigo!
Alguns estudantes olharam pra ela. Ao invs de exteriorizar sua raiva, deixou-a
ser expressa apenas em seu interior. O que est acontecendo? Isso no 
suficiente nem para uma semana de despesas. Voc viu isso, Deus? Eles me
roubaram ou o que? Eu no acredito nisso. Eu vou ligar para esses caras e dizer
que essa brincadeira no foi engraada. Eles tero que me pagar tudo.
Instantaneamente motivada, Katie procurou seu telefone e ligou pro nmero no
topo do cheque. Ela pegou suas coisas e andou pelo Crown Hall e debateu com o
mecnico com um tom de voz que era alto suficiente para qualquer um perto
ouvir.
- Voc me pagou por amendoins! No  possvel que isso seja tudo. Voc disse
que o Buguinho era uma raridade. Clssico. E isto  tudo que ele vale?
- Eu temo que sim. No foram muitas partes que podemos salvar. Voc olhou a
lista dentro do envelope? Voc pode ver exatamente as partes que podemos
vender e o preo que recebemos por elas. Ns tiramos nossa comisso, e isso est
na lista tambm.
Katie no respondeu.
- Voc ainda est ai? O mecnico perguntou.
- Sim, eu ainda estou aqui. Desculpe-me se gritei com voc. Eu apenas estou
chateada.
- Eu entendo.
- Eu sei. Obrigada. Eu aprecio que tenha mandado o cheque.
- Sem problemas.
Katie controlou seus sentimentos se sentindo pssima da forma como falou com o
pobre homem. Ela poderia agir assim se ele a tivesse roubado, mas como ela
poderia saber? A parte mais embaraosa foi quando ela percebeu que um pouco
antes de abrir o envelope ela docemente agradeceu a Deus pelas providncias.
Dois segundos depois as suas expectativas no valiam, ela estava gritando para
Deus e com outra pessoa como se a vida no fosse justa para ela. Respirando
fundo, Katie entrou no Crown Hall e foi ao apartamento de Julia. Ao invs de
pegar o elevador, ela decidiu ir pelas escadas para queimar todo esse
sentimento. Quando ela chegou ao primeiro piso Julia apareceu na porta entre
aberta com seu celular no ouvido. Ela acenou para Katie entrar e ento fechou a
porta.
Katie podia ouvir apenas algumas coisas da conversa de Julia e rapidamente
percebeu que no era da sua conta com quem Julia estava falando. Ela olhou
para o envelope em sua mo.
Ali. Aquele foi seu ultimo pensamento negativo, ela decidiu. Deus sabia o que
estava fazendo mesmo que Katie no soubesse. Qual seria o propsito de
acreditar em Deus se tudo vem automaticamente e facilmente? Katie disse para
si mesma para ser agradecida. Era um bom exerccio pro corao dela  um
corao que saa facilmente do controle.
- Obrigada, Katie sussurrou no apartamento de Julia. Na parede do quarto
estavam varias fotos de Julia em locais diferentes pelo mundo. Em uma das
visitas de Katie, Julia havia descrito onde cada foto foi tirada. Perto da porta
estava a foto mais bonita que ficava na altura dos olhos com um escrito em
Maori, a lngua das pessoas indgenas da Nova Zelndia.
A primeira vez que Katie viu essas palavras He aha te mea nui? He tangata! He
tangata! He tangata!, ela perguntou a Julia o que elas significavam. Julia disse
que era um enigma antigo na lngua deles. A primeira linha era uma pergunta: "O
que  a melhor coisa?" A segunda linha era a resposta: "So as pessoas! So as
pessoas! So as pessoas!"
Katie pensou sobre o significado de dizer o que estava acontecendo na vida dela.
Deus no deu a ela a beno que era mais importante? Pessoas, pessoas, pessoas.
- Obrigada, ela sussurrou de novo para Deus. Desta vez sua gratido carregava
muito mais sinceridade. Katie colocou o cheque de novo no envelope e, como
Julia ainda estava no celular, ela decidiu abrir os outros dois envelopes. A
prxima era do banco, notificando que quando o carto de dbito foi requisitado
na compra de chocolate, os fundos dela estavam insuficientes, e ela j havia
usado o saldo especial. Ela ficou olhando o aviso. O pagamento dela de AR
deveria ser automaticamente depositado na sexta. Ela no tinha idia de que a
transio que ela havia feito na quarta poderia ser finalizada no mesmo dia. Os
bancos no tm mais feriados da Ao de Graas?
Apesar da carta, Katie no gritou com Deus ou balanou a carta pro cu. Desta
vez ela cerrou os dentes e sentiu a raiva implodindo ao invs de explodir. Ela
sabia do orgulho dela em comprar os chocolates apesar de saber que eles
estavam caros demais e mesmo o Rick tendo oferecido o dinheiro at sexta.
Ela no poderia reclamar com ningum alem dela mesma.
Recusando-se a entrar numa confuso emocional, Katie pegou a prxima carta
esperando que fossem boas noticias. Cupons de desconto para a prxima pizza
seria timo. O endereo, porm, a fez perder as esperanas. A carta era da me
dela.
                             Captulo 23
Katie escolheu no abrir a carta. No ali. No com o humor que ela estava
naquele momento.
Enfiando todas as cartas dentro de sua bolsa a tiracolo, Katie cruzou e descruzou
suas pernas. Ela colocou o cabelo atrs da orelha e mordiscou seu polegar.
J que Julia no aparecia, Katie no agentou mais esperar. Ela enfiou sua mo
na bolsa e puxou a carta com o endereo de seus pais escrito a Mao do lado
esquerdo no topo do envelope. O envelope estava grosso, e quando Katie o virou,
um bilhete estava pregado nas costas do envelope. Era o bilhete que ela no
encontrou mais cedo. Com sua letra, estava escrito o horrio que ela deveria
encontrar Julia - 4:30. Ela estava adiantada. Agora sim dava pra entender porque
Julia no estava disponvel quando Katie apareceu.
Katie considerou ir embora e voltar mais tarde. Mas pra onde ela iria por dez
minutos? Passando os olhos na letra de sua me no envelope, Katie decidiu abr-
lo.
Dentro estava outro envelope. Era endereado a Katie e selado. Foi ento que
ela se lembrou da ligao de sua me algumas semanas atrs pedindo o endereo
de Katie. Agora sua curiosidade estava aguada. A carta no era, na verdade, de
sua me. Era de algum chamado "Nathaniel Brubaker, Adv." O remetente era
de Joplin, MO. Agora ela estava confusa. Ela no conhecia ningum em "MO",
qualquer que fosse esse estado.
Cuidadosamente, ela abriu a carta impressa em papel branco. Katie notou as
palavras depois do nome de Nathaniel Brubaker. "Advogado aos cuidados da Lei."
Por que um advogado me mandaria uma carta? Por acaso eu violei alguma lei no
estado de ,,MO sem saber?
Katie rapidamente passou o olho na carta e ento leu a ultima linha, "Por favor,
entre em contato comigo o mais rpido que puder para conversarmos sobre isso."
- Conversarmos sobre o que? Katie disse em voz alta.
Ela estava lendo a carta pela segunda vez, mais atenciosamente quando Julia
entrou na sala.
- Desculpe-me por te deixar esperando.
- Eu estava adiantada. Katie disse sem tirar o olho da carta.
- Tudo bem?
- No sei. Ela deu a carta  Julia. Voc pode me dizer o que isso significa?
Enquanto Julia lia, seus olhos arregalaram. Ela olhou para Katie e disse:
- Sua tia Mabel faleceu.
- Eu sei. Ela morreu no vero passado. Ou talvez tenha sido na primavera. E eu
acho que ela era minha tia av. Ento por que eles esto me contando isso agora?
Julia estava relendo a carta movendo seus lbios silenciosamente.
- Eu acho que ela te deixou algo. Sr. Brubaker vai discutir os detalhes com voc
quando voc ligar pra ele.
- Tomara que ela tenha me deixado o carro dela. Eu poderia usar o carro dela.
Apesar de que ela deve ter um daqueles carros de senhoras e num estado bem
pior que o Buguinho estava. E como e que eu iria buscar esse carro onde quer
que ele esteja? Que estado  MO, a propsito?
- Missouri.
- Ento por que eles no usam as duas primeiras letras, MI?
- Eu acho que essa  a abreviatura de Mississipi. No, na verdade, Mississipi  MS.
MI deve ser Michigan.
- Isso explica o porqu de eu sempre me confundir com os nomes dos estados. Eu
nunca tive uma noo clara de onde meus parentes so.
- Voc quer ligar para o Sr. Brubaker? Com o fuso horrio, ele provavelmente
pode no estar trabalhando, mas voc pode deixar uma mensagem.
- Claro, acho que sim. Katie pegou seu telefone e discou o nmero que estava no
cabealho da carta. Uma mensagem gravada falou os horrios de funcionamento
do escritrio e pediu pra que ela deixasse uma mensagem. Katie disse seu nome,
o numero de seu celular e, s pra constar, seu endereo na Rancho.
- Me conte o que ele disse quando ele te ligar. Julia falou.
- Conto sim.
- Ento, como foi seu Dia de Ao de Graas e como esto as coisas?
Katie e Julia ficaram os trinta minutos seguintes colocando os assuntos em dia.
Katie no tinha muito pra contar, exceto pelos detalhes felizes do passeio ao
zoolgico na ultima quarta-feira, o bom tempo com a famlia de Rick e depois a
pintura do apartamento dele. Katie passou por cima dos detalhes e falou sobre
como queria levantar fundos para "gua limpa" para a frica e algumas das idias
que ela tivera de como o dormitrio todo poderia participar disso.
- Nos falaremos disso no nosso prximo encontro com a equipe, Julia disse. Voc
tem o encontro no seu calendrio, no tem?  sexta-feira s trs horas.
- Eu estarei l. Voc quer que eu traga informaes sobre a organizao para a
qual o pai do Eli trabalha?
- Quero. Se voc quiser, voc pode mandar um email pra todos antes do encontro
e mand-los um link, caso haja algum site que eles possam dar uma olhada antes.
- Eu farei isso.
- Agora. Julia inclinou-se pra frente e olhou intensamente para Katie. Eu preciso
te dar algumas direes com relao ao seu cargo.
- Ok.
- Durante as ultimas semanas, algumas meninas no seu andar tm vindo ate mim
e dito que no tem sentido que voc tem estado disponvel pra elas.
- O que?
- Apenas me oua, Katie. Como voc se lembra do treinamento, sua funo no 
ser a me dessas meninas e voc no tem obrigao de ser a melhor amiga de
todas. Ento eu percebo que elas possam estar esperando mais de voc do que
deveriam. Eu tambm sei que  um desafio encontrar o equilbrio perfeito. Eu
no estou preocupada se voc no esta fazendo seu trabalho ou se no esta
tentando estar disponvel. Voc tambm tem suas aulas, assim como uma vida
social. Ento no leve isso como uma forma de repreenso da minha parte. Isso 
apenas uma informao para voc processar e ver como pode remediar alguns
desses problemas.
- Quem estava reclamando?
- Eu no acho que isso importe. No acho mesmo. Eu ouvi o que elas tinham pra
dizer e as dei minha palavra de que iria falar com voc.
- Ah, ? E o que exatamente essas mulheres annimas tm a dizer?
- Katie, voc esta agindo defensivamente. Voc tem que levar isso como uma
direo pra te ajudar e no uma acusao. O que elas disseram  que elas foram
ao seu quarto um monte de vezes, mas voc no estava l.
- E elas foram falar com a Nicole, certo? Ns somos um time. Ou a Nicole recebeu
a mesma reclamao?
- Elas foram falar com a Nicole, e no, ela no recebeu a mesma reclamao.
- Eu no entendo como qualquer uma delas poderia esperar que eu ficasse no
meu quarto esperando o tempo todo por elas. Como eu poderia fazer isso? Eu no
tenho como estar l toda vez que elas quiserem falar dos problemas delas.
- Katie.
- Quero dizer, o que elas pensam que eu estou fazendo? Eu no estou tentando
ignor-las.
- Katie! A voz de Julia estava mais firme dessa vez. Voc ainda est levando isso
como uma ofensa. Olha para o que eu te disse por outra perspectiva. Examine
isso objetivamente. Nesse cargo, voc no pode levar tudo pro lado pessoal.
Katie tentou com todas as forcas levar suas emoes para um lado mais neutro.
- Desculpa. Ela respirou fundo. Ento, o que eu devo fazer?
- Eu acho que algumas atitudes poderiam ajudar. Voc pode colocar no seu
quadro de mensagens ao lado da sua porta, horrios em que voc esta no seu
quarto e os horrios que no est.
- Eu j tenho um quadro de mensagens ao lado da minha porta.
- Eu sei que voc tem. O que eu estou sugerindo e que voc acrescente um
sistema qualquer, como voc preferir, que faa com que as pessoas saibam onde
voc est caso no esteja no seu quarto e a que horas estar de volta. Voc j
viu alguns desses relgios feitos  mo que as outras ARs tem. Ou voc pode usar
cartes que digam que voc esta em aula ou quando estiver na cafeteria ou
estudando. Ento se certifique de deixar o horrio em que estar de volta. Voc
pode trabalhar com o sistema que preferir. Tudo que voc tem que fazer 
encontrar um jeito de comunicar sua disponibilidade mais claramente com as
meninas do andar.
- T bom.
- Tudo bem com voc em relao a isso?
- Sim, eu vou pensar em algo. Eu vou descobrir onde Nicole comprou aquele
quadro magntico todo chique com os ims para "aula", "estudos" e tudo mais.
Com ela mesma, Katie pensou, no que eu possa comprar um agora...
- Eu tenho outra sugesto, Julia disse. Voc pode organizar um horrio regular
cada semana para fazer rondas. Eu sei que Nicole fez isso ano passado, mas no
sei se ela comeou a fazer esse ano. Vocs duas poderiam ir juntas ou separadas.
Tudo que tem que fazer  dar uma parada no quarto de todas e dizer oi. No tem
que ser uma visita longa, e esse no  um tempo para elas contarem sobre suas
histrias de vida, mas apenas uma oportunidade de estabelecer contato com
todas.
- Ok. Vou falar com Nicole sobre isso tambm.
- Ah, e eu sugiro que voc deixe um caderno perto de seu telefone para quando
receber ligaes. Inevitavelmente voc vai receber um monte de pedidos para
coisas como lmpadas queimadas ou algo referente a uma embalagem de xampu
que elas deixaram no banheiro.
- Caderno. Entendi.
- Obrigada, Katie. Julia disse com um sorriso. Eu agradeo por voc estar levando
isso tudo como sugestes construtivas ao invs de apenas criticas.
- Isso  algo que eu preciso trabalhar.
- Eu tenho certeza de que voc esta descobrindo que ser uma AR est te dando a
oportunidade de trabalhar exatamente nisso.
- Exatamente.
Katie retornou ao seu quarto antes de ir para a cafeteria jantar. Algo de sua
velha e rebelde natureza a fez caminhar por todos os quartos e ignorar todas as
meninas no andar durante todo o caminho para o seu quarto. Ela concordou com
Julia que ela deveria ser mais deliberada em estar mais em contato com as
meninas. Mas porque alguma mulher annima ou duas ou talvez mais foram e
"conversaram fiado" sobre ela, Katie preferiu afastar-se delas do que se esforar
para cumprir o que prometeu a Julia.
Uma vez em seu quarto, Katie jogou seu travesseiro na parede e soltou um
"Grrr!"
- Calma, ela disse a si mesma enquanto andava de um lado para o outro. Esse  o
seu trabalho. Voc tem quarto e comida de graa por isso. Leve isso como uma
avaliao da sua performance. Relaxe. Voc tem algumas reas pra melhorar, s
isso. Entre nessa. No lute contra isso.
Sua rpida sesso de terapia funcionou. Ela parou de andar de um lado para o
outro no seu quarto e deixou o conselho de Julia "assentar" sobre ela. Bem nessa
hora, seu celular tocou. Era Rick.
Seu cumprimento foi:
- Como  que voc consegue me suportar?
- Katie?
- Sim, claro que sou eu. Por que voc sempre pergunta se sou eu quando eu ligo?
Isso  o que minha me faz, e isso me deixa louca. Voc poderia pelo menos ler o
identificador de chamadas no seu celular no caso de voc no reconhecer minha
voz por alguma estranha razo.
- Eu liguei numa ma hora, no foi?
Katie no pde identificar se ele estava impaciente ou compadecente dela. Com
Rick, s vezes, era difcil de saber a diferena.
- Eu estou bem, ela disse, nada interessada em repetir a conversa com Julia para
ningum.
- Tem certeza?
Katie suspirou e ento, impulsivamente, ela contou a Rick. Ela tentou fazer isso
de uma maneira rpida e resumiu dizendo:
- Ento, eu acho que vou ter que me esforar pra melhorar em cada parte do
meu cargo no perodo entre agora e o recesso de Natal.
- Isso vai ser bom. Rick disse.
- Eu sei.  isso que eu preciso mesmo fazer. Eu no deveria ter uma atitude to
ruim assim.
- No, eu quero dizer que vai ser bom que seu trabalho vai exigir mais de voc
nas prximas semanas porque eu estou na mesma situao. Meu trabalho vai
exigir bastante de mim tambm.
Da beirada de sua cama, Katie fez uma careta e ficou feliz por Rick no poder
ver seu rosto.
- O que esta acontecendo? Ela tentou fazer a pergunta soar mais "calma" do que
soou no interior dela.
- Nos compramos a propriedade de San Diego hoje. Pelo menos ns comeamos o
processo. Nos estamos comprometidos com eles. Vai ser um negocio enorme,
Katie! Isso  o que Josh e eu estvamos esperando. Nos ainda no podemos
acreditar que Deus abriu essa porta to rapidamente depois que a propriedade
do Arizona no deu certo. Ate que o Josh faa as malas e mude pra c, eu terei
que trabalhar contra o tempo.
- Uau. Katie tentou soar um pouco entusiasmada para alegria de Rick. Ento,
nosso momento dourado de sair como namorados para encontros normais acabou.
- Nosso namoro no acabou.
- Quero dizer, o luxo de ir ao zoolgico durante um dia como nos fizemos na
semana passada. Essa  a parte dourada que vai acabar.
- No acabar, Katie. Apenas esperar. Nos ainda podemos nos encontrar para
jantar e talvez ir ao cinema uma vez ou outra. Voc entende a oportunidade
fantstica que isso  e como eu tenho que mergulhar nisso e seguir em frente,
no entende?
- Sim. Eu entendo. Claro que eu entendo.  isso que voc faz. Desculpe-me se eu
no estou muito empolgada com relao a isso. Bem no fundo eu estou muito
feliz por voc, Josh e seus pais e pela triste, abandonada loja de pneus que em
breve se tornara um feliz e 'bombante' point.
- Nos ainda no estamos nesse nvel.
- Mas Rick, eu estaria mentindo se eu no dissesse que fiquei meio frustrada. Eu
gostei de passar o tempo com voc na semana passada, mesmo tendo sido apenas
alguns dias.
- Eu sei. Eu tambm gostei. Escute, eu no sei quando eu vou te ver essa semana
porque eu tenho algumas viagens pra fazer para San Diego.
- Dessa vez tomara que no tenha transito.
- Sim, tomara que no tenha transito. Mas eu estarei em casa no prximo
domingo, ento vamos agendar esse dia como nosso dia juntos, ok? Se voc tiver
algum planto, tente trocar com a Nicole. Se voc tiver algum trabalho, tente
faz-lo antes de domingo. Assim nos podemos ter o domingo todo juntos.
- Ok. Uma pequena parte do lado rebelde de Katie a fez ter vontade de dizer,
"Por que sou eu tenho que fazer todos os ajustes e encaixar minha vida na sua
agenda?"
Mas ela no disse isso. Ela se lembrou do comentrio de Cris alguns meses atrs
sobre a vida de casada; como ela no esperava que tivesse que ceder tanto para
encaixar sua vida com a vida de Ted. Cris disse tambm que Ted estava fazendo
a mesma coisa. Ele tinha que ajustar sua agenda diariamente apenas pra lidar
com as necessidades de transporte deles com apenas um carro.
Aquele pensamento fez Katie se lembrar do seu cheque decepcionante das partes
do Buguinho e das duas outras significantes cartas. Ela decidiu no dizer nada a
Rick a respeito das cartas. Quando ela o visse no prximo domingo ela teria mais
informaes do advogado. Ela tambm sabia que no adiantaria de nada trazer 
tona o assunto dos chocolates caros outra vez.
Eles se falaram mais alguns minutos e Rick disse que tinha que ir.
Katie desligou e pensou em como Rick iria precisar do mesmo tipo de quadro de
horrios que ela penduraria ao lado de sua porta. Talvez ela achasse dois-pelo-
preco-de-um no Galpo da Economia, o lugar preferido de Katie pra fazer
compras. Ele poderia coloc-lo ao lado da porta de seu escritrio no Ninho da
Pomba, e se ela no pudesse encontr-lo no celular, pelo menos Carlos ou algum
dos outros funcionrios no Ninho poderia checar no calendrio dele e inform-la
de quando ele estaria de volta.
Imaginar aquela cena levou Katie a acalmar seus sentimentos com relao ao que
Julia dissera. Se algumas mulheres do seu andar tinham o sentimento de perda e
talvez de abandono quando elas no encontravam Katie, ela agora compreendia
mais como elas se sentiam. Ela no gostava de entrar nesse estgio de suas
emoes, onde ela j estivera muitas vezes quando o assunto era Rick.
Ela era uma mulher forte. Ela podia lidar com isso. Tudo isso.
Deixando seu quarto e indo rumo  cafeteria, Katie se determinou a no sentir
pena de si mesma com relao  iminente ocupada agenda de Rick. Ela tambm
determinou que iria fazer um esforo generoso para demonstrar bondade a todas
as mulheres no seu andar toda vez que pudesse, comeando agora.
Katie colocou a cabea para dentro de cada porta e disse um caloroso oi. Todas
as pessoas que passavam por ela no caminho para a cafeteria, ela
cumprimentava pelo nome. Quando ela chegou  cafeteria, Eli estava na fila,
dois lugares a frente dela.
- Ei, Eli!
Ele virou e deu um grande sorriso e se juntou a ela na fila.
- Eu mandei um email pro meu pai. Voc no iria acreditar no quanto ele ficou
animado como a idia dos nossos levantamentos de fundos. Eu acho que ele
estava num momento bem difcil. Isso foi como remdio pra ele.
Katie entrou, atravs da fila, na cafeteria com Eli, e os dois comeram juntos
numa mesa ao lado da janela que tinha apenas duas cadeiras. Mesmo depois que
eles terminaram de comer, eles continuaram falando sobre as idias dos
levantamentos de fundo. Eli contou a Katie mais histrias sobre as vezes que ele
foi com seu pai em vilarejos remotos para fazer o trabalho preparatrio antes de
enviar a equipe que cavaria o poo.
Ele descreveu um problema horrvel em um vilarejo que tinha um parasita na
gua que se alojava debaixo da pele e deixava as crianas e adultos com
dolorosos inchaos nesses lugares onde o parasita estava.
Katie teve um calafrio diante da descrio e ficou feliz por j ter acabado de
comer.
- Voc no vai acreditar nisso, Katie, mas dois meses apos o poo estar cavado e
as pessoas no terem mais que beber da nascente contaminada, os parasitas
sumiram. As pessoas foram curadas pela gua limpa que estavam bebendo e
usando para cozinhar e lavar suas coisas. Isso transformou o vilarejo.
- Voc tem que contar essa histria, Katie disse.
- Onde?
- Aqui, na capela. Os olhos de Katie se arregalaram. Sim,  isso! Na capela. Ns
temos pessoas que vm o tempo todo e nos contam sobre o que est
acontecendo em varias partes do mundo, mas Eli, voc esta aqui. E voc viu e
viveu isso tudo. Voc falaria na capela um dia?
Ele deu de ombros.
- Acho que sim. O que eu diria?
- Simplesmente o que voc tem me contado. Conte suas histrias. Eu conheo
pessoas no comit da capela. Eu vou falar com eles amanh. Eli, isso  muito
legal! Ns podemos comear um projeto para levantar fundos que toda a
universidade poderia participar!
O entusiasmo de Katie no diminuiu quando a noite chegou. Ela e Eli continuaram
conversando ate a cafeteria fechar. Ento eles caminharam at o Java Jungle,
um coffee shop dentro do campus, e continuaram conversando ate depois das
nove.
- Eu tenho mesmo que ir, Eli disse. Eu tenho que trabalhar  meia noite e tenho
um trabalho pra fazer pra amanh.
- Vamos combinar um horrio pra nos encontrarmos amanh, Katie sugeriu. Qual
 o nmero do seu celular? Eu acho que no tenho.
Eles fizeram planos de se encontrarem na tera-feira. Eli sugeriu a fonte no
centro do campus. A princpio Katie disse sim. Ento ela parou e disse:
- Vamos nos encontrar no Java Jungle ao invs da fonte. A fonte era um lugar
especial para ela j que ela e Rick compartilharam alguns almoos-piqueniques
divertidos assim como algumas guerrinhas de gua. Soou engraado pensar em
comear algumas novas lembranas naquele lugar com Eli.
Na hora que eles iam se encontrar no Java Jungle na ter Ca, Katie estava cheia
de novidades. Ela estava esperando por Eli quando Julia entrou no pequeno
coffee shop e acenou para Katie.
Katie chamou-a e iria contar-lhe a mais nova idia sobre o "testemunho" de Eli na
capela quando seu celular tocou.
Katie no reconheceu o numero e assumiu que fosse Eli. Ela atendeu dizendo:
- Voc no vai acreditar em todas as coisas boas que esto pra acontecer!
Depois de uma pausa, uma mulher disse:
- Katie Weldon, por favor.
- Oh. Sim,  a Katie.
- Vou passar para o Sr. Brubaker.
Katie cobriu o microfone e olhou para Julia.
-  o advogado, ela sussurrou.
Julia apontou para a porta.
- Voc deveria ir l pra fora, pra algum lugar onde possa ouvir melhor. Julia
disse.
- Voc pode vir comigo, Julia? Eu devo precisar de voc.
As duas foram para fora e caminharam ate um banco que ficava de frente para o
prdio principal da comunidade dos estudantes e de costas para o muro de tijolos
do Dishner Hall, o departamento de msica. Esse era o melhor lugar  prova de
som que elas poderiam encontrar do lado de fora.
- Senhorita Weldon? A voz do outro lado da linha era baixa e "sombria".
- Sim?
- Voc respondeu  minha carta com relao a Mabel Overton.
- Sim.
- Eu estou lidando com o testamento da Sra. Overton. Ela tinha um pedido
especifico, seu desejo era que encontrssemos todos os seus parentes que
estivessem na faculdade.
- Sr. Brubaker? Eu vou colocar o senhor no vivavoz.
- Algum vai ouvir nossa conversa?
Katie olhou a sua volta.
- Apenas minha DR. Minha diretora dos residentes. Eu quero que ela oua o que
voc vai dizer porque ela estava comigo quando eu li sua carta e ela esta comigo
agora. Eu so quero que ela oua para que ela possa me falar se eu preciso fazer
algo que eu no entenda enquanto voc fala. Faz sentido? Eu nunca falei com um
advogado antes e, pra ser honesta, eu estou nervosa.
- No tem motivos pra ficar nervosa. Vai em frente e me coloque no vivavoz.
Katie segurou o telefone entre ela e Julia e olhou em volta para se certificar de
que nenhum outro estudante estava por perto. Elas ainda estavam isoladas no
seu "esconderijo".
- Ok, ela disse. T limpo. Quero dizer, voc pode continuar com o que ia dizer.
Sr. Brubaker descreveu como a tia av de Katie queria encontrar todos os
parentes dela que estivessem fazendo faculdade porque era algo que ela queria
muito ter feito, mas no pode. O advogado conduzira uma extensa procura, e
Katie foi a nica familiar direta que estava fazendo faculdade ou tinha
expressado algum desejo em fazer faculdade.
Katie olhou pra Julia. Ela no fazia a menor idia do porqu isso importava tanto
para sua falecida tia avo.
Ento o Sr. Brubaker deixou as intenes de Mabel claras.
- Como a nica universitria, voc foi destinada a receber toda a quantia do
testamento dela.
Katie levantou suas sobrancelhas e continuou olhando para Julia. Que tima
novidade! Talvez sua tia av tivesse deixado uma quantia suficiente para cobrir o
resto do valor de seu curso.
- Voc gostaria de saber a quantia destinada a voc? Ele perguntou.
- A quantia? Claro!
O Sr. Brubaker disse a quantia, e Katie deixou seu celular cair no mesmo
instante.
Julia pegou o telefone.
- Obrigada, Sr. Brubaker. Katie esta um pouco abalada no momento.
- Compreensvel. A tia av dela adquiriu um pequena quantia em aes numa
companhia de petrleo quando estava em seus quarenta anos. Com o preo do
petrleo hoje, eu diria que d um bom dinheiro.
- Sim, Julia concordou.
- Sr. Brubaker, o senhor tem certeza disso tudo? Katie disse, recobrando sua voz.
Coisas assim acontecem em filmes, mas no na vida real.
- Oh, elas acontecem na vida real todos os dias, Srta. Weldon. Acredite. Agora,
eu tenho seu endereo a na Rancho Corona, ento eu enviarei as papeladas
finais para voc nesse endereo, a menos que voc queira que eu mande pra
algum outro lugar.
- No, aqui mesmo.
- Tenha um bom dia, ento.
- Espere! Sr. Brubaker?
- Sim?
- Algum mais sabe disso? Meus pais ou algum parente?
- No. Voc pode fazer o que quiser com a informao e o dinheiro.
- Ok. Obrigada.
- Disponha. Tenha um bom dia.
                              Captulo 24
Katie desligou seu celular e encarou Julia.
- Tenha um bom dia? Ele acabou de dizer ,,tenha um bom dia?
Julia sorriu.
- Uau, Katie.
- Me diz a o valor de novo.
Julia repetiu enquanto Katie desenhava os nmeros invisveis no ar com seu
dedo.
-  um monte de nmero na frente do ponto decimal. E nmeros agradveis
tambm, voc no acha? Agradveis, grandes, gordos nmeros. Julia, isso 
loucura! Me d um tapa para eu acordar? Isso no pode estar acontecendo.
Julia deslizou seu brao ao redor dos ombros de Katie e lhe deu um abrao
apertado.
- Parece ser real, Katie. Sem piada. Voc orou por ajuda financeira ou alguma
coisa assim?
Katie riu. Ela riu e riu at lgrimas rolarem por sua face. Uma vez que ela tinha
recuperado sua voz, ela disse:
- Julia. O que vou fazer com todo esse dinheiro?
- Voc vai dar um tempo, voc vai orar...
- Certo. Claro. Deus no teria feito isso se Ele no tivesse uma razo. Voc acha
que Ele tem um plano para esse dinheiro? Claro que Ele tem um plano. Voc
acha... voc acha que Ele tem um sonho? Um sonho para alguma coisa que
poderia acontecer e Ele quer usar esse dinheiro para fazer acontecer?
- Por que voc no pergunta a Ele?
- Sim, claro. Por que no posso pensar nessas coisas? Vou perguntar a Ele. Voc
quer orar comigo?
- Claro.
Pelos cinco minutos seguintes Katie e Julia curvaram suas cabeas no banco do
lado do Dishner Hall e oraram juntas. Ambas agradeceram a Deus pelo inesperado
e extravagante presente. Julia pediu que Deus desse sabedoria a Katie.
Katie concluiu suas oraes espontneas com:
- Pai, e voc? Voc tem algum sonho e quer que eu use esse dinheiro pra realizar?
Porque voc pode t-lo. Eu sei que j  Teu, mas se voc est colocando no meu
caminho para que eu venha us-lo de alguma forma que ir fazer teu reino vir e
tua vontade ser feita tanto na terra como no cu, ento eu farei. Apenas me diga
o que queres. Amm.
- Amm. Julia repetiu.
Katie abriu seus olhos e olhou para Julia se sentindo um pouco mais estabilizada.
- Isso  muito louco.
- Deus  muito louco, Julia disse. Ele raramente faz o que ns pensamos que ele
iria fazer.
Katie acenou com a cabea. Alguns pensamentos suaves sobre Rick e onde o
relacionamento deles estava indo veio flutuando sobre ela. Ela no estava certa
por que. Ela teria pensado que o dinheiro seria tudo que ela poderia pensar a
respeito depois de receber tal notcia surpreendente.
- Julia, posso te fazer uma pergunta maluca?
- Ok
- O que quer que seja que aconteceu com Trent?
Julia pareceu assustada.
- O que voc quer dizer com o que aconteceu com ele?
- Voc disse que no se casou com ele, ento eu s estava pensando o que tinha
acontecido. Quer dizer, se voc no se importar em me contar. Meus
pensamentos esto em todo lugar e eu acho que estou tentando entender minha
vida inteira agora de uma vez s e eu pensei sobre voc e amor e casamento e o
futuro.
Julia levou um longo momento antes de falar.
- Eu... Ela no continuou. Com sua expresso de tranqilidade retornando ela
disse: Quer saber, Katie? Vou te fazer uma promessa. Eu prometo que vou te
contar sobre Trent um dia. Eu no contei pra muitas pessoas, mas eu vou contar
pra voc. No hoje, mas um dia.
- Ok. Eu espero. Sou uma boa esperadora. Bem, no muito.  um tipo de piada
que eu e Rick temos. Eu no sei por que no consigo parar de pensar em Rick.
Voc acha que t ficando doida? Eu sinto como se estivesse. Sinto como se eu
estivesse sobrecarregada.
- Por que voc no volta para seu quarto e seja voc mesma por um momento?
Voc pode deixar tudo isso ser absorvido e ore um pouco mais e volte ao seu
normal. Estarei por aqui, se voc precisar conversar um pouco mais.
- Obrigada. Katie caminhou de volta ao Crown Hall confusa, embora um
pensamento persistente ficasse em sua mente. No momento em que ela estava
na porta do dormitrio, ela sentiu que um pensamento singular tinha sido selado
em seu crebro. Aquele pensamento a guiou pra uma deciso importante. Ela
entrou no lobby e decidiu, Eu no vou contar nada a ningum sobre a herana.
Nem Rick ou Cris ou Nicole, ningum. Apenas Julia precisa saber no momento. Se
eu disser a muita gente, vai ficar confuso saber o que devo fazer depois.
Tentando lembrar-se de sua nova abordagem de cumprimentar todos no caminho,
Katie parou por alguns minutos pra um rpido bate-papo com trs garotas
diferentes. Quando ela entrou em seu quarto, ela fechou a porta e ficou de p
com as costas contra ela.
Isso no  real. Isso no est acontecendo. E se Julia no estivesse comigo? Eu
teria pirado total. Provavelmente eu estaria correndo pelo campus exatamente
agora gritando e contando pra todos.
Ela respirou fundo.
Assim  melhor. S voc e eu, Senhor. S voc e eu.
Por aproximadamente vinte minutos, Katie ficou deitada em sua cama, fitando o
teto. Seu celular tocou, mas ela no atendeu. Quem quer que fosse ela no podia
falar naquele momento. Ela estava pensando. Meditando. Qual era seu prximo
passo?
O pagamento de sua mensalidade estava vencendo na semana seguinte. Ela
usaria o dinheiro pra pagar, claro. No apenas pra o prximo pagamento, mas
para o resto do ano. Ela pagaria todas suas contas escolares. Isso era que sua tia
Mabel queria, no era? Daquela forma Katie poderia se formar em Maio sem
nenhum emprstimo estudantil e sem nenhum dbito.
Nunca em um milho de anos ela teria pensado que Deus faria uma coisa dessas.
Ela tinha dito a Ele quando iniciou a faculdade que ela confiava nEle pra ajud-la
a superar, mas mesmo em suas mais loucas idias isso no era do jeito que ela
pensou que Ele faria.
- Obrigada, Katie sussurrou. Obrigada, obrigada, obrigada!
Ela pensou em todos seus amigos que estavam lutando pra encontrar maneiras de
pagar suas mensalidades. Por que ela no poderia ajud-los? Anonimamente.
Julia poderia direcion-la em como fazer uma doao silenciosamente. Por que
no? Ela poderia contribuir pras mensalidades de Joseph e Eli.
- Eli! Katie levantou-se e procurou por seu telefone. Eu sa do Java Jungle e
nunca voltei pra encontr-lo.
Katie checou e viu que ela tinha trs mensagens dele. Discando o nmero dele
rapidamente, ela caiu na mensagem de voz.
- Eli, eu sinto muito, muito. Aconteceu uma coisa. Eu hummmm... bem, me liga
depois. Talvez a gente possa se encontrar pra jantar ou alguma coisa.
Ela pegou seu caderno de espiral de sua mesa e lembrou que ela ainda no tinha
feito sua leitura pra aula daquela noite. A leitura teria que esperar uns vinte
minutos. Katie precisava colocar sua enxurrada de pensamentos no papel antes
que sua mente comeasse a se dispersar de novo.
Ela rabiscou o nome de todos os estudantes que ela sabia que estavam
trabalhando pra pagar suas mensalidades. A lista cresceu e Katie se sentiu
desencorajada. Se ela tentasse pagar a mensalidade de todos na lista, todo o
dinheiro acabaria antes que ela alcanasse o final da lista.
Riscando aquela lista, ela comeou outra. Eli estava no topo da lista. Ela no
fazia idia como a mensalidade dele estava sendo paga. Julia poderia ajud-la a
descobrir. Joseph vinha a seguir na lista. Enquanto ela escrevia o nome dele, ela
se lembrou do jogo que eles fizeram no Dia de Ao de Graas. A resposta de
Joseph para o que ele faria se tivesse um milho de dlares foi trazer Shiloh e
Hope pra ficar com ele na Rancho Corona.
Um amvel sorriso cresceu no rosto de Katie. Ela poderia fazer isso. Ela poderia
tornar aquilo possvel. Na verdade, Deus era quem poderia e estava fazendo se
tornar possvel.
Katie comeou uma nova lista. O ttulo era "Sonhos de Deus". A primeira coisa na
lista era "Shiloh e Hope mudam pra Rancho". Quando ela escreveu o ltimo "o",
ela adicionou um pequeno e feliz cachinho no topo do "o." Ento por diverso
ela adicionou olhos e um grande sorriso dentro do "o" em Shiloh, Hope e em
Rancho. Trs rostos felizes.
- O que mais? Katie perguntou em voz alta. O que mais voc quer fazer com esse
pedao ridculo de troco?
Exatamente no topo de seus pensamentos estava o projeto pra levantar fundos
pra gua limpa na frica. Ela escreveu aquilo. Se ela fizesse uma contribuio
grande, no significaria que o levantamento do dinheiro estava acabado. Apenas
significava que mais dinheiro seria adicionado.
Katie estava muito empolgada pra esperar e perguntar o que mais Deus queria na
lista de sonhos. Ela ligou pra Julia e pediu pra que ela viesse pra seu dormitrio.
- Preciso de ajuda.
- Voc est bem? Julia perguntou.
- Estou mais do que bem. Estou jubilante.
- Oh, querida! Julia disse com uma risada: Estarei logo a.
O que comeou naquela tarde no quarto de Katie entre ela e Julia ficou naquele
quarto entre Katie e Julia. Foi o tipo de segredo delicioso de sempre.
Depois que Katie mostrou pra Julia como ela queria dividir o dinheiro, Julia
concordou com a cabea e ento disse:
- Voc esqueceu uma coisa importante.
- O qu? Dzimo?
- No, eu acho que voc tem seu dzimo quadruplicado com o que voc quer
direcionar pro projeto de gua limpa. O que voc esqueceu foi voc mesma.
- Minha mensalidade est coberta. Est nessa coluna bem aqui.
- Katie, e a respeito de um carro?
- Ah, sim. Eu poderia usar um desses.
- C acha? Julia disse em tom de brincadeira. Eu no consigo acreditar como voc
no colocou isso no topo da lista. Voc pensou em todo mundo menos voc
mesma.
- No exatamente. Eu apenas esqueci minha deficincia de transporte. Acho que
 porque todos tm sido to legais me levando pra cima e pra baixo, eu no
tenho sentido falta do meu carro tanto quanto eu pensei que eu iria.
- Ainda assim voc precisa comprar um.
- Eu sei. Eu no preciso de um carro novo, mas alguma coisa que seja seguro
seria muito boa. Isso poderia ser divertido! Eu poderia pagar com dinheiro vivo!
A papelada chegou na quinta e Julia ajudou Katie a olhar os especficos pra ter
certeza que ela tinha respondido a todas as perguntas feitas a ela e assinado
todos os lugares que eram requeridos pra assinar.
Enquanto elas dirigiam de volta da loja de envio onde elas mandaram os papis
de volta via FedEx noturno, Julia ajudou Katie decidir quanto ela colocaria na
poupana, quanto ela transferiria pra conta corrente e quanto ela precisava
segurar pros impostos. Outro valor precisava ser colocado numa conta poupana
de longo termo onde renderia mais e estaria disponvel pra Katie depois que ela
graduasse. Katie no estava convencida sobre a poupana ps graduao, mas
Julia comentou que o valor final permitiria que Katie se mudasse pra um
apartamento.
- E se eu no precisar comprar meu prprio apartamento depois que eu me
formar? Katie disse, aludindo  possibilidade de que ela poderia fazer como Cris e
se casar logo depois da formatura.
- Ento eu diria que voc vai ter todo dinheiro que precisa pra um vestido de
noiva sensacional como tambm uma recepo que vai surpreender todos os seus
amigos e familiares.
- E eu no terei que pedir nem um centavo aos meus pais, Katie disse
pensativamente. Aquele foi o momento que ela percebeu quanto sua vida tinha
mudado. No apenas por causa do dinheiro, mas porque ela realmente tinha se
tornado independente.
Com aquilo em mente, Katie adicionou outra conta poupana  sua lista. Essa era
para seus pais.
- Voc me disse que a melhor coisa que eu poderia fazer era honrar meu pai e
minha me. Eu no quero contar a eles sobre esse dinheiro por todas as razes
bvias, mas eu quero guardar um pouco pra eles caso eles tenham problemas
mdicos ou pra despesas com aposentadoria que eles no possam arcar.
Julia concordou.
- Isso  bom, Katie. Muito bom. Voc est sendo uma boa administradora daquilo
que Deus tem te dado.
- Bem, Ele no meu deu ainda. Eu ainda tenho a sensao de que isso  um
daqueles momentos s-acredito-vendo.
Katie cancelou seu almoo com Cris planejado para aquela semana dizendo
honestamente que ela tinha muita coisa pra fazer. Ela estava morrendo de
vontade de contar para Cris, mas ela sabia que se ela contasse a Cris, Cris ia
quere contar para Ted e se Ted soubesse ento ele contaria a Eli e, claro, Rick e
ento ningum poderia parar as notcias. Todo mundo saberia e o segredo das
doaes seria estragado.
Por aquela razo ela tambm evitou longas conversas com Nicole. Suas conversas
no telefone com Rick foram todas sobre as aventuras dele em San Diego e como
ele sempre deixara a nova construo cheirando a pneus de borracha. Quando
ele disse a ela no telefone sexta  noite que ele sentia muito, mas no poderia
manter o encontro deles no domingo, Katie nem estava to chateada.
- Eu tenho tido tanta coisa acontecendo aqui que voc nem acreditaria.
- Voc no est chateada?
- No. Estou ansiosa pra te ver, mas eu posso esperar. Sou uma boa esperadora.
Rick sorriu.
- Voc , Katie. Voc  a melhor. Eu...
Um pequeno sorriso cresceu no rosto de Katie enquanto ela sentava na cafeteria
barulhenta com seu celular contra seu ouvido.
- Sim, voc comeou a dizer alguma coisa...
- Eu te aprecio mais do que voc jamais vai saber, ele disse.
- Frango18!
- O qu?
Katie sabia que no era uma boa idia insistir pra que Rick dissesse que a amava.
Ela rapidamente redirecionou sua declarao.
- Ns temos frango hoje  noite. Estou na cafeteria.
- Posso ouvir. Eu deveria te deixar ir.
- Ok, mas me liga mais tarde quando voc puder.
- Eu ligo. Eu sempre ligo.
- Eu sei. Katie fechou seu telefone e carregou sua bandeja pra mesa perto da
janela onde ela e Eli tinham sentado na segunda-feira  noite quando ela deu a
idia dele falar na capela. Ela tirou seu prato e bebida da bandeja j que a mesa
era pequena e ps a bandeja contra a janela. Ela realmente tinha frango no seu
prato. A ltima coisa que ela queria fazer era mentir pra Rick. De certa forma
ela se sentia incerta desde que ela no tinha dito a ele sobre a herana.
Ao mesmo tempo ela sabia que era a deciso certa. Quanto mais ela pensava a

18
  A expresso CHICKEN em ingls, alm de significar frango, tb  usada pra chamar um pessoa de medrosa,
covarde, etc. Ento na primeira vez em que Katie usou, o sentido era chamar Rick de medroso por no ter dito
que a amava.
respeito, mais certo parecia manter tudo como estava  um esplndido
segredinho entre ela e Deus. Claramente Deus tinha enviado Julia para o suporte
necessrio. No era coincidncia, Katie estava certa, ela ter aberto a primeira
carta quando ela estava sentada no sof do apartamento de Julia. Tambm no
era coincidncia Julia ter adentrado o Java Jungle apenas alguns minutos antes
de Katie receber a ligao do advogado.
Katie fez uma orao de gratido por seu frango de sexta-feira  noite da
cafeteria e comeu sozinha. Ela pensou sobre todos os trabalhos que ela precisava
terminar s no fim de semana. Ela tambm pensou quando ela teria tempo pra
sair e procurar por um carro e quando ela teria tempo pra encontrar Cris pra
almoar.
Quando ela pensou em Cris, ela pensou em duas coisas. Pobre velho senhor
Tropeo e um-carro-dilema de Ted e Cris. Pegando o pequeno caderno que agora
ela carregava consigo desde que Julia sugeriu que ela mantivesse um manual em
seu quarto, Katie escreveu uma nota pra si mesma: T e C  Gato e Carro. Ela
colocou a nota na pgina onde ela estava mantendo uma lista que ela estava
chamando sua lista "Fada Madrinha". Se ela pudesse abenoar algum
anonimamente com o dinheiro extra que ela receberia na poupana, seus nomes
e o presente especfico iam pra lista Fada Madrinha. No significava que ela
seguiria todas as noes viajantes daquela lista, mas com certeza era divertido
pensar como ela poderia comprar um carro extra e um animal de estimao pra
Cris e Ted.
Katie mastigou o pedao de frango pensativamente e decidiu riscar o "gato" da
lista para Cris. Ela j sabia que aquilo no seria visto por Ted como uma beno.
O carro, porm, era uma possibilidade. Ela no sabia como aconteceria e como
ela manteria no anonimato, mas ela tinha tempo. O dinheiro no tinha chegado
ainda. Quando chegasse, ela poderia guardar e esperar at o momento certo pra
ativar sua lista Fada Madrinha.
                            Captulo 25
O cheque chegou na quinta-feira, trs semanas antes do Natal. Katie abriu a sua
caixa de correio e viu o envelope. Ela consumiu cada molcula de compostura
dentro dela para simplesmente pegar o envelope e escorreg-lo para a sua bolsa
a tiracolo sem deixar escapar um grito selvagem de jbilo. Ela se apressou de
volta para o Crown Hall, discando para Julia no caminho.
- Ei, Katie disse calmamente. Sou eu, Katie. Hum, voc lembra como voc disse
que se eu algum dia precisasse de uma carona que eu poderia pedir para voc?
- Sim.
- Bem, eu quero saber se voc estaria disponvel para me levar ao banco esta
tarde.
- Oh, o banco. O banco! Sim! Uau! J? Ok. Sim. Eu vou estar honrada por te levar
ao banco.
- Bom. Eu estou quase no Crown Hall bem agora.
- Eu a encontro no salo de entrada.
As duas mantiveram a fachada tranqila enquanto se encontravam na porta da
frente.
- Voc est pronta para ir, ento? Julia perguntou.
- Sim. Obrigada por fazer isso por mim.
- Sem problemas, Katie. s ordens.
Ento, j que ela no poderia ajudar, mas para adicionar uma pequena graa ao
momento, Katie disse:
- Eu espero que eu brevemente seja capaz de comprar um carro de alguma
forma, mas at l, eu realmente aprecio a carona.
Julia olhou em volta. No parecia que algum tivesse escutado o comentrio de
Katie. Sem problemas. As duas conheciam todos os significados ocultos. Assim
que elas escapuliram no carro de Julia, Katie abriu o envelope.
- Minhas mos esto tremendo! Puxando cuidadosamente o pedao de papel
significante para fora do envelope, Katie o colocou em seu colo e encarou.
-  o que voc esperava? Julia perguntou.
- At o ltimo centavo. Uau! Quantos belos, belos gordos e alegres nmeros. Olhe
para todos eles alinhados como desejos. Tantos desejos vo se tornar realidade
como resultado desses nmeros inesperados. Eu tenho vontade de cantar!
Enquanto Julia dirigia rumo ao banco, ambas cantavam. Um tipo de cntico bobo
e espontneo, mas ao mesmo tempo, parecia a coisa mais natural a fazer. Era
um ato de adorao.
Uma vez que elas chegaram ao banco, entretanto, ambas passaram a ser s
negcios. Aquilo era fcil de fazer devido ao trabalho preliminar que Julia tinha
feito. Ela havia preagendado um compromisso com o gerente e tinha ligado para
ele assim que Katie a chamou. Isso permitiu que as duas sentassem com o
gerente do banco e conduzissem a transao de forma particular.
Levou quase uma hora at que tudo estivesse completo. Eles estavam perto de
finalizar com os detalhes da conta que Katie queria usar para o levantamento de
fundos quando o gerente disse:
- Eu estou entendendo que a maior parte desse fundo vai para caridade?
Katie explicou sobre os planos de levantamento de fundos e a conexo de Eli com
o projeto.
- Ele vai falar na capela amanh, Katie disse. Voc ser bem vindo a se juntar
conosco, se voc quiser.
O gerente se sentou novamente e dobrou as suas mos, sua expresso era
contemplativa.
- Eu no poderei ir  capela, ele disse. Mas eu gostaria que a nossa filial
participasse do levantamento de fundos. Voc poderia nos dar as informaes?
- Claro. Katie e Julia trocaram olhares surpresos. Ele inclinou a sua grande
cadeira de couro para frente e, olhando para Katie, disse:
- Eu nunca vi nada igual a isso. Voc  uma jovem mulher inspiradora. Ter essa
quantidade de dinheiro  sua disposio e escolher colocar tanto assim nessa
causa move profundamente.
Katie no sabia o que dizer.
- Eu decidi que vou fazer uma contribuio pessoal de trs mil dlares para o
fundo. Minha contribuio ir aparecer na conta ao final deste ms.
- Obrigada! Katie se levantou e avanou para apertar a mo dele. Muito obrigada!
- No, obrigada a voc pelo seu exemplo impressionante. Eu estou em bancos h
duas dcadas e nunca tinha visto esse tipo de dedicao. Especialmente em
algum to jovem. Posso perguntar como voc chegou a esta deciso?
Katie olhou para Julia e de volta para o gerente.
- Ns s oramos sobre isso. Eu perguntei a Deus se ele tinha alguns sonhos que
queria que se cumprissem com o dinheiro e, ento, eu comecei a fazer uma lista.
- Bem, de novo, obrigada pelo seu exemplo, Senhorita Weldon. Voc est em
crdito com o seu Deus e com a sua universidade. Ele se levantou e abriu a porta
do escritrio.
Enquanto Katie e Julia caminhavam para fora, os clientes que esperavam para se
encontrar com o gerente em seguida vieram em sentido contrrio.
- Rick, Josh! Ei! Katie se apressou para frente e deu a Rick um grande abrao. Eu
no acredito que vocs esto aqui.
- Ns estamos aqui para o nosso emprstimo empresarial, Josh disse. Assim ns
esperamos.
- Parece que esses jovens homens so amigos de vocs, o gerente disse.
- Esse  o meu namorado, Rick Doyle, e o seu irmo, Josh.
- Est tudo bem? Rick perguntou a Katie. Ele disse isso calmamente, mas Katie
estava muito certa de que o gerente e Julia podiam ouvi-lo. Voc no est com
saldo negativo, est? Por que se voc estiver...
O gerente cobriu a sua boca como se uma tosse subitamente o atacasse.
- No, est tudo timo. Julia se ofereceu para me dar uma carona. Eu tinha que
colocar algumas das minhas finanas em ordem. Ela se virou e deu ao gerente um
sorriso astuto. Ns conseguimos arranjar tudo.
- Bem, se voc precisar de uma carona de novo, s me ligue. Eu no sabia que
voc estava vindo aqui hoje.
- Eu tambm no sabia. S aconteceu desse jeito. Katie se voltou para Julia.
Vocs j se conheceram? Rick e Josh, esta  Julia a diretora dos residentes do
meu dormitrio.
Eles trocaram corteses 'ols'. O gerente ento convidou Rick e Josh para dentro
do seu escritrio.
- Se ajudar, Katie disse para o gerente do banco com um sorriso brincalho, eu
estou disposta a ser garantia desses dois.
- Obrigada, Katie Girl. Josh respondeu com um tapinha igualmente brincalho no
ombro dela. Eu tenho certeza que isso ajuda muito vindo de uma estudante
universitria que no ter sequer um carro no momento. No estou certo de que
tipo de efeito colateral voc pode nos oferecer, mas obrigado pelo seu voto de
confiana.
O comentrio de Josh a incomodou, mas Katie fugiu dele e ofereceu um sorriso
tranqilo para o gerente do banco. A porta do escritrio se fechou atrs dos dois
irmos e Katie pensou se ela queria esperar at eles terminarem e pegar uma
carona de volta para a Rancho com eles ou voltar agora com Julia. Ela optou por
voltar com Julia e as duas se dirigiram para o Archies Burgers no caminho para o
campus.
- Ns vamos querer dois milkshakes de chocolate, Julia disse.
- Pequenos, mdios ou grandes? A voz no caixa do drive-through perguntou.
- Grande! Katie gritou de volta. Definitivamente, grande! Ns estamos
celebrando! Quando elas se dirigiram para a janela, Katie estendeu a Julia uma
nota de vinte dlares. Eu sempre quis fazer isso. Dar a ela vinte e ento dizer
'Fique com o troco'.
Julia fez como Katie pediu e pelo olhar no rosto da jovem mulher, ela tinha
acabado de ganhar o dia.
- Foi muito engraado, Katie concordou. E no se preocupe com a minha nota de
vinte dlares sendo agitada pelo campus e levantando suspeitas. Eu tenho
pensado muito sobre isso e sei que tenho que pegar leve. Eu vou. E mais uma
coisa. Eu tenho pensado sobre isso muito tambm ento eu espero que voc
honre os esforos exaustivos do meu crebro. Eu quero pagar a voc pela sua
consultoria. Katie tirou um dos seus novos tales de cheques e comeou a
preencher um cheque.
- Agora antes de voc protestar, Katie calmamente adicionou, apenas saiba que
eu no quero ouvir qualquer recusa de voc. Eu quero te dar esse dinheiro como
um agradecimento a voc por toda a sua ajuda. O que voc far com ele  com
voc. Mas voc tem que aceitar.
Julia no resistiu. Ela chorou, disse obrigada e abraou Katie.
Katie perguntou.
- Voc acha que ter tempo para pegar o cheque administrativo para o servio
dos estudantes?
- Aquele para o Joseph?
- Sim, eu no posso esperar para colocar todas as etapas em prtica. Se h algum
jeito de Shiloh e Hope estarem aqui antes do Natal, ser inacreditvel.
Julia tinha tomado todas as providncias necessrias para que a mulher e a filha
de Joseph se mudassem para l. Tudo o que faltava era o cheque. Ento Joseph
seria notificado, os vos seriam finalizados e tudo de maravilhoso para a famlia
dele estaria acontecendo. Ningum sabia quem estava fazendo a contribuio.
Julia tinha feito um excelente trabalho de manter os segredos de Katie.
A faculdade de Eli tinha sido paga, mas a de Joseph j estava coberta por uma
bolsa de estudos. Tudo o que Katie estava pagando eram as despesas da viagem e
moradia para Joseph e a sua famlia at ele se formar.
Katie retornou para o seu quarto enquanto Julia dava os prximos passos no
servio dos estudantes. Algumas mulheres cumprimentaram Katie enquanto ela
caminhava corredor abaixo e ela parou para conversar com duas delas antes de
entrar no seu quarto e fechar a porta. Ela ainda no tinha um calendrio de
dentro-e-fora no seu quadro de mensagens, mas ela tinha comeado a escrever
"J volto" e estimar um tempo para voltar sempre que ela deixava o quarto. A
tcnica de parar-e-conversar que ela estava usando todas as vezes que ela subia
ou descia o corredor parecia estar ajudando na forma como as mulheres a
cumprimentavam quando a viam. As coisas pareciam bem em todas as reas da
vida de Katie.
Ela estava quase em seu quarto quando Rick telefonou.
- Ns conseguimos o emprstimo. Ele parecia emocionado e surpreso.
- Isso  timo!
- Voc no entendeu, Katie. Ns recebemos o suficiente para abrir os dois cafs.
O de Redlands e o de San Diego.
- Qual caf em Redlands? Eu pensei que fosse s uma especulao.
- E era, mas com essa quantidade de dinheiro, Josh e eu podemos abrir ambos.
Ns precisamos sair para comemorar. O que voc est fazendo agora? Voc quer
nos encontrar no Palcio Tailands? Oh, espere, Josh acabou de me dizer que ele
no tem tempo para sentar e jantar. Eu estou indo lev-lo de volta para o Ninho
da Pomba no carro dele e ento eu vou para o Palcio Tailands e pego alguma
comida. Ns podemos comer no meu carro. Voc pode conseguir uma carona?
- Sim, tenho certeza de que eu posso conseguir uma carona com algum. Te vejo
em meia hora.
- Quarenta minutos.
Katie passou pelas suas caronas usuais. Julia estava levando Talitha e a sua
companheira de quarto para o jantar de aniversrio de Talitha. Nicole estava
respondendo s suas chamadas. Trs das outras possveis generosas amigas
motorizadas de Katie j tinham planos e nenhuma delas estava indo para o lado
do apartamento de Rick.
Ela tentou Cris como um tiro longo, mas ela estava trabalhando no turno da noite
para algum que estava doente e Ted estava com o carro em uma reunio.
- Ok. Ento eu acho que preciso de um carro.
Ela no queria ligar para o Rick novamente e fazer com que ele viesse busc-la.
Em um impulso, Katie ligou para a companhia de txi. Ela nem sabia se os txis
estariam disponveis, mas quando localizou um e fez a chamada, ela pediu para
ser encontrada na entrada da frente da Rancho Corona; assim havia poucas
pessoas que poderiam v-la tomando um txi.
Correndo pelo seu caminho ao longo do campus, Katie avanou para a entrada
principal esperando o txi chegar. Ela percebeu que m idia era esperar na
porta, porque vrios estudantes a notaram enquanto se dirigiam para o campus e
pararam para perguntar se ela estava ok. Ela disse a eles que estava esperando
por algum, o que ela estava. Ela s no conhecia esse algum.
O prximo carro que saiu da Rancho parou. Era uma descuidada Camry branca.
- Katie!
- Ei, Eli. Voc est indo para casa?
- Sim.
- Por que eu no pensei em te ligar? Eu preciso de uma carona para o seu
apartamento.
- Claro. Entre.
- S um segundo. Katie rapidamente fez uma ligao para a companhia de txi e
cancelou o pedido. Ela queria fazer isso longe de Eli para que ele no pudesse
ouv-la fazendo a chamada.
Quando ela j estava no carro, Eli disse:
- Voc se importa se ns fizermos um desvio?
- Claro que no.
- Que bom. Meu carro precisa de petrleo e eu tenho umas coisas para deixar
com Joseph.
- Oh, claro. Ok. Como vai Joseph?
- Ele vai bem, suponho.
- E quanto a voc? Katie perguntou. Est pronto para a sua apresentao na
capela amanh?
- Acho que sim. Obrigado por organizar tudo.
- Por nada. Foi fcil.
- Eu vi todos os folhetos que voc imprimiu e as caixas de doaes. Eles parecem
bons.
- Nicole fez tudo aquilo. Ela  maravilhosa com aquele tipo de coisa. Voc nunca
vai adivinhar o que aconteceu hoje.
- O que?
Katie pensou em tudo o que havia acontecido e forou seus lbios a darem
apenas um pequeno sorriso.
- Eu tive que ir ao banco e acabei conversando com o gerente. Ele disse que
poderia colocar folhetos e caixas de doaes l no banco.
- Srio? Isso  maravilhoso.
- Eu sei. Deus est fazendo uma coisa muito maior do que eu esperava. Katie
olhou para o pra-brisa e notou que Eli ainda tinha o halo floral balanando em
seu espelho retrovisor. Sabe, voc realmente deveria jogar essa coisa fora, Eli.
- Por que?
- Est morto.
- No, ele disse, lanando para Katie um olhar bastante feroz. No est morto.
Ele me lembra de orar.
- Pelo que?
Ele hesitou.
- Por voc. Por vrias pessoas, mas uma delas  voc.
- Eu? O que voc ora para mim?
- Eu oro para que Deus a abenoe.
No fazia sentido, mas Katie riu alto e ento cobriu a boca rapidamente.
- Isso  muito legal. Verdade. Obrigada. Eu acho que voc pode parar agora.
- Por que?
Ela estava para dizer que Deus a abenoara tanto que ela no precisava de mais
oraes enviadas ao cu em seu benefcio. Corrigindo rapidamente seu
pensamento, porque ele poderia despertar suspeitas, Katie simplesmente disse:
- Na verdade no. Continue orando. Sinto muito por ter rido. Isso  realmente
simptico da sua parte, Eli. Obrigada. Sim, continue orando por mim. Eu sempre
preciso de orao.
Com um sorriso de lado, ele disse:
- Foi o que eu pensei. Foi por isso que eu decidi te adicionar na minha lista. Ele
abaixou a viseira do lado dele do carro e revelou um carto de ndice usado que
tinha uma lista de nomes nele. Katie viu que o seu nome realmente estava na
lista. Assim como o nome de Rick.
- Obrigada. Katie disse sinceramente. De verdade, Eli, obrigada.
Eles entraram no posto onde Joseph trabalhava e Eli saiu para bombear a
gasolina. Joseph aparentemente o notou do seu lugar atrs do balco dentro da
loja de convenincia porque logo que Joseph percebeu que era Eli, ele saltou
para fora da porta da frente com um largo sorriso em seu rosto.
- Eli, ela est vindo! Elas esto vindo! Voc no vai acreditar! Batendo palmas e
depois levantando as mos para o cu, Joseph olhou e riu com o desleixo
selvagem de um homem louco.
Eli se apressou e colocou a sua mo no ombro de Joseph. Pessoas nos carros e
esperando dentro da loja de convenincia o encararam. Katie mordeu seu lbio
inferior para evitar chorar ou rir ou de qualquer outra maneira dar alguma dica
de que ela sabia por que Joseph estava danando ao redor e altercando com Eli
de uma forma que poderia parecer sem sentido.
Enquanto Katie assistia do seu lugar no carro com a janela aberta, Joseph contou
a Eli sobre o telefonema que ele tinha recebido e como era um sonho que ela
tinha deixado de sonhar h muito tempo. Shiloh e Hope estavam vindo para viver
com ele. Ento Joseph chorou. Eli o ajudou a voltar para a loja de convenincia e
o deixou novamente atrs do balco, ento ele poderia atender a fila de pessoas
esperando por ele.
Katie decidiu terminar de bombear a gasolina e ento pegou o rodo e lavou as
janelas do carro de Eli. O tempo todo ela expulsava suas velhas lgrimas,
enquanto assistia Eli conversar com as pessoas dentro da loja e apontar para
Joseph, que ainda estava sorrindo de orelha a orelha.
Todos os clientes comearam a sorrir. Katie assistiu enquanto cada um deles
apertou a mo de Joseph e deixou a loja sorrindo.
-  incrvel, um cliente disse enquanto passava por Katie. Voc ouviu o que
aconteceu? Eu achei que o cara estava tendo um desarranjo nervoso quando ele
correu pra c. Voltar a ter sua mulher e filha reunidas a ele depois de vrios
anos. Toca voc bem aqui, no ?
Katie concordou, tentando duramente no chorar.
- D esperana para o mundo, sabe? Coisas boas ainda acontecem, no ?
- Eu gosto de cham-las Coisas de Deus, Katie disse.
O homem balanou a cabea lentamente e voltou para o seu carro. Quando Eli
voltou, ele estava sorrindo como um louco.
- Voc quer entrar e dizer oi para Joseph? Ele tem novidades maravilhosas.
Katie sentiu-se rasgar. Ela no sabia como iria reagir se ela olhasse para Joseph
ou ouvisse as novidades dele frente-a-frente. Ela estava com medo de "desabar".
- Por que voc no me conta as novidades dele em nosso caminho de volta para o
apartamento? Joseph parece um pouco ocupado no momento.
Eli relutantemente concordou. Ele ligou o carro.
- Ei, obrigada por lavar os meus vidros.
- De nada. Ento, quais so as novidades de Joseph.
Eli se afobava enquanto contava a Katie. Ela se afobou enquanto o ouvia contar a
ela. Tudo o que ela podia dizer em resposta era "Uau!".
- Ruth do Servio dos Estudantes disse a Joseph que tudo tinha sido arranjado por
um doador annimo. Voc pode imaginar?  provavelmente algum que sustenta
a organizao missionria que tem trabalhado na rea deles por vrios anos.
Katie deu um "Hmm" descomprometido.
Eles chegaram ao apartamento s alguns minutos depois que Rick retornara com
um sortimento fragrante de sua comida tailandesa favorita em pequenas caixas
brancas. Assim que Rick viu Katie entrar com Eli, uma sombra veio sobre o rosto
dele.
- Eu deveria ter perguntado se voc viria para jantar em casa, Rick disse para Eli.
Eu teria comprado mais comida.
- No se preocupe com isso. Realmente, eu no vou ficar. Eu j estou saindo. Eu
s vim pegar alguns livros e Katie precisava de uma carona ento deu tudo certo.
- Tem certeza? Ruck disse.
- Sim, eu estou bem. Eli sorriu. Eu estou realmente bem.
- Obrigada pela carona, Katie disse.
- A qualquer hora. Basta me chamar.
- Ok, obrigada.
Rick abriu as caixas que ele havia desempacotado na mesa da cozinha. Katie foi
at o armrio e pegou alguns pratos. Ela encontrou uma garrafa de gua mineral
no refrigerador e pegou dois copos do armrio. Vertendo a gua borbulhante para
dentro dos copos, ela entregou um para Rick e disse:
- Aqui est. por voc e Josh terem fechado o negcio.
Eles bateram os copos e tomaram um gole.
- Ahh, Rick disse. Ano de vindima. Agradvel cintilante sabor. Eu espero que voc
no se importe que eu tenha trazido os mais picantes.
Katie fez uma careta, mas Rick no a viu. Ela no gostava muito de pratos mais
picantes. Na verdade, ela no era uma grande f de comida tailandesa como Rick
era. Ela preferia Casa de Pedro qualquer dia.
Eli passou por eles em seu caminho para a porta da frente.
- Vejo vocs mais tarde.
- Vejo voc amanh na capela, Katie disse. Eu vou estar na primeira fila sorrindo.
- Obrigada. Eli deu a ela um sorriso caloroso e saiu.
- Voc sabe o que eu amo? Rick disse um momento depois de Eli sair do
apartamento.
- Eu? Katie arriscou.
Katie evitou a resposta de Katie olhando para longe.
- Eu procurei isso, no foi?
- O que voc ia dizer?
- Eu ia dizer que eu amo a forma como voc est se dando bem com meu colega
de apartamento. Eu aprecio isso. Isso faz as coisas melhores por aqui, sabe? Ele
continuou evitando olh-la e puxou macarro da larga caixa branca com uma
colher de servir.
- Rick. Katie colocou a sua mo na dele e parou o movimento dele antes que ele
mergulhasse para um segundo apoio. Olhe para mim.
Rick olhou para Katie.
Sem parar para pensar no que ela estava para dizer, Katie disse:
- Eu no ia dizer isso, mas...
- Eu sei o que voc vai dizer. Rick abaixou a colher e levantou a mo para alisar
os cabelos dela atrs de suas tmporas.
- E voc...? Para Katie a questo tinha um duplo sentido. Ela estava perguntando
a Rick, "Voc me ama?". Mas ela sabia que tambm poderia ser interpretado
como "Voc sabe o que eu vou dizer?". De qualquer forma, a conversa deles
estava se encaminhando para a declarao que Katie esteve pensando todo o
tempo desde aquela tarde no Ninho da Pomba quando ela olhou para Rick sobre o
mar de estudantes em excurso.
Rick olhou Katie nos olhos. Ele deu um pequeno sorriso e correu o dedo polegar
dele pela bochecha dela. Aproximando-se, ele a beijou.
Enquanto eles se afastavam, Katie sentiu que tudo o que ela queria saber sobre
os sentimentos de Rick por ela, ele tinha acabado de expressar naquele beijo.
Mas ela ainda queria palavras. Ela queria "as" palavras.
Procurando os olhos dele, ela perguntou de novo.
- Voc...? S que dessa vez, os olhos dela sozinhos faziam a pergunta.
Rick colocou os seus braos em volta de Katie e a puxou em um abrao.
Sussurrando no ouvido dela de forma que a respirao dele enviava pequenos
tremores para cima e para baixo ao cabelo no pescoo dela, ele falou o nome
dela.
- Katie. Eu quero que voc me escute e entenda o que eu vou dizer.
Ela tentou se afastar, ento ela poderia ver o rosto dele enquanto ele falava,
mas Rick suavemente a segurou.
- Um dos compromissos que eu fiz comigo mesmo quando eu acertei o meu
corao com o Senhor foi que eu no diria a uma mulher que a amo at que as
prximas palavras a sarem da minha boca sejam um pedido de casamento.
Katie engoliu e sentiu os seus olhos nublando.
- Eu ainda no estou completamente l. Voc entende o que eu estou dizendo?
Ela concordou com a cabea, sabendo que ele podia sentir o movimento.
- Quase, Rick sussurrou. Quase.
Katie balanou a cabea novamente.
Ele a soltou e Katie se afastou rpido o bastante para que pudesse ler os olhos
dele. Ela viu em seu olhar caloroso toda garantia que ela precisava para esse
momento.
Ele abaixou o queixo e permaneceu olhando para ela, levantando seus olhos
castanhos ligeiramente como se convidando-a a responder.
- Eu sou boa para esperar, Katie disse suavemente.
Rick sorriu.
- Sim, voc .
- E voc  muito bom para esperar.
- Sim, eu sou. Rick concordou.
- O que voc est aludindo  longe e muito importante para ser decidido no
impulso.
- Sim, .
- Eu posso viver com "quase para sempre". Ela sorriu para ele.
- Quase para sempre, Rick repetiu. Ento ele adicionou: Por enquanto.
- Por enquanto, Katie ecoou.
Eles inspiraram juntos no mesmo momento e deram um ao outro um beijo que
era igual a qualquer beijo de contos de fadas que sempre acompanhava a histria
do "quase para sempre".
Contracapa
Desde a escola secundria, Katie Weldon desejava saber como seria se ela fosse a
namorada de Rick Doyle. Como uma veterana na faculdade, ela est prestes a
descobrir.
No redemoinho dessa fase avanada da vida de Katie est o recebimento de um
buqu inexplicvel, um telefonema inesperado de sua me, uma noite das
garotas sem precedentes com Cris e um infeliz momento em que seu amado carro
d um ltimo suspiro. O novo colega de quarto de Rick, Eli, complica as coisas
convidando Katie para ver uma chuva de meteoros. Sobre uma cobertura de
estrelas Katie alcana uma nova viso do universo  out there as well as up close.
Como se ela no tivesse mais nada para fazer, num impulso, ela sozinha comea
uma campanha para levantar fundos para a purificao das guas da frica.
Com Rick subindo em seus planos para o futuro, como Katie poder seguir seu
caminho pelo resto de sua carreira universitria sem dinheiro, sem transporte e
sem idia do que Deus ir fazer?
                   ON A WHIM  o segundo livro da Srie Katie.
ROBIN JONES GUNN  a to amada autora das sries Cris, Selena, Glenbrooke e
Sisterchicks, com mais de 3, 5 milhes de livros vendidos no mundo inteiro.
"Gunn escrevera sobre Katie e seus amigos durante anos, mais notavelmente na
Srie Cris... O dilogo que resulta  uma vez de desmanchar o corao e
totalmente familiar para todas as pessoas alguma vez esteve no caminho de
Katie. Alm disso, a f religiosa de Katie nunca ficou sentimentalizada ou
alinhavada, mas  integralmente bela em um enredo encantador."
                                            Publishers Weeklly, fevereiro de 2008
